domingo, 9 de maio de 2010



Coração de Borracha

Isto aconteceu há mais de 20 anos, e fala de uma miúda chamada Susana, nos seus 12 anos talvez. Uma das minhas primeiras paixões.

Não nos falávamos, e só te conhecia de vista apesar de estarmos na mesma turma. Tinhas um olhar distante e dono de ti. Não eras linda, mas tinhas alguma coisa especial que me chamou atenção. Podia jurar que tinhas olhos cinzentos, mas posso estar enganado.

Não me lembro do teu rosto ou do teu olhar, e não te reconheceria na rua. Também não te falaria, se reconhecesse. E não te ia contar a história do coração de borracha.

 

Era Vermelho, cabia na palma da mão, e devia dizer “I Love You” em letras brancas. Deixei-to em segredo dentro da mochila num intervalo entre duas aulas, junto com uma mensagem de amor. Naquela altura eram moda as pequenas borrachas com formas e mensagens, e havia quem as coleccionasse. Miúdas.

Não sei bem como, mas acabou por voltar às minhas mãos, e nunca nos falámos sequer. Talvez tenha aparecido, devolvida num intervalo, na minha mochila.

Quando o ano acabou e mudei de escola, vi-te de mão dada com um amigo que já vestia só de preto, ouviam-se os Art Company ao fundo a cantar o teu nome e rir-se de mim.

Já a pequena borracha vermelha em forma de coração, essa seguiu-me muitos anos.



5 comentários:

  1. amigo poeta, vc tem talento e seu tom de escrita é igual ao meu...

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  2. Telca - agradeço o comentário, mas parece-me que estou longe de ser poeta :) são só umas cenas que escrevo.

    Alice - obrigado :)

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  3. Tão bonito e quanta sensibilidade! :))

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