sábado, 31 de janeiro de 2009



Era uma vez um rapaz…

lutou o mais que pôde contra crescer. um pouco de adolescência, rebeldia, ser do contra, refilar e protestar contra o mundo. com energia, mas também de forma imatura, nas relações, no trabalho, na vida.

hoje isso acabou. acabaram as tais viagens de comboio em 3 troços pela noite de madrugada com névoa e as escadinhas, terminaram os passeios pelos campos ou pela terra aos teus ombros ou de mão dada contigo, as buchas com queijo, as conversas na tasca, as voltas na tua bicicleta enorme…

… acabou-se a juventude. parece que agora, com 36 anos, tem mesmo de se tornar adulto.

 

adeus, avô. não te vou esquecer, nunca.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2009



Thin Blue Line

Vou escrever em forma de tangente.

escrever em tangente, no entanto, implica a colaboração activa dO Leitor. O Leitor certamente estará informado de que, em matemática, a palavra tangente tem dois significados distintos mas epistemologicamente relacionados: um em geometria, cuja tangente é a reta que em pequenas distâncias funde-se com a circunferência, e o outro em trigonometria é um plano (de inclinação) que tange a superficie de uma esfera.

sendo aqui que a curiosa palavra tange deve ser ententida não pelo seu significado musical (tocar um instrumento), mas seu outro significado, não musical mas muito mais wikiano.

tendo isto como premissa, vou ter de pedir ao leitor para imaginar uma folha repleta de círculos, de variadíssimos diâmetros e cores, desordenadamente colocados na página. para cada um deles, e escolhendo um ponto coloquialmente ao calhas, trace uma recta tangente, por forma a que todas as tangentes se cruzem num e num único ponto de fuga.

pois esse ponto é precisamente a mensagem que quero deixar aqui, sobre estar apaixonado. e os pequenos pedaços de texto que vou deixar a seguir, e que ainda não sei quais são porque não saíram de mim, são todos eles sobre esse ponto. as ligações, no entanto, são tangenciais. e podem nem existir. aí entra a imaginação rica dO Leitor, e o labirinto do borges [1].

a primeira história é sobre as palavras “pedaços de texto”, que usei no parágrafo anterior. algo que detesto em teatro são aqueles momentos auto-masturbatórios [3], sobre o quão fantástico é fazer teatro, representar, o palco da vida, yada yada yada. suspeito até que possa já ter escrito sobre isto no passado. ora para ser muito frango [2], penso o mesmo sobre a escrita. falar de palavras e sobre escrever, glorificando-as, é o mesmo tipo de coisa.

a segunda história é sobre um pato (ou pata), que eu ou a minha irmã tivemos quando éramos gaiatos, na Terra dos Meus Avós. [4] lembro-me de ter sido comprado numa feira em santiais e de andar pelo quintal e pela rua sempre atrás de nós, do tamanho de um palmo, pai ou pais adoptados. como se podia prever, e como estas coisas não têm nunca final feliz, acabou no prato, o pato.

a terceira história é pornográfica, e como tal não a posso contar. chocaria as sensibilidades dOs Leitores atentos e pouco permissivos com a moralebonscostumes. ainda por cima, apetece-me chocolate, por isso não vou mesmo entrar por aí. tem a ver com mamilos como azeitonas de elvas em pornonovelas a preto e branco dos anos setenta.

a quarta história aconteceu quando terminei o curso, e fui com outros colegas a uma reunião sobre a perspectiva de continuar para mestrado, penso que em 1995. o curso tinha muitos alunos à partida, mais de 200, e com tanta gente é impossível conhecer todos. ainda hoje me surpreendo por saber que s ou l ou q foram meus colegas sem deles me lembrar de forma alguma. mas voltando ao passado. estávamos uns quantos à porta antes de entrar para a tal reunião, e encetou-se uma conversa sobre espírito de curso, sobre a pouca gente que aderiu à viagem de final de curso. dei a minha opinião (que seria a de esperar de um introvertímido), e uma miúda algarvia com quem terei trocado 2 ou 3 frases talvez no curso todo respondeu, perspicazmente: “isso és tu, que és um bicho do mato”. acho que nunca mais a voltei a ver, e não fez o mestrado, mas aquele momento foi uma lâmpada.

a quinta e última história, porque na minha folha de papel cavalinho só desenhei 5 bolas, é sobre uma ocasião em que ia na rua com um colegamigo, a caminho do almoço. poucos metros à nossa frente, uma velhotinha caiu, partiram-se-lhe os óculos e cortou-se, havia sangue. o meu colegamigo acorreu a ajudar, não fora nada de grave. eu fiquei gelado, sem me conseguir mexer. só imaginava vidros nos olhos, e a pela espinha subiam e desciam arrepios frios. e não, não me orgulho da reacção. a história é essa, no entanto, e aposto que tens uma dessas para contar, que te revolveu por dentro no mau sentido (como uma chave esquecida num bolso de calças numa máquina de lavar [5]).

 

agora que já aí tens as cinco histórias, podes olhar para ponto de convergência. nesse ponto tens o que é estar apaixonado, em forma de tangente muito tangente. perder o sono e ficar magoado, querer sem ter (sem querer?), dar e doer, essas coisas todas que me fariam detestar-me se as fosse desenhar aqui a lápis. têm tudo a ver contigo, tu a quem não digo o nome, e por quem estou apaixonado.

não me peças para explicar, quem tem a respostas era o borges e esse já não está cá para falar.

 

[1] se nunca te disse que o borges é, para mim, um dos maiores escritores que já passou pela humanidade, fica aqui dito para a posterioridade. [2]

[2] depois de inúmeros episódios de correcções pelo Vasto Público a frases intencionais, achei por bem passar a assinalar as utilizações porventura passíveis de causar desorientação aO Leitor.

[3] note-se a figura d’estilo pleonasmática [2], destinada a reforçar o significado.

[4] vai sempre ser A Terra Dos Meus Avós, mesmo quando.

[5] sempre quis usar esta imagem num post. depois de anos e anos, finalmente consegui.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009



Agora Que Te Conheço…

… tudo mudou. nada podia ficar na mesma, nunca nada fica na mesma. o observador altera o objecto observado, pelo simples facto de estar de olhos abertos, ali estacado, de olhos fixos em ti e a procurar os teus. quando respondem, num rodar de cabeça em que todo o fundo está desfocado, parece que o brilho te entra por dentro e o corpo sofre um choque bzzzzt eléctrico…

… o que mudou, perguntas? mudou tanta coisa, com cada pequeno curva da tua maneira de ser, cada vez que te toco ou te beijo, cada vez que sinto a (cliché alert!) curva do teu pescoço, as tuas maneiras, o teu cabelo comprido, até a tua ocasional brusquidão…

… mudou tudo. se antes me sentia atraído, apaixonado, agora sei que o que sinto vai muito além disso, sei que quero que nos partilhemos, nos consumamos um no outro.

quem não quer paixão e uma ‘jola? paixão é ””sofrimento””, em tempos postei aqui a definição para efeitos ilustrativos. é ir na rua e tropeçar perturbado num smiley errado de um sms, é não ganhar o sono, e querer fazer tudo com a outra pobre alma, que nem sabe bem o peso das 16 toneladas que lhe caíram em cima.

não estou nos meus dias mais inspirados. estou só a tentar fazer autosentido. vou tentar redimir-me postando algo de tradicionalmente interessante, como c@nta a laurie anderson. deixai-me pensar.

 

 

calma. eu vou lá.

 

 

só mais um minuto.

 

 

estou com blogger’s block. não tarda faço uma piada fácil sobre o quotidiano, provavelmente envolvendo políticos.

 

 

não. nem isso.

 

 

 

(mas eles mereciam)

 

 

vou ter de citar a minha irmã. no sms mais brilhante que escreveu desde que nasceu, disse-me há uns anos: “A mãe é mais dramas. Chama-a de dramática e culpa-a de seres sub-urbano depressivo.” O que eu ri ao ler isto empalideceria os Monty Python e mesmo Archie Bunker.

 

 

E mesmo apesar deste momento musicalmente cómico, ambos sabemos. Que agora que te conheço, tudo mudou. mudou tudo, amor.



domingo, 21 de dezembro de 2008



Nunca Vou Dizer O Teu Nome.

