segunda-feira, 13 de junho de 2005



Vim do Oriente a pé, a 110 passos por minuto.



domingo, 5 de junho de 2005



Ontem, quando cheguei para a segunda visita à feira do livro, tive a muito estranha e viva sensação de estar à espera de alguém. uma espécie de deja vu, mas focado nisto mesmo: estou à espera de alguém. na fila do multibanco, parecia um pombo dos monty python, ali parado, vestido em tons de cinza claro, e descabeçado. à espera de alguém.

A primeira visita foi durante a semana anterior, com um amigo. sentia-me uma bola metálica num jogo de flippers humano entre as bancas. uma visita a acelerar, antes que a feira fechasse. com o magnetismo inverso de livros de paixões, coelhos, tamaros e outros de capas amarela e linguagem simples a repelir de determinados stands.

Foi um zás! e por quem esperava, não apareceu. :-(



segunda-feira, 16 de maio de 2005



Pombos Supersticiosos
Estou a ler o livro “Decompondo o Arco-Iris”, de Richard Dawkins (autor do conhecido “O Gene Egoísta”). Neste descreve-se um mecanismo chamado “Caixa de Skinner” e um conjunto de esperiências que esse moço Skinner fez nela, com pombos e ratos.
As caixas de Skinner têm duas características: um botão em que se pode carregar, e uma bandeja de alimento, e foram utilizadas numa diversidade de experiências de causalidade. A mais simples, para ilustrar, foi verificar se os pombos ou ratos seriam capazes de aprender que, quando carregassem no botão, surgiria alimento na bandeja. Tarefa simples e superada com sucesso.
Mas de entre as outras experiências inrteressantes que com a mesma foram efectuadas, há uma que vou destacar, esta apenas com os pombos, e que consiste no seguinte: o que sucede quando se elimina qualquer relação entre o comportamento da ave e o fornecimento de alimento? O comportamento correcto para os pombos seria simplesmente esperar pelo alimento, certo?.

“Mas, de facto, não foi isto que fizeram. Em vez disso, em 6 de cada 8 casos, desenvolveram aquilo que Skinner designou como comportamento «supersticioso». Excactamente em que consistia este comportamento variava de pombo para pombo. Uma das aves girava sobre si própria como um pião, duas ou três voltas no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, entre recompensas. Outra empurrava a cabeça em direcção a um dado canto superior da caixa. [...] Skinner utilizou o termo superstição porque as aves se comportavam como se pensassem que o seu movimento habitual tinha uma influência causal no mecanismo de recompensa, quando de facto não tinha. Era o equivalente à dança da chuva do pombo.”

Os humanos, felizmente, não são pombos, e passam por baixo de escadas sem medo de gatos pretos. Pelo menos 2 em cada 8. :-)

Mas vem isto a propósito de quê? Recentemente tive de pessoas próximas exemplos de crenças que considero muito erradas, ainda que compreensíveis, e este livro em particular aborda este tipo de questões. Os dois assuntos em causa são os signos (ou antes, os estereotipos de que as pessoas do signo x se comportam tipicamente da forma y) e a descoberta de água por artes adivinhatórias (os vedores).

Vou voltar a estes temas, já a seguir ao intervalo.



domingo, 8 de maio de 2005



Mar Vermelho, 3ª visita, 2 semanas
Shaab Sheer, Salem Express (2x link link), Panorama Reef, Dolphin House (Gota Shoab Elerg), Gubal Island, Small Gubal Island, Bluff Point, Syoul Kabir, Ghiannis D (@Abu Nouhas link link), Umm Gammar (incluindo um nocturno espectacular), El Mina, El Aruk, Small Giftun Island, Gota Abu Ramada, Shaab Seiman, Ras Abu Soma, Abu Kafan, Thistlegorm (interior e exterior link link link), Erg Abu Ramada.

Ao todo 29 mergulhos e umas boas horas debaixo de água. E agora... bom, mãos à obra, é viajar para Sul: Brothers, Daedalus Reef, Elphinstone Reef, etc. :-) Já em Outubro?

E aos 2 grupos de pessoas que também por lá andaram a fazer try-dives com baixo consumo :-), ver as mesmas vistas, a trocar reguladores garrafas e sinais de OK, a fumar shiishas no Joli Pub em Hurghada, ao Steve e especialmente ao Marcus, um grande abraço!



quarta-feira, 20 de abril de 2005



Férias.
Egipto.
2 semanas.
Mar Vermelho.
28 mergulhos (estimativa).

ai que stress.



quinta-feira, 14 de abril de 2005



"Ravellstein" de Saul Bellow (recém finado), e "Austerlitz" de Sebald (menos recém-finado, mas igualmente finado, ainda sem Nobel).

Editados pela mesma casa, a Teorema, capas em tom castanho escuro, forte. Em ambos os títulos, uma única palavra, apelido do personagem principal.

Num, o personagem é americano, e fala-se de Judeus e dos Nazis. Noutro, o personagem é europeu, e fala-se e passeia-se por Judeus e Nazis. No primeiro, existe um Dr. Watson, personagem semi-secundária, que conta a história do grande professor de filosofia. Pelo meio, conta a sua própria história. No segundo, o tema é a arquitectura, mas Dr. Watson está por lá. Um de 2000, outro de 2001.

Ambos os livros são extremamente eruditos, e lêem-se muito bem.

Li-os com um intervalo de 2 meses, e as semelhanças são demais para ignorar. Ou se copiaram um ao outro, ou eram a mesma pessoa (mais provável).



quinta-feira, 10 de março de 2005



Férias - Regresso a Cabo Verde
Voltei a Cabo Verde para mais umas férias de mergulho. Alguns dias no Sal, com 5 quedas no mar, e o restante tempo no distante Tarrafal, na ponta mais afastada da cidade de Praia, na ilha de Santiago, para outros 7 scuba-'gulhos. Já conhecia a primeira ilha, onde fui há um ano. Muito explorada turisticamente, muito cara. "Isso aí não é Cabo Verde", disse-me há um ano um moço que trabalha para o Centro de Mergulho no Sal. Por coincidência, irmão do Carlitos, com quem fizemos os mergulhos no Tarrafal.
O Tarrafal fica a cerca de 2h da cidade da Praia, capital de CV, atravessando-se uma paisagem admirável, que alterna de oásis de verde com montanha e grandes canyons. O tom que domina é o castanho claro. É uma vila de pouco mais de 20k habitantes, marcada em termos turísticos pela Praia do Tarrafal e tristemente pela prisão. Férias no Tarrafal não são férias de resort, são férias de passear pelo mercado, andar pela praia, de relax, de conversar com pescadores, comer bifes de atum grelhados :-), passear pelo monte, esquecer os dias que passam. Não é uma vila bonita, tal como não é Praia ou Santa Maria no Sal, pelo contrário, mas tem muito, muito encanto. Apetecia ficar mais 2 ou 3 meses, ajudar na faina :-), trabalhar metade do dia e passar o resto na praia. Apetece ser generoso, ajudar. Percebe-se bem a paixão que muita gente ganha ao país.
Os mergulhos não foram de sonho como noutros locais (não vimos tubarões), mas foram interessantes e valeram a pena, pela cor debaixo e acima da superfície, nos mergulhos do barquito de pesca, com o Carlitos como guia e o Zezinho ao leme.



