Nestes últimos dias, o segundo assunto de maior interesse nacional tem sido a ida do nosso primeiro para Bruxelas. Coitado, é uma cidade bem cinzenta, apesar dos gofres e da banda desenhada. É verdade que vai ganhar 4 a 5x mais e ter vários luxos e responsabilidades, mas isso até faz sentido.
O chato é que nos deixa a nós com os problemas nas mãos. A minha opinião, apenas para a deixar porque os argumentos foram já quase todos ditos, é que se deviam convocar eleições para imediatamente depois do Verão.
Recebi SMS a convocar-me para as duas manifs contra a possibilidade do amigo Santana Lopes pai-de-família e com pouco tempo para a CML (dizem as más línguas que muitas vezes nem aparece na CML) ser P.M., e a favor da convocação de eleições. É isto a sociedade civil? Seja como for, agrada-me o conceito.
Voltando um pouco atrás, há aqui um paralelo curioso a fazer-se. Neste momento, não estamos perante apenas UM duelo Portugal vs ...laranjas, mas DOIS! E o resultado de ambos reveste-se de grande incerteza.
Se o PR fizesse o anúncio da sua decisão depois do jogo de hoje - no que mais não seria que um reforço da real união entre desporto e política - seria um final de novela em grande! Até podia indexar o resultado do jogo à decisão. Isso sim, era tê-los no sítio. :-)
E só por curiosidade, alguém leu isto?
insensatamente
domingo, 27 de junho de 2004
Voltei de Londres, gostei muito de ver a Galeria Saatchi, de ver o "Much Ado About Nothing" do amigo Shakespeare no Globe Theater, de rever Camden e o Natural History Museum e o Biggie Bennie e Covent Garden (e a Muji e a Lush :-) ai que consumista). O curioso é que ficam sempre coisas por ver...
Tive de ir 3 dias para Reading, quase hora e meia de comboio para cada lado. Passei por Ascot, e em 2 desses dias o comboio enchia-se de Srs e Senhoras embonecados, com cartolas e chapéus femininos de muitas de formas e feitios. Vinham das corridas de cavalos. Hábitos estranhos.
Londres é uma cidade espantosa e outros clichés, mas não sei se queria viver lá.
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23:30
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sexta-feira, 11 de junho de 2004
Estou chateado. Estou honestamente mt chateado com o estado das coisas no nosso pequeno rectângulo. Estou chateado como estaria há 10 anos atrás, quando ainda estava a fazer o meu cursito universitário e ia a manifs contra as propinas. Estou tão chateado com esta porra toda que quase não me reconheço. Prometi-te que não ia falar mais deste tipo de chateações, há uns dias atrás, por isso para ser honesto comigo mesmo não vou poder dizer de que se trata. Mas estou mesmo chateado, bolas.
Ontem resumi numa conversa a uma pessoa amiga os motivos da minha chateação. A pergunta de resposta à minha prelecção foi: "mas o quê, também tu vais emigrar, é?" Não, acho que por agora não. Quem não está bem muda-se, é um facto. Mas eu não acuso o país, apesar de me fazer muita confusão este conceito de fronteira. Há um texto que o Johny Depp lê no "Arizona Dream" do Kustorica, em que ele fala do pai. E diz ele a palavras tantas que o pai dele era um "border guard. His job was to keep people from crossing lines". É só a mim que o conceito de fronteira, e em consequência de país/nação parece estranho, quando visto assim?
Sei que nunca vi Lisboa assim. Saio à rua e vejo bandeiras de Portugal em muitas janelas, em automóveis, lojas, prédios, balcões, montras. Uma admirável demonstração de apoio à "nossa" selecção. Lembro-me de quando Timor-Leste esteve aí mais "na boca do Povo", e havia demonstrações do género, mas não foi assim.
Podia agora ironizar: e quando o Saramago ganhou o campeonato do mundo dos escritores, porque não houve este circo todo? talvez o uniforme? o homem até já vai à Feira do Livro de fatinho para as sessões de autógrafos! Claramente nada glamoroso. Não é "o escritor das quinas", raios o partam. Mas até joga em Espanha, raios! Não merecia uns posters, ao menos?!
