segunda-feira, 27 de julho de 2009



nunca é tarde demais

Finalmente, inscrevi-me. :-)

 

(ou: “nunca, é tarde demais” ?)



domingo, 26 de julho de 2009



Curriculum Vitae, de Rubem Fonseca (um conto)

A minha escolha para ler no curso de Contadores de Histórias. Sobre como elas não percebem.



sábado, 25 de julho de 2009



Solos de Guitarra 'slide' [Um Post Orgânico]

[Vou usar este post como base, e crescê-lo por dentro. Em tempos planeei fazer isto com um amigo, mas nunca avançámos para a ideia. Faço-o sozinho eu. Vale tudo, desde que seja a acrescentar palavras e frases, em qualquer lado do texto. Um pedaço todos os dias. É um post orgânico e reciclável.]

Quando me encontro com ele pela primeira vez, parece um monstro sonoro que entra em nós p'los ouvidos e pela boca e se deixa ficar cá dentro, como um vírus sem início e sem fim que não se sabe onde começa ou como terminar/cortar/queimar de uma vez por todas. Quando acaba o concerto, e a música já parou lá fora, e o recinto está meio vazio, o som fica dentro dos ouvidos a zunir. No chão restam latas de bebida, copos de cerveja de plástico, inúmeros pedaços de papel, beatas. Os despojos do circo moderno. Muitas histórias para contar, não duvido disso. Mas o que me preocupa é a minha própria história, e o som que está a zunir dentro de mim.

 

Estou dentro do Castelo à espera dos concertos e está o Victor Démé a tocar no som recinto, aquele blues interior que me faz sentir como se tivesse uma faca espetada no coração (o meu), uma música familiar que me faz arrepiar e que em tempos troquei contigo, no dia em que gostaste da minha música. Há sincronicidades q jogam contra nós, e esta só me vem magoar e fazer mal. Não preciso disto, já não quero estar aqui.

 

Vi-te a semana passada, sentada na relva com o teu rapaz. Um vestido verde, sandálias. Não és alta, tens um nariz altivo, uma expressão que primeiro pensei arrogante mas se tornou simpática. Percebi-te social pelos amigos que iam ter com vocês e te cumprimentavam animados, e o que me fez olhar-te foi o longo cabelo castanho e revolto numa trança selvagem, que por vezes levantavas, e bem que podias ser tu a miúda 100% perfeita para mim, mas como nessa outra estória, não te vou conhecer, e o destino não vai fazer não fez por nos juntar. Melhor sorte na próxima oportunidade. Procurei-te em fotos como ao Wally, e pouco mais encontrei que sombras. Para quê pensar nisso? Todos os dias nos cruzamos com estranhos que nunca mais vamos voltar a ver. Todos os dias. E em alguns dias, cruzamo-nos com pessoas que conhecemos e vamos deixar de conhecer, e se o soubermos, esses custam mais a passar.

 

Há muitos anos atrás, cruzei-me com uma pessoa que acreditei ter encontrado pelo Destino. Sou ateu, não acredito em nada que esteja para lá do sensorial, sou céptico. Mas todas as minhas células gritavam que Era O Destino. (Eu e esse Destino temos de ter uma conversa um destes dias). E de facto foi o Destino, mas não foi bom. Há coisas que são o Destino, que são destinadas a acontecer, e que estão destinadas a acabar mal (ou até, muito mal).
Seja como for, não acredito nisso do cem por cento perfeito, ou antes, não acredito que só haja UMA possibilidade, UMA pessoa 100% perfeita para cada um de nós. Acho (acredito) que existem inúmeras possibilidades de cem por cento, em cada momento.
E eu – neste momento - não estou a procurar cem, nem setenta e cinco sequer. Já me chega de paixões.

 

Tem um aspecto simpático e divertido, um feitio brincalhão, e quem a conheceu em tangente disse-me que parecia doce, até saberem qual o sabor. Um pouco como as amêndoas que nunca se sabe se vão ou não ser amargas. Isto fez-me pensar em café, que muitos  - como tu – enchem de açúcar até parecer um bolo, e que prefiro tomar com o sabor amargo que na realidade tem. Se calhar foi por isto que lutei tanto por ti, por estar habituado a amargos de boca, e dores no coração. Uma forma de masoquismo apaixonado. Daqui a muitos anos, quando já estiver nada em jogo, havemos de ter uma conversa, quando as rugas formarem pés de corvo nos olhos e já não tivermos o mesmo brilho no olhar, e aí vou-te explicar o que nunca foste capaz de compreender. Sempre me pareceste doce, mesmo quando já sabia que não eras, mesmo quando já te tinha provado.

 

O pior já passou, desta vez. Podes respirar de novo, moço.



sexta-feira, 24 de julho de 2009



Sempre o 'Quaresma'

"Mas o amor é para ser levado ao extremo, não é? Se não, não vale a pena: é uma companhia para ir ao cinema. Para isso prefiro ir sozinha. Eu adoro amar." (escrito num print antigo que reencontrei no carro, ao lado do banco do pendura, junto com cabelos teus).





Direito de Resposta

Já comecei esta carta várias vezes. Tenho os restos das outras amarfanhadas no chão. Só escorrem de mim palavras que não as que te quero dizer, e não gosto das formas que têm. E não penses no que se segue como uma montra. Não o uses como um pedestal daquilo que podes fazer os homens sentir. Porque como te disse tantas vezes, eu não sou um Homem qualquer. E não sou um troféu.

 

Olá,

Já passaram 15 segundos desde que nos despedimos, conscientes de que o que tínhamos contra nós era mais do que o que nos juntava. Zangados. Triste. Sei que desta vez não vou atrás de ti, e que vais aproveitar isso para fugir de vez, a coberto do que chamas de incompatibilidade e eu chamo de outra coisa. Sinto que não me vou voltar a despedir de ti, nem te vou voltar a ver.

Estes 15 dias custaram a passar. Senti angústia e mágoa, senti altos e baixos, vontade de estar sozinho com o vento num penhasco junto ao mar, junto com amigos a beber copos despreocupados, a pôr música muito alto para não me deixar ouvir os meus próprios pensamentos, a gritar sozinho no carro para te expulsar de mim, a recorrer ao ódio e à raiva como muletas. A pensar que já passaste até um aperto me mostrar que ainda não.
Não te vou procurar, e queria que tu o fizesses, e aperta-se-me o estômago de saber que não te vou ver mais e que nada disso vai acontecer.

Passados 15 meses, recordo a insensatez que foi o nosso encontro. A tua irracionalidade, a ausência de travão nas palavras, a imaturidade, a juventude. Penso que foi tudo um erro. Uma relação diferente de todas as outras por que passei, diferente da que tenho hoje com Respeito e Confiança, mas que se destacou pelos motivos errados. Recordo ainda a paixão que senti, os sonhos que construí, com uma vaga mágoa, e pergunto-me como estarás hoje.

Há 15 anos atrás, quando nos separámos, sabia que não teria nunca funcionado. Hoje, quando penso no passado, sinto Saudades tuas, sinto a falta da nossa intensidade, sinto a falta do teu sorriso que já só recordo vagamente, e dos teus longos cabelos. Nunca mais soube de ti, e imagino-te a errar entre grupos de amigos, incapaz de te prenderes. Levo a caixa que tem o teu nome para fora de casa, e dou-te um último Adeus. Foi melhor assim.

Esta é a minha carta de despedida às despedidas, espero.

João





a miúda 100% perfeita para mim

Gravei isto para ti. Pisca aí por baixo, se gostaste. Ou não pisques, se achares que eu não sei que aí estás. Pode não estar bem lido e não parecer uma história. Mas gravei-o só para ti, só para os teus olhos e ouvidos. E gostava de te estar a contar a história aqui, neste momento, agora, comigo, para ser uma coisa só nossa.

Aconteça o que acontecer, não te esqueças. Isto é só para ti.





Tenho uma carta tua no bolso

Recebi-a há muitos anos, depois termos cruzado as nossas vidas e deixado marcas indeléveis um no outro. Nunca fui capaz de a abrir e ler. Sinto medo do que possa conter, das palavras que possam estar lá soletradas. Não sei se é longa, curta, se soletra despedida, indiferença, ódio, amor ou saudade. E duvido que algum dia venha a saber.

Não a quero abrir, e não a consigo abrir. Prefiro viver sem saber, e com o conhecimento de que consigo viver com o desconhecimento.

No mito da caixa de Pandora, todos os males do mundo fogem da caixa, e só um resta, a Esperança:

Only Hope was left within her unbreakable house,
she remained under the lip of the jar, and did not
fly away. (fonte)

Prefiro viver com a incerteza da Esperança dentro da caixa, do que conhecer a realidade e perder os sonhos que tenho. Vai ficar comigo até ao fim dos meus dias.
Assim ao menos posso sonhar.

Também te escrevi uma carta. E nunca saberei se a leste. Leste?



quinta-feira, 23 de julho de 2009



I, Disposable

The primary use of this interface is to release unmanaged resources. The garbage collector automatically releases the memory allocated to a managed object when that object is no longer used. However, it is not possible to predict when garbage collection will occur. Furthermore, the garbage collector has no knowledge of unmanaged resources such as window handles, or open files and streams.

Use the Dispose method of this interface to explicitly release unmanaged resources in conjunction with the garbage collector. The consumer of an object can call this method when the object is no longer needed.