… sei que hoje estás aqui e que amanhã podes não estar. Que podes zarpar no esfregar de um olho, acenando um adeus até à próxima, a bordo do Holandês Voador, em direcção a outros mares e outros navios a afundar…

… e por isso mesmo, nunca vou dizer o teu nome. Não lhes vou dizer o teu nome. Evitá-lo como se fosse um vírus, um ebola mortal que arranca corações para os despedaçar nos mil pedaços de um cristal estilhaçado no chão.

… mas o teu nome faz-me bem. Faz-me sonhar, pensar em tonterias insensataz, paro maravilhado a ver-te no teu sorriso juvenil, traquinas, os lábios perfeitos, os olhos escuros e cheios de vidas…

… e por isso, por te querer para mim, nunca lhes vou dizer o teu nome. Dar-lhes o teu nome era dar-lhes parte de ti, não o quero fazer, não o posso fazer, preciso de todos os pedacinhos de ti. Nem que seja para os deixar embarcar…

… e porque o teu nome vai ser, sempre, meu. Quer tu queiras, quer não.





In The Morning.

De manhã acordo estremunhado, os lençóis quentes e macios, ao meu lado uma outra respiração suave acompanha o meu regresso à consciência. Levanto-me em silêncio, como um fantasma, e saio para o dia.

Fora do quarto está sol, toda a casa brilha e reluz com a força do nosso astro favorito, quase me cega numa cegueira branca. Curioso pensar no facto de a única divisão realmente escura, muito escura, ser o quarto de dormir. É o nosso casulo, a nossa gruta de vampiros, o refúgio onde até da luz nos escondemos na nossa vulnerabilidade. É também onde abraçamos a escuridão, apesar dos terrores que o negro da noite nos causa desde o Início dos Tempos. E onde nos entregamos, com paixão, à vergonha tímida do amor. Já viste bem, tantas coisas escondidas entre quatro paredes e um estore para baixo?

Seja como for, aqui fora está sol e estou sozinho, tu ficaste lá atrás ainda perdida em sonos e sonhos, os teus cabelos loiros sobre a almofada, deitada de lado a respirar de mansinho, mas já roubaste o espaço e calor que lá deixei.

Não sou uma pessoa matinal, mas o sol das manhãs é quase imbatível no prazer que me dá senti-lo, deixo de fazer sentido. Hoje, dia em que acordei estremunhado e deixei os lençóis quentes e macios no quarto, onde que ficou um corpo quente que adoro, vim escrever para a beira do mar, e o sol brilha tanto, que deixei de conseguir ver as tecl



sexta-feira, 12 de dezembro de 2008



Harodopios (lê-se com acento no primeiro ó) [1]

Tinha toda uma posta pensada em torno do conceito de Harodopios (lê-se com acento no primeiro ó) ((e escreve-se sempre dizendo isto mesmo)). Ia escrever sobre as voltas que dão pelos ares, sobre os fantásticos tons de azul do seu pêlo quando cruzam o céu velozes, sobre os seus lábios grisalhos e como beijam com paixão, sobre a sua alegria jovial.

Mas mais uma vez, mudei de ideias. Decidi fazer uma posta sobre frases de músicas de que me recordo. Não vou dizer de onde vêem ou quem as canta, nada. Ficam só as pa-la-vri-nhas [2]. Mas o que conta (canta?) a história  não são estas palavras, são as dos títulos.

Ou não seriam as noites dos amantes, que o mundo sempre acolherá, com luar e músicas de amor. Auto-contidos e soldados nos lábios. [3]

Quero desfazer o sentido. Geralmente já faço pouco dele, mas hoje quero fazer menos ainda.

Tive amigos em casa durante a semana que passou, e invadindo-me lavaram as plantas com Vinagre. Sorte a minha que não se lembraram do tinto. A continuar assim, ainda se lavam as paredes com azeite (ou o óleo das anchovas em lata), para ser mais saudável e resistir à Humanidade (verde é sempre melhor que cor-de-rosa, já dizia Manuel Germano, grande crítico do Género Humano [4]).

Gosto de palavras como gosto de histórias. Já devo ter escrito sobre isto algures no passado. Acho perplexante como lemos livros ou vamos ao cinema para que nos con-tem his-tó-ri-as. Em adulto, saliento duas. A primeira são as histórias do CD da Laurie Anderson, “The Ugly One With The Jewels”. Ouvi-o tantas vezes (ainda hoje pontapeio a parede por ter perdido o concerto dela em Lisboa em 94 ou 95) que as sei de cor, e comprei o “Stories From the Nerve Bible” de que foram retiradas. É como ser levado para outro universo pela voz dela, mas sem ser cliché como esta frase que ainda estou a acabar de escrever. (acabei). A segunda são as histórias de um podcast que descobri há alguns meses, chamado The Moth (“Live storytelling performances”). Gostava de saber contá-las assim, com clareza, emoção e paixão (mas as palavras atrapalham-se-me). Acabei por encomendar a caixa com 10 CDs, há dias.

I love stories. Tell me stories, entrance me, and you have my heart.

Mais nada.

[1] Só digo isto para relembrar que o acordo ortográfico me roubou (a mim pessoalmente, e a mais mortos que vivos) o acento que cabia justamente a esta palavra das mais lindas do português por descobrir.

[2] Repito: pa-la-vri-nhas.

[3] E vão duas para o mundo, cada uma seguindo o seu caminho.

[4] Ups. Referência literária secreta e subtil, em que poucos reparariam não fosse este rodapágina.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2008



Só Liguei Para Dizer Que…

Bazei. Vim-me embora. Trouxe os livros, os CD’s, as receitas mágicas de toucinho do céu, as mochilas e 300 t-shirts de metade do planeta, as canecas, os ténis, um casaco e um pão lêvedo. O resto fica, não gosto de viajar pesado.

Estou neste momento numa pequena ilha do oceano pacífico. E note-se que não estou a falar do programa de rádio. É uma pequena ilha, aproximadamente redonda em forma de ovo estrelado, onde não se filma nenhuma série de pessoas supostamente perdidas que faz tanto sentido quanto o Twin Peaks ou a Realidade, mas onde as omeletes são divinais.

Aqui há internet (suspension of desbelief ON), mas só há novidades de fora 3x por semana, pouca gente, dois imensos (imensos!) céu e mar azuis, calma, pássaros, relva verde debaixo dos pés. E árvores. É.

Decidi deixar o fato e a gravata e os sapatos à porta da ilha. Incomodavam-me. Afinal, sempre foram anos e anos e anos com eles. Cerca de 170, o que faz com que (fazendo as contas) actualmente tenha cerca de 36 anos de idade.

Entre os livros que trouxe, tenho um com o título mais pateta que já vi. Tão pateta, que gostava de ter sido eu a inventá-lo. Chama-se “Como o soldado conserta o gramofone”, e tem na capa um rapaz com ar patusco a tocar uma concertina, na praia e vestido de fato preto, com dois cães a passar a correr atrás. O livro existe mesmo. Note-se que não o estou a recomendar. Ainda não o li. Só estou a referir que a capa é soberba de non-sense e que, em consequência, me fez sentir pouco menos que um amador dessa arte.

Ontem saí de casa e percorri os poucos metros que me separam do mar. Estava molhado, o que me surpreendeu, por isso levei areia e uma toalha. Não gostei que olhasses para mim jocosamente, rindo-te da cor da minha toalha. É minha, e gosto dela. Acho que combina bem com a minha personalidade. Chupo-a quando preciso de nutrientes, especialmente aos cantos . [1] Tu não podes dizer ou fazer o mesmo. :p

 

[1] Pontos a quem reconhecer a referência ao Livro Mais Hilariante da História da Humanidade (LM3AGÁS).



terça-feira, 2 de dezembro de 2008



Hoje… Não.

Pensei em escrever sobre coisas interessantes e fantásticas. Sobre Harodopios. Sobre o sol no rio. Sobre o brilho de um sorriso nos olhos. Sobre o mar. sobre a terra descalça com pés nus. Sobre o céu (azulinho). Sobre as núvens em forma de sonho. Sobre a mão numa fonte fresca da montanha. Sobre uma mão com areia dentro. Sobre uma maça brilhante que ofusca. Sobre um gomo de tangerina (que bela palavra, tan-ge-ri-na). Sobre o vento. Sobre relâmpagos de noite e frio húmido até aos ossos com trovões nos ouvidos (saídos do fundo bem fundo do planeta).  Sobre alegria e sobre o orvalho numa manhã. Sobre neblina e orelhas com frio, vermelhas. Sobre um espirro (ou dois) ((‘tchu)) (não me digam que um espirro não é bonito).

