domingo, 12 de outubro de 2003



«Se escreve habitualmente um diário deve saber e tornar a saber que normalmente só se escreve em dias maus. Nos dias bons está-se muito ocupado. Por isso pode encontrar coisas escritas com muita raiva e indignação, mas que sao escritas no pressuposto de que nao faz mal escrevê-las, pq ninguém as vai ler, servem de desabafo sem consequências e o seu autor, muitas vezes, nem sequer acredita completamente nelas. Mas a verdade é que se sao lidas pelo outro de quem se fala, aí magoam mesmo, e é uma dor estúpida e desnecessária. Sabe, o que os olhos não vêem o coração não sente. Por isso talvez seja melhor não ver!»

in Notícias Magazine #594.





I'm Listening to Sad Songs@Exploding Dog





Deixo um pouco do texto, tirado do The Atlantic:

«What causes productivity to "turn off" after marriage? The study hypothesizes that chemicals are ultimately to blame - in particular testosterone, which falls after marriage (and rises again in the case of divorce). [...] the few women studied to not exhibit a similar hormonally-driven achievement curve; they tend to achieve steadily throughout their lives.»

Fonte original: Why productivity fades with age: The crime–genius connection.



sexta-feira, 10 de outubro de 2003



Tirei deste site uma explicaçao sobre a Caixa de Pandora, pq queria deixar uma pergunta.

«According to Edith Hamilton in Mythology the source of all misfortune was Pandora's curiosity. "The gods presented her with a box into which each had put something harmful, and forbade her ever to open it. Then they sent her to Epimetheus, who took her gladly although Prometheus had warned him never to accept anything from Zeus. He took her, and afterward when that dangerous thing, a woman, was his, he understood how good his brother's advice had been. For Pandora, like all women, was possessed of a lively curiosity. She had to know what was in the box. One day she lifted the lid­and out flew plagues innumerable, sorrow and mischief for mankind. In terror Pandora clapped the lid down, but too late. One good thing, however, was there­ Hope. It was the only good the casket had held among the many evils, and it remains to this day mankind's sole comfort in misfortune.»

A questão que se põe é uma apenas.

A esperança é um bem? ou a pior de todas as maldições?





Rodin - PensadorO último ano, valeu a pena? Recapitulando, olhando para trás, valeu? Pensando em tudo, nas coisas boas e nas coisas más, foi aquilo que queria? Foi aquilo que tu querias?

Senta-te e pensa. Sento-me e penso.



quinta-feira, 9 de outubro de 2003



QuaresmaFui ver o Quaresma. Há muito tempo que nao via um filme português, e espero não voltar a deixar passar tanto tempo. As críticas que li elogiavam bastante a actriz principal, Beatriz Batarda, e deu para perceber porquê.

No papel de um (ou uma :-)) personagem claramente invulgar, Ana, que parece viver - intensamente - numa fronteira do mundo "Normal", esta pessoa algo instável consegue ser imensamente atraente. Se calhar por sentir que vive a vida como que à beira de um abismo.

Numa das cenas da apresentação há uma janela que é aberta para deixar entrar o vento em corrente de ar, com Ana a deixar-se envolver por esse frio, boca aberta e olhos bem abertos. Pareceu-me forçada, aí, mas quando vi junto com o resto do filme, fez todo o sentido. Uma cena belíssima.

Lembrou-me a personagem Remédios (?) do "100 Anos de Solidão", e as mulheres do Saramago, em situações como a da noite de Ana e David sozinhos na casa, permitida pelo marido dela.

Deixo a que para mim foi a frase do filme, dita da Ana para o David: "Quem me ama tem de me adivinhar. Não pode ficar à espera de ordens."

PS: este artigo descreve o que eu gostaria de dizer sobre o filme, melhor do que o posso fazer, até porque é em parte nas palavras da actriz. Deixo uns bocados:

as suas gargalhadas, um riso infantil, meio louco

passa o almoço sem comer: vai tirando as pétalas a um malmequer

mostra-lhe lugares secretos, como as crianças que revelam esconderijos em casas assombradas

Tudo na Ana é sensorial. A única coisa que ela não sente são as temperaturas. Não sente o frio

A Ana tem uma fome pela vida... é insaciável

o lado de "enfant sauvage"

Gostaria de ser capaz de explicar de forma racional o que aconteceu. Mas foi um processo instintivo.

foi bom viver aquela alienação e dizer não a responsabilidades, ao quotidiano, dizer não às mediocridades, dizer não a que as relações têm que correr bem. A Ana ignora as regras do estar em sociedade, não é sequer uma rebelde.

QuaresmaProcurei uma coisa mais despojada que é pura e simplesmente o ela não ter consciência dessas regras - pelo menos ela não absorve essa informação. Mesmo que alguém lhe diga "Quando uma pessoa morre veste-se de preto", ela está-se nas tintas. O encarnado é a cor dela, é o que lhe apetece. Não é uma reacção, é uma alienação. E é disso que tenho inveja na Ana: ela dá-se a autorização para viver de forma alienada. Adoraria ter essa liberdade. Não sou capaz.

é a única que está em contacto com aquilo que realmente interessa

Apaixonei-me muito pela Ana.

Podia ter corrido mal, aquelas experiências de levar aquilo muito a sério.

Muitas pessoas que me são próximas gostaram, mas disseram: "Menina, atenção!" Porque é perigoso. É óbvio que é uma personagem, mas saiu-me mesmo cá de dentro. As emoções são minhas, as lágrimas são minhas, o riso é meu. O Zé Álvaro dirigiu-me, mas eu é que senti.