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005



Ups, errei.
A dimensão do desastre foi tal que afinal houve derrotados. Um com dignidade, o outro pois.

E agora, a esperança socratiana? Vamos ver. Falta ver a equipa. Será credível ou jogarão os amigos do costume? O país tem aqui uma oportunidade d'oiro. Espero que não seja desperdiçada.



domingo, 20 de fevereiro de 2005



Dia de Eleições no Reino
Fui votar ainda de manhã. Um processo digno e bem organizado, desmerecido pelo seu objecto.
Pela primeira vez desde que voto, senti uma verdadeira hesitação sobre a quadrícula em que devia colocar o meu X. Decidi por magnetismo terrestre, com o boletim numa mão e a esferográfica na outra.
Hoje à noite, todos os partidos vão vencer, num mundo autista e iludido de cegar quem os ouve. Em vez de comentadores de renome na praça, bem que podiam fazer uma Bancada Central, tal a displicência com que tratam (tratarão) o meu hesitante X.

Li no Portugal Diário um artigo sobre o desinteresse da juventude sobre política. Uma das medidas propostas pelas jotas para o combater era permitir o voto pela Internet, de qualquer ponto do país. Mas isto não é o verdadeiro problema: a abstenção até podia ser de 90%, por mim, se estes 10 milhões de pessoas soubessem que o país estava em boas mãos. Ou estou errado?
Apela-se também com frequência ao envolvimento dos jovens na vida política. Não sei bem de que estão a falar. Aos acompanhantes das campanhas, pagos para agitar bandeiras e passear de carro com altifalantes pelas terreolas todas. Conheço quem se tenha envolvido, e a participação política (entusiástica) que me descreveu, até hoje, foi entregar panfletos eleitorais à saídas do metro. É isto, o envolvimento na vida política?

Não sou radical, muito longe disso. Mas gostava que as coisas fossem feitas como deve de ser, e que os meninos dos poleiros pensassem no país e em quem vota. Nem que fosse só para variar.





O King Kard é a falência da Medeia filmes, para pessoas como eu. Ainda assim, é uma iniciativa totalmente arrojada, especialmente em Lisboa. Olhando para o meu cartão, com um número perto do 3500, e a 150€ cada, dá um encaixe de cerca de 100 mil contos em poucos dias. Vamos ver como corre. Espero que bem.



sábado, 19 de fevereiro de 2005



Era uma vez a história
... de um menino que nasceu com 14 anos.



terça-feira, 15 de fevereiro de 2005



Ao ouvir o debate com os 5 líderes partidários, e quando os ouço a discutir mais aguerridos, penso que uma luta na lama, com t-shirts molhadas e tanguinhas coloridas (laranja, rosa, azul, vermelha, e preta), seria muito, muito mais divertida.



quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005



Vidrado nesta. Versão dos Nouvelle Vague, cantada por uma Camile. Original dos Tuxedo Moon.

In A Manner Of Speaking

In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing

In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that I feel about you
Is beyond words

O give me the words
Give me the words
That tell me nothing
O give me the words
Give me the words
That tell me everything

In a manner of speaking
Semantics won't do
In this life that we live we live we only make do
And the way that we feel
Might have to be sacrified

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you I should find a way
To tell you everything
By saying nothing.

O give me the words
Give me the words
That tell me nothing
O give me the words
Give me the words
Give me the words



domingo, 30 de janeiro de 2005



Primeiros-Socorros
Fiz nas últimas 2 semanas um curso de aperfeiçoamento que incluiu aprendizagem de procedimentos 1ºs socorros, a mergulhadores e não só. Não sou propriamente o tipo de pessoa que, numa emergência médica, dê um passo à frente para oferecer ajuda, mas este curso acho que mudou um pouco isso. O conhecer a importância de prestar apoio no primeiro instante, a importância do tempo que corre, o funcionamento de alguns dos mecanismos do corpo humano (depois de 6 minutos sem respiração há grande probabilidade de lesões cerebrais irreversíveis, depois de 10 minutos estes são garantidos), os procedimentos de respiração boca-a-boca ou de ressuscitação cardio-pulmonar (*muito* cansativa), etc., é algo que vale muito a pena.

Não posso dizer toda a gente devia fazer, mas acho que vale muito a pena.

Ao terminar as aulas e acabar o curso, o instrutor disse-nos que agora ao mergulhar já não estamos sós, não somos só nós e os nossos buddies. Agora há outros que podem depender dos conhecimentos que temos, e das nossas acções, em situações de emergência. Ninguém obriga a ajudar, é certo, mas a responsabilidade interior está lá.

Espero nunca precisar de usar o que aprendi.



terça-feira, 18 de janeiro de 2005



O Meu Programa de Governo

1. Lançamento da linha ferro-magnética Faro-Lisboa-Porto em Maglev a 400km/h (ou mais, excepto na Zona de Pombal)

2. Construção de novo super-aeroporto a meio desta via, e aquisição de 20 A380's para a TAP

3. Contrução de novas pontes sobre o Tejo, para diferentes tipos de veículos:


a) Automóveis
b) Comboios
c) Motas
d) Camiões e outros veículos pesados

Serão convidados arquitectos de renome para cada uma destas: Souto de Moura, Siza Vieira, Norman Foster e Santiago Calatrava, respectivamente.

4. Construção de dois eixos em túnel:
- Túnel Lisboa-Setúbal, com saídas para Ponta Delgada e Horta.
- Túnel Porto-Galiza.

Os túneis estarão a cargo de Frank Gehry.

5. Organização dos próximos Campeonato do Mundo de Futebol, Andebol, Ragueby, Natação, Olímpicos de Inverno, finais da NBA e do campeonado de Criquet indiano.

6. Organização dos próximos Jogos Olímpicos (e dos outros a seguir também)

7. Alteração da sede da ONU de Nova Iorque para Lisboa

8. Redução de IRC para 10%, seguindo o modelo irlandês, e uma definitiva aposta na formação e investigação a todos níveis não consegui evitar ser sério, bolas

9. Voos diários Lisboa-São Tomé e Príncipe (ou deveria dizer "San Tomé", como na tv?), para além dos voos da TAP à 6ª e da Air Luxor à 2ª e 5ª

10. Construção de petróleoduto Lisboa-Luanda, e de 200 parques éolicos espalhados pelo país. No Algarve, substituir todos os estabelecimentos hoteleiros com menos de 50% de ocupação por parques de solares.