Sobre uma azeitoninha nos lábios.

 

Mas… hoje não vou escrever sobre nada disso.



domingo, 30 de novembro de 2008



Quando Voltar A Seattle, Compro Um Kilt

Está prometido. Não sei se um Original, se um Survival. Estou inclinado para o Survival. Usar um Kilt é quase como usar um Poncho, parece-me. Usar um Poncho e simultaneamente um Kilt, isso sim, seria arrojado, e duvido que seja capaz de me seguir por esse caminho de aventura boémia.

Este ano no FMM em Sines o baixista do Kimmo Pohjonen, um Sr. que devia embrulhar o baixo e atirá-lo ao mar como à pérola (mas por motivos diferentes) e dedicar-se à decoração de interiores, tinha um kilt vestido (ia dizer calçado, veja-se). Era preto. Pensei para comigo mesmo (penso até que cheguei a dizê-lo): “aposto que o man é de Seattle” [1]. E não é que é mesmo? Acho que ele tinha o modelo Tuxedo, e não lhe ficava bem, até porque tinha as pernas rapadas.

Isto tudo para dizer que não, não planeio rapar as pernas. Apesar dos coros públicos nesse sentido, os abaixo-assinados, das cartas registadas de presidentes e governos e primeiros-ministros de milhares de países, é um pedido a que não posso aceder. Rapar das pernas os pelos é impossível aos olhos da minha crença nas vacas sagradas do Nepal. [2]

Já que estamos a falar do Nepal, uma coisa que se come no Nepal é Nan. E ali no Everest Montanha na Avenida do Brasil, por exemplo, o Cheese Nan é muito bom. Acompanhado de uma chamuça, um prato *Everest ou *Korma p.ex., uma Cobra (tem de haver uma loira à mesa), e por vezes uma Bebinka multi-fatiada a fechar, é bem melhor que eu sei lá. Curioso também que o nome deste prato culinário típico do Nepal seja usado em algumas zonas do nosso país (Algarve?) com um significado totalmente diferente, em frases como: “hoje nan me apetece tomar pequeno almoço”, “Nan sei, nan sou de cá” ou “Nan, nan quero uma bolacha”.

Na próxima posta vou falar de Harodopios (lê-se com acentuação no primeiro ó). Hoje não posso porque não apenas O Vosso Cronista se aproxima do limite contratado de palavras, mas porque a noite passada dormiu pouco. Zzzzzzz. Fiquem bem e cómodamente quentes.

 

[1] Dizer “man”  [3] é fashion Outono-Inverno 2008.

[2] Eu estou de acordo com a opinião do Richard Dawkins de que uma religião merece tanto respeito como a crença em ovnis, motivo pelo qual não está acima de crítica, discussão, alegoria e galhofa generalizada.

[3] Não confundir “man” com “nan”. A primeira palavra diz-se “méne”, a segunda “nãn”.



terça-feira, 25 de novembro de 2008



Como Se Não Houvesse Amanhã

É frequente na literatura colocarmo-nos cenários como: “E se não houvesse amanhã?”. Geralmente as opções são por atitudes de uma certa euforia cataclismica Vamos aproveitar As Últimas Horas E Fazer Tudo O Que Nunca Fizemos. Claro que, como o mundo está prestes a acabar, já não dá tempo para fazer quase nada disso, e só nos restam os cheap thrills. Outra variante popular é a abordagem familiar, como se fosse o Natal, mas para nos levarem os presentes todos. Não é de todo mal pensado, se houver tempo para isso, e é uma alternativa claramente sensata.

Mais interessante que este cenário, no entanto, é o cenário “E se não houvesse ontem?” Não me refiro obviamente ao dia de ontem, mas ao Ontem de tudo-até-aqui. O mundo começava hoje, depois de um reset. Quem é que seríamos? As mesmas pessoas? Ou aproveitávamos [1] para limar arestas, recontar certas e determinadas estórias? Imaginem-se expressões do tipo: “Ele viveu como se não houvesse ontem”, referindo-se a alguém que tivesse recomeçado.

E se estivessemos Ausentes do Presente? Esta é a alternativa correspondente à moeda que cai de pé (devia haver regras para quando as moedas caem de pé). Esta é a alternativa mais simples. Se não estamos cá, não há muito que possamos fazer. A menos que saibamos o que se passa, e amanhã possamos voltar com esse conhecimento.

Estava a pensar sobre o que seria uma Inconvenience Store (nota: não estou a dizer que este seja um jogo de palavras especialmente inteligente, mas pensemos em conjunto). Se isto for binário, a maior parte das lojas são inconvenience stores. Bom, quero lá saber das lojas. Aquilo que me apetece dizer é o seguinte: vou passar ater uma parte de todas as postas intitulada O Páragrafo Sublinhado. No caso, é este. Não por ter especial importância, ou por ser uma tolice sublinhar texto em que não se pode clicar, mas só para te confundir. Este é também O Parágrafo que te Confunde. A maior parte dos visitantes de páginas na internet só vê uma página. Deparando-se com uma página como esta, com um grande sublinhado, é aí que se vão concentrar. O que significa que tudo o resto, que pode ser a mensagem importante, fica fora do radar. E mais, se eu fizer de propósito para escrever mais tolices que o costume na parte sublinhada, é um bom artifício para alienar visitantes.

Outra coisa que pode ser interessante é destacar partes do texto, usando a formatação para alterar o ênfase, de forma contrária à sua utilização normal. Se forem palavras com pouco conteúdo, isto resulta melhor ainda.

Tinha mais dois temas para abordar nesta crónica terçafeirista. O primeiro, é a palavra “fazil”. Esta palavra não existe. Sem querer estar a negar a existência de alguém que só descobri depois, mas que não tem qualquer relevância para esta posta (nem esta posta para ele) ((até porque não lha dou)), esta palavra “fazil” parece-me o nome de uma cor. Perto do lápis-lazúli, do anis e da Erva Doce. O problema é que quando pesquiso “Erva Doce” na Wikipedia, aparece-me “Funcho” (e quem não conhece o Funcho do Asterix?). Agora reparem no pormenor delicioso que nos dá essa enciclopédia galáctica:

Na Grécia Antiga era designado por μάραθον (marathon), estando na origem do nome Maratona (que afinal, em português seria Funchal), o local da mítica batalha de Maratona travada em 490 a.C. entre gregos e persas. A mitologia grega diz que Prometeu usou um talo de funcho para roubar fogo dos deuses. [2]

Repararam no Pormenor Delicioso que é o comentário sobre o Funchal? Às vezes parece que nos aparecem pérolas [1] de dentro de palavras que pensávamos que conhecíamos.

E já alguma vez te disse que adorei o livro do Steinbeck chamado “A Pérola”, que os meus pais costumavam ter em casa com a capa já semi-desfeita? Há pérolas que às vezes é preciso atirar de volta ao mar.

[1] Gosto de palavras exdrúxulas, ficas a saber.

[2] É a primeira vez que cito Grego Antigo numa posta.



segunda-feira, 24 de novembro de 2008



[a]casos

A wikipedia descreve Synchronicity da segunte forma:

Synchronicity is the experience of two or more events which are causally unrelated occurring together in a meaningful manner. In order to be synchronous, the events should be unlikely to occur together by random chance.

A frase a bold é a diferença entre isto e uma simples coincidência. Se calhar, uma "sincronicidade” não é precisamente uma coincidência simples, antes uma com significado. O que me baralha, mas resulta num jogo de palavras giro (60 numa escala de 1 a 100, votaria o público).

E o que é uma asincronicidade? será que os eventos são relacionados? que ocorrem separados? que não têm significado? ou que ocorrem juntos por algo que não o acaso?

Perguntas destas mantêm-me acordado de noite, a olhar para as estrelas fluorescentes no tecto (seria bem mais poético se fosse florescentes).

Depois, quando acordo, geralmente apetecem-me uvas.



sexta-feira, 21 de novembro de 2008



Nós somos os Introvertímidos.

Há dias escrevi alhures uma posta com um título como este. Era uma posta profissional, séria, comedida, com a minha persona pública, aquele que é o outro e aparece em palcos de auditórios e se desdobra em contactos e conhecimentos técnicos variados. [2]

Mas este aqui também sou eu. E lendo-me a mim próprio, desactualizado no tempo, apeteceu-me vir tirar o pó às palavras (como vos adoro…).