No fundo ela está a dizer-lhe: "Ama-me, por amor de Deus. O que é que interessa a mulherzinha e a criancinha?" Ela tem esse lado fechado nela própria, egocêntrico, como se nada mais existisse no mundo.


e

Mas o amor é para ser levado até ao extremo, não é? Se não, não vale a pena: é uma companhia para ir ao cinema. Para isso prefiro ir sozinha. Eu adoro amar.

Fosgassssss...
(isto é a actriz ou a personagem?)



terça-feira, 7 de outubro de 2003



Finca-te@TeatroesferaTem estado a decorrer na Teatroesfera, em Queluz, o Finca-te (1º Festival Internacional de Café-Teatro). Fui a 4 espectáculos (Lolamento, Arrepientimentos de Padrón, Bernárd Massuir e Yllana), todos eles bastante divertidos, mas um deles devo destacar: o espectáculo "ITIZZZ... SOME SING" de Bernárd Massuir.

Bernárd MassuirA caracterizaçao rápida é "Humor Musical", mas o espectáculo/concerto/performance deste belga é qualquer coisa de absoluta e indubitavelmete genial. Mágico, bonito - de levar às lágrimas, absolutamente hilariante - também de levar às lágrimas, este homem dá um espectáculo que sei nunca ir esquecer.

Desde a morna cabo-verdiana tocada no "acordeão de pé" (que me deixou totalmentetotalmentetotalmente arrepiado), à música que tocou para um gravador vulgar com uma espécie de clarinete de brincar e depois reproduziu tocando a segunda "voz", todo este espectáculo foi uma absoluta delícia para os sentidos.

Deleite e prazer puros (para tão, tão poucos felizardos).



segunda-feira, 6 de outubro de 2003



Crónicas Americanas (p.101)Dedicado.

«Se ainda aqui estivesses
Pegava em ti
Abanava-te pelos joelhos
Soprava-te ar quente nos ouvidos

Tu, que escrevias como uma pantera
Que mal entrou nas tuas veias
Que sangue verde
Te afogou nessa inapelável condenação

Se ainda aqui estivesses
Arrancava-te o teu medo
Deixava-to dependurado
Em longas serpentinas
Retalhos de pavor

Virava o teu rosto
Para o vento
Encostava as tuas costas contra os meus joelhos
Beijava e trincava a tua nuca
Até que abrisses a tua boca para esta vida»


Sam Shepard, "Crónicas Americanas"





Relvar
verbo

O acto de se ir deitar na relva, num dia de Verão ou fim de Verão, debaixo de um sol já não muito quente, a ler, a escrever, a ver passar as núvens ou as pessoas.

Ver também: Praiar.



sexta-feira, 3 de outubro de 2003



Desde há uns anos para trás que comecei a utilizar a palavra sincronicidade.

Encontrares perto do teu local de trabalho uma pessoa que conheces e que mora perto, é uma coincidência.

Encontrares na rua uma pessoa em quem ias a pensar...

ou telefonarem-te a perguntar "lembras-te de um site que uma vez me deste..." / ".oO(vai perguntar-me pelo Exploding Dog)" / "... que tem uns desenhos feitos com base em frases...", "O Exploding Dog? AHAHAHAH",

ou criares um weblog para uma pessoa e para nome do mesmo - inventado na hora - escolheres uma frase que traduzida faz parte de uma música favorita da pessoa a quem se destina o weblog... (e que nunca ouviste na vida)...

são claramente sincronicidades.

Não, não sao meros acasos, é o universo a rir-se de nós.



terça-feira, 30 de setembro de 2003



é mais forte do que eu.

a trilogia está pronta.

Actualização:

Os direitos de exibição para Portugal já foram adquiridos! Parece que o filme estreará em França lá para Março de 2004. Estou consciente de que será uma grande desilusão, não vejo como possivel o Bilal conseguir ter a mesma genialidade no desenho e na película (especialmente tratando-se dos livros de que se tratam), mas enfim, estou curioso.



sexta-feira, 26 de setembro de 2003



há aí um gajo que já morreu que antes do dito evento se chamava charles bukowsky ou mais ou menos isto. escreveu vários livros, o mais conhecido dos quais se chama talvez "mulheres". anda aí por todo o lado. há pouco tempo li um outro em que basicamente o sr, ex-boémio, com os seus 700 e tal anos, descreve os seus aborrecidos dias. que basicamente consistiam em estar casado, ter 7 gatos, ir 'as corridas de cavalos todos os dias, evitar entrevistas, e viver dos rendimentos. e, claro, ao fim do dia, escrever a sua crónica no seu tao elogiado mac. um gajo estranho. lembra o feios porcos e maus e sujos e imundos e sexuais que o felini nao realizou.

e pior, sabem o que é? é que nesse livro 'a partida aborrecido... o raio do homem consegue ser bom escritor. raios o partam. é mt lixado.