11. Deslocalização do governo para Bragança [*]

12. Medidas avulso, tais como: limitação severa a 250 nomeações por mandato, redução do número de deputados para 100 (um por cada 10.000 habitantes), quem se candidata tem de cumprir tem de se assentar no parlamento depois, forte apoio ao empreendorismo e financiamento a novas empresas/PME, regulação de contas de grandes empresas, fim do sigilo bancário, circulos uninominais (a ideia agrada-me), etc.

Nota:
Estas iniciativas vão ser todas lançadas quando faltar um mês para acabar o mandato (excepto a 8 e a 11).

Qualquer coincidência é a mais pura semelhança.

[*] Isto tb significaria que deixaríamos ouvir falar, das bandas da Madeira, dos "cubanos de Lisboa", além de representar uma significativa iniciativa do meu governo para aproximar Portugal da Europa.



terça-feira, 28 de dezembro de 2004



Olá, 2005.

Desejo-te boa sorte. Ser pior vai ser francamente difícil.



domingo, 26 de dezembro de 2004



Audiobooks
Quando faço longas viagens de carro, nos últimos tempos tenho levado por companhia alguns audio books, em vez de CDs que tocam ao ritmo de cada kilómetro que passa. Irrita-me que alguns dos textos sejam versões resumidas ou editadas, mas àparte isso, é como uma estória...

Os primeiros que ouvi foram textos do Neil Gaiman, um bom contador de estórias que já tinha ouvido no Fórum Picoas. Textos de fantasia, Oh oh oh.

Depois, ouvi uma versão (resumida -- felizmente) do "Da Vinci Code" que me soou como a um jogo de aventura com templários. O actor fazia sotaques e vozes diferentes, e os maus eram facilmente identificáveis por... bom, terem voz de mau. :-)

A seguir, ouvi o Castelo, do Kafka, já na "nova versão". Lido por um Sr. chamado Geoffrey Howard, foi um salto do muito mau para o muito, muito bom. Além de o livro ser um espanto, com partes absolutamente hilariantes, fiquei impressionado pela qualidade da leitura.

Depois ouvi o Do Androids Dream of Electric Sheep, do Philip K. Dick, talvez melhor conhecido por ter dado ao origem ao filme de culto, Blade Runner. Este foi lido por 2 pessoas (actores?), a fazer personagens de cada um dos sexos. Foi o primeiro que ouvi a que associava previamente uma "voz". E o Rick Deckard é indissociável do Harrison Ford do filme, o que me causou algum desagrado. Como quando, num concerto, tocam aquela música que tão bem conhecemos... de uma forma tão ligeira e desagradavelmente diferente da que o CD nos habituou...
Esta diferença fez-me pensar que os audiobooks, que ouço no carro com muito mais agrado e distração do que a um CD, e que fazem os kilómetros voar sem neles reparar, são um grau de liberdade a menos que a palavra escrita. E um filme, muitos menos graus de liberdade, muito menos espaço à imaginação. No caso do livro do Philip K. Dick, estranhei muito diferença. O Rick Deckard que ali ouvi é claramente muito diferente tanto daquele que li anos atrás, como do que vi nas salas de cinema por mais de uma vez.

Mas depois desta experiência que me desiludiu, estou a ouvir o Timequake, do Kurt Vonnegut, lido por um Sr. Lawrence Pressman quase mágico. Não só a voz me parece muito apropriada ao papel, um contador de histórias velhote à volta de uma fogueira, como o texto em si me sabe a estimulante e rico de saber (e sabor), com milhares de estorietas de encantar.

Como quando, há poucos anos atrás, saí do Waking Life do Linklater a fervilhar de ideias, de coisas para fazer, a vida de pernas para o ar.

... e agora pareceu-me ouvir uma música da Laurie Anderson, que fala de um blackout, no Stories from the Nerve Bible... como dizem por aí, isto está mesmo tudo ligado.

p.s. - bom Natal!



sexta-feira, 3 de dezembro de 2004



O Horizonte de Memória da Net
Um destes dias estive à procura de informação sobre um espectáculo da Laurie Anderson que julgo recordar ter ocorrido em Lisboa, no Coliseu, por volta de 94-95, na tour "Stories from the Nerve Bible". Vasculhei por todo o lado, googles e newsgroups, assoprei o pó de altavistas, revirei cantos e recantos, e não consegui encontrar o que queria.

Não sei ainda se imaginei o espectáculo, se estou confundido, mas senti que, ao pesquisar info desta altura, estava a remexer no horizonte temporal da net, para lá do qual pouco se sabe (por essas alturas, se bem me lembro, o único ISP em Portugal era a Esotérica), um horizonte negro de conhecimento.

Uma das definições da palavra História diz "narração crítica e pormenorizada de factos sociais, políticos, económicos, militares, culturais ou religiosos, que fazem parte do passado de um ou mais países ou povos", o pormenor aqui sendo que, sem existir uma narração, a História não existe como tal. O paralelo disto para o que existe na net é óbvio, só nos falta uma palavra...

nethistória? histonet? nhéstoria?

Há tempos li um blog de tecnologia uma posta em que se comentava que o valor do contador de páginas indexadas no Google, que aparece no rodapé, já há algum tempo que não era modificado(actualmente diz Searching 8,058,044,651 web pages). A posta analisava o valor, concluindo que tal se devia a um motivo informático, semelhante ao Problema do Ano Dois MilTM, mas depois fica-se a pensar que mesmo nesta netstória, tal como na real, também há coisas que se esquecem.



sábado, 27 de novembro de 2004



Fui inesperadamente a um concerto no fórum Lisboa, esta noite. Três concertos: Gaiteiros de Lisboa - que oiço e aprecio desde 1995 -, Rodrigo Leão - e por coincidência tinha ido ouvê-lo ao CCB no Domingo, e o reencontro dos Sétima Legião. Os dois primeiros nomes cumpriram, sem dar show, e com um som cuja qualidade estava uma treta.

Não era um grande fã dos rapazes, mas tenho ainda aí um o 1º disco deles, em vinil. Os dois primeiros cumpriram, mas o reencontro dos Sétima Legião foram as estrelas da noite! Claramente a precisar de ensaios ainda, aquelas 7 ou 8 músicas valeram principalmente pela emoção, que se transmitiu do palco ao público (... ou vice-versa?), e que fez levantar o público para ir pular "lá para a frente", lagriminha no canto do olho :-).

Hoje, no vento do nooorteeeee.... Muito giro, mesmo. Valeu bastante a pena.



sábado, 20 de novembro de 2004



«- Escorregou numa casca de banana e depois fugiu!

A mãe tem que pousar a faca e o garfo na mesa para rir. E quando a mãe ri, os comboios da Linha de Oeste descarrilam, o barco de Nesodd encalha e o relógio da torre da Câmara Municipal pára. O pai inala lentamente e espera que tudo acalme.»
(in "Herman", de Lars Saabye Christensen)

Em tempos disseram-me que quando me ria, abanava o sofá todo. Mas conheço uma pessoa que ao gargalhar faz descarrilar os Alfas da Linha do Norte, isso posso garantir. :-)



quinta-feira, 4 de novembro de 2004



Às vezes há prazeres que se adiam porque sabemos que os podemos gozar bastando querer. Gozos de uma vez apenas, mas não dependentes do tempo, como um concerto ou espectáculo. Saber que os temos é já parte do prazer.