(parece estranho, mas este post pertence mesmo aqui)





esta noite é só minha

Esta noite é só minha





as putas das palavras são lâminas

E POR VEZES QUEREMOS QUE CORTEM.

 

Há uma expressão em inglês que reza assim:

«Sticks and stones may break my bones (but words will never hurt me).»

Pois digo-te: por muita boa vontade que tenhamos, as palavras podem ser muito mais violentas que os paus e que as pedras. O corpo cura as nódoas negras que lhes infligimos. Mas não há pomada para palavras.





Podia continuar a noite toda

tenho demasiadas palavras cá dentro. e não quero dizer todas. ou não sei como as dizer. ou não quero que saibas quais são as que estão a mais, ou quais são as que estão a menos.

podia continuar a noite toda.

são tantas as palavras, tantos os significados, as subidas e as descidas, as esquerdas e as direitas, as paisagens e as fotografias e os filmes e tantas tantas tantas as palavras.

que podia continuar a noite toda.

ninguém as iria ler. há muitas palavras não têm lugar e que não devem ser ditas ou pensadas. mas elas estão aqui todas dentro, e não sei bem o que lhes fazer. se fosse escritor, tinha um romance na ponta dos dedos, era começar agora e acabar com o nascer do sol. mas não sou escritor. sou só leitor.

mas podia continuar a noite toda.

apetecem-me palavras graves e esdrúxulas, adjectivos assertivos e coloridos, substantivos vigorosos, pronomes acusativos e os meus tão queridos advérbios de modo, mormente. os verbos a orquestrar a acção, e a fome a juntá-los todos uns aos outros numa sopa de palavras.

porque eu podia continuar a noite toda.

e ia estar a escrever para ti. como nunca fizeram antes, e como nunca vão voltar a fazer, foda-se.





Mensagem das Estrelas (A Carta Mais Importante)

Imagina uma carta. Um envelope amarelo de papel reciclado. Por fora só com o teu nome e morada, um selo da minha própria cidade, o carimbo redondo com a data de dois dias antes.

Já não se escrevem cartas. O que poderia ser isto? Abri, e tinha duas páginas manuscritas, em papel muito fino (quase transparente). Começava com Olá, e o resto é só meu. Mas era a Carta Mais Importante.

Se fosses tu a receber esta carta, o que querias que dissesse? De quem querias que fosse?

 

Sei que já não temos o hábito de parar para pensar. E não quero saber a resposta. Quero só que pares. E que penses.





“Dancing”

Conheceram-se por acaso numa festa de amigos comuns, dançaram juntos e os olhos e os corpos cruzaram-se em sincronia e não se puderam mais largar… saíram a dançar a uma música que só os dois ouviam, os corpos juntaram-se numa dança horizontal, os corações batiam ao mesmo ritmo, as vidas passaram a cantar-se ao som da mesma orquestra, os dias sem o outro voavam com o pé a bater e os dedos a tamborilar e a cantar baixinho sem som, e com o tempo a tiqueticar perceberam que aquela música que os juntava também era a música que os prendia, e que não podiam sair dela.

Nem quando o quiseram.





Meia Pessoa

Há um livro do Saramago que diz nas primeiras páginas:

Cuidado. Tem uma pessoa dentro.

O nosso personagem apoderou-se desta frase para livro muito seu. De capa preta, páginas muito brancas, escrevinhava em letra muito pequena e irregular os mais secretos pensamentos, no escape do quotidiano, no grito surdo para uma página de papel, numa organização de ideias e amores e raivas e paixões e alegrias.

O livro crescia todos os dias, como o livro do Destino, engrossavam-se as histórias que continha, os segredos secretos nunca destinados a ser lidos, apenas escritos, como aquele segredo gritado para um buraco numa árvore para lá ficar. Continha todas as histórias da humanidade.

Diz-se que na maioria dos casos de violação o violador é conhecido da vítima.

Um dia, um violador roubou esse depósito de experiências e sentimentos. Apoderou-se da vida alheia, dessa pessoa que habitava dentro das páginas  muito brancas do livro de capa preta. O nosso personagem sentiu um rombo no corpo e na vida, como quem perde um membro num acidente, sentiu-se sem aquilo que de mais íntimo tinha na sua vida, da sua própria vida.

Sem a parte da pessoa dentro do livro, tornou-se uma pessoa diferente, a pessoa que restava.

E odiou, com todas as suas forças.



quarta-feira, 22 de julho de 2009



Reencontro

Se me perguntassem pelos grandes amigos da minha vida, falaria do JM quando era miúdo. Do C. a partir do secundário, do H. a partir da universidade, e mais recentemente do L. São pessoas que conheço há dezenas de anos, e que conheço quase de olhos fechados.
Há 3 anos atrás, por termos deixado meterem-se assuntos profissionais em assuntos pessoais, deixei de ver e falar com o C. Ainda tentei retomar contacto várias vezes, mas sem sucesso, e acabei por desistir. Às vezes pensava que era uma estupidez, que amizades assim não podiam acabar desta maneira, engolia o acontecido e pensava em como o reencontrar.
Ora isso acabou de acontecer, quase à porta do meu escritório. Levantei os olhos e reconheci o rosto e o sorriso que se formou se calhar contra vontade, porque os Amigos a sério são assim.
Não te vou voltar a deixar afastar, man. Por muito tótó que tenhas sido. :-)



terça-feira, 21 de julho de 2009



Small Doses of Happyness

Uma dose

Soube há poucos dias que uma amiga de há muitos anos, por quem sinto muito afecto, encontrou aquela que parece ser a pessoa que há muito procurava e que, espero, a possa fazer feliz. É para mim uma fantasminha, porque é uma pessoa com quem apesar de falar há 7 ou 8 anos, e de viver na mesma cidade em que habito, nunca conheci e não sei se virei a conhecer. Talvez um dia, quem sabe, num café ao pé do mar, quando viver feliz e tiver 3 crianças e duas cadelitas cor de mel?

Duas doses

Anos atrás, vivi com uma mulher chamada R., caladinha e bonita, com quem acabei por me casar e depois separar. O tempo da relação tinha terminado. Fomos almoçar há dias, está de barriga enorme, apenas a dias de ter um rapaz. Claramente feliz, desejo-lhe tudo de bom, penso que queria isto há algum tempo, e fico também eu feliz por ela.

Três doses

Um grande amigo de há quase 20 anos, dos tempos de universidade e muitos trabalhos de grupo que baptizamos com nomes como “roteamento de embrulhos em áreas duplas desiquilibradas” fez 38 anos ontem. Depois de soprar as velas, para os poucos amigos que se reuniram em casa dele, recapitulou os trintas, que nas palavras dele foram muito recompensantes.  Dizia, feliz, pouco antes de beijar a namorada importada do país vizinho, que está ainda mais expectante para os quarentas que se aproximam.

 

 

Era bonito que estes três filmes terminassem aqui, com um E Viveram Felizes Para Sempre. Todos o merecem.





O Contador de Histórias

Há alguns meses atrás, numa posta com letras escondidas, cantarescrevilorei uma faixa da Souad Massi chamada Raoui (The Storyteller). Deixo-te o vídeo no tubo (enquanto não o removerem), com a música lindíssima, e a letra traduzida.

Raoui (the Storyteller) (daqui)

Oh storyteller tell us a story
Make it a tale
Tell me about the people of old
Tell me about 1001 Nights
And about Lunja daughter of the Ghoul
And about the son of the Sultan

I'm about to tell a story
We'll be far from this world
I'm about to tell a story
Everyone of us has a story in his heart

Narrate and forget we're adults
In your mind we're young
Tell us about heaven and hell
About the bird that never flew in his life
Make us understand the meaning of the world

Oh storyteller tell it just as they told you
Don't add anything, don't leave anything out
We could see into your mind
Narrate to make us forget this time
Leave us at once upon a time

 

Tenho uma estória para te contar. Queres ouvir?





buédecenas

Recebi vários faxes a perguntar-me porque decidi usar um número no título da posta anterior. Não lhes respondi, apesar de o mistério não ter mistério nenhum. Se calhar, é uma conspiração minha contra a humanidade. Se calhar, eu fui à Lua e não quero que ninguém saiba (se calhar vou lá todas as noites). E mais: fui a pé. Isso. Fui a pé à Lua. E mais! Quando me perguntaram sobre a minha Viagem ao Fundo de Mar, e de como lá tinha chegado, boquiabri-me embasbacado: “Mas… fui pelas escadas!” As pessoas fazem cada pergunta!!! Queres ir lá comigo? Preferes a Lua ou o Fundo do Mar?

Para mim tanto faz. Preferia Marte, para ser sincero. É o meu planeta Natal. Vim de lá de avião e aterrei na terra ali na zona que chamam de Leiria. Depois caminhei a pé até aqui, provei uma maçã, e decidi que ia ficar aqui. Pensei ainda em chamar os meus amigos para vir destruir disto e fazer uma auto-estrada espacial (…), mas eles preferiam ficar a ver televisão.

 

Não é curioso, como hoje em dia podemos dizer qualquer espécie de barbaridades e tudo nos parece aceitável? Deixámos a barreira da suspension of desbelief cair a níveis absolutamente baixos. Tudo nos parece credível. Não estou a dizer que isto seja necessariamente mau. Afinal de contas, que mal tem a mulher de 102 anos da polinésia que teve 3 gémeos? A questão que se põe é: como é que se consegue criar surpresa, nesta civilização? será possível?