Precisava de um rastilho que me fizesse ir pelos ares (estás aí?) Ou então de férias. Estive fora 3 semanas em duas, e com trabalho intenso no intermezzo. Satisfeito mas cansado. Ou férias ou rastilho, malta. Como é? Preciso, também, do Fundo do Mar (vá, 20 ou 30 metros chegam).

Seja como for, agora que voltaram a abrir a internet às pessoas, «vou tentar vir mais aqui». Deve ser das frases que mais se dizem no Universo, juntamente com «Lets Just Be Friends». Claro que, tendo já decretado a universalidade para todo o sempeterno deste belogue (conforme nota 76/p45 acordo ortográfico 1867), não tenho propriamente de me preocupar com isso. Antigamente deixavam-se livros, que iam para a biblioteca nacional ou para a torre do tombo. Vendem-se milhares de milhões e trincabilhões de cópias, que ficam em casa de quem os compra até 90% dos filhos os reciclarem. O problema vai ser quando já não houver livros. O digital dura para sempre?

Oh, sim, quero mesmo ver daqui a 100 anos a conseguirmos ler discos de 2008. Se já disketes é uma sorte.

 

Por outras palavras: eu sei o que faço por aqui. Não sei o que tu fazes por aqui. Bom, até sei, na realidade. Fizeste uma pesquisa no gugle e vieste cá dar. O provável é que leias a página na vertical, “não, não é isto que procuro” e a seguir apertes o botão de back (não é tão fixe, dizer “apertar”? e dizer “fixe”, então?)

 

Agora que já estou sozinho outra vez, posso continuar aqui a apertar os meus botões [1] com calma, três ou quatro de cada vez, enquanto tenho o gozo e prazer de ver as letras tão bem desenhadas a aparecer no fundo branco.

 

Deixei passar o meu aniversário e não vim dizer-te Olá. Olá, por aqui? Tudo bem contigo? Temos de ir jantar um dia destes. Ok, manda-me um mail e marcamos. (só para me vingar, acabei de marcar um almoço com uma destas pessoas, já para amanhã)

 

Ando sem energia para fazer uma série de coisas que me dão (sempre deram) prazer. Leitura e Cinema são duas destas coisas, as mais Importantes. É precisa energia, parece-me. Também para escrever aqui. Sem ser banalidades (e neste momento não estou com muita sorte nesse aspecto, claramente). Li um livro num avião que me deu tanto gozo que me apeteceu muito, muito, voltar a mergulhar em páginas de outros universos (ainda por um Le Carré de Aeroporto…). E vir aqui espreitar-te faz parte disso.

 

Agora é de noite e apagaram-se as luzes. Ouvem-se passos ao longe mas não percebo bem de onde vêem.

 

 

[1] Notar o trocadilho entre “botões” e “teclas”, e a repetição da palavra “apertar”, o que torna esta frase imensamente engraçada.

[2] Nada disso. O título era parecido, mas depois mudei para este. E como posso ter mudado outra vez depois de escrever esta nota explicativa, não posso deixar de o salientar aqui: o título da posta pode ter sido N-mudado.



quarta-feira, 2 de janeiro de 2008



mais "Naked"

tirado daqui.

Louise: How did you get here?
Johnny: Well, basically, there was this little dot, right? And the dot went bang and the bang expanded. Energy formed into matter, matter cooled, matter lived, the amoeba to fish, to fish to fowl, to fowl to frog, to frog to mammal, the mammal to monkey, to monkey to man, amo amas amat, quid pro quo, memento mori, ad infinitum, sprinkle on a little bit of grated cheese and leave under the grill till Doomsday.

Louise: So what happened, were you bored in Manchester?
Johnny: Was I bored? No, I wasn't fuckin' bored. I'm never bored. That's the trouble with everybody - you're all so bored. You've had nature explained to you and you're bored with it, you've had the living body explained to you and you're bored with it, you've had the universe explained to you and you're bored with it, so now you want cheap thrills and, like, plenty of them, and it doesn't matter how tawdry or vacuous they are as long as it's new as long as it's new as long as it flashes and fuckin' bleeps in forty fuckin' different colors. So whatever else you can say about me, I'm not fuckin' bored.





Mike Leigh - «Naked»

Este é um dos melhores filmes que jamais vi. Aparentemente não há versão em DVD. E esta é talvez a cena mais poderosa do filme. Acho que tb me formou, este filme.



domingo, 30 de dezembro de 2007



agora com o zune

tenho ouvido vários podcasts, de audio e vídeo. além dos dedicados a temas tecnológicos, a minha selecção vai geralmente para tópicos relacionados com ciência ou com criatividade. ideias estimulantes (que é o que interessa). além disso, estou a ler o "god delusion" do dawkings. tudo junto, agora:

- recentemente soube-se que os chimpanzés são mais rápidos que os humanos, sejam crianças ou adultos, num exercício de memorização de localização e sequências de números. não são só mais rápidos, como assombradamente mais rápidos. do género de não deixar qualquer dúvida. o carl sagan, num dos livros dele, diz que os chimpanzés são superiores aos humanos com até 2 anos de idade, em todos os aspectos. a não esquecer: apesar da semelhança entre homo sapiens sapiens e os chimpanzés, o hss não é uma "versão mais avançada" dos chimps. estes últimos não pararam de evoluir, nos últimos milhares de anos, tal como nós. não é se calhar surpreendente que esta evolução paralela os permita superarem-nos em vários aspectos.

não sou hss-cêntrico.

- o livro do dawkings é um tomo anti-religião, pro-ciência. analisa ar-gu-men-to-por-ar-gu-men-to o que se diz pela existência de deus, e destroi cada um desses argumentos. sou ateu, e li vários outros livros dele, pelo que as palavras dele fazem muito sentido para mim. não vou entrar nos argumentos, queria falar doutra coisa. a páginas tantas, o dawkings cita um cientista (reeves?) que reduziu o número de constantes da física/química a 6. os valores destas 6 constantes são o que faz com o que o nosso universo tenha a "forma" que tem hoje. lembro-me de em Física I, na universidade, se ter falado deste mesmo assunto. se calhar por estes dias já se encontrou uma relação entre algumas destas 6, e são já só 5. ou 4, ou 3, ou 2, ou uma, ou nenhuma. se calhar existem universos paralelos. se calhar, o universo só podia ser como é, por alguma questão homeostática de coração matemático.

certamente não me expliquei bem e não fui claro, mas o assunto é ainda assim absolutamente fascinante. quem precisa de um deus (ou mais), quando se tem isto?

também vi uns vídeos do TED.com com o dawkings. ele repete um dos argumentos do livro: a diferença entre um ateu e, por exemplo, um cristão... é UM deus. o cristão é ateu sobre todos os outros deuses, só acredita num, o seu próprio. o ateu,... foi apenas um deus mais longe. é hilariante. :-)

- também vi um vídeo sobre o "slow movement". o slow food é o mais conhecido, mas há o slow cities, e um movimento mais global para, em geral, viver uma vida mais lenta. é muito fácil de vender esta ideia, de facto. as nossas vidas são um zumzumzum de correria, e o tempo parece que nunca chega para nada. nem há tempo para pensar. ficar parado a pensar. tenta. agora, sim. vamos, eu espero (não tenciono ir a lado nenhum, afinal). para durante 2 minutos e fica parado(a) a olhar para a parede, só a pensar.

já está? se fores como eu, ou não conseguiste, ou tentaste ocupar o tempo de alguma forma, ou pensaste que é uma tolice, ou fizeste um "alt-tab" para ir fazer qualquer outra coisa durante 2 minutos, ou sentiste simplesmente estar a perder tempo. bom, mas pensa nisso, quando tiveres tempo. se calhar andar depressa não nos leva mais rápido a lado nenhum.

(tenho de ver se """perco""" algum tempo a pensar nisto, e ver como trago isto para a minha vida. gostava de não trabalhar um dia por semana, também, mesmo ganhando menos).

- se apenas 1 em cada bilião de planetas tiver vida, há pelo menos 1 bilião de planetas no universo com vida.

o que é vida, seja como for? a wikipedia tem uma sugestão.