Comprei há um ano o "Endless Nights" do Neil Gaiman, que li nas últimas noites. O prazer acumulado deste ano ajudou a fazer do livro um tinto de primeira. Placidamente.



segunda-feira, 25 de outubro de 2004



Boas noites a quem vive +/-12h...

... boas noites ouvintes. O tempo para hoje afigura-se frio, mas sem vento, com possibilidade de aguaceiros durante a noite. O céu estará geralmente limpo, com possibilidade de observação esporádica de estrelas na zona do interior.

Trânsito: Tal como de costume, não existe qualquer congestionamento, nem nas A's nem nas Scuts e ex-scuts em qualquer zona do país. Os taxis concentram-se nos locais habituais.

Na alimentação, destaca-se o final da 2ª circular, onde além do BK poderemos encontrar 2 carrinhas de cachorros extra (hoje a 2€). Hoje não há fiscalização de aceleras.

Espera-se uma noite calma, propícia à produtividade. Perto do amanhecer, espera-se o costumeiro aquecimento diurno com trovoadas e céu cinzendo. Boas alturas para ficar na cama.

E agora, vamos à música...




domingo, 17 de outubro de 2004



Conan, o Rapaz do Futuro
«No ano de 2008 rebentou a Terceira Guerra Mundial, e de forma imprudente as nações beligerantes abusaram de armas magnéticas, muito mais potentes do que as armas neutras.

Como consequência, terra e mar foram destruídos e o eixo foi torcido. A terra foi subitamente confrontada com uma catástrofe inesperada.»

Acabei de ver 9 episódios non-stop. Sinto pouco flashback, lembro-me de quase nada, é quase como ver pela primeira vez. E é tão porreiro...

Parece que ficou bem marcado, no crescer, um conjunto de referências, por vezes escondidas bem fundo, mas que acabam por juntar pessoas "da mesma geração". Recentemente ouvi a música do "Era uma vez o Espaço", e quase delirei. É uma música "feel good" («lá em ciiima / há planícies sem fim»), não consigo explicar. E o Jacky, o Urso de Tallac, que tenho ali dentro num 45 rotações cheio de pó, quase me traz lágrimas aos olhos.

Que raio de cena.



sexta-feira, 8 de outubro de 2004



IndieLisboa 2004

Hungria, Islândia, República Checa, Argentina, Estados Unidos, Áustria, Itália, Japão.

Dezenas de curtas metragens.

Geniuzastare, Zero em Comportamento @ Cine 222, IndieLisboa @ São Jorge a precisar de renovação.

feliz. dá-me um prazer imenso, ver filmes como estes e conhecer sítios como os retratados, e outras formas de ver e estar no mundo, sítios e sentimentos (e emoções, claro).

O maior produtor de cinema do mundo é a Índia. Na Europa são produzidos muito mais filmes que nos EUA, apesar de o mercado ter metade do tamanho. Mais de 70% dos filmes vistos em Portugal e na Europa, são norte-americanos (a percentagem chega a 90% em alguns países). A indústria do entretenimento é uma das 3 maiores dos EUA. Há o quê, 200 países no mundo?

Podia dizer que não compreendo, mas estaria a mentir. (ps: estou disponível p/ ser chamado de snob, pseudo-intelectual, e pretencioso - o email está à esquerda).

Um link e outro link e outro e outro e ainda outro.



quarta-feira, 6 de outubro de 2004



Da mesma névoa que levou D. Sebastião
Quando era miúdo passava as férias de Verão com os meus avós. Moravam no Bairro da Liberdade, a 100 metros dos pilares do Aqueduto das Águas Livres. A casa tem 2 andares e um sótão descoberto, e ainda vivia lá aquando do 25 de Abril. No sótão havia um quarto apenas, com uma cama improvisada e paredes forradas a meninas a vender Pirellis. Fora do quarto e por baixo do telhado, havia teias de aranha e cantos baixos e escuros, de onde tinha medo de me aproximar. Na parte descoberta havia um grande quadrado no chão onde estavam as escadas para o andar inferior, e algumas coelheiras que a minha avó mantinha. Lembro-me de soltar os coelhos no chão e lhes dar ração a comer aos dentes afiados, e de ir com ela onde o aqueduto nasce do Monsanto, buscar erva para os alimentar. Havia pinheiros mansos e um campo enorme onde brincar e apanhar pinhas. Os pinhões, partia-os contra o chão do sótão, com um estranho martelo cilíndrico do meu avô.

O meu avô trabalhava num armazém de peças da Ford Lusitana. De lá ir, recordo-me de enormes estruturas com prateleiras até um tecto muito alto. O armazém do Ikea fez-me lembrar o do meu avô. Ele usava um fato macaco azul, e levava a bucha para o emprego, todos os dias, numa pequena malita.

Nas férias de Verão, os meus avós iam para a terra. Acordávamos de manhã cedo, muito cedo, com um nevoeiro cerradíssimo a cobrir tudo, e subíamos a rua até às escadinhas do chafariz, cujos 3 intermináveis lanços descíamos (seriam 3?). Aí apanhávamos o comboio, primeiro para Braço de Prata (o que há neste nome?), depois para o Entroncamento, e finalmente saída em Albergaria dos Doze. 2 ou 3km depois, chegávamos a casa.

Não havia intercidades, os bancos eram verdes e estavam frequentemente cheios, pessoas com sacos, tropas. Inter-Regionais, Regionais.

Escrevo isto, e o IC em que viajo pára em Pombal, a 20km do meu destino nessas madrugadas de viagem que se prolongavam dia adentro. Juro que é coincidência. Não vou sair aqui.

Só me lembro de madrugadas...



sábado, 2 de outubro de 2004



Ele Vive!!!
Foto Bill WattersonLer um post sobre a carismática Mafalda lembrou-me a reforma de Bill Watterson, autor do Calvin&Hobbes, a 1 de Janeiro de 1996 (ao lado, numa das poucas fotos existentes). Na carta de despedida, escreveu:

"This is not a recent or easy decision, and I leave with some sadness. My interests have shifted, however, and I believe I've done what I can do within the constraints of daily deadlines and small panels. I am eager to work at a more thoughtful pace, with fewer artistic compromises. I have not yet decided on future projects, but my relationship with Universal Press Syndicate will continue."

E desde aí, nada mais se soube dele. Desapareceu. Poof!

Mas...