STOP. Se fores uma pessoa de um dos nossos estimados clientes, da minha empresa, STOP. Isto aqui nao sou eu! isto é o meu alter ego!!!!!!!

a modos que portanto isto nao deve ser lido. é (digamos) uma forma de manter a sanidade :) perante a enorme carga de trabalho e competencia que é preciso ter durante o resto-da-semana.

um vez houve um moço (um bom moço, mas que deixou a empresa em causa falir) que teve a triste ideia de me querer contratar, em parte porque tinha visto a minha página pessoal. palerma. vá-se lá perceber. se ele soubesse que contratei uma empresa de copy e outra de design para me fazerem um site pessoal, tipo como fazem os grandes estúdios de óliwud para gerar word-of-mouth (palavra da boca) e levar as pessoas a ver os seus filmes malditos que difundem os seus horrendos e maléficos ideias kapitalisticos. o maaaaaal, o maaaaaaaal!!!

mmmmmm. é a mais pura das realidades. ontem fui ver um filme chamado Goodbye Lenin (nao me recordo do títalo em tuguês ai o emilio salgari). a música (oh q redutor para o realizador, de quem nao sei nem vagamente o nome) é do yann tiersen conhecido pela bda sonora do Amelie, um filme que nos fez a todos sentir melhor, certo? verdade. de resto, o genérico de início é fixe, e o filme é bem vível, isto é, vê-se bem, com diversao e com uma enfermeira que tem uma face linda de bradar aos céus. vão ver, todos!!! vao!!! vale a pena!!! seus aculturados.

(isto de insultar os leitores é outra técnica excelente para weblogs, livros, programas de rádios, tv, e afins. muito fashionable).

Num sei se alguma vez vos falei de um livro do Rubem Fonseca. Falei? Bom, ele tem este livro, topam? QUe se chama "Vastas Emoçoes e Pensamentos Imperfeitos". Independentemente do livro em si, que é bom e recomendável e de que devotergostadobastanteporquegostodoRubem,

há vários meses que me sinto a viver este título.

Nao é curioso?





agora que já esgotei os meus temas de cumbersa para o dia, já n sei bem o que escrever. podia falar de guarda-chuvas de chocolate. que tal? lembras-te, TU? eu cá alembro-me com a memória ca senilidade há-de comer (sem lavar as maos). ora pois bem. mais coisas.

devo ter-me esquecido de dizer, mas faço anos amanha, e fazer anos é uma cena bué de deprimente, topas, meu? ya, na im-pura. pois. daí esta treta de disposiçao palerma.

sabiam que a costa rica n tem exército?

a verdade é que eu sabia. é algo que abre portas ao pensamento.... na realidade. (se for preciso de apontar a indirecta, avisem).

mmmmmm.

um weblog com... com um bloco de escritores. espera. aquilo quando um weblog nao consegue escribir mais porque está comprimido? assim tipo ficar em branco:










ontem fui ao CCB ver os gajos do gato fedorento (merda de nome, diga-se) fazer sténdup cómedi. o site tem muita piada, de modos que fui com alguma expectativa ver os rapazes a fazer. e eu, q nem sou gajo que descurta humor negro, n curti muito piadas de pedófilos ou de "gays" (merda de termo, diga-se). mas teve momentos mt fixes, de rir até quase 'as lágrimas. foi é muito irregular.

dizem-me, os que tem televisao, queles têm um programa na sic radical, mas como nao sei sequer o que possa ser a sic radical (ver uma crónica parva uns pixels abaixo), sou ignorante sobre o assunto. é um canal c um logotipo verde?

acho que se nota que falo um bocadinho de vez em quando na net c outras pessoas. ou q mando alguns sms. topa-se, né? pelas abreviaturas, pois. cum raio. c r. ou o r q pta.

bom.

mas o que eu queria mesmo dizer era que quando era puto costumava ter pesadelos com elevadores. é verdade. juro. e nao era apenas c quedas, naaaaaaaaaaao!!! isto seria simples demais. o elevador cair era muito básico. bastava... PULAR quando ele se arrebentasse no piso térreo. claro que o p=mv nao tinha qualquer existencia física nos meus pesadelos. agora... o pior, o que era mesmo mesmo mau, era quando o elevador ia a subir e nao paráva mais. e quando subia acima do prédio e o elevador deixava de ter armaçao no seu mergulho pelas alturas, era o pânico total.

hoje nao me lembro do que sonho. por um lado dá-me pena, porque devo ter sonhos muito fixes... por outro, bolas, só tenho de agradecer, porque podia viver uma

vida
de
medo!!!!





Exmos Srs,

lamentamos informar que a partir deste dia, além de estarem banidos neste weblog os acentos circunflexos e tils, graças a insuficiencias tecladais, este mesmo weblog passa a ser única e exclusivamente pessoal.

Anunciamos ainda que os acentos graves nao poderao igualmente estar presentes, devido a problemas da mesma natureza dos anteriormente mencionados.

Já referi que o weblog passa a ser pessoal? poizé. Triste realidade, mas enfim, suponho que aconteça a todos (os weblogs) depois de algum tempo. deve fazer parte do seu processo de crescimento.

aquilo q eu n percebo n é porque é que as pessoas dizem SALCHICHA, mas porq é que as garrafas de bushmills n têm aqueles doseadores tontos no topo que nos impedem de o beber como se fosse sumo de laranja ou, sei lá, manga laranja. quem se lembrou da mistura deve ser uma pessoa feliz.

é como o gajo que inventou aqueles colares para levar chaves ao pescoço, que agora estao tao na moda. deve ser um gajo muito feliz, c belos fios a dizer mcdonalds ou c nomes de marcas de automóveis, ou c marcas que transmitem imediatamente a ideia de que EU, que uso esse colar pateta c a chave do meu fiat uno ao pescoço, sou um gajo cool. espero que, ao menos, nao esteja rico. seria imorálico.





Não tenho televisao desde que tive possibilidade de optar.