Como é que eu te conseguiria surpreender, dizes-me? Eu até sei. Mas quero que sejas tu a dizer-me.





88172

A terra da lua

Ao que parece, fazem h0je 40 anos que o Homem aterrou na Lua, tirando fotos espantosas como esta aqui ao lado.

Ao jantar, hoje, tive uma conversa com pessoas inteligentes que têm reais dúvidas sobre isto, duvidando que se lá tenha posto os pés. E não são os primeiros que conheço. Aquilo que lhes perguntei foi se, depois do documentário ou livro conspirativo que certamente viram ou leram em que apresentaram essas dúvidas, foram investigar as críticas a essas dúvidas. É que se tivessem ido, teriam descoberto que cada uma dessas dúvidas e teorias da conspiração de que tanto gostamos (ainda me lembro do filme JFK, que vi fascinado e depois descobri ser um ror de disparates do princípio ao fim) está documentada e tem uma resposta. Ca-da-uma-de-las. Este tipo de situação tira-me do sério. Não seria de esperar um pouco de cepticismo, por pouco que fosse, e não aceitar tudo pelo seu valor facial? Especialmente quando se trata de uma das maiores conquistas da ciência e engenharia do Homem? um monumento ao cérebro que carregamos nos ombros? Parece-me mesquinho e indigno da palavra Sapiens.

É assim. Ao menos disseram-me que “tenho uma cabeça (maneira de pensar) gira”. Espero que fosse um elogio :-).



domingo, 19 de julho de 2009



This too, shall pass

No podcast to Syd Lieberman ouvi uma estória que me apetece contar-te.

É uma estória que se passa nos temos do Rei Salomão. Ora o Rei tinha inúmeros conselheiros, mas um deles destacava-se por ser o preferido, por ser o melhor e mais inteligente. Isto subiu-lhe à cabeça, no entanto, e gabava-se perante os outros da sua importância.

Ora o Rei Salomão, que percebeu isto, decidiu ensinar-lhe uma lição de humildade. Chamou-o à sua presença, e pediu-lhe que encontrasse um anel mágico. Um anel que fosse capaz de dar alegria onde houvesse tristeza, e tristeza onde houvesse alegria. O conselheiro sai imediatamente em busca do anel, aceitando o repto do seu Rei.

Durante meses, procurou em todas as cidades do Reino, em todas as lojas, em todos os mercadores, e nada. Não havia sinal do anel da tristeza e alegria. Já desesperado, decide voltar ao Rei e admitir o fracasso, quando vê um um último mercador de jóias e lhe pergunta se sabe alguma coisa do anel. O mercador diz-lhe que nunca ouviu falar de tal anel, e que não o pode ajudar. O conselheiro, cabisbaixo, prepara-se para sair, quando uma voz idosa do escuro da loja, provavelmente o pai, chama o mercador e lhe sussurra algo. Este chama de volta o conselheiro “Espere, afinal temos o anel que procura!”. O conselheiro esperou enquanto o mercador escolhia um anel do melhor oiro e lhe gravava algumas palavras, para depois lho entregar. Leu o que dizia, sorriu e agradeceu “Era mesmo isto que procurava”.

Quase correu para o palácio do Rei Salomão. Quando este soube que o Conselheiro voltara, sorriu, a preparar a lição de humildade que tinha pensada. O conselheiro aproxima-se e diz: “Rei Salomão, encontrei o que me pedistes”, e dá-lhe o anel. O Rei aceita-o, lê o que diz, sorri com a sabedoria do Conselheiro e pensa para si “Afinal, fui eu a ter a lição.”

E o anel, o que dizia?

Também isto, vai passar”.



sábado, 18 de julho de 2009



tu

deves ter-te apercebido que nos últimos tempos este weblog se tinha tornado num veículo de expressão excessivamente íntimo e privado, roubando textos e palavras que pertencem a um meio que não este.

por esse motivo e por outro ainda, optei por mover todos os posts com essas características para essoutro meio, e espero não voltar a deixar-me cair no erro de usar o weblog como veículo tanto de desafabos íntimos e privados, como de mensageiro por via indirecta.

pedindo desculpa pela interrupção, vamos voltar à nossa programação regular.



quinta-feira, 16 de julho de 2009



Luminous Times (Hold On To Love)

Estava a ouvir parte da discografia mais antiga dos U2, daquilo que eu respirava até à desilusão que foi o concerto do Zooropa em Alvalade, quando me cruzei com uma faixa que sempre adorei, e que ainda hoje - agora mesmo, agora mesmo - é capaz de me causar arrepios.

Vem do CD Single do “With or Without You”, e poderia ter feito parte do clássico “Joshua’s Tree”.

Toma o vídeo, do Youtube. E deixo-te a lírica aqui.

E a frase que sempre ressoou comigo, desde há mais de 20 anos atrás (!), é:

I love you 'cause I need to /
Not because I need you

Foi sempre aqui que senti os arrepios e a pele de galinha assustada.

 

Tal como aqui e agora, de surpresa.



domingo, 12 de julho de 2009



Contadores de Histórias

Ontem e hoje participei numa workshop de Contadores de Histórias.

Éramos poucos: a Sofia a servir de guia de viagem, com o Zé Luis, o Rui, a Inês e eu a aprender. Fizemos inúmeros exercícios a brincar, para nos desinibirmos, para praticar a voz, e o ritmo, e a estrutura, a audição, e a imaginação…

e quão limitada está a nossa imaginação e espontaneidade pelos anos que passam, não imaginam…

Um dos jogos giros foi aquele em que um de nós tentava contar uma história inventada, com um anjo bom à nossa esquerda que nos segredava ao ouvido uma palavra que tínhamos de usar na história, e um demónio mau à direita que nos segredava palavras a evitar. Noutro, um conferencista estrangeiro vinha fazer uma apresentação, e tinha um intérprete ao lado para traduzir o que ia dizendo. O conferencista dizia uma frase numa língua inventada, grrrya yadadao liloliloli!, gesticulando, e o intérprete tinha de inventar uma tradução, “olá venho-vos falar de sabonetes”, e assim por diante. Os gestos e entoação do conferencista a influenciarem o intérprete, e a tradução deste a influenciar os passos seguintes do conferencista. Outro jogo ainda, a pares, foi contar uma viagem a um sítio inventado, onde tudo pode acontecer. Chamava-se o Jogo do Sim, porque tínhamos de concordar com tudo o que o nosso parceir@ dissesse, e alterar a história em conformidade. Muito divertido…

Já hoje, 2º e último dia, tivemos de levar duas histórias preparadas. Uma para ler aos colegas, outra para contar de memória. A minha escolha de leitura foi o conto “Curriculum Vitae”, do livro de contos do Ruben Fonseca “Os Prisioneiros”. É um conto literário curto, sobre um homem que toca bongo. Não te vou dizer como é a história, terás de a ler se quiseres. Emocionei-me em crescendo ao lê-la, e nas últimas 4 linhas, não consegui evitar algumas lágrimas. Na repetição, com lições aprendidas, num canto da sala rodeado pelos outros bem próximo, foi ainda mais difícil contá-la… Da segunda história já te falei, e até a podes ler agora se quiseres. Traduzi-a, claro. Tentei contá-la de forma a criar ambiguidade sobre mim enquanto contador (no início) ou afinal como participante (no fim). Duvido tê-lo conseguido: apesar de os ter tirado da sala e levado para o intimista ambiente do bar, e de tentar encarnar outra pessoa, e de não lhes ter contado nada sobre o que iam ouvir. Voltei a emocionar-me, várias vezes, e quase não consegui terminar.

«É uma história triste, não achas?»

É possível que depois do Verão façam o curso (não a workshop) de Contadores de Histórias. Se o fizerem, podem contar comigo.



quinta-feira, 25 de junho de 2009



PEDRO E O LOBO

O Pedro era um pastor. O seu trabalho era tomar conta das ovelhas enquanto pastavam. Mas por vezes ficava aborrecido por estar sozinho, sem ninguém com quem brincar e falar.

Um dia resolveu fazer uma brincadeira para se divertir.

Desatou a gritar:

- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!

Os fazendeiros que ouviram a gritaria desataram a correr para ajudar o Pedro a afugentar o lobo, mas quando chegaram lá não havia lobo nenhum.

O Pedro fartou-se de rir mas os fazendeiros não acharam piada nenhuma à brincadeira e foram-se embora.

No outro dia o Pedro resolveu fazer o mesmo.

Desatou a gritar:

- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!

Os fazendeiros correram para ajudar o Pedro, mas não havia lobo nenhum. O Pedro desatou a rir mas os fazendeiros ficaram zangados e disseram: - Este miúdo pensa que não temos mais nada que fazer! e foram-se embora.

Passados uns dias os fazendeiros ouviram o Pedro a gritar:

- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!

E disseram uns aos outros:

- Não nos vamos deixar enganar. Hoje ficamos aqui.

O Pedro continuou a gritar porque desta vez era mesmo um lobo que lhe estava a matar as ovelhas.

- Porque é que ninguém me ajudou? - perguntou o Pedro a chorar. Agora fiquei sem ovelhas.