... mas agora, pode haver mouro na costa. Diz-se por aí à má fila que o secretivo autor pode ter voltado à vida, desta vez ao lápis de um personagem chamado Frazz, sob o pseudónimo de "Jef Mallett". O logro é fenomenal: há quem entreviste esta suposta pessoa, e até arranjaram um actor para a fotografia falsa (...já não se pode confiar no que se lê na web!), mas a semelhança no desenho é demasiado grande. O Frazz parece o Calvin depois de crescido. Veja-se isto! Que mais provas são precisas?

Pior, veja-se a forma absolutamente patética como Jef Mallett afirma ser Jef Mallett e não Bill Watterson:

"I’m not Bill Watterson. Like every other cartoonist out there, I’m pretty far from Bill Watterson. I’m just another working stiff who learned a lot from reading Calvin & Hobbes and doesn’t see a real need to hide that (though I bet I could have avoided more than a few comparisons by giving Frazz a little different hairstyle)."

Pfffff. Quem pensa ele que convence? E só para se ver ao ponto a que chegaram para esconder a identidade de Watterson, basta ver este artigo, com um actor contratado para fazer do inexistente Jef.

Sinceramente, desde Roswell que não assistia a um logro desta dimensão.

(espera... eu acredito em Roswell!)



quinta-feira, 23 de setembro de 2004



Eu, Jota K.
Ao ler um prefácio de uma tradução recente d'"O Castelo" de Kafka para inglês, fiquei a saber que nos primeiros capítulos a palavra "eu" aparece riscada e substituída por "K.". O livro terá começado a ser escrito na primeira pessoa.

No prefácio descreve-se também o pedido de Kafka ao seu amigo e editor, quando morreu, para destruir todos os seus manuscritos. Este pedido não foi respeitado, e só devido a isso se podem ler hoje "O Castelo", "O Processo", e "América" (que inicialmente tinha outro nome), todos - no entanto - incompletos. Aparentemente, o tal amigo e editor terá efectuado uma limpeza ao texto, uma homogeneização de linguagem e pontuação, nas versões que inicialmente saíram para o mercado. Só há poucos anos se re-analizaram os originais e publicaram versões tais como o autor as escreveu. "O Castelo", por exemplo, acaba com uma frase a meio, incompleto.

Parece que Kafka escrevia longos parágrafos, com pouca pontuação. Segundo uma carta que escreveu, achava que um ponto parágrafo devolvia a consciência ao leitor, como se sem esses sinais o leitor pertencesse ao escritor e à história, estivesse nas suas mãos.



quarta-feira, 22 de setembro de 2004



Antes que me esqueça (azul suave)
Estou a meio de um livro escrito por um psicólogo russo, A.R. Luria em 1968, chamado "O Caso do Homem que Memorizava Tudo". Um percussor d'"O Homem que Confundiu a Mulher com um Chapéu", de Oliver Sacks.

No livro, que se devora como a um Da Vinci, aprendi o significado da palavra Sinestesia:

1. termo que caracteriza a experiência sensorial de certos indivíduos nos quais sensações correspondentes a certo sentido são associadas às de outro sentido;
2. LITERATURA combinação de sensações diferentes numa só expressão;
(Do gr. synaísthesis, «sentimento comum a vários» +-ia)


"No caso de C., todos os sons que ouvia produziam imediatamente uma sensação de luz, cor e ainda de tacto e paladar." Porquê o meu interesse nisto? Porque tenho uma certa tendência para associar cor a palavras, e descobri que nem é um caso raro: "Um grande número de pessoas tem indícios de sinestesia, mas muito rudimentares: «ver» cores diferentes ao escutar notas mais agudas ou mais graves; sentir que algumas notas são «quentes» e outras «frias»; «ver» a sexta-feira e a segunda-feira como de cores distintas."

O método de memorização de C. consistia em construir imagens mentais do que tinha de memorizar, e colocá-las ao longo de um caminho que depois percorria quando tinha de as recordar. Pelo que o livro escreve, C. era capaz, muitos anos depois, de se recordar das sequências que Luria lhe tinha pedido para memorizar e repetir. Quando falhava, era por erros de percepção e não de memória, porque tinha criado uma imagem que - no caminho mental que percorria ao relembrar - era pouco visível, ou estava na penumbra. Não errava, e só em raras vezes saltava elementos, fossem estes números, palavras, imagens, palavras em estrangeiro, ou palavras inventadas.

C. tinha vários problemas, como se pode facilmente imaginar. Além de lhe ser difícil ler um livro (tal a quantidade de imagens que se lhe geravam na mente), era complicado memorizar caras (porque estão sempre a mudar, como a superfície do mar), e era impossível esquecer, apagar memórias, mesmo de coisas insignificantes. Uma das suas tentativas foi escrever o que queria esquecer: "Porque não, pensou ele, usar alguns expedientes externos: escrever as coisas de que já não se queria recordar. Isto pode parecer-vos estranho, mas, para ela, era um raciocínio bastante normal. Na sua opinião, «as pessoas anotam coisas para não se esquecerem delas. Isto parece-me ridículo, por isso decidi abordar o problema à minha maneira». Segundo ele, se anotasse uma coisa já não necessitava de a recordar, mas se não a pudesse escrever tinha de a memorizar."

Tendo diário desde muito pequeno, sei de que ele fala. O método com ele não funcionou (e comigo?), mas acabou por conseguir encontrar uma forma de esquecer.

Mais palavras de C., em 1939, agora sobre comida: "(...) Estou sentado num restaurante, ouve-se música. Sabem porque é que põem música nos restaurantes? Porque altera o sabor da comida. Se escolhermos o tipo certo de música, tudo passa a saber bem. As pessoas que trabalham nos restaurantes sabem certamente isto...", "tenho dificuldade em perceber o que leio se ao mesmo tempo estou a comer - o sabor da comida encobre o sentido...", e "Escolho o que vou comer de acordo com o nome da comida, com o som da palavra. É ridículo dizer que maionese [em russo, maionez] sabe bem. O z estraga o sabor - não é um som atraente..."

Mais à frente, são descritos alguns dos "feitos" que o raciocínio imagético de C. permitia: coisas como aumentar o seu ritmo cardíaco imaginando-se a correr, aumentar em dois minutos a temperatura de uma mão imaginando-a num forno (2º!) , e simultaneamente diminuir a temperatura da outra (imaginando-a a agarrar num cubo de gelo). Mais, C. não sentia dor: "[No dentista] Sentava-me na cadeira, mas imaginava que não era eu que estava realmente ali, mas outra pessoa. Eu, C., estava apenas ao seu lado, a observar o dentista a tratar-lhe os dentes. Deixava-a sentir a dor. Não me magoava a mim, mas a «ela», percebem. Eu, simplesmente, não sinto nenhuma dor."

Ao ler livros como estes, e mesmo tratando-se de casos clínicos, acho que é impossível deixar de se pensar naquilo que se esconde no nosso cérebro.



terça-feira, 21 de setembro de 2004



Telefonaram-me de urgência:

"Liga a Sic Radical! Está a começar uma cena..."

E eu fi-lo.