Torna-se um pouco frustrante, por vezes, perceber que há referências culturais que deixo de partilhar com os meus pares. É verdade que a maioria dessas referências são a publicidade e anúncios :-), geralmente divertidos, que se lembram de comentar comigo antes de deixarem frases a meio "Ah, é verdade, tu nao tens televisão" (que já ouvi dezenas de vezes, bem contadas). Outras vezes sao referências a imagens de catástrofes ou acidentes ou documentários sobre situações chocantes que ocorrem em alguma parte do mundo.
Não é o suficiente para me fazer mudar de ideias.

Quando alguém fica a saber este facto, e depois da Fase da Surpresa, inicia-se a Fase da Persuasão. Os argumentos para isto tomam em 95% dos casos a forma de insistentes "Mas e os filmes? E as séries?! E as notícias?!", e são ineficazes.

A terceira fase é a realmente curiosa. É a Fase da Confissão. Muitas estas conversas, que decorrem mesmo na sequência que descrevi acima, terminam com confissões sofridas de "Pois, eu tb nem vejo muita televisão, para falar verdade mal a ligo. Uns filmes de vez em quando, as notícias...", e mesmo que eu pergunte "mas não há vezes em que te sentas a frente da TV a passar canais?", as respostas são assertivamente negativas.

Lembro-me de há uns anos atrás ter tido aulas com pessoas da Sic, sobre Audiovisual, e de nos terem demonstrado - num calendário, tipo Plano de Guerra - a estratégia deste canal para superar a RTP. O acompanhamento permanente das audiencias, as guerras do futebol, as telenovelas da Globo, os programas em portugues, o posicionamento para a mulher dona de casa a quem o marido a noite cede o comando da tv (e aqui estava a citar). A RTP nunca teve hipóteses.

Numa dessas aulas que terminava, um responsável da área do marketing saiu a dizer - do seu próprio canal: "Bolas, eu não vejo aquilo..."

Enfim... cenas!



quinta-feira, 25 de setembro de 2003



Quem não gosta de andar de comboio? Quando era puto tinha de fazer grandes viagens, saindo de Lisboa em manhãs com as núvens no nariz. Apanhava o comboio para Braço de Prata, depois para o Entroncamento, depois para um destino final algures na Linha do Norte. Uma epopeia que repeti durante alguns anos com os meus avós, no início das férias de Verão. Comboios interregionais com bancos verdes ou castanhos, cheios de "tropas" ou senhoras com sacos, e muitas vezes totalmente apinhados.

Agora há os Intercidades e os Alfas. As condições não tem absolutamente nada a ver. O conforto é grande, há tomadas a que se podem ligar portáteis, hospedeir@s, a velocidade - mesmo que podendo ser superior - chega a uns impressionantes 200km/h ou mais, naquele balançar que não muda, com o mundo a passar lá fora.

Já perto de Lisboa, quando se regressa, nunca cessa de me impressionar aquele bocadinho em que a linha quase beija o Tejo, mesmomesmo ali ao lado. E as cheias, bolas?!

Também me lembro de há uns anos atrás ter ficado parado no Entroncamento, na viagem para Norte, devido a um incêncio algures mais acima. Vários comboios parados, sentei-me numa porta de pernas para fora, a acabar um livro do Mário de Carvalho (acho que "A Paixão do Conde de Fróis").

Ontem vim do Porto num desses, e ao chegar a Lisboa passámos por um outro comboio, que numa outra linha mostrava em cada carruagem um cartaz: "Nao fique a vê-lo passar. Viaje de Comboio" (parafraseando).

:-)



segunda-feira, 22 de setembro de 2003



Parece apenas uma carta, mas pode ser um destino.
3 de paus



segunda-feira, 15 de setembro de 2003



Quero uma vida mais simples.



sábado, 13 de setembro de 2003



Voltaram os fogos, com a nova "onda de calor". É sábado, está calor (34 graus, dizem), e em Lisboa o céu está cinzento, cheira ao queimado do que suponho ser Mafra e a Malveira, e não se pode ter a janela porque entra cinza.



quinta-feira, 11 de setembro de 2003



FECHADO PARA BALANÇO!

... eu, nao é o weblog! :-)



segunda-feira, 8 de setembro de 2003



Avante 2003O que vi:

Radio Tarifa
Cant'Autores
Maria João e Mário Laginha
Realejo
Contrabando
Galandum Galandaina
Xutos (um pedacito apenas)
Cruce dos Caminos



quarta-feira, 20 de agosto de 2003



Assassinaram o Sérgio Vieira de Mello, Brasileiro na ONU no Iraque, que também esteve em Timor-Leste. Pessoalmente, estou triste.



terça-feira, 19 de agosto de 2003



Loyko em Águeda, Jul2003 - clique para ampliar Há umas semanas atrás fui ao Festival de Músicas do Mundo Cigano, em Águeda, e tirei umas fotografias a preto e branco.
O tempo passado, e depois de um delicadíssimo e morosíssimo processo de relevação e ampliação, eis o resultado.

Isto é o que se chama escrever para encher. Só queria mesmo deixar aqui a foto.



quinta-feira, 14 de agosto de 2003



Verao Azul Acho que grande parte de nós, da "minha geração", se recorda desta série de televisão espanhola.