Life is a condition that distinguishes organisms from inorganic objects, i.e. non-life, and dead organisms, being manifested by growth through metabolism, reproduction, and the power of adaptation to environment through changes originating internally. A physical characteristic of life is that it feeds on negative entropy.[1][2] In more detail, according to physicists such as John Bernal, Erwin Schrödinger, Wigner, and John Avery, life is a member of the class of phenomena which are open or continuous systems able to decrease their internal entropy at the expense of substances or free energy taken in from the environment and subsequently rejected in a degraded form (see: entropy and life).[3][4]

A diverse array of living organisms can be found in the biosphere on Earth. Properties common to these organisms—plants, animals, fungi, protists, archaea and bacteria—are a carbon- and water-based cellular form with complex organization and heritable genetic information. They undergo metabolism, possess a capacity to grow, respond to stimuli, reproduce and, through natural selection, adapt to their environment in successive generations.

An entity with the above properties is considered to be a living organism, that is an organism that is alive hence can be called a life form. However, not every definition of life considers all of these properties to be essential. For example, the capacity for descent with modification is often taken as the only essential property of life. This definition notably includes viruses, which do not qualify under narrower definitions as they are acellular and do not metabolise. Broader definitions of life may also include theoretical non-carbon-based life and other alternative biology. Some forms of artificial life, however, especially wet artificial life, might alternatively be classified as real life.

[...]

- Diz o wittgenstein a um amigo: "porque é que se julgava que o sol rodava em torno do sol?" "ora, é óbvio: porque olhando para o céu, parece que o sol roda em torno da terra!!" "mmm... então, o que teria de se ver para parecer que era a terra a rodar em volta do sol?"

(retórico)

- tb vi uma apresentação do TED com o Ze Frank, um dipo que desconhecia por completo, mas que pelos vistos é uma netpersonalidade.

- e finalmente, a apresentação que gostei mais do TED, de todas as que vi (e há muitas muito boas), foi esta:

Sir Ken Robinson: Do schools kill creativity?

Sir Ken Robinson makes an entertaining (and profoundly moving) case for creating an education system that nurtures creativity, rather than undermining it. With ample anecdotes and witty asides, Robinson points out the many ways our schools fail to recognize -- much less cultivate -- the talents of many brilliant people. "We are educating people out of their creativity," Robinson says. The universality of his message is evidenced by its rampant popularity online. A typical review: "If you have not yet seen Sir Ken Robinson's TED talk, please stop whatever you're doing and watch it now."

A sério. Vejam.



domingo, 25 de novembro de 2007



i feel these wires...

a minha estante novinha em folha chegou há poucos dias atrás. desde que chegou que tenho estado a enchê-la dos livros que até agora têm estado em caixotes. o mundo mudou, agora podem mostrar-se de novo ao mundo, lustrosos, repletos de ideias. apetece-me lê-los quase todos outra vez.

além dos livros, tenho estado também a seleccionar papelada que tinha arquivada. desenterrei centenas de impressões de coisas que tirei da internet entre 92 e 95. de gophers, de sites de ftp anónimo, das primeiras páginas do world-wide-web. percebi que me lembrava de vários destes artigos. sobre os memes do dawkings, sobre a abolição do trabalho, sobre as mailing lists future culture do andy haws e a leri "trip". recordei vários artigos sobre hacking e cifra. vida artificial, biotecnologia, o teste de turing e como enganá-lo, o internet worm que em tempos "mandou abaixo a internet", sobre lógica e formas de argumentar, sobre suicídios e as melhores formas de o realizar, sobre lilith e vampirismo, sobre o philip k. dick, sobre religião e ateísmo, sobre liberdades individuais, inúmeros textos e estórias de ficção de autores sempre desconhecidos, até o nome das máquinas de onde os imprimia: tutor, scallabis, amadeus. textos integrais de filmes, de espectáculos como o do monty python no hollywood bowl, do faq do blade runner (entre outros), como enrolar um charro (!), e muitos outros.

tenho pena de os deitar fora. são como arqueologia de mim mesmo. mas só vou guardar alguns.

percebi que, se calhar, muito do que sou hoje se deve a essa descoberta ocasional da internet, quando queria escrever rm para ver os parâmetros deste comando, em unix, e escrevi rn, acrónimo de read news. descobri os newsgroups, depois o gopher (uma espécie de antecessor do www), depois vieram os primeiros sites, os browsers Mosaic (com o fantástico mundo a rodar) e lynx (modo texto). encontrei textos que tinha esquecido, muitos que não li sequer, mas vários outros recordo quase na perfeição, e tiveram muita influência na formação do meu pensamento e ideias. deixado à solta num novo mundo.

agora com a música a tocar (o random começou no "tá fazendo um ano e meio" do jobim), fui buscar um moscatel, e vou continuar a tarefa.



sexta-feira, 28 de setembro de 2007



Feliz aniversário a mim! :-)

Pois é. Demasiados anos, ao que parece. Estalava os dedos, snappp, e 10 anos a menos. Ai que bom seria. Não me esquecia das coisas outra vez, e tal e tal, o resto. Esqueci-me o que era. O tempo não voa, zarpa a velocidades intersuperduperespaciais, por entre as dimensões do espaço.

E pior que isso, precisávamos de outro lifetime só para rever todo este. E não é um desperdício, perder o tempo que ainda temos a lembrar como foi o que já passou? Mazé olhar para a frente.

O que eu sei é que me apetece mergulhar.

Estive na Irlanda, entre Dublin e Dingle Bay, conduzindo pela esquerda e esmurrando a janela para mudar as mudanças. 8 em 10. :-) Depois Londres, a Metrópole. A rotina do costume. A exposição dos guerreiros de terracota, um dos pontos altos, no British Museum. Uma revisita à Tate Modern. Mas a Saatchi é que domina, e essa não revisitei.

Viagem toda em low-costs amarelos e laranjas, apertados e a pé pela pista. O que importa, se é barato? Há algo de surreal em comprar bilhetes a 1 cêntimo (+ taxas).



terça-feira, 28 de agosto de 2007



Palma Vintage

Jorge Palma - Olá (Cá estamos nós outra vez)



quarta-feira, 15 de agosto de 2007

domingo, 5 de agosto de 2007



Aladino: FRAUDE!

Estava a ler um livro do Orhan Pamuk (The Black Book) quando encontrei uma passagem que me chocou pelo que revelava:

Pelos vistos, a estória de Aladino, das Mil e Uma Noites, não fazia parte das Mil e Uma Noites, tendo sido adicionada pelo tradutor francês, e a partir daí incorporado o texto.

A investigação na net revelou o seguinte na Wikipedia (link):

«No medieval Arabic source has been traced for the tale, which was incorporated into The Book of One Thousand and One Nights by its French translator, Antoine Galland, who heard it from an Arab Syrian Christian storyteller from Aleppo. Galland's diary (March 25, 1709) records that he met the Maronite scholar, by name Youhenna Diab ("Hanna"), who had been brought from Aleppo to Paris, France by Paul Lucas, a celebrated French traveller. Galland's diary also tells that his translation of "Aladdin" was made in the winter of 1709–10. It was included in his volumes ix and x of the Nights, published in 1710.»

Mas o engano não acaba aqui, ohpoisnão! Acredite-se ou não, o Aladino era chinês!!

«Note that although it is considered an Arabic tale either because of its source, or because it was included in The Book of One Thousand and One Nights, the characters in the story are neither Arabs nor Persians, but rather are from "China". The country in the story is however an Islamic country, where most people are Muslims.»

E pior que tudo, era um malandro! Veja-se o texto: «There was [once] in a city of the cities of China a man, a tailor and poor, and he had a son by name Alaeddin, who was perverse and graceless from his earliest childhood.» (link)

Lembro-me de ser gaiato e ter um livro do "Ali Baba e os Quarenta Ladrões", no entanto. Dessa, quase me lembro das ilustrações quando o sésamo se abre. Um lugar secreto e mágico, repleto de perigos.



quinta-feira, 2 de agosto de 2007



Ai Caparica

Já a Costa da Caparica... é uma dor. As praias com pouca areia, muita gente, os bares que acham por bem brindar-nos com um sonzinho brasileiro vários decibéis acima do agradável (porta sim, porta sim), o permanente ar de obras&estacionamento a ferir os olhos (hey? dunas? onde?), aqueles mamarrachos cor-de-rosa mesmo junto à praia, os caixotes a abarrotar de lixo.

A Costa da Caparica, pelo menos no que se refere à parte junto às praias, é um local extremamente desagradável por onde andar, para mim um exemplo daquilo que uma zona balnear/turística NÃO DEVE SER.

Mas claro, quem sou eu?