"Que canal é?"

"O 9, liga."

E ainda a imagem não se tinha formado, já tinha reconhecido a música.

O primeiro a aparecer foi o Starbuck. Depois o Apollo. O Adama. A Galactica. Os Vypers. Os Cylons... blip blip blip!

Na década de 80, sabia desenhar os Vypers, e idolatrava o irreverente Starbuck. Agora só falta o Cosmos do Carl Sagan, e prontos. Vamos fugir, para as profundezas do espaço. O Baltar é um malandro!



segunda-feira, 20 de setembro de 2004



Das Padeiras de Aljubarrota
Vi um espectáculo de teatro/dança/cinema com este título. Ouvi, por entre muitas palavras, um possível nome alternativo para este blog: "Vastas ambições (...), pensamentos (...) inconscientes". Gostei de uma cena em que uma actriz se move em volta de outra, que está parada, mas as palavras que diz saem da boca desta última. E de outra cena em que as 3 actrizes se rodeiam e falam entre si, mas o que dizem são melodias da "Garota de Ipanema", ou do "Atirei o Pau ao Gato", numa língua que não existe. E de outra cena em que...





Não costumo postar sobre coisas muito pessoais, mas não queria deixar de enviar um grande abraço ao Duarte e à Joana, que ontem se uniram no sagrado matrimónio e com quem já estive duas vezes no Mar Vermelho, e desejar-lhes a melhor das sortes.

Eu sei que, dada a mudança temática, podes temer já não ser eu quem escreve, mas um heterónimo. Estás enganad@, sou eu mesmo. E vou postar já a seguir para o provar.



quinta-feira, 9 de setembro de 2004



Aluguer de Curta Duração (ACD)

Estou com pouco tempo livre. Ando ocupado. Preciso de ajuda, durante uns dias. Queres ficar a tomar conta do meu blog? Eu retribuo-te, e fico a tomar conta do teu blog, rego-te as plantas cibernéticas e alimento os teus cães autómatos quando precisares.

Queres ser um heterónimo? Faz de mim uns dias.

Se estiveres interessad@, o email está aqui ao lado. Preciso de umas 2 semanas de postas, talvez.

Este aviso é a sério.



quarta-feira, 25 de agosto de 2004



Fui rever o "Lost in Translation" da Sofia Copolla, e o filme tocou-me mais do que da primeira vez que o vi no cinema. Disseram-me que as palavras do Bill no final eram "We'll always have Tokyo" (foram?). Depois li isto no IMDB:

"The kiss between Bill Murray and Scarlett Johansson at the end of the movie was not in the script, but was an "in the moment" ad-lib between the performers."

O final fica ainda mais enigmático...



terça-feira, 24 de agosto de 2004



Hoje contaram-me de um suicídio de 4 irmãos ocorrido, há uns anos atrás, no Viaduto Duarte Pacheco.

No filme, "The Virgin Suicides", inpirado num livro de um Jeffrey Eugenides, as 4 suicidas são as "Lisbon girls".

Não sei se é concidência. (ah, e não estou a brincar).



domingo, 22 de agosto de 2004



Nem de propósito: depois de escrever aqui ontem, abri o livro que estava a ler fraquinho, e escrito por este moço que descobri ontem também ter blog, virei a página e li nas palavras de um personagem

«Acho que o sabe já, mas, se não me têm escrito duas pessoas com o mesmo nome, sempre posso dizer que troco cartas com vários nomes da mesma pessoa, sendo que eu também não sou sempre o mesmo quem responde a essas cartas.»

Sim, há aqui mão do amigo Pessoa.





Hoje fiz 300 postas. Com esta, 301. Bolas.

Quando é que abres o teu próprio blog? ou já tens? Parece que escrevo mais para ti que para mim, sabes? Dizem-mo, as vozes. E é verdade. Nem me vou justificar. Este meu blog é inerentemente intencional superficial, e escrito para ti.

Agora me pergunto também se sou o mesmo que o começou a escrever. Não estou a falar da possibilidade de ter mudado de personalidade, de ser uma pessoa nova e diferente, com uma perspectiva e postura distintas de antes. Nada disso. Estou a falar de poder já não ser a mesma pessoa, fisicamente, que começou a escrever. Da cor dos olhos, do comprimento dos dedos, dos cabelos, do próprio sexo.
blogs com vários marinheir@s, cada um com o seu quépi. Neste, não é quem agora escreve quem a escrever começou. Ou pode não ser, talvez. Mas como ilusão, não foi bom? até a ti te iludi.


Quando estava no secundário (momento histórico approaching), tive um colega de secretária que nunca dizia asneiras. Nunca. Praguejava "bolas". Naquelas idades, dizer "f*d*-s*" é cool&the gang. Ele nunca o disse.
Dávamo-nos muito bem, e sentavamo-nos juntos a quase todas as disciplinas.

Ele tinha algumas brincadeiras parvas, tipo esconder a borracha ou a esferográfica, e uma vez, no auditório da escola, uma dessas brincadeiras provocou uma zanga feia entre nós (escondeu-me a mochila?!). Ainda trocámos uns pontapés, e nunca mais trocámos palavra. Nunca mais. Ainda estavamos no 1º trimestre, mas passámos todo o resto do ano sentados na mesma secretária a todas as disciplinas, ao lado um do outro, e nem um pio um nos concedemos.

Nem tudo foi negativo. As minhas notas subiram, e deixei de ter de me chatear por ele me esconder as bics e molins.

Feliz aniversário.


Tempo dos CiganosFui rever o Tempo dos Ciganos do Kustorica e ouvir a Vanessa da Mata. Existirá a palavra reouvir? No primeiro, a cena da cerimónia no rio, com o Ederlezi a tocar no fundo e o fogo a flutuar na água, deixa-me totalmente arrepiado. Quem não venera o Ederlezi é tonto ou cego. Ui. Do segundo, gostei. A moça deve ter um culto, porque lhe conheciam algumas letras (novela?), e o espaço estava cheio. Gostei da voz e da presença atraente em palco. Já o nome, espero que não seja artístico, e as letras não são as da Calcanhotta.



sábado, 21 de agosto de 2004



O Verão já acabou neste blog em particular (e quem disse que tenho de me guiar tua meteorologia? ao meu tempo sou eu quem o vive), mas há coisas para fazer lá fora.

por isso, para mim é...

Outono em Agosto
Um Relatório de campo

Apesar do frio que já me gela os ossos, neste Agosto frio, neste país sub-tropical onde são frequentes as palmeiras magras espalhadas por aí, há muito que fazer. Para quê ficar em casa se não há elementos de quem nos tenhamos de abrigar?

Anda daí.

Agora sim, está a começar a silly season.



quarta-feira, 18 de agosto de 2004



Hoje mudei de sítio. Agora tenho luz natural, e lá fora há copas de árvores e vento cinzento. Estou mesmo com a sensação de que o Verão acabou.

O Verão acabou.