"VERANO AZUL
la mítica producción de TVE, “Verano azul”, dirigida por Antonio Mercero. Estrenada en 1981, narra las aventuras de unos jóvenes de edades y condiciones varias, que forman una pandilla al iniciar su amistad durante las vacaciones de verano, en el pueblo de Nerja (Málaga) con los problemas típicos de la adolescencia. Chanquete, Tito, Bea, Javi, Pancho, Piraña, Quique, Desi y Julia son los inolvidables nombres de los personajes de esta serie, que fue rodada en escenarios naturales."


Esta página tem mais informação.

Curiosamente, ainda vamos por aqui a meio do verão, e sinto-me como se o mesmo já estivesse a acabar.



terça-feira, 5 de agosto de 2003



Notícia no Diário Digital:

Divórcios por SMS vão ser proibidos na Malásia

O primeiro-ministro malaio, Mahathir Mohamad, discorda da decisão de um tribunal da Malásia permitindo que os casais se divorciassem por mensagens de telemóvel (SMS), e pretende, também, impedir a separação por outros meios, como o e-mail e o fax.

Após a decisão polémica de um tribunal islâmico, considerando que os muçulmanos se podiam divorciar por SMS a confusão ficou instalada. Tudo isto porque os homens muçulmanos caso queiram separar-se têm apenas de repetir três vezes seguidas a sua intenção e o casal fica legalmente divorciado.
Contudo, Mahathir Mohamad decidiu que os muçulmanos não poderão divorciar-se das suas esposas por este meio, tendo de recorrer a uma maneira mais personalizada.

O governo pretende, ainda, aprovar uma nova lei que impeça a separação através de outros meios electrónicos, tais como o fax e o e-mail."


O meu comentário só pode ser um cliché: sinais dos tempos....



quarta-feira, 30 de julho de 2003



Blade Runner
O problema do Deckard

(yep, este é um daqueles posts obscuros)





Se não fosses tu, a net estava vazia, a esta hora.



terça-feira, 29 de julho de 2003



Mas aquilo de que andava à procura era isto:

If you can’t be good, be careful. -early 20th; the Latin form Si non caste tamen caute is found from the mid 11th century.

A forma em latim é (curiosamente) ligeiramente diferente, se se fizer a tradução inversa:

Si non caste, tamen caute - If not chastely, at least cautiously.





Não conheço a música, e para falar a verdade nem quero conhecer. Gostei da letra.

Veio daqui.

If You Can't Be Good

you slap expectation in the face
make a date with questionable taste
write eternity a dear john note
stick your tongue into jealousy's throat
you handcuff matrimony's wrists
add indiscretion to your list
slip a hand between temptation's thighs
as you unzip flirtation's flies
and if you can't be good
be beautiful, be brash
if you can't be good
be radical, be rash
be insolent, inspired
be decadent, desired
be everything I knew you would
if you can't be good
you say you need a little space
so you take innocence back to your place
inhibition has to hide its head
fidelity lies bleeding on the bed
indecision's blowing hot and cold
disobedience does as it is told
you look shyness in the eye as you undress
and hold a thousand white lies to your breast
and if you can't be good
be magical, be mean
if you can't be good
be shameless, be obscene
be passionate, possessed
be obstinate, obsessed
be everything I knew you would
if you can't be good





Não sei se andei anos enganado, se os anos andaram enganados por mim. A palavra "estória", que eu julgava apenas existir no português do Brasil, afinal existe no português de Portugal. Tive durante anos a impressão inversa, convencido também por posts severos no ciberdúvidas, como o seguinte:

No português medieval, escrevia-se historia, estoria, istoria, assim como homem, omé, omee (com til no 1.º e), ome. Compreende-se, porque a ortografia ainda não estava fixada.

No Brasil, talvez por influência do inglês «story» (conto, novela, lenda, fábula, anedota, etc.) e «history» (narração metódica dos factos notáveis ocorridos na vida dos povos), começaram a empregar o português antigo estória para significar o mesmo que o inglês «story». É uma palermice, porque, até agora, nunca confundimos os vários significados de história. O contexto e a situação têm sido mais que suficientes para distinguirmos os vários significados. A estória só vem confundir as pessoas.

Seria ridículo começarmos, por exemplo, a empregar homem para indicar o ser humano em geral, isto é, a espécie humana, a humanidade; e omem, para designar qualquer ser humano do sexo masculino, como por exemplo em «aquele omem que está ali», «o omem (= marido) da Joana», «sanitários para omens», etc.

Alguém teria cara para abraçar esta ridicularia? Mas têm-na para escrever história e estória.

Sigamos o nosso Camões, que escreveu histórias na estância 39 do Canto VI de Os Lusíadas:

«Remédios contra o sono buscar querem / Histórias contam casos mil referem».


Este texto está aqui.

Outros posts e sao mais suaves, como este:

Quanto à questão colocada, estória é uma palavra vinda do Brasil. Note-se, era assim que se grafava no século XV. Só depois veio história. Um brasileiro lembrou-se de grafar história, quando se tratava de "ciência histórica" e de grafar estória para significar "narrativa de ficção", "conto popular", etc. Mas os dicionários brasileiros aconselham a que se escreva sempre história, embora se aceite a liberdade jornalística da distinção de um e outro conceitos.

Pois bem: mas seja o que for que os dicionários brasileiros digam, a infopedia diz isto:

estória,
substantivo feminino
história de carácter ficcional ou popular; conto; narração curta;
(De história, ou do ing. story, «id»)


E isto para mim resolve a disputa. É estúpido ficar-se contente com uma questão destas, mas frustrava-me não poder usar a palavra.



domingo, 27 de julho de 2003



Música é fixe. Quem não gosta, para parafrasear um amigo, é tótó. Viva o Festival de Musica do Mundo de Sines, e o Festival das Musicas do Mundo Cigano. Vivam muito os Besh O Drom, vivam a Cesária Évora, Camané, Kad Achouri, Skatalites, e vivam pouco os Kronos "música de compositor mexicano" Quartet.