Ouro no Tejo

Alguns dos minutos da viagem Lisboa-Porto de Comboio valem o seu peso em ouro. Os primeiros, quando a linha vai lado a lado com o Tejo, a poucos metros de distância. Hoje a água estava lisa como não me lembro de a ter visto antes, noutros dias a margem de lá está escondida pela névoa. São 4 ou 5 minutos, mas é uma forma bonita de começar a viagem.

A viagem tem outras três passagens mais interessantes: o rio Mondego, ao passar Coimbra, a praia em Espinho, e as encostas do Porto, ao passar a ponte no Douro.



sexta-feira, 27 de julho de 2007



100% Manhã de Abril

Um amigo de longa data pediu-me para escolher o melhor conto que jamais li. É uma pergunta difícil, mas lembrei-me de imediato de um. Fui procurar aos livros que li este ano, e rapidamente o descobri. O livro chama-se «The Elephant Vanishes», o autor é o Haruki Murakami. O conto chama-se «On seeing the 100% perfect girl one beautiful April morning». É uma pequena história, muito simples, improvável até, mas que me deixou com um grande sorriso nos lábios.

E como a net é omnisciente, encontrei o texto integral online. Aqui, em formato de imprimir e ler, e aqui, em formato ilustrado para ver/ler na net.



domingo, 15 de julho de 2007



Eleições na Capital

Depois de conhecidos os resultados das eleições em Lisboa, esta noite, foi bom - muito, muito bom - ver a reacção do povo Lisboeta, feliz nas ruas, a dançar em rodopios e entoar cânticos de esperança no futuro que está ao redor da esquina. Finalmente, a câmara está em boas mãos. Finalmente, acabaram-se as estorietas foleiras de corrupção, favores, e falta de profissionalismo. Finalmente, alguém em quem podemos confiar, alguém que saberá dar bom uso aos dinheiros públicos, que tem visão e estratégia a longo prazo, e que será capaz de transformar Lisboa numa capital não apenas Portuguesa e Europeia, mas Mundial. Vêem aí os espaços verdes, o controlo de poluição/tráfego/ruído/publicidade, a limpeza dos espaços públicos, a qualidade nos transportes públicos, o apoio às iniciativas culturais, a reaproximação entre as pessoas e a metrópole, a recuperação do património, e tantas outras coisas.

Finalmente, suspira-se de alívio, acredita-se agora, reacredita-se, que chegaram dias melhores, dias de competência e confiança e energia.

E em todas as pessoas da cidade, sem excepção, se via o mesmo sorriso, o mesmo brilho nos olhos. Foi assim.



quinta-feira, 5 de julho de 2007



Lembrei-me agora...

... que se apertar ainda mais a largura da coluna deste blog, vai parecer que escrevo muito mais do que escrevo.

Como já temos todos muito pouco tempo para isto de andar a «bráusar nos sítios da internet» (sic), talvez fosse boa ideia. Toda a estreitar o canal de comunicação. Entre tu e eu, leitor, há umas 20 letras de cada vez. Não há tempo a perder. Clica lá no link e pisga-te pr'outro lado. :-) Boa Biage.





Tenho aqui por casa...

... umas pepitas achocolatadas com interior de grão de café.

Foi a minha irmã que m'as trouxe dos Açores distantes. Não que se não vendam no c/Continente, mas só pra dizer que vêm da antiga e genuína Atlântida Lusa, verde como o sol e calma como uma brisa de verão num dia quente, fresca como o orvalho num dia de inverno, ... (bom, e outras comparações Com Como, o que lhes tira o título de metafóricas).

Seja como for, a mensagem que aqui queria deixar, à laia de post-it eléctro-cibernético, é que estas pepitas de café, que se petiscam distraidamente quais cajus, são uma Bomba de Manter Acordado. A sério. São 22:02 quando vos escrevo, e ainda estou eu aqui de olhi 'squero aberto, e olhi'd'reito aberto, sobrancelha franzida.

Depois desta importante mensagem, queria exprimir uma veemente indignitude. Acho mal ao acordo ortográfico. Acho mal. Não a este, note-se, mas ao outro. O que nos roubou os acentos nos advérbios de modo. Distraídamente inválidos. Só me apetece usar tremas com freqüencia, como vingança deles, tinoni nos semáforos de limusina preta a apitar zuuuum.

Tinha eu começado com pepitas mulatas, e acabo com um círculo de luz recordado na noite, ali em Belém. Belos concertos, os do África Festival. A começar na Mayra e passando pelo Mali.

Oh. Até parece que está aí o Verão.



quarta-feira, 20 de junho de 2007



Espaço, Espaço, Espaço.

Deve ser algo associado ao Homo Sapiens Sapiens. Tem tendências estranhas para crescer e se multiplicar.

E os meus bytes também. Devem ser Bytes Sapies Sapies.

Primeiro comprei um disco de 300gb. "Vai durar-me a vida inteira". Chamei-lhe "Fat Charlie", em homenagem a um personagem de um livro cujo título não vou referir como prova de erudição tácita. Uns 10 meses depois, teve uma irmã, "Baby Jane", do mesmo tamanho (irmãos gémeos). Durou outro tanto. Hoje veio o 3º filho, com 500gb. Destinado a durar quantos meses? Ainda não sei como lhe chamar. Tem um ar mais agressivo que os pais/irmãos, mais tipo cylon. Mas não vou dar um nome não-querido. Na-na-na. Alguém tem sugestões?

Será que os bytes importam mesmo? E eu, importo-me?

E note-se: são tudo bytes legais!



segunda-feira, 18 de junho de 2007



Quais Imperfeitos Qual Carapuça

Quantos rostos veremos durante o nosso tempo de vida?

Quantas pessoas conhecemos, nesse período?

Qual a probabilidade de ver pela segunda vez uma pessoa que se viu antes?

Quantas vezes recordamos o passado, pequenos e felizes memórias? Há mais tempo de memória que de dia-a-dia, a partir de determinado tempo.

Quantos pensamentos pensamos, durante um dia normal?

De que cor são os meus sapatos?

Mmmm. Compreendo o que dizes, aí tu de vermelho e dentes, mas não falamos. Passo de comboio, e tu ficas para láaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Ou estou eu parado e passas tu?

Tenho lido muito, ultimamente. Há livros que se agarram e nos agarram a nós. Não se conseguem soltar, nem nós deles. É preciso comê-los, palavra por palavra, capa a contra-capa.

Mas mesmo esses, quanto tempo duram em nós?

Feliz mesmo era quando tinha o Vasco Granja e o Sport  Billy na televisão (quarta-feira de manhã, escondido atrás do sofá). Agora é mais do mesmo, é Attention Deficit Disorder - Adquirida, hem, o que disseste? zuuuum. Esqueci-me. Ups. Deixa-me tomar nota. Notas.

Somos o que fomos, ou somos o que fomos?

A mim, o que me apetece são férias. No Mali e Bamako, no Chile e na Mongólia. E debaixo de água. Claro. Onde é o Norte? e o Sul?



quarta-feira, 6 de junho de 2007



Cordel do Fogo Encantado

Além de terem um nome fantástico, estes senhores brasileiros deram um concerto completamente alucinado de energia o ano passado em Sines. O Luis Rei tem uma entrevista interessante, em 3 partes (um dois três). Mas mais interessante é mesmo ouvir! Genial!



segunda-feira, 4 de junho de 2007



Mais Serralves

Parece que se começa a tornar hábito, estar nas 40 horas de Serralves. Há muitos espectáculos que não são nada de especial, mas outros que valem muito a pena, e o melhor de tudo é o ambiente, o espaço, o parque agradável, dia e noite.

Pronto, admito. O que gosto mesmo é isto de se poder passar lá a noite, com as lanterninhas do BPI, muitas centenas de pessoas a cirandar pelos jardins.

Este ano o meu favorito foi o espectáculo "Contigo" no «mastro chinês» de João P. Pereira Santos coreografado por Rui Horta. Um espanto. Encontrei aqui uma foto.

Só por isto, valeu a pena. :-)



terça-feira, 22 de maio de 2007



Rachid Taha

Este tipo vem ao festival de Sines, no Verão.

Apaixonei-me por ele depois de ver este espantoso video-clip. Memorável.

:-)



terça-feira, 15 de maio de 2007



Da Avis São Tótós

Na semana passsada, havia uma publicidade à Avis na rádio que começava dizendo que tal como o Einstein tinha o E=MC^2, a Avis tinha o A=MT^3. "Milhas a triplicar", diziam, "A matemática agora é fácil", diziam.