Bolas. Mal chegou a começar.



terça-feira, 17 de agosto de 2004



Ontem fui ao cinema, ver um filme russo em que chovia inesperadamente.

Sem que se desse por ele, o Verão passou rápido e estamos quase em Setembro. O mês que começa com o Avante, e o mês que antigamente associava, desanimadamente, ao reinício das aulas. E isto apesar do ritual dos cadernos e lápis novos, dos livros de português, matemática, etc., fresquinhos, que se folheavam para encontrar matérias desconhecidas e... novas. Um mundo por aprender. Mas era triste, ainda assim. Durante anos senti este desagrado.

Quando era pequeno, ia para a Terra dos Meus Avós, na zona centro do país, e ficava lá até ao início das aulas. Juntamente com as gentes do lugar, participava nas "desbulhadas" (ort?) em que se tiravam "as cascas" às espigas de milho, que atirávamos depois para grandes cestos no cimo das pilhas. Havia licores doce a circular (o meu preferido era de anis), e quem apanhasse uma espiga "preta" podia escolher um rapaz ou rapariga para dar um beijo. Essas noites acabavam sempre com uma enorme comichão, por causa do pó nas espigas.

Não sei porque me lembrei disto agora, mas tenho saudades. Também me lembro de ir surrupiar espigas "novinhas" para assar na fogueira, passar por água, e cobrir com sal. mmm-mmmm!!!

Estou com uma crise de meia idade, e nem tenho dinheiro para o tal porsche. Bolas. Isso é que me lixa.

Ontem quando fui ao cinema, vi em russo "O Regresso". A fotografia é admirável, e o filme muito interessante. Mas o trailer engana.



sexta-feira, 13 de agosto de 2004



Hoje é já Quinta-feira em Agosto, e é de noite. Já não estou enfyado no tal Data-Center, mas hoje o dia foi muito longo. Antes de ontem fui ao Hot Club, e estava como de costume, mas com mais turistas. Ouvia-se muito falar estrangeiro. Fumo, e música... interessante, com um dos quartetos da casa.

Hoje estive sete horas e vinte minutos em reunião ininterrupta. Sem ter almoçado. E agora, à noite, doi-me a cabeça de forma crescente, mesmo perante a almofada. Dias assim... não. Arrasto-me pelos minutos.

Estou a ler o livro "Mais rápido que a luz", do João Magueijo. Há muito tempo que não lia nada sobre este tipo de temas, e tinha saudades. Pode ser um pouco cliché da ciência, mas há muito disto que se lê quase como romance policial, sentindo fascínio e curiosidade sobre o que virá a seguir. Tenho lido pouco, como sabes. Li um curto livro de um autor brasileiro, Raduan Nassar, chamado "Um Copo de Cólera". Nessa noite tive um sonho conflituoso, e acordei realmente zangado. Inspiração das palavras que li, talvez, que se inflitraram no meu sonHo.

Hoje estou aqui e não tenho realmente muito para te comunicar. Estou aqui, e pronto. Tenho o chá preto de canela a arrefecer ao meu lado, e dói-me mais a cabeça. Vou pagar ao sono as horas que lhe devo.



terça-feira, 10 de agosto de 2004



Hoje é já Terça em Agosto mas não parece, e estoy enfyado no Data-Center que já conheces, a trabalhar horas e horas. Lá fora está frio, choveu torrencialmente, e não parece Agosto. Não estar ao frio é o único aspecto agradável desta sala onde, de resto, o ventoínhar ensurdecedor de servidores e afins entra lentamente num subconsciente e me deixa doente. À minha frente tenho uma parede branca, da mesma cor da luz. Ontem quando saí, parei o carro por baixo de uns pinheiros, sem servidores, e fiz numa hora calma o que este sítio não me deu a concentração de fazer.

Hoje também dormi poucas horas, mas ontem fui ver o "Fahrenheit: 11 do 9". A intervenções de George Bush são o melhor do filme, e aqueles minutos na sala de aulas entre o primeiro e o segundo avião são talvez os mais interessantes, no desconcerto e "ninguém me tira daqui?" que parecem revelar. A partir daí é a tirania do petróleo, a que o ex-PM de Portugal se quis associar. Quando enumeram alguns dos países da "coalição dos dispostos", senti vergonha antecipada por temer ver o nome do país, escorreguei na cadeira. Tal como senti uma imensa revolta quando o PM meteu o país nisto. Interessante sem ser surpreendente. Será que terá algum impacto lá dentro? Na Europa somos um público fácil.

Não me dizes o que achas?



segunda-feira, 9 de agosto de 2004



Hoje é Segunda em Agosto, e estoy enfyado num Data-Center a trabalhar muitas horas. Lá fora o ar sabe a abafado quente, e o céu cinzenteia por cima de mim, sem me cair na cabeça no entanto, e não respirar o ar abafado é o único aspecto agradável desta sala onde o ventoínhar ensurdecedor de servidores e afins entra lentamente num subconsciente doentio.

Hoje dormi poucas horas, mas ontem fui a um cine-pipoca, e jurei para nunca mais. Estarei velho, com alguns cabelos brancos, talvez um pouco senil e com problemas de memória (ainda não uso bengala, mas aquelas pontas retorcidas começam a atrair-me que nem magnetos), mas jurei para nunca máis. Além do reconhecido popicrunch e do depenipipocar nos baldes, houve quem atendesse telemóvel ("Então, tudo bem? Sim, estou no cinema, e tu o que fazes?...etc"), e ainda refilam quando delicadamente se atira um shiiuuu depois de o filme começar. Não é que este merecesse muito pela sua qualidade, muito pelo contrário, mas ver um filme numa sala às escuras como se estivesse a ver um jogo da bola, puhhh-leeeaaasseee!!! Só faltava o Gabriel Alves a comentar "agora é quando o aranha salva o universo, vai pela esquerda e zás!"

O problema é meu, claramente. E já está resolvido, definitivamente. Achei apenas que deveria partilhar contigo.



domingo, 8 de agosto de 2004



Hoje é Domingo em Agosto, e estoy enfyado num Data-Center a trabalhar umas horas. Lá fora chove e o céu está sujo de cinzento, e não estar à chuva é o único aspecto agradável desta sala onde o ventoínhar de servidores e afins entra lentamente num subconsciente doentio.

Hoje dormi 8 horas, depois de uma semana ocupada e cheia, e de ter dormido 13 horas e meia ontem. Na noite de ontem, quando ainda era Verão, fui à Fábrica da Pólvora ouvir o Pedro Jóia, e soube-me bem ouvir o Carlos Paredes em algumas cordas.

Continuo sem saber por onde andas, e o que fazes. És tantos! Talvez esta noite de sono te tenha esbofeteado rosadamente, coisa que não faria acordado a ninguém, ou talvez não. Há noites em que parece que somos visitados por sonhos que não queremos, e que não conseguimos expulsar. Apetece mais eucaliptos altos, relva, e noites de verão, com faunos escondidos nas sombras (com arpas... arpas?!)