Não te ajudamos porque pensávamos que era mais uma brincadeira - responderam os fazendeiros.

(tirado daqui, e usado claramente como parábola)



quarta-feira, 24 de junho de 2009



Défice de Atenção

Por vezes é-me difícil manter a atenção naquilo que estou a fazer, por exemplo acabo de me aperceber de que tenho de cortar as unhas e vou-me levantar e fui cortá-las enquanto esfregas o olho e te perguntavas se estaria a falar a sério – pois sim, estava. Isto acontece-me diariamente, hora a hora, é-me quase impossível concentrar num único assunto, surge-me uma lembrança em memória e zás, lá vai um file > new > window no browser e lá se vai a réstia de concentração conquistada a pulso. Não estou a descobrir nada de novo, isto já foi discutido bastas vezes, e muito se escreveu e mais vai escrever ainda. A forma como interrompemos conversas para atender telemóveis ou responder a SMS, ou como interrompemos o que estamos a fazer para abrir um browser no google, sacar e responder a um mail, enviar um twitter ou fazer um comentário no messenger. Tudo isto (SMS, browser, google, mail, twitter, messenger) são palavras em inglês. Daqui podemos obviamente depreender qual a fonte de todos estes males, está aos olhos de todos para ver. A culpa é tua, língua do demónio. Se não fosses tu, eu seria capaz de me concentrar e fazer uma tarefa do início ao fim, sem distracções e threads (lá está…) novas a correr no background (), em multitasking (preciso dizer mais?) constante… isto é claramente um sinal dos tempos, no mundo civilizado, e não duvido que daqui a uns milhares de anos o nosso próprio cérebro estará adaptado (selecção natural electrónica by charles e-darwin), provavelmente com multi-core, teremos os álveolos dos pulmões aplicados ao cérebro, com milhares de pequenos processadores capazes de tomar conta das centenas de pesquisas simultâneas que na altura sem dúvida seremos capazes de lançar sem nos desconcentrarmos de nenhuma das outras.

Já estou confuso.

O que te digo é isto: não sei como evitar isto. Não sei como alterar isto. É preciso uma imensa força de vontade, e enquanto a ganho lembro-me de que posso pesquisar na wikipedia o que significa ADD, e quando volto aqui já nem sei de que raios estava a falar.

(ya, a wikipedia é fixe)



sexta-feira, 29 de maio de 2009



(episódio felino)

Há muitos anos, era eu criança, estava à janela de casa dos meus pais, num apartamento no 9º andar. Vendo um gato preto lá em baixo, subindo as escadas do prédio, atirei uma moeda de 2$50 na vaga direcção dele, e - numa improbabilidade – acertou-lhe no lombo e fugiu assustado.

Afinal o gato preto dá má sorte, ou tem má sorte?

 

 

nota: já é tão estranho, escrever 2$50, não é? mas para os mais piquenos, imaginem uma moeda pequena, branca, do tamanho aproximado de uma de 20c. Quanto a gatos pretos, bom… esses nunca mudam, devem saber a que me refiro.



quarta-feira, 27 de maio de 2009



TPC: Revisão da Matéria Dada

Esta noite revi com um amigo um belo filme sueco que tive a sorte de ver pela primeira vez o ano passado no Indielisboa08. O título pobre em português é “Deixa-me Entrar”, em Inglês “Let the right one in” e em sueco “Låt den rätte komma in” (sim, tive de fazer paste, porque não faço ideia como se escreve a bola em cima do primeiro á). A descrição que vou fazer é convidativa a não ir ver:

um filme de amor sueco entre crianças de 12 anos, em que uma delas é um vampiro.

mmmm… não. vou tentar de novo.

um filme de vampiros adolescentes com uma história de amor

mmmm. estás a perceber o meu problema, não?

e o problema é que este filme vale a pena ver. Tanto, ou mais, que o “Fucking Åmål”, outro filme sueco, este, …

um filme de amor lésbico entre adolescentes

podes imaginar quantos amigos consegui convencer a ver este filme, quando passou no ciclo. zerinho. ao menos o primeiro vai passar comercialmente, e vale bem a pena ver.

por curiosidade, no 1º a protagonista feminina chama-se Eli, no segundo chama-se Elin. estarão relacionadas?



quarta-feira, 6 de maio de 2009



Vasco Granja & A Banda Desenhada

Não vou estar com recordações saudosistas. Tenho muito boas memórias dos programas de animação do Vasco Granja, e escrevo isto só como homenagem a essa imagem. Espero um dia conseguir reencontrar aquela animação dos bonecos que se acotovelavam à beira de um precipício, e que tantos outros como eu parecem ainda recordar vividamente.



sábado, 31 de janeiro de 2009



Era uma vez um rapaz…

lutou o mais que pôde contra crescer. um pouco de adolescência, rebeldia, ser do contra, refilar e protestar contra o mundo. com energia, mas também de forma imatura, nas relações, no trabalho, na vida.

hoje isso acabou. acabaram as tais viagens de comboio em 3 troços pela noite de madrugada com névoa e as escadinhas, terminaram os passeios pelos campos ou pela terra aos teus ombros ou de mão dada contigo, as buchas com queijo, as conversas na tasca, as voltas na tua bicicleta enorme…

… acabou-se a juventude. parece que agora, com 36 anos, tem mesmo de se tornar adulto.

 

adeus, avô. não te vou esquecer, nunca.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2009



Thin Blue Line

Vou escrever em forma de tangente.

escrever em tangente, no entanto, implica a colaboração activa dO Leitor. O Leitor certamente estará informado de que, em matemática, a palavra tangente tem dois significados distintos mas epistemologicamente relacionados: um em geometria, cuja tangente é a reta que em pequenas distâncias funde-se com a circunferência, e o outro em trigonometria é um plano (de inclinação) que tange a superficie de uma esfera.

sendo aqui que a curiosa palavra tange deve ser ententida não pelo seu significado musical (tocar um instrumento), mas seu outro significado, não musical mas muito mais wikiano.

tendo isto como premissa, vou ter de pedir ao leitor para imaginar uma folha repleta de círculos, de variadíssimos diâmetros e cores, desordenadamente colocados na página. para cada um deles, e escolhendo um ponto coloquialmente ao calhas, trace uma recta tangente, por forma a que todas as tangentes se cruzem num e num único ponto de fuga.

pois esse ponto é precisamente a mensagem que quero deixar aqui, sobre estar apaixonado. e os pequenos pedaços de texto que vou deixar a seguir, e que ainda não sei quais são porque não saíram de mim, são todos eles sobre esse ponto. as ligações, no entanto, são tangenciais. e podem nem existir. aí entra a imaginação rica dO Leitor, e o labirinto do borges [1].

a primeira história é sobre as palavras “pedaços de texto”, que usei no parágrafo anterior. algo que detesto em teatro são aqueles momentos auto-masturbatórios [3], sobre o quão fantástico é fazer teatro, representar, o palco da vida, yada yada yada. suspeito até que possa já ter escrito sobre isto no passado. ora para ser muito frango [2], penso o mesmo sobre a escrita. falar de palavras e sobre escrever, glorificando-as, é o mesmo tipo de coisa.

a segunda história é sobre um pato (ou pata), que eu ou a minha irmã tivemos quando éramos gaiatos, na Terra dos Meus Avós. [4] lembro-me de ter sido comprado numa feira em santiais e de andar pelo quintal e pela rua sempre atrás de nós, do tamanho de um palmo, pai ou pais adoptados. como se podia prever, e como estas coisas não têm nunca final feliz, acabou no prato, o pato.

a terceira história é pornográfica, e como tal não a posso contar. chocaria as sensibilidades dOs Leitores atentos e pouco permissivos com a moralebonscostumes. ainda por cima, apetece-me chocolate, por isso não vou mesmo entrar por aí. tem a ver com mamilos como azeitonas de elvas em pornonovelas a preto e branco dos anos setenta.

a quarta história aconteceu quando terminei o curso, e fui com outros colegas a uma reunião sobre a perspectiva de continuar para mestrado, penso que em 1995. o curso tinha muitos alunos à partida, mais de 200, e com tanta gente é impossível conhecer todos. ainda hoje me surpreendo por saber que s ou l ou q foram meus colegas sem deles me lembrar de forma alguma. mas voltando ao passado. estávamos uns quantos à porta antes de entrar para a tal reunião, e encetou-se uma conversa sobre espírito de curso, sobre a pouca gente que aderiu à viagem de final de curso. dei a minha opinião (que seria a de esperar de um introvertímido), e uma miúda algarvia com quem terei trocado 2 ou 3 frases talvez no curso todo respondeu, perspicazmente: “isso és tu, que és um bicho do mato”. acho que nunca mais a voltei a ver, e não fez o mestrado, mas aquele momento foi uma lâmpada.

a quinta e última história, porque na minha folha de papel cavalinho só desenhei 5 bolas, é sobre uma ocasião em que ia na rua com um colegamigo, a caminho do almoço. poucos metros à nossa frente, uma velhotinha caiu, partiram-se-lhe os óculos e cortou-se, havia sangue. o meu colegamigo acorreu a ajudar, não fora nada de grave. eu fiquei gelado, sem me conseguir mexer. só imaginava vidros nos olhos, e a pela espinha subiam e desciam arrepios frios. e não, não me orgulho da reacção. a história é essa, no entanto, e aposto que tens uma dessas para contar, que te revolveu por dentro no mau sentido (como uma chave esquecida num bolso de calças numa máquina de lavar [5]).