Alguém confundiu o "ao cubo" com "vezes três".

Passou o fim-de-semana, e corrigiram a publicidade. Deixaram o Einstein e a facilidade da matemática.

Tótós.



quinta-feira, 1 de março de 2007



Anunciando: O Primeiro Blog Eterno

Fica a promessa, aqui hoje dia 1 de Março de 2007:

ESTE BLOG VAI DURAR PARA SEMPRE

(enquanto conseguir ler e escrever, pelo menos).

 

Escreva-se.



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007



Eu, Como Ser Humano

Acho mal a Internet ter acabado. Não vejo porque tinham de desligar os servidores e parar com tudo. Metade do planeta já dependia dos bits que circulavam à velocidade da luz pelos fios transcontinentais e internacionais. Deixar de ter mail, web, msn, blogues, ftp, udp, tcp, rtp, é má cena. Acabou a wired, o diário da república online, os homebankings, os sites porno, o google, a á-má-zón, o aifive, os vídeos do yutub, os dáunloads, os vírus por email e o sssspam.

Não sei quem é o responsável, nem quais foram os critérios para a decisão, mas a Internet vai deixar saudades. Já a partir de hoje à meia-noite.

Adeus, Internet. Até ao teu regresso.

[estão de volta os pombos e os sinais de fumo]



domingo, 28 de janeiro de 2007



A realidade num telegrama

O caso do sargento do exército condenado a seis anos de prisão por rapto da criança que pretende adoptar, e que permanece "a monte" com a mãe adoptiva, parece lembrar-nos de que ainda é possível sentir e agir por causas (neste caso, amor paternal), mesmo que a defesa disso implique consequências trágicas e altamente penalizadoras. Na nossa sociedade light actual, superficial e de amores de revista, de frases cínicas e políticas e mentiras, de "tendo em consideração que...", de revistas de fim-de-semana, amores televisivos, isto parece uma irrealidade. Muito pouco hedonista, diga-se (caso o ponto não estivesse claro).

Já a Ana Gomes não sei o que quererá. É óbvio que o(s) Governo(s) sabiam dos voos ilegais da cia, ou sou só eu a ver isto? Se não sabiam, só por auto-inépcia ou incompetência. Espera ela vê-l'Os admitir isso, quando o Nosso Durão até apertou a mão Aos Outros nos Açores (pode arquipélago, que não merecia isso)? [este tema não merecia estar misturado com o anterior]

E finalmente, na régia Câmara Municipal de Lisboa, reina o caos urbanístico, com vários casos de suspeitas de corrupção. Parece que houve até um Vereador que veio a público denunciar uma tentativa de corrupção de que foi alvo (e o respectivo Corruptor). Inacreditável! Como é possível que se tenha tentado corromper um Vereador!?!?! Como é possível?! Num estado de direito democrático desde uma manhã de 1974?! [ironia][haviam de ser todos deportados][ou deixados em tanques com sanguessugas, suspensos ali ao Rossio para todos verem].

Stop.



domingo, 21 de janeiro de 2007



Ser Silenciosamente Tristonho Sombrio e Calado

«[...] The big boys left. We remained sitting. Peder was taciturn. Peder is the only person I describe in such a way. When Peder elected to be silent, he truly became taciturn. Now he was taciturn as never before. I've learned to live with it. If there's anything in this world I'm able to do it's to be in the company of taciturn people. All you have to do is shut up yourself and see who says something first. Peder lost. [...]» - The Half Brother, de Lars Saabye Christensen.

Do you feel lucky?



quarta-feira, 17 de janeiro de 2007



Isto Somos Nós

Este tipo faz-se, mais às suas letras. Eu sou um desses, hedonistas e ateus.



segunda-feira, 15 de janeiro de 2007



Os Procrastinadores

Li algures que há duas pessoas no mundo. As que fazem a cama todos os dias de manhã quando se levantam, e as que não o fazem.

Desde muito cedo que optei, neste assunto, por [espaço em branco], o que obviamente me coloca na categoria dos [outro espaço em branco]. Fiquei classificado perante o mundo e por vós que me observais criticamente bordeado de verde.

À classe dos que não a fazem, podemos chamar de Os Procrastinadores. É um nome feio, mas a desajeitada palavra até vem do latim (o que desde já nos diz muito sobre esse povo, não?).

Este nome lembra-me o de um filme francês que estreou há um ou dois anos, mas não me consigo lembrar do nome, até porque não tive oportunidade de o ver.

De resto, são pessoas normais, que não se reconheceriam nem no metro nem no BMW ao teu lado no semáforo. Cada um sabe de si.

És um procrastinador?

(só a palavra parece um pecado)



quarta-feira, 3 de janeiro de 2007



Ora aqui/aqui/aqui... temos o novo ano, não é?

Dizem que sim. Na ponte havia muitos carros em segunda fila, para ver o fogo de artifício. Em França, em algum lugar, houve quem protestasse contra o novo ano. "Fiquemos em 2006", "Foi um bom ano, não queremos 2007!", parecem-me boas palavras de ordem. Sempre me pareceu que o dia 31 de Dezembro deveria ser suprimido. E alguns outros, agora que penso no assunto. Na ilha da Madeira, gastou-se mais de um milhão de euros num fogo de artifício de 8 minutos, que entrou para o guiness. Estás a dar razão ao Sócrates, Alberto João. "É MENTIRA!" Olha que não é.

Amanhã vou definitiavmente mudar-me para a casa nova. Com vista para a ponte, totalmente desprovida de móveis a não ser a cama, mas quentinha. Com muito tempo e livro para ler, e durante uns dias, sem internete. Vou deixar crescer uma barba  branca (coloro-a com pó de talco talvez), andrajar as roupas, e deixar de falar. Enviei as bagagens à frente, por correio expresso, espero que já lá estejam quando chegar. Não queria ter de ir a Hong Kong buscá-las. Ou queria?

Mataram o Saddam, e não me apraz comentar nada sobre isso. É lá com eles. É uma espécie de aleatoriedade sincronizada.

Acabei de ler o "Crónica de um Pássaro de Corda", do Haruki. Pode ser a grande obra dele, mas preferi o "Norwegian Wood", mesmo gostando bastante. Acho piada a haver fios soltos, meadas desatadas, não me incomoda. O livro a meio pareceu faltar-lhe fôlego, mas irrompeu para o final como um cavalo numa corrida, e o ambiente era tudo. Curiosamente, numa estória tão passada dentro de sonhos, havia muita escuridão, e luzes que se acendiam ou apagavam. Mas não era o personagem principal quem flipava o interruptor.



domingo, 31 de dezembro de 2006



KingCard

Há uns meses atrás, os senhores do King (Medeia) zangaram-se com os senhores do Card (Alvaláxia). Como consumidor, fiquei insatisfeito: se para o ano quiser aderir pela 3ª vez, tenho de optar, e pelo mesmo preço ter metade das salas.

Hoje, no entanto, e depois de vários meses, voltei a ir ao Alvaláxia. Não sei quais foram os motivos para levar a Medeia a romper o cordão com o Alvaláxia, mas eu se calhar teria feito o mesmo. As duas "cadeias" de cinema não jogam no mesmo campeonato. Para comprar bilhete tive de esperar que quem estava à minha frente na fila comprasse as suas pipocas. A alcatifa da sala está nojenta. Escolhi uma fila, que ainda estava vazia, que pessoas da fila da frente usavam como caixote do lixo: pacotes de pipocas e copos de plástico. Os da fila de trás, com o final do filme, sentiram necessidade de comentar uns com os outros o que estava a acontecer, mostrar que percebiam a complexidade do argumento, como se estivessem na bancada de jornalistas de um jogo de futebol.

É suposto isto agradar-me? Para isto ia às salas da Lusomundo.

Apesar de ficar a perder com a separação, provavelmente também teria optado por pela.