Afinal quem és tu? Não percebes que aqui não aprendes nada? Isto é uma hipNOISE, e claramente as paredes e luz branca asséptica estão a fazer-me mal aos nervios.



sábado, 7 de agosto de 2004



Hoje é Sábado em Agosto, e estoy enfyado num Data-Center a trabalhar umas horas. Lá fora torra-se, a esta hora, e o ar condicionado é o único aspecto agradável desta sala onde o ventoínhar de servidores e afins entra lentamente num subconsciente doentio.

Hoje dormi 13 horas e meia, depois de uma semana ocupada e cheia. Ai, as minhas costas.

Esta semana o Cardoso e Cunha foi posto fora da TAP, e isso foi uma boa notícia.

Hoje, o que me apetece mesmo é um Bacalhau à Funil, com Pudim Abade de Priscos de sobremesa. E depois, alguma música.

E tu, o que fazes e por onde andas? Eu telefonava-te, se quisesse, mas nem o teu número sei. Acho que mudas de rosto e memória num entreolhar que faça. Cada vez que escrevo, apesar de saber que é para ti, és uma pessoa diferente. Admito que isso tem piada.

Boeuf. Mesmo que seja só eu a sentir aquilo a que me refiro.



segunda-feira, 2 de agosto de 2004



Festival de Música do Mundo de Sines, Edição 2004
8 concertos por 10€?? :-) no próximo ano tiro a sexta-feira de férias. Está decidido. Em anos anteriores vi lá concertos como o dos Hedningarna e vários outros. E agora que o panorama "world music" perdeu o Cantigas do Maio no Seixal, o FMM e o SET em Aveiro parecem-me ser os dois festivais mais interessantes do país (excluo os 3 Intercélticos por preferências estéticas pessoais :-) ). Voltando ao FMM, 2 concertos inesquecíveis: Warsaw Village Band, da Polónia, e a Rokia Traoré, do Mali. O primeiro a partir tudo com uma energia "telúrica" que lembra os Hedningarna, a segunda a seduzir e encantar. Outros dois, o David Murray e muito especialmente o Femi Kuti (a fechar o festival) foram os donos do corpo e os pulos. Finalmente, o Tom Zé, cujo concerto é destacado tanto no Público como no DN, pareceu-me muito divertido, cénico, a figura dele é claramente muito interessante e caricata, mas achei pobre musicalmente.
Voltar para Lisboa ao nascer do sol... é cansativo :-)



sexta-feira, 30 de julho de 2004



As notícias dos incêndios deixam-me absolutamente angustiado.

Vir de manhã a ouvir notícias, ler o jornal, ver noticiários, são provações que me encolhem e entristecem.



terça-feira, 27 de julho de 2004



With all this heat, all I want is a cold beer and lupins.

Pareceu-me importante dizer isto.



sexta-feira, 23 de julho de 2004



Carlos Paredes
O primeiro CD que ouvi dele era um CD oferta da TAP aos clientes. Tinha uma capa azul, e chama-se "Asas sobre o mundo". Enviei uma cópia a uma amiga nos EUA, numa troca que fizemos. Muitas músicas são mágicas, e tocam-me profundamente (diria "na alma portuguesa", se acreditasse em tal coisa). Nunca tive o prazer de o ouvir ao vivo. ... E o que se pode dizer? era um músico admirável, e agora morreu, e estou genuinamente triste.



domingo, 18 de julho de 2004



night nokias

Estou fascinado com as capacidades fotográficas dos telemóveis. Já andava com a minha Lomo para quase todo o lado, mas o móvel acompanha-me bastante mais, em instantâneos. Aqui ficam. Arte moderna, sign of the times. É como os blogs. É interessante pensar nas consequências, e o tema nem é novo: a democratização do acesso, o trigo e o joio, a vulgarização.

E agora algo completamente do mesmo: este formulário permite ao "cidadão" enviar ao "Governo" "uma opinião, uma crítica ou uma sugestão". Não sei se respondem, mas aguardo uma resposta. Porque é que "cidadão" tem inicial minúscula, e "Governo" maiúscula? hmmmm.



quinta-feira, 15 de julho de 2004



Há coisas que não compreendo

O Santana como PM.

O Santana a despedir-se da CMLisboa com uma pausa cabisbaixa de segundos, "cuidem de Lisboa", os jornalistas a falar de emoção e eu a ver só mau TEATRO. Fui só eu?? "Custa muito deixarmos um trabalho que adoramos. Eu adorava este trabalho. Gosto muito de Lisboa. Sou lisboeta desde sempre, portanto custa muito sair". Quantos segundos terá ele passado a livrar-se sair do Túnel das Amoreiras, Parque Mayer, Casino, etc.? 2? 3?

O melhor aspecto do Santana ir para PM é sair de presidente da CML...

Os dois investigadores do apito doirado, um em Cabo Verde outro em França (a fazer o quê???), o juiz escolhido - por concidência - familiar de pessoas da CM Gondomar.

O Santana como PM.

Aquele senhor do aparelho do PS, culpado ou não que seja, posto em Liberdade de uma forma com contornos tão infelizes quanto os que o meteram atrás das grades. Depois de trocas de juízes, e com um fechar de olhos a vários elementos de prova. Aliás, posso falar neste caso, até, de uma generalizada despenalização, no que é um gravíssimo caso de crime de abuso de crianças. Wyrd. Afinal são todos inocentes?

O Santana como PM.

Ouvi na rádio que tinham sido pausadas as negociações para a saída "do brasileiro administrador-delegado" Fernando Pinto da TAP, pelo menos até a situação política actual estabilizar. O problema, pelos vistos, é que ele e o tacho que lá está como presidente não se dão bem. E quem sai? O líder da equipa que - por estranho que pareça - trouxe a TAP aos lucros e até é querido pelos trabalhadores pela sua competência. O que vai mal?

O Santana como PM, para mim, é algo ainda não consigo compreender. Não consigo - sinceramente - olhar para ele, ouvi-lo, e ver qualquer espécie de profundidade, de capacidade de visão e liderança. Méritos terá, certamente, óbvio. Mas eu não os vejo, e não o vejo como um PM. Francamente. E mais: se ele não tem legitimidade perante o eleitorado português neste momento, que legitimidade terá entre os seus próprios pares e ministros?

Acho que a única coisa boa deste processo foi a saída do in-líder nato "cartões amarelos" Ferro.

O "Dr. Pedro Santana Lopes" como Primeiro Ministro? inacreditável. Francamente. Ao que nós chegámos.

Agora diz-me: o que é que faço, para protestar contra estas coisas? Existe algum provedor do Eleitor? O que pode fazer um cidadão anónimo para protestar contra situações que sejam do seu desagrado?

Olha, não consegui deixar de falar de política. E logo a seguir a um post sobre a magnífica Lhasa. Que contrasenso.



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