 

agora que já aí tens as cinco histórias, podes olhar para ponto de convergência. nesse ponto tens o que é estar apaixonado, em forma de tangente muito tangente. perder o sono e ficar magoado, querer sem ter (sem querer?), dar e doer, essas coisas todas que me fariam detestar-me se as fosse desenhar aqui a lápis. têm tudo a ver contigo, tu a quem não digo o nome, e por quem estou apaixonado.

não me peças para explicar, quem tem a respostas era o borges e esse já não está cá para falar.

 

[1] se nunca te disse que o borges é, para mim, um dos maiores escritores que já passou pela humanidade, fica aqui dito para a posterioridade. [2]

[2] depois de inúmeros episódios de correcções pelo Vasto Público a frases intencionais, achei por bem passar a assinalar as utilizações porventura passíveis de causar desorientação aO Leitor.

[3] note-se a figura d’estilo pleonasmática [2], destinada a reforçar o significado.

[4] vai sempre ser A Terra Dos Meus Avós, mesmo quando.

[5] sempre quis usar esta imagem num post. depois de anos e anos, finalmente consegui.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009



Agora Que Te Conheço…

… tudo mudou. nada podia ficar na mesma, nunca nada fica na mesma. o observador altera o objecto observado, pelo simples facto de estar de olhos abertos, ali estacado, de olhos fixos em ti e a procurar os teus. quando respondem, num rodar de cabeça em que todo o fundo está desfocado, parece que o brilho te entra por dentro e o corpo sofre um choque bzzzzt eléctrico…

… o que mudou, perguntas? mudou tanta coisa, com cada pequeno curva da tua maneira de ser, cada vez que te toco ou te beijo, cada vez que sinto a (cliché alert!) curva do teu pescoço, as tuas maneiras, o teu cabelo comprido, até a tua ocasional brusquidão…

… mudou tudo. se antes me sentia atraído, apaixonado, agora sei que o que sinto vai muito além disso, sei que quero que nos partilhemos, nos consumamos um no outro.

quem não quer paixão e uma ‘jola? paixão é ””sofrimento””, em tempos postei aqui a definição para efeitos ilustrativos. é ir na rua e tropeçar perturbado num smiley errado de um sms, é não ganhar o sono, e querer fazer tudo com a outra pobre alma, que nem sabe bem o peso das 16 toneladas que lhe caíram em cima.

não estou nos meus dias mais inspirados. estou só a tentar fazer autosentido. vou tentar redimir-me postando algo de tradicionalmente interessante, como c@nta a laurie anderson. deixai-me pensar.

 

 

calma. eu vou lá.

 

 

só mais um minuto.

 

 

estou com blogger’s block. não tarda faço uma piada fácil sobre o quotidiano, provavelmente envolvendo políticos.

 

 

não. nem isso.

 

 

 

(mas eles mereciam)

 

 

vou ter de citar a minha irmã. no sms mais brilhante que escreveu desde que nasceu, disse-me há uns anos: “A mãe é mais dramas. Chama-a de dramática e culpa-a de seres sub-urbano depressivo.” O que eu ri ao ler isto empalideceria os Monty Python e mesmo Archie Bunker.

 

 

E mesmo apesar deste momento musicalmente cómico, ambos sabemos. Que agora que te conheço, tudo mudou. mudou tudo, amor.



domingo, 21 de dezembro de 2008



Nunca Vou Dizer O Teu Nome.

… sei que hoje estás aqui e que amanhã podes não estar. Que podes zarpar no esfregar de um olho, acenando um adeus até à próxima, a bordo do Holandês Voador, em direcção a outros mares e outros navios a afundar…

… e por isso mesmo, nunca vou dizer o teu nome. Não lhes vou dizer o teu nome. Evitá-lo como se fosse um vírus, um ebola mortal que arranca corações para os despedaçar nos mil pedaços de um cristal estilhaçado no chão.

… mas o teu nome faz-me bem. Faz-me sonhar, pensar em tonterias insensataz, paro maravilhado a ver-te no teu sorriso juvenil, traquinas, os lábios perfeitos, os olhos escuros e cheios de vidas…

… e por isso, por te querer para mim, nunca lhes vou dizer o teu nome. Dar-lhes o teu nome era dar-lhes parte de ti, não o quero fazer, não o posso fazer, preciso de todos os pedacinhos de ti. Nem que seja para os deixar embarcar…

… e porque o teu nome vai ser, sempre, meu. Quer tu queiras, quer não.





In The Morning.

De manhã acordo estremunhado, os lençóis quentes e macios, ao meu lado uma outra respiração suave acompanha o meu regresso à consciência. Levanto-me em silêncio, como um fantasma, e saio para o dia.

Fora do quarto está sol, toda a casa brilha e reluz com a força do nosso astro favorito, quase me cega numa cegueira branca. Curioso pensar no facto de a única divisão realmente escura, muito escura, ser o quarto de dormir. É o nosso casulo, a nossa gruta de vampiros, o refúgio onde até da luz nos escondemos na nossa vulnerabilidade. É também onde abraçamos a escuridão, apesar dos terrores que o negro da noite nos causa desde o Início dos Tempos. E onde nos entregamos, com paixão, à vergonha tímida do amor. Já viste bem, tantas coisas escondidas entre quatro paredes e um estore para baixo?

Seja como for, aqui fora está sol e estou sozinho, tu ficaste lá atrás ainda perdida em sonos e sonhos, os teus cabelos loiros sobre a almofada, deitada de lado a respirar de mansinho, mas já roubaste o espaço e calor que lá deixei.

Não sou uma pessoa matinal, mas o sol das manhãs é quase imbatível no prazer que me dá senti-lo, deixo de fazer sentido. Hoje, dia em que acordei estremunhado e deixei os lençóis quentes e macios no quarto, onde que ficou um corpo quente que adoro, vim escrever para a beira do mar, e o sol brilha tanto, que deixei de conseguir ver as tecl



sexta-feira, 12 de dezembro de 2008



Harodopios (lê-se com acento no primeiro ó) [1]

Tinha toda uma posta pensada em torno do conceito de Harodopios (lê-se com acento no primeiro ó) ((e escreve-se sempre dizendo isto mesmo)). Ia escrever sobre as voltas que dão pelos ares, sobre os fantásticos tons de azul do seu pêlo quando cruzam o céu velozes, sobre os seus lábios grisalhos e como beijam com paixão, sobre a sua alegria jovial.

Mas mais uma vez, mudei de ideias. Decidi fazer uma posta sobre frases de músicas de que me recordo. Não vou dizer de onde vêem ou quem as canta, nada. Ficam só as pa-la-vri-nhas [2]. Mas o que conta (canta?) a história  não são estas palavras, são as dos títulos.

Ou não seriam as noites dos amantes, que o mundo sempre acolherá, com luar e músicas de amor. Auto-contidos e soldados nos lábios. [3]

Quero desfazer o sentido. Geralmente já faço pouco dele, mas hoje quero fazer menos ainda.

Tive amigos em casa durante a semana que passou, e invadindo-me lavaram as plantas com Vinagre. Sorte a minha que não se lembraram do tinto. A continuar assim, ainda se lavam as paredes com azeite (ou o óleo das anchovas em lata), para ser mais saudável e resistir à Humanidade (verde é sempre melhor que cor-de-rosa, já dizia Manuel Germano, grande crítico do Género Humano [4]).

Gosto de palavras como gosto de histórias. Já devo ter escrito sobre isto algures no passado. Acho perplexante como lemos livros ou vamos ao cinema para que nos con-tem his-tó-ri-as. Em adulto, saliento duas. A primeira são as histórias do CD da Laurie Anderson, “The Ugly One With The Jewels”. Ouvi-o tantas vezes (ainda hoje pontapeio a parede por ter perdido o concerto dela em Lisboa em 94 ou 95) que as sei de cor, e comprei o “Stories From the Nerve Bible” de que foram retiradas. É como ser levado para outro universo pela voz dela, mas sem ser cliché como esta frase que ainda estou a acabar de escrever. (acabei). A segunda são as histórias de um podcast que descobri há alguns meses, chamado The Moth (“Live storytelling performances”). Gostava de saber contá-las assim, com clareza, emoção e paixão (mas as palavras atrapalham-se-me). Acabei por encomendar a caixa com 10 CDs, há dias.

I love stories. Tell me stories, entrance me, and you have my heart.

Mais nada.

[1] Só digo isto para relembrar que o acordo ortográfico me roubou (a mim pessoalmente, e a mais mortos que vivos) o acento que cabia justamente a esta palavra das mais lindas do português por descobrir.

[2] Repito: pa-la-vri-nhas.

[3] E vão duas para o mundo, cada uma seguindo o seu caminho.

[4] Ups. Referência literária secreta e subtil, em que poucos reparariam não fosse este rodapágina.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2008



Só Liguei Para Dizer Que…

Bazei. Vim-me embora. Trouxe os livros, os CD’s, as receitas mágicas de toucinho do céu, as mochilas e 300 t-shirts de metade do planeta, as canecas, os ténis, um casaco e um pão lêvedo. O resto fica, não gosto de viajar pesado.