E isto para nem falar do anúncio ao KingCard que passava antes dos filmes, uma realização para atrasados mentais.



sábado, 30 de dezembro de 2006



Vida acordada

 

Há quatro anos atrás vi um filme chamado "Waking Life" do Richard Linklater (fiz vários posts sobre isso na altura), todo ele um sonho do início ao fim. Ontem vi um chamado "A Ciência dos Sonhos", em que o personagem principal (representado por Gael García Bernal) tem sonhos muito vivos, que se misturam com a sua vida acordado (waking life...). Totalmente onírico, e com um humor divertidíssimo, não é fácil perceber quando estamos no sonho ou na realidade, porque não estão lá as fronteiras. Não era o Jorge Palma que cantava que "na terra dos sonhos podes ser quem tu és"? Com este filme aplica-se uma analogia deste tipo, e vou fazer por rever o "Waking Life".



sexta-feira, 29 de dezembro de 2006



Hospital de Matosinhos: demitiram-se 19 directores de serviço

O que eu acho sobre o assunto? sem conhecer os detalhes da situação, e sabendo que o sistema de controlo de assiduidade assenta em biometria (não facilmente contornável), acho que a classe médica, tão auto-protectora, tem de perceber que não é mais que os outros. Se há problemas de assiduidade de médicos, e esta é uma forma de o evitar, e ainda por cima está legislada há 8 anos, sinceramente, "come e cala". Eu sou informático (e empresário), e se tivesse de o fazer, apesar a contra-gosto teria de aceitar, não me ia demitir de funções. E mais, não percebem esses senhores e senhoras, que a imagem que transmitem é de que querem ficar acima das regras (tal como, aliás, tb sucede com os juízes).

Não deixam de merecer o respeito de todos, e de a sua capacidade profissional ser digna de respeito e até admiração. Mas a lei é para se cumprir, não somos crianças. Isto aconteceria num país nórdico?



quinta-feira, 28 de dezembro de 2006



Amores Insuspeitos

Fui ver este filme. Fiquei confundido com a título, uma vez que o nome no original era "La Moustache", a bigadaça. O filme está bem feito, mas rapidamente se percebe que todos os cenários são desprovidos de sentido, excepto o da loucura do actor. Gostei dos actores, gostei do clima. Não me desagradou especialmente o fim ser aberto (aliás, acho que era tarde demais para construir fosse o que fosse), já o esperava, mas não se percebe nada de mais. Parece que ele se perdeu dentro dele. Quando as pessoas na rua o vêem de bigode, mas não a mulher nem colegas ou conhecidos, parece que vive numa realidade diferente, como que se a vida dele se estivesse a fragmentar. Das duas uma: ou se trata de uma conspiração, ou são tudo alucinações (até de quem o vê na rua). A alucinação, numa actor tão real, não parece credível. Se calhar por isso é que tem piada.

Eu cá, não tenho bigode (às vezes barba bem preta, quando me distraio), nem estou alucinado. Gostaria, no entanto, de ter eu mesmo um final em aberto, como o deste filme.

Agora, que não percebo o título, é um facto.





Muitos me perguntaram...

Porque mudei o meu blog para estar numa cor... bem... verde. Respondi-lhes que deus é grande, e que o ano de 2007 vai trazer a eles (note-se bem a forma) o maior acercamento de novidades que jamais foi visto por estas paragens e companhia.

Pareço um jovem a quem foi dado um brinquedo novo. E até foi, mas não vos direi qual. Portanto, verde ficará.

Estou a ler outro livro do Murakami, o do pássaro de corta. Bem fixe: o homem passa-se. Romances e ficção bem que a leio numa semanita, os técnicos luffa luffa, são uma locomotiva a vapor e bastas vezes adormece no caminho. Não que o conhecimento não faça falta, mas às vezes dá sono.

Ando estes dias nas mudanças finais para a minha casa nova. Tratei do gás, e de mais 2 ou 3 toneladas de caixotes, tive de recorrer aos anões do costume para tratar do transporte, servis são felizmente, sem queixume ou desagrado expresso (visivelmente que seja).

As palavras dançam, não é?

O que se faz com um processador de texto aberto? parece que as pa-la-vri-nhas querem vir cá para fora sozinhas, onde estavam? parai, dedos! AI É UM CANVAS BRANCO UMA PINTURA SOBRE A VIDA E TAL E TAL.

O tanas. Mas é giro à mesma.

Sou trintão. Dos que se lembram d'O Tal Canal, e ainda acham o Blade Runner um dos melhores filmes de sempre.

(não são boas palavras para pôr numa lápide, não insistas).





Estou de volta!

Sim, é verdade!!! Tremei, tremei, vis e distraídos mortais, pois eis-me finalmente devolvido à forma humana, e agora sem bigode. Esperem só, pois postarei aqui as mais mordazes comentárias que pelo dedo-afincado se afigurarem passar. E mais vos digo: bom 2007 e tal!



quarta-feira, 13 de setembro de 2006



Gritamontes, s.m.
Pessoa sem auto-controlo vocal, que fala sem perceber que está a incomodar pessoas nos 3 quarteirões em redor.
Provoca incremento na taxa de aquisição de auriculares e leitores de mp3.



domingo, 6 de agosto de 2006



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Muito depois do que esperava e queria, tenho a minha casinha!!! :-):-):-):-):-):-):-):-)



terça-feira, 1 de agosto de 2006



Israel e o Líbano

Israel e o Líbano

Antes de esta estória toda acontecer, a minha crítica sempre foi para Israel, a potência regional apoiada pelos todos poderosos EUA, que usava e abusava do seu poder militar para fazer o que lhe aprouvia. Recentemente, e sem por isso ter mudado da esquerda para a direita (porque sempre fui uma pessoa de esquerda), apanho-me a apoiar Israel.

A verdade é que o país não tem uma posição fácil, rodeados por países em que parte das forças politicas tem como primeiro objectivo o extermínio de Israel. Leio quase todos os dias os típicos editoriais europeus sobre as baixas, apelos à paz e negociação, criticas à devastação causada por Israel, mas é bom de ver os raptos e assassinatos terroristas que estiveram na origem de tudo isto. É bom de ver que já choveram 1400 rockets sobre Israel, que só não destruíram escolas e mataram dezenas de crianças porque não calhou ainda.

Imaginemo-nos no Alentejo, sensivelmente do mesmo tamanho que Israel. Ali das bandas de Badajoz uns caramelos terroristas radicais desatavam a mandar mísseis para Portalegre, Évora e Beja. O governo de Espanha ficava calado. As Nações Unidas e NATO idem, impotentes. O Alentejo sozinho tem umas 50x o poderio militar (e gastronómico) de toda a Espanha. Vão ficar a ver, parados, com os ditos caramelos terroristas assassinos indiscriminados a rir-se ali ao lado?

GET A GRIP, FONIX.

Estou farto da nossa imprensa.

É verdade: provavelmente nem tudo o que lemos é verdade, mesmo no relativo aos “factos”. Israel respondeu depressa demais, estaria tudo planeado. Mas a situação não é simples, e eles têm o direito de se defender. Desta vez, reconheço-lhes a razão.

E MAIS

No festival de música do mundo de Sines, tradicionalmente um evento de esquerda, houve várias alusões à situação. Rabih Abou-Khalil, libanês, limitou-se a dizer como resposta a um grande cartaz no público de apelo à paz: “Stop the Bombing”. Suponho que se referisse a AMBOS os bombardeamentos. Estou de acordo.

O apresentador do costume, no entanto, foi mais longe: “A paz não é justificação para a guerra.”. Uma frase de animar hostes, claramente. Porque basta andar 50 anos para trás, e a Adolf Hitler e aos nazis, para se ver como esta afirmação se torna vácuo rapidamente. Ou voltemos a Sarajevo, para não irmos tão longe.

GET REAL. Esta cena europeia do diálogo só resulta quando de ambos os lados da mesa de negociações não são loucos assassinos terroristas.

(PS: também não acho piada nenhuma nem ao IRA nem à ETA. Esta cena de assassinar pessoas é ANIMAL, e não há romantismos que o escondam)



domingo, 16 de julho de 2006



Está TUDO ligado

Está TUDO Ligado

Não é que o responsável pela experiência de obediência, Stanley Migram, teve também um papel importante na experiência dos Six Degrees of Separation” (aquela que diz que qualquer pessoa do planeta está separada de qualquer outra pessoa por apenas 6 conhecimentos).

O rapaz introduziu ainda o conceito do “Estranho Familiar”, alguém que reconhecemos do dia-a-dia, mas com quem não interagimos.

«Somebody who is seen daily on the train or at the gym, but with whom one does not otherwise communicate, is an example of a familiar stranger. Interestingly, if such individuals meet in an unfamiliar setting, for example while travelling, they are more likely to introduce themselves than would perfect strangers, since they have a background of shared experiences.»



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