Bom, não lhes estou a querer mal. O vivam é no sentido de comemorar ou não.

Há uns anos atrás uma pessoa que conheço, num conflito de trânsito, atirou à pessoa com quem estava a discutir (sobre algo importante, tipo o lugar de estacionamento): "já deve anos à cova!!!".

É bonita, a vida civilizada em sociedade (e é um insulto original, também).



sexta-feira, 25 de julho de 2003



Segundo uma notícia da Cyberatlas, existem em Junho de 2003 cerca de 3,5 milhões de weblogs, dos quais 1,6 milhões activos.

Por outro lado, e isto é realmente interessante, segundo uma outra estatística, a língua mais representada é o inglês (350k blogs), seguindo-se... o português (54k), o polaco (42k). O francês aparece em 5º com 10k blogs, a seguir o espanhol, alemão, italiano, holandês e islandês (cada uma destas com menos de 10k weblogs).

Fiquei surpreso pelo segundo lugar. Seremos verbosos?



quinta-feira, 24 de julho de 2003



ilusão - clicar para ver versão ampliada Uma ilusão de óptica absolutamente inacreditável (clicar para ver versão ampliada).
Tive de abrir o photoshop e ver os RGB's para ter a certeza. E o RGB não mente, tal como o teste do algodão (é: #6B6B6B, por curiosidade).

Está aqui a explicação e aqui outras ilusões da mesma fonte.



quarta-feira, 23 de julho de 2003



Bolas, que site estranho. O site oficial do Requiem for a Dream.



terça-feira, 22 de julho de 2003



Exploding DogA ideia é simples. Pegar em frases recebidas por email, e fazer um desenho que as ilustre.
O estilo é sempre o mesmo, e os bonecos são singelos e por vezes muito, muito bonitos.
Isto de se ser sensível é uma porra. :-)
É o Exploding Dog

Alguns exemplos fixes:
how do i always wake up here?
it's been so long since i last saw you
you're cute



segunda-feira, 21 de julho de 2003



Segundo uma notícia do Clix, os espectáculos do Circo da Lua foram cancelados por falta de público... É triste, para um espectáculo realmente bonito:

Infelizmente, o que foi o teatro circense de excepção no panorama nacional das novas artes performativas, o novo circo LUA!, foi forçado a terminar mais cedo a sessão de espectáculos. A “aposta foi ganha”, mas porque a maior parte dos portugueses se encontram de férias, torna-se difícil manter um espectáculo desta dimensão quando não existe público suficiente. O Circo da Lua pensa “voltar” com uma nova sessão de espectáculos, talvez uma digressão...Quando?...Talvez para breve...

Tentei falar a vários amigos para irem ver este espectáculo. Em todos os casos tive de vencer a resistência do sentimento que geralmente está associado à palavra "Circo". Se para as crianças parece ter ainda um significado mágico, para os adultos parece estar associado a animais esquálidos e maltratados, a números de glamour com meias esburacadas, a palhaços ricos e pobres sem piada, etc. Imagens deprimentes que possivelmente terão tb ajudado a manter as pessoas longe do Circo da Lua.
Quando contei que os espectáculos tinham sido cancelados, o comentário foi rápido: "é chato quando isso acontece... os animais, etc."...



sábado, 19 de julho de 2003



Poster LoykoFui a Águeda ver e ouvir um concerto de uns ciganos russos chamados Loyko. 2 violinos, uma viola(?), e uma moça de olhos negros a cantar. Conheci-os por ter em tempos encontrado por acaso um CD deles na fnac, e fiquei de imediato fascinado. O concerto não ficou atrás, tendo sido à altura das minhas [elevadas] expectativas. Tirei 2 rolos de fotografias, a p&b, bem perto do palco. não espero nada do outro mundo, mas logo se verá. Valeu a pena a viagem e o concerto, que só pecou por não ter durado mais... sei lá, 2h? :-)

Cesária ÉvoraTb vi um concerto da Cesária Évora no Monsanto. À borla. ;-) Já a tinha ouvido 2 ou 3x, no Coliseu e na Expo. Já liguei mais a música cabo-verdeana que agora. Na altura em que vi esses primeiros concertos fiquei com alguma antipatia pela "diva", pela "altivez" (?) com que dava os espectáculos. Reconhecer a existência do público parecia já ser demais p ela! Enfim. Certamente uma percepção errada, mas foi o que senti. Ontem, no Monsanto, foi totalmente diferente. Fosse por o concerto ser ao ar livre, com muito mais público negro, o clima criado foi totalmente diferente, e valeu a pena. Em termos músicais fiquei com a percepção que se tinha perdido alguma coisa, mas o clima foi... fixe.

Próximos dois concertos (da minha digressão pessoal por concertos de verão! :-): Besh O Drom em Águeda, na 3ª, e Danças Ocultas em Sines, na 5ª.