Estou neste momento numa pequena ilha do oceano pacífico. E note-se que não estou a falar do programa de rádio. É uma pequena ilha, aproximadamente redonda em forma de ovo estrelado, onde não se filma nenhuma série de pessoas supostamente perdidas que faz tanto sentido quanto o Twin Peaks ou a Realidade, mas onde as omeletes são divinais.

Aqui há internet (suspension of desbelief ON), mas só há novidades de fora 3x por semana, pouca gente, dois imensos (imensos!) céu e mar azuis, calma, pássaros, relva verde debaixo dos pés. E árvores. É.

Decidi deixar o fato e a gravata e os sapatos à porta da ilha. Incomodavam-me. Afinal, sempre foram anos e anos e anos com eles. Cerca de 170, o que faz com que (fazendo as contas) actualmente tenha cerca de 36 anos de idade.

Entre os livros que trouxe, tenho um com o título mais pateta que já vi. Tão pateta, que gostava de ter sido eu a inventá-lo. Chama-se “Como o soldado conserta o gramofone”, e tem na capa um rapaz com ar patusco a tocar uma concertina, na praia e vestido de fato preto, com dois cães a passar a correr atrás. O livro existe mesmo. Note-se que não o estou a recomendar. Ainda não o li. Só estou a referir que a capa é soberba de non-sense e que, em consequência, me fez sentir pouco menos que um amador dessa arte.

Ontem saí de casa e percorri os poucos metros que me separam do mar. Estava molhado, o que me surpreendeu, por isso levei areia e uma toalha. Não gostei que olhasses para mim jocosamente, rindo-te da cor da minha toalha. É minha, e gosto dela. Acho que combina bem com a minha personalidade. Chupo-a quando preciso de nutrientes, especialmente aos cantos . [1] Tu não podes dizer ou fazer o mesmo. :p

 

[1] Pontos a quem reconhecer a referência ao Livro Mais Hilariante da História da Humanidade (LM3AGÁS).



terça-feira, 2 de dezembro de 2008



Hoje… Não.

Pensei em escrever sobre coisas interessantes e fantásticas. Sobre Harodopios. Sobre o sol no rio. Sobre o brilho de um sorriso nos olhos. Sobre o mar. sobre a terra descalça com pés nus. Sobre o céu (azulinho). Sobre as núvens em forma de sonho. Sobre a mão numa fonte fresca da montanha. Sobre uma mão com areia dentro. Sobre uma maça brilhante que ofusca. Sobre um gomo de tangerina (que bela palavra, tan-ge-ri-na). Sobre o vento. Sobre relâmpagos de noite e frio húmido até aos ossos com trovões nos ouvidos (saídos do fundo bem fundo do planeta).  Sobre alegria e sobre o orvalho numa manhã. Sobre neblina e orelhas com frio, vermelhas. Sobre um espirro (ou dois) ((‘tchu)) (não me digam que um espirro não é bonito).

Sobre uma azeitoninha nos lábios.

 

Mas… hoje não vou escrever sobre nada disso.



domingo, 30 de novembro de 2008



Quando Voltar A Seattle, Compro Um Kilt

Está prometido. Não sei se um Original, se um Survival. Estou inclinado para o Survival. Usar um Kilt é quase como usar um Poncho, parece-me. Usar um Poncho e simultaneamente um Kilt, isso sim, seria arrojado, e duvido que seja capaz de me seguir por esse caminho de aventura boémia.

Este ano no FMM em Sines o baixista do Kimmo Pohjonen, um Sr. que devia embrulhar o baixo e atirá-lo ao mar como à pérola (mas por motivos diferentes) e dedicar-se à decoração de interiores, tinha um kilt vestido (ia dizer calçado, veja-se). Era preto. Pensei para comigo mesmo (penso até que cheguei a dizê-lo): “aposto que o man é de Seattle” [1]. E não é que é mesmo? Acho que ele tinha o modelo Tuxedo, e não lhe ficava bem, até porque tinha as pernas rapadas.

Isto tudo para dizer que não, não planeio rapar as pernas. Apesar dos coros públicos nesse sentido, os abaixo-assinados, das cartas registadas de presidentes e governos e primeiros-ministros de milhares de países, é um pedido a que não posso aceder. Rapar das pernas os pelos é impossível aos olhos da minha crença nas vacas sagradas do Nepal. [2]

Já que estamos a falar do Nepal, uma coisa que se come no Nepal é Nan. E ali no Everest Montanha na Avenida do Brasil, por exemplo, o Cheese Nan é muito bom. Acompanhado de uma chamuça, um prato *Everest ou *Korma p.ex., uma Cobra (tem de haver uma loira à mesa), e por vezes uma Bebinka multi-fatiada a fechar, é bem melhor que eu sei lá. Curioso também que o nome deste prato culinário típico do Nepal seja usado em algumas zonas do nosso país (Algarve?) com um significado totalmente diferente, em frases como: “hoje nan me apetece tomar pequeno almoço”, “Nan sei, nan sou de cá” ou “Nan, nan quero uma bolacha”.

Na próxima posta vou falar de Harodopios (lê-se com acentuação no primeiro ó). Hoje não posso porque não apenas O Vosso Cronista se aproxima do limite contratado de palavras, mas porque a noite passada dormiu pouco. Zzzzzzz. Fiquem bem e cómodamente quentes.

 

[1] Dizer “man”  [3] é fashion Outono-Inverno 2008.

[2] Eu estou de acordo com a opinião do Richard Dawkins de que uma religião merece tanto respeito como a crença em ovnis, motivo pelo qual não está acima de crítica, discussão, alegoria e galhofa generalizada.

[3] Não confundir “man” com “nan”. A primeira palavra diz-se “méne”, a segunda “nãn”.



terça-feira, 25 de novembro de 2008



Como Se Não Houvesse Amanhã

É frequente na literatura colocarmo-nos cenários como: “E se não houvesse amanhã?”. Geralmente as opções são por atitudes de uma certa euforia cataclismica Vamos aproveitar As Últimas Horas E Fazer Tudo O Que Nunca Fizemos. Claro que, como o mundo está prestes a acabar, já não dá tempo para fazer quase nada disso, e só nos restam os cheap thrills. Outra variante popular é a abordagem familiar, como se fosse o Natal, mas para nos levarem os presentes todos. Não é de todo mal pensado, se houver tempo para isso, e é uma alternativa claramente sensata.

Mais interessante que este cenário, no entanto, é o cenário “E se não houvesse ontem?” Não me refiro obviamente ao dia de ontem, mas ao Ontem de tudo-até-aqui. O mundo começava hoje, depois de um reset. Quem é que seríamos? As mesmas pessoas? Ou aproveitávamos [1] para limar arestas, recontar certas e determinadas estórias? Imaginem-se expressões do tipo: “Ele viveu como se não houvesse ontem”, referindo-se a alguém que tivesse recomeçado.

E se estivessemos Ausentes do Presente? Esta é a alternativa correspondente à moeda que cai de pé (devia haver regras para quando as moedas caem de pé). Esta é a alternativa mais simples. Se não estamos cá, não há muito que possamos fazer. A menos que saibamos o que se passa, e amanhã possamos voltar com esse conhecimento.

Estava a pensar sobre o que seria uma Inconvenience Store (nota: não estou a dizer que este seja um jogo de palavras especialmente inteligente, mas pensemos em conjunto). Se isto for binário, a maior parte das lojas são inconvenience stores. Bom, quero lá saber das lojas. Aquilo que me apetece dizer é o seguinte: vou passar ater uma parte de todas as postas intitulada O Páragrafo Sublinhado. No caso, é este. Não por ter especial importância, ou por ser uma tolice sublinhar texto em que não se pode clicar, mas só para te confundir. Este é também O Parágrafo que te Confunde. A maior parte dos visitantes de páginas na internet só vê uma página. Deparando-se com uma página como esta, com um grande sublinhado, é aí que se vão concentrar. O que significa que tudo o resto, que pode ser a mensagem importante, fica fora do radar. E mais, se eu fizer de propósito para escrever mais tolices que o costume na parte sublinhada, é um bom artifício para alienar visitantes.

Outra coisa que pode ser interessante é destacar partes do texto, usando a formatação para alterar o ênfase, de forma contrária à sua utilização normal. Se forem palavras com pouco conteúdo, isto resulta melhor ainda.

Tinha mais dois temas para abordar nesta crónica terçafeirista. O primeiro, é a palavra “fazil”. Esta palavra não existe. Sem querer estar a negar a existência de alguém que só descobri depois, mas que não tem qualquer relevância para esta posta (nem esta posta para ele) ((até porque não lha dou)), esta palavra “fazil” parece-me o nome de uma cor. Perto do lápis-lazúli, do anis e da Erva Doce. O problema é que quando pesquiso “Erva Doce” na Wikipedia, aparece-me “Funcho” (e quem não conhece o Funcho do Asterix?). Agora reparem no pormenor delicioso que nos dá essa enciclopédia galáctica:

Na Grécia Antiga era designado por μάραθον (marathon), estando na origem do nome Maratona (que afinal, em português seria Funchal), o local da mítica batalha de Maratona travada em 490 a.C. entre gregos e persas. A mitologia grega diz que Prometeu usou um talo de funcho para roubar fogo dos deuses. [2]

Repararam no Pormenor Delicioso que é o comentário sobre o Funchal? Às vezes parece que nos aparecem pérolas [1] de dentro de palavras que pensávamos que conhecíamos.