O nosso país é mesmo pequenino.



sábado, 12 de julho de 2003



Circo da Lua"Não posso perdoar. Posso esquecer. E não quero esquecer" (em Amateur, de Hal Hartley, uma frase feita)

Circo da Lua: muito fixe. www.circodalua.com. Na Praça Sony até 3 de Agosto, o espectáculo chama-se... "Lua". Recomendo vivamente. De corpialma. Tem muita piada, e apesar de começar "lento", bom, a mim roubou-me uma ou outra lágrimas de riso e alegria.



quarta-feira, 9 de julho de 2003



Ela parecia feliz.



quarta-feira, 2 de julho de 2003



Hoje no Porto fui almoçar a um restaurante de "comida rápida caseira", no Norte Shopping. Do sítio onde me sentei, com vista para a cozinha, pude observar um trabalho que, nada tendo de desmeritório, tem um nome bonito: estreladeira d'ovos. Uma pessoa cujo trabalho era única e exclusivamente estrelar ovos para os vários pratos que iam saindo. Curioso.



terça-feira, 24 de junho de 2003



Não faço puto de ideia se isto estará certo ou não, mas eis a Hora Legal de Portugal.



terça-feira, 17 de junho de 2003



Era bom de mais (demais?) para ser verdade. Toda a gente a falar das inovações da feira do Livro de Lisboa deste ano, quando chegam os diagósticos (in Público):

"[...] a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) admite que a perda possa chegar aos 20 por cento, a União Portuguesa de Editores calcula que se situe em 30 por cento."

e sobre as inovações:

"[Alguém da D. Quixote] Destaca ainda o problema dos editores que ficaram voltados para o relvado do Parque Eduardo VII, uma novidade este ano, concebida pela dupla de arquitectos contratada pela Câmara de Lisboa. Aconteceu com dois dos pavilhões da Dom Quixote. «Essa ideia foi um desastre. É uma zona de menor passagem. Tivémos que compensar com autógrafos, colocando lá os autores». [...] «As editoras voltadas para o relvado tiveram muito menos visitantes», admite Baptista Lopes da APEL - organizadora da feira, em colaboração com a UEP. «É um erro que não se pode repetir.»

Pronto(s). Lá se foram as inovações!



domingo, 15 de junho de 2003



A história é trágica, mas não deixou de me fazer sorrir (humor negro tipo monty python). Notícia de hoje no Público:

"O homem que hoje de manhã se atirou da Ponte Vasco da Gama para o Rio Tejo foi encontrado quase quatro horas depois, vivo, num mouchão, por uma lancha da Polícia Marítima, disse fonte desta força.
Trata-se de um estudante de teatro, de 23 anos, acrescentou a fonte.
O estudante atravessava a ponte num táxi, quando, por volta das 08h00, mandou o motorista parar, abriu a porta e atirou-se para a água.
O motorista alertou imediatamente os bombeiros que, por sua vez, pediram a intervenção da Polícia Marítima. Esta enviou para o local uma lancha que só quatro horas depois conseguiu localizar o jovem, de pé num mouchão, gesticulando com os braços a pedir ajuda.
Mas, pouco depois de ter sido recolhido pela lancha, o jovem voltou a atirar-se a água. Novamente recolhido foi manietado. O jovem já tinha feridas nos pulsos que tentara cortar com cascas de mariscos, contou à Lusa um agente da PM.[...]"


Ponte Vasco da Gama

Claramente não consultou o Practical Guide do Suicide (o Potassium Cyanide (KCN) Consumption parece ser interessante). Ainda hoje me surpreendo, tal como anos atrás quando pela primeira vez encontrei este documento na net, com o facto de haver quem produza e publique informação desta natureza. Seja como for, a Ponte Vasco da Gama é claramente baixa demais.

ps- link acabado de encontrar, por total coincidência, e acrescentado à posteriori: http://www.tu-importas.org/home/default.asp





"Quando um casamento começa a ir por água abaixo, percebo por que motivo é tão tentador ter uma ligação com outra pessoa. Isso simplifica as coisas e torna-as palpáveis. Não é preciso andar a tactear no escuro, a tentar descobrir o que correu mal e como se poderão melhorar as coisas. Basta dizer: «Há outra pessoa», para acabar com tudo; toda a gente entende uma motivação tão simples. Alguém que se apaixona pode disfrutar de grande compreensão, mas o mesmo já não acontece com quem se desapaixona.
Eu percebia isso, mas não ia fazê-lo."

- Frank Ronan, Piquenique no Paraíso (estou a ficar lamechas)



sexta-feira, 6 de junho de 2003



Um net-acaso (lê-se netacaso, uma palavra apenas). Estava eu a procurar informação sobre o filme que referi na post abaixo, quando encontrei esta página brasileira. Vou resumir parte do que diz:

O novo álbum, intitulado 32 de dezembro, será a segunda parte da trilogia iniciada por O sono do monstro (publicado em português pela editora Meribérica). Não foram divulgados detalhes sobre a história, mas ela deve, como o anterior, se concentrar em uma das personagens do trio de protagonistas introduzido na primeira.
A Humanoides Associes francesa prometeu o lançamento para 3 de junho. Edições em outras línguas devem se seguir. Não foi confirmada uma versão em português, mas é provável que a Meribérica, que lançou quase todos os trabalhos do autor em português, deva publicar mais este.