E já alguma vez te disse que adorei o livro do Steinbeck chamado “A Pérola”, que os meus pais costumavam ter em casa com a capa já semi-desfeita? Há pérolas que às vezes é preciso atirar de volta ao mar.

[1] Gosto de palavras exdrúxulas, ficas a saber.

[2] É a primeira vez que cito Grego Antigo numa posta.



segunda-feira, 24 de novembro de 2008



[a]casos

A wikipedia descreve Synchronicity da segunte forma:

Synchronicity is the experience of two or more events which are causally unrelated occurring together in a meaningful manner. In order to be synchronous, the events should be unlikely to occur together by random chance.

A frase a bold é a diferença entre isto e uma simples coincidência. Se calhar, uma "sincronicidade” não é precisamente uma coincidência simples, antes uma com significado. O que me baralha, mas resulta num jogo de palavras giro (60 numa escala de 1 a 100, votaria o público).

E o que é uma asincronicidade? será que os eventos são relacionados? que ocorrem separados? que não têm significado? ou que ocorrem juntos por algo que não o acaso?

Perguntas destas mantêm-me acordado de noite, a olhar para as estrelas fluorescentes no tecto (seria bem mais poético se fosse florescentes).

Depois, quando acordo, geralmente apetecem-me uvas.



sexta-feira, 21 de novembro de 2008



Nós somos os Introvertímidos.

Há dias escrevi alhures uma posta com um título como este. Era uma posta profissional, séria, comedida, com a minha persona pública, aquele que é o outro e aparece em palcos de auditórios e se desdobra em contactos e conhecimentos técnicos variados. [2]

Mas este aqui também sou eu. E lendo-me a mim próprio, desactualizado no tempo, apeteceu-me vir tirar o pó às palavras (como vos adoro…).

Precisava de um rastilho que me fizesse ir pelos ares (estás aí?) Ou então de férias. Estive fora 3 semanas em duas, e com trabalho intenso no intermezzo. Satisfeito mas cansado. Ou férias ou rastilho, malta. Como é? Preciso, também, do Fundo do Mar (vá, 20 ou 30 metros chegam).

Seja como for, agora que voltaram a abrir a internet às pessoas, «vou tentar vir mais aqui». Deve ser das frases que mais se dizem no Universo, juntamente com «Lets Just Be Friends». Claro que, tendo já decretado a universalidade para todo o sempeterno deste belogue (conforme nota 76/p45 acordo ortográfico 1867), não tenho propriamente de me preocupar com isso. Antigamente deixavam-se livros, que iam para a biblioteca nacional ou para a torre do tombo. Vendem-se milhares de milhões e trincabilhões de cópias, que ficam em casa de quem os compra até 90% dos filhos os reciclarem. O problema vai ser quando já não houver livros. O digital dura para sempre?

Oh, sim, quero mesmo ver daqui a 100 anos a conseguirmos ler discos de 2008. Se já disketes é uma sorte.

 

Por outras palavras: eu sei o que faço por aqui. Não sei o que tu fazes por aqui. Bom, até sei, na realidade. Fizeste uma pesquisa no gugle e vieste cá dar. O provável é que leias a página na vertical, “não, não é isto que procuro” e a seguir apertes o botão de back (não é tão fixe, dizer “apertar”? e dizer “fixe”, então?)

 

Agora que já estou sozinho outra vez, posso continuar aqui a apertar os meus botões [1] com calma, três ou quatro de cada vez, enquanto tenho o gozo e prazer de ver as letras tão bem desenhadas a aparecer no fundo branco.

 

Deixei passar o meu aniversário e não vim dizer-te Olá. Olá, por aqui? Tudo bem contigo? Temos de ir jantar um dia destes. Ok, manda-me um mail e marcamos. (só para me vingar, acabei de marcar um almoço com uma destas pessoas, já para amanhã)

 

Ando sem energia para fazer uma série de coisas que me dão (sempre deram) prazer. Leitura e Cinema são duas destas coisas, as mais Importantes. É precisa energia, parece-me. Também para escrever aqui. Sem ser banalidades (e neste momento não estou com muita sorte nesse aspecto, claramente). Li um livro num avião que me deu tanto gozo que me apeteceu muito, muito, voltar a mergulhar em páginas de outros universos (ainda por um Le Carré de Aeroporto…). E vir aqui espreitar-te faz parte disso.

 

Agora é de noite e apagaram-se as luzes. Ouvem-se passos ao longe mas não percebo bem de onde vêem.

 

 

[1] Notar o trocadilho entre “botões” e “teclas”, e a repetição da palavra “apertar”, o que torna esta frase imensamente engraçada.

[2] Nada disso. O título era parecido, mas depois mudei para este. E como posso ter mudado outra vez depois de escrever esta nota explicativa, não posso deixar de o salientar aqui: o título da posta pode ter sido N-mudado.



quarta-feira, 2 de janeiro de 2008



mais "Naked"

tirado daqui.

Louise: How did you get here?
Johnny: Well, basically, there was this little dot, right? And the dot went bang and the bang expanded. Energy formed into matter, matter cooled, matter lived, the amoeba to fish, to fish to fowl, to fowl to frog, to frog to mammal, the mammal to monkey, to monkey to man, amo amas amat, quid pro quo, memento mori, ad infinitum, sprinkle on a little bit of grated cheese and leave under the grill till Doomsday.

Louise: So what happened, were you bored in Manchester?
Johnny: Was I bored? No, I wasn't fuckin' bored. I'm never bored. That's the trouble with everybody - you're all so bored. You've had nature explained to you and you're bored with it, you've had the living body explained to you and you're bored with it, you've had the universe explained to you and you're bored with it, so now you want cheap thrills and, like, plenty of them, and it doesn't matter how tawdry or vacuous they are as long as it's new as long as it's new as long as it flashes and fuckin' bleeps in forty fuckin' different colors. So whatever else you can say about me, I'm not fuckin' bored.





Mike Leigh - «Naked»

Este é um dos melhores filmes que jamais vi. Aparentemente não há versão em DVD. E esta é talvez a cena mais poderosa do filme. Acho que tb me formou, este filme.



domingo, 30 de dezembro de 2007



agora com o zune

tenho ouvido vários podcasts, de audio e vídeo. além dos dedicados a temas tecnológicos, a minha selecção vai geralmente para tópicos relacionados com ciência ou com criatividade. ideias estimulantes (que é o que interessa). além disso, estou a ler o "god delusion" do dawkings. tudo junto, agora:

- recentemente soube-se que os chimpanzés são mais rápidos que os humanos, sejam crianças ou adultos, num exercício de memorização de localização e sequências de números. não são só mais rápidos, como assombradamente mais rápidos. do género de não deixar qualquer dúvida. o carl sagan, num dos livros dele, diz que os chimpanzés são superiores aos humanos com até 2 anos de idade, em todos os aspectos. a não esquecer: apesar da semelhança entre homo sapiens sapiens e os chimpanzés, o hss não é uma "versão mais avançada" dos chimps. estes últimos não pararam de evoluir, nos últimos milhares de anos, tal como nós. não é se calhar surpreendente que esta evolução paralela os permita superarem-nos em vários aspectos.

não sou hss-cêntrico.

- o livro do dawkings é um tomo anti-religião, pro-ciência. analisa ar-gu-men-to-por-ar-gu-men-to o que se diz pela existência de deus, e destroi cada um desses argumentos. sou ateu, e li vários outros livros dele, pelo que as palavras dele fazem muito sentido para mim. não vou entrar nos argumentos, queria falar doutra coisa. a páginas tantas, o dawkings cita um cientista (reeves?) que reduziu o número de constantes da física/química a 6. os valores destas 6 constantes são o que faz com o que o nosso universo tenha a "forma" que tem hoje. lembro-me de em Física I, na universidade, se ter falado deste mesmo assunto. se calhar por estes dias já se encontrou uma relação entre algumas destas 6, e são já só 5. ou 4, ou 3, ou 2, ou uma, ou nenhuma. se calhar existem universos paralelos. se calhar, o universo só podia ser como é, por alguma questão homeostática de coração matemático.

certamente não me expliquei bem e não fui claro, mas o assunto é ainda assim absolutamente fascinante. quem precisa de um deus (ou mais), quando se tem isto?

também vi uns vídeos do TED.com com o dawkings. ele repete um dos argumentos do livro: a diferença entre um ateu e, por exemplo, um cristão... é UM deus. o cristão é ateu sobre todos os outros deuses, só acredita num, o seu próprio. o ateu,... foi apenas um deus mais longe. é hilariante. :-)

- também vi um vídeo sobre o "slow movement". o slow food é o mais conhecido, mas há o slow cities, e um movimento mais global para, em geral, viver uma vida mais lenta. é muito fácil de vender esta ideia, de facto. as nossas vidas são um zumzumzum de correria, e o tempo parece que nunca chega para nada. nem há tempo para pensar. ficar parado a pensar. tenta. agora, sim. vamos, eu espero (não tenciono ir a lado nenhum, afinal). para durante 2 minutos e fica parado(a) a olhar para a parede, só a pensar.

já está? se fores como eu, ou não conseguiste, ou tentaste ocupar o tempo de alguma forma, ou pensaste que é uma tolice, ou fizeste um "alt-tab" para ir fazer qualquer outra coisa durante 2 minutos, ou sentiste simplesmente estar a perder tempo. bom, mas pensa nisso, quando tiveres tempo. se calhar andar depressa não nos leva mais rápido a lado nenhum.

(tenho de ver se """perco""" algum tempo a pensar nisto, e ver como trago isto para a minha vida. gostava de não trabalhar um dia por semana, também, mesmo ganhando menos).

- se apenas 1 em cada bilião de planetas tiver vida, há pelo menos 1 bilião de planetas no universo com vida.

o que é vida, seja como for? a wikipedia tem uma sugestão.

Life is a condition that distinguishes organisms from inorganic objects, i.e. non-life, and dead organisms, being manifested by growth through metabolism, reproduction, and the power of adaptation to environment through changes originating internally. A physical characteristic of life is that it feeds on negative entropy.[1][2] In more detail, according to physicists such as John Bernal, Erwin Schrödinger, Wigner, and John Avery, life is a member of the class of phenomena which are open or continuous systems able to decrease their internal entropy at the expense of substances or free energy taken in from the environment and subsequently rejected in a degraded form (see: entropy and life).[3][4]

A diverse array of living organisms can be found in the biosphere on Earth. Properties common to these organisms—plants, animals, fungi, protists, archaea and bacteria—are a carbon- and water-based cellular form with complex organization and heritable genetic information. They undergo metabolism, possess a capacity to grow, respond to stimuli, reproduce and, through natural selection, adapt to their environment in successive generations.

An entity with the above properties is considered to be a living organism, that is an organism that is alive hence can be called a life form. However, not every definition of life considers all of these properties to be essential. For example, the capacity for descent with modification is often taken as the only essential property of life. This definition notably includes viruses, which do not qualify under narrower definitions as they are acellular and do not metabolise. Broader definitions of life may also include theoretical non-carbon-based life and other alternative biology. Some forms of artificial life, however, especially wet artificial life, might alternatively be classified as real life.

[...]

- Diz o wittgenstein a um amigo: "porque é que se julgava que o sol rodava em torno do sol?" "ora, é óbvio: porque olhando para o céu, parece que o sol roda em torno da terra!!" "mmm... então, o que teria de se ver para parecer que era a terra a rodar em volta do sol?"

(retórico)

- tb vi uma apresentação do TED com o Ze Frank, um dipo que desconhecia por completo, mas que pelos vistos é uma netpersonalidade.

- e finalmente, a apresentação que gostei mais do TED, de todas as que vi (e há muitas muito boas), foi esta:

Sir Ken Robinson: Do schools kill creativity?

Sir Ken Robinson makes an entertaining (and profoundly moving) case for creating an education system that nurtures creativity, rather than undermining it. With ample anecdotes and witty asides, Robinson points out the many ways our schools fail to recognize -- much less cultivate -- the talents of many brilliant people. "We are educating people out of their creativity," Robinson says. The universality of his message is evidenced by its rampant popularity online. A typical review: "If you have not yet seen Sir Ken Robinson's TED talk, please stop whatever you're doing and watch it now."

A sério. Vejam.



domingo, 25 de novembro de 2007



i feel these wires...

a minha estante novinha em folha chegou há poucos dias atrás. desde que chegou que tenho estado a enchê-la dos livros que até agora têm estado em caixotes. o mundo mudou, agora podem mostrar-se de novo ao mundo, lustrosos, repletos de ideias. apetece-me lê-los quase todos outra vez.

além dos livros, tenho estado também a seleccionar papelada que tinha arquivada. desenterrei centenas de impressões de coisas que tirei da internet entre 92 e 95. de gophers, de sites de ftp anónimo, das primeiras páginas do world-wide-web. percebi que me lembrava de vários destes artigos. sobre os memes do dawkings, sobre a abolição do trabalho, sobre as mailing lists future culture do andy haws e a leri "trip". recordei vários artigos sobre hacking e cifra. vida artificial, biotecnologia, o teste de turing e como enganá-lo, o internet worm que em tempos "mandou abaixo a internet", sobre lógica e formas de argumentar, sobre suicídios e as melhores formas de o realizar, sobre lilith e vampirismo, sobre o philip k. dick, sobre religião e ateísmo, sobre liberdades individuais, inúmeros textos e estórias de ficção de autores sempre desconhecidos, até o nome das máquinas de onde os imprimia: tutor, scallabis, amadeus. textos integrais de filmes, de espectáculos como o do monty python no hollywood bowl, do faq do blade runner (entre outros), como enrolar um charro (!), e muitos outros.

tenho pena de os deitar fora. são como arqueologia de mim mesmo. mas só vou guardar alguns.

percebi que, se calhar, muito do que sou hoje se deve a essa descoberta ocasional da internet, quando queria escrever rm para ver os parâmetros deste comando, em unix, e escrevi rn, acrónimo de read news. descobri os newsgroups, depois o gopher (uma espécie de antecessor do www), depois vieram os primeiros sites, os browsers Mosaic (com o fantástico mundo a rodar) e lynx (modo texto). encontrei textos que tinha esquecido, muitos que não li sequer, mas vários outros recordo quase na perfeição, e tiveram muita influência na formação do meu pensamento e ideias. deixado à solta num novo mundo.

agora com a música a tocar (o random começou no "tá fazendo um ano e meio" do jobim), fui buscar um moscatel, e vou continuar a tarefa.



sexta-feira, 28 de setembro de 2007



Feliz aniversário a mim! :-)

Pois é. Demasiados anos, ao que parece. Estalava os dedos, snappp, e 10 anos a menos. Ai que bom seria. Não me esquecia das coisas outra vez, e tal e tal, o resto. Esqueci-me o que era. O tempo não voa, zarpa a velocidades intersuperduperespaciais, por entre as dimensões do espaço.

E pior que isso, precisávamos de outro lifetime só para rever todo este. E não é um desperdício, perder o tempo que ainda temos a lembrar como foi o que já passou? Mazé olhar para a frente.

O que eu sei é que me apetece mergulhar.

Estive na Irlanda, entre Dublin e Dingle Bay, conduzindo pela esquerda e esmurrando a janela para mudar as mudanças. 8 em 10. :-) Depois Londres, a Metrópole. A rotina do costume. A exposição dos guerreiros de terracota, um dos pontos altos, no British Museum. Uma revisita à Tate Modern. Mas a Saatchi é que domina, e essa não revisitei.

Viagem toda em low-costs amarelos e laranjas, apertados e a pé pela pista. O que importa, se é barato? Há algo de surreal em comprar bilhetes a 1 cêntimo (+ taxas).



terça-feira, 28 de agosto de 2007



Palma Vintage

Jorge Palma - Olá (Cá estamos nós outra vez)



quarta-feira, 15 de agosto de 2007

domingo, 5 de agosto de 2007



Aladino: FRAUDE!

Estava a ler um livro do Orhan Pamuk (The Black Book) quando encontrei uma passagem que me chocou pelo que revelava:

Pelos vistos, a estória de Aladino, das Mil e Uma Noites, não fazia parte das Mil e Uma Noites, tendo sido adicionada pelo tradutor francês, e a partir daí incorporado o texto.

A investigação na net revelou o seguinte na Wikipedia (link):

«No medieval Arabic source has been traced for the tale, which was incorporated into The Book of One Thousand and One Nights by its French translator, Antoine Galland, who heard it from an Arab Syrian Christian storyteller from Aleppo. Galland's diary (March 25, 1709) records that he met the Maronite scholar, by name Youhenna Diab ("Hanna"), who had been brought from Aleppo to Paris, France by Paul Lucas, a celebrated French traveller. Galland's diary also tells that his translation of "Aladdin" was made in the winter of 1709–10. It was included in his volumes ix and x of the Nights, published in 1710.»

Mas o engano não acaba aqui, ohpoisnão! Acredite-se ou não, o Aladino era chinês!!

«Note that although it is considered an Arabic tale either because of its source, or because it was included in The Book of One Thousand and One Nights, the characters in the story are neither Arabs nor Persians, but rather are from "China". The country in the story is however an Islamic country, where most people are Muslims.»

E pior que tudo, era um malandro! Veja-se o texto: «There was [once] in a city of the cities of China a man, a tailor and poor, and he had a son by name Alaeddin, who was perverse and graceless from his earliest childhood.» (link)

Lembro-me de ser gaiato e ter um livro do "Ali Baba e os Quarenta Ladrões", no entanto. Dessa, quase me lembro das ilustrações quando o sésamo se abre. Um lugar secreto e mágico, repleto de perigos.



quinta-feira, 2 de agosto de 2007



Ai Caparica

Já a Costa da Caparica... é uma dor. As praias com pouca areia, muita gente, os bares que acham por bem brindar-nos com um sonzinho brasileiro vários decibéis acima do agradável (porta sim, porta sim), o permanente ar de obras&estacionamento a ferir os olhos (hey? dunas? onde?), aqueles mamarrachos cor-de-rosa mesmo junto à praia, os caixotes a abarrotar de lixo.

A Costa da Caparica, pelo menos no que se refere à parte junto às praias, é um local extremamente desagradável por onde andar, para mim um exemplo daquilo que uma zona balnear/turística NÃO DEVE SER.

Mas claro, quem sou eu?



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