O mini-site do livro, que na Amazon Uk fica disponível já em Agosto, tem muito mais informações e cenas fixes. No Fnac.com tb há mais informação:

Drôle de date pour des retrouvailles ! Le nouvel album de Bilal s’appelle 32 Décembre. Ne cherchez pas dans vos calendriers : le 32 décembre n’existe nulle part. Sauf dans l’imagination foisonnante d’Enki Bilal... Dire que son nouveau livre était attendu est un doux euphémisme: voilà cinq ans que les amateurs de bande dessinée avaient pris rendez-vous avec lui. Depuis 1998, l’année de parution du Sommeil du monstre, premier volume d’une trilogie très ambitieuse. Le Sommeil du monstre était né de la guerre en ex-Yougoslavie, le pays d’origine de Bilal. De ses horreurs et de ses déchirements était venu le besoin d’écrire une histoire traitant de la mémoire et de l’identité. Le lecteur faisait ainsi connaissance avec Nike, Leyla et Amir, les trois orphelins de Sarajevo. Bilal inventait au passage une nouvelle manière de faire de la bande dessinée: désormais, il s’échapperait du cadre trop contraignant de la bonne vieille planche de bd pour travailler ses cases une à une, en grand format, avant de les assembler à l’ordinateur.

Cinq ans après, Bilal revient avec un album au graphisme toujours aussi maîtrisé, toujours aussi fascinant. On retrouve les trois personnages, qui racontent chacun à son tour et offrent ainsi au lecteur une multiplicité de points de vue. De quoi parle 32 Décembre ? De sujets graves et passionnants, qui constituent aujourd’hui l’ordinaire des pages des quotidiens et des journaux télévisés. De clonage, de manipulation mentale, d’art contemporain, d’écologie. et d’amour, aussi... En fait, il traite tout simplement du seul sujet qui vaille: l’être humain et sa place dans la société. Cette société en proie à des bouleversements parfois déboussolants pour ces pauvres créatures humaines qui ne savent pas trop à quoi se raccrocher… La structure du livre a été largement modifiée par Bilal après les attentats du 11 Septembre. Ce qui n’étonnera personne: depuis sa collaboration avec Pierre Christin sur les «Légendes d’aujourd’hui» (Les Phalanges de l’Ordre noir, Partie de chasse, etc.), Bilal s’est toujours imprégné de l’actualité du moment pour nourrir ses récits. 32 Décembre ne déroge pas à la règle.

Simplement, l'album est peut-être un peu moins sombre que ce que l'on pouvait attendre. Il suffit de regarder les couleurs utilisées par l'auteur: à ses teintes habituelles – le gris, le bleu, le rouge – viennent s'ajouter ici ou là des touches de vert, comme s'il voulait donner une pointe d'espérance à son propos. Le signe d'un nouveau Bilal? Peut-être… Pour le savoir, il faudra attendre le troisième volet de sa trilogie. En espérant que, cette fois, il saura ne pas nous faire patienter cinq nouvelles années. En attendant, il restera de toute façon dans l'actualité: son prochain film, adapté de sa «Trilogie Nikopol», devrait sortir début 2004. Un album et un film en l'espace de quelques mois: décidément, les fans d'Enki Bilal – et les autres – ont bien de la chance…





Ontem fui ver o "Bunker Palace Hôtel", primeiro filme do Bilal. Há uns meses atrás vi o "Tykho Moon", o segundo. A explorar no IMDB, encontrei info sobre um 3º filme dele, actualmente em rodagem. Chama-se "Trilogy". Quando, com curiosidade vaga, fui ver info sobre o filme, enfim... lagriminha ao canto do olho. Dizia assim:

Plot Outline: In 2025, reporter Jill Bioskop nicknamed "La Femme Piège", writes her articles on a strange typewriter that makes them go back in time. Meanwhile her lover is assassinated...

Para quem, como eu, acha a Trilogia do Bilal uma obra maior de Banda Desenhada mundial, e mesmo antecipando-se uma provável desilusão, o início de 2004, quando supostamente o filme sairá, é um mês a esperar com antecipação (nem que seja preciso ir a França ver a porra do filme).

No papel de Jill Bioskop vai uma tal de Linda Hardy, aparentemente Miss França em 1992 (o que é um péssimo sinal à partida, mas enfim - imagina-se esta moça de cabelo azul e pele miuto branca? - outra foto). Como Nikopol vai estar um tal de Thomas Kretschmann (O Pianista, ... Blade II....).

mais info: 1, 2, 3, 4 e uma com melhor aspecto.



terça-feira, 3 de junho de 2003



"Já alguma vez se sentiram assaltados pela certeza inesperada e inelutável de serem uns palermas? Já alguma vez foram apanhados a fazer qualquer coisa que ninguém em seu perfeito juízo faria? Ou já se deram conta de serem a única pessoa no mundo a acreditar em todas as fantasias ou a apaixonar-se e de que, para os outros, o amor é uma coisa para manipular e vilipendiar? Por apaixonar-se entendo apenas dar mais valor a outrem do que a nós mesmos, pondo-nos, deste modo, a nós próprios numa posição vulnerável. É um facto que nunca podemos estar certos de que alguma vez outra pessoa tenha sentido o mesmo por nós. É um facto que nunca estamos certos de que uma pessoa que conhecemos tenha escrúpulos ou se preocupe com alguma coisa para além de si. Ou, se o leitor for desses indivíduos que se obstinam em ter uma confiança ridícula nos entes que amam e tudo isto o deixar indiferente ou lhe parecer absurdo, tente recordar-se desse momento da sua vida em que abusaram da sua boa fé [...]"

in Frank Ronan, Piquenique no Paraíso.



segunda-feira, 2 de junho de 2003



Thievery Corporation. Na Aula Magna, uma sala completamente desadequada para o efeito, mas um bom concerto.



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