Enfim. Feliz deve estar o nosso Político do Jaguar, o Deneuve. Tanta coisa para as criancinhas cantarem o hino, e agora recebe isto das baideirolas de mão beijada. (ups, lá foi uma frase de política... ups!)
Não me entendas mal. Até acho piada a estas demonstrações de apoio. Acho giro. E acho de facto que temos pouco orgulho no que temos. E não digo, como ouço às vezes, que "o que Portugal tem de bom é o que não depende dos portugueses" (isto é, o clima). A única coisa que me desgosta são as tais linhas do Kustorica. Acredito em culturas partilhadas, não em países, nações. Lembro-me de descobrir a internet, talvez em 1993, e conhecer gente de todo o mundo. Trocar k7s e postais com pessoas do outro lado do mundo. Descobrir e conhecer. E de repente, talvez desde aí, estas linhas administrativas passaram a fazer cada vez menos sentido.
Quanto ao Europeu... bom, vou mazé para Londres uma semana. Deve haver por lá menos doidos, nesta altura. Até acho que no jogo inaugural devo estar em pleno voo. Se calhar por isso é que não foi difícil comprar bilhete. Havia lugares.
Tenho pena de falhar as eleições. Vai ser a segunda vez na vida que deixo de votar, a outra também foi por não estar cá na altura. O voto vale o que vale, e Os Srs não mudam, preocupados com os seus interesses e fotografias e não com o que fazem com o meu €urito. Mas não deixo de o fazer.
E não. Desta vez não são férias. :)
Ah, e mais uma coisa. Estes últimos dias tem sido profícuos em mortes de políticos. Talvez se fosse obrigatório morrer-se aos 60 anos houvesse menos interesse no Poder, quem sabe? mas o político que me interessa é o Sr. Reagan. E o que me incomoda (porque ainda me lembro dele) é o aparente branqueamento quase generalizado que por aí se vê. O Sr. era um super-militarista despesista, era um bronco. E agora é erguido em braços, um homem de visão, etc. Concedo-lhe mérito no fim do anacronismo chamado URSS. Mas, por favor, não branqueiem o passado. Até parece que estamos em 1984, e não 2004 (o bold é para o caso de ter sido subtil demais na referência).
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02:34
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terça-feira, 1 de junho de 2004
Não sei se já o disse, mas já tenho bilhete para a Lhasa no dia 7 de Julho no Fórum Lisboa. Espera-se com ansiedade uma enorme desilusão, tão altas são as expectativas. :-)
De resto, já vos contei o meu novo plano de vida que consiste em tirar formação de instrutor de mergulho e mudar-me para um paraíso qualquer onde o mergulho seja um sonho (e onde a CNN me possa entrevistar como o primeiro ex-bloguista a mudar de vida para se tornar Dive Master)?
Não digo que este facto tenha para ti muita importância, dada a ausência de projecção internacional deste blog, bem como o facto de ignorar quase totalmente os factos do mundo que nos rodeia (estive mesmo, mesmo tentado a postar sobre o salário daquele moço que vem do BCP para os impostos e que vai ganhar num mês o que eu ganho ao ano, mas contive-me), e sendo assim totalmente incitável nos media (nacionais), mas enfim. Pode ser que com o €€€ que estou a receber com a venda do meu bem sucedido livro consiga pagar o preço de um qualquer ciberquiosque.
Veremos.
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13:13
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quarta-feira, 26 de maio de 2004
Excelentes notícias!
Podes lembrar-te de que em finais do ano passado (post de 25 de Dezembro) a Editora Defenestrerius, de Lisboa, publicou "Curta Antologia Biográfica - os meus melhores sms: 1999-2003". Ora pois bem, na sequência do sucesso desta edição, que rapidamente esgotou os 3000 exemplares, tenho duas enormes novidades: em primeiro lugar, vai ser publicada já no próximo mês uma segunda edição de mais 1500 exemplares! Em segundo lugar, e uma vez que uma maravilha destas não se podia limitar ao nosso rectângulo, vai ser editada no mercado europeu uma edição tri-lingue, em português inglês e francês, em colaboração com a Pinguim Books (na GB) e a Galimar (em França).
A tradução foi feita por Madeleine Toutbrillant, francesa, mas que em virtude de trocar SMS com interlocutores de todo o mundo, está especialmente bem qualificada para a tarefa.
Para mim, em termos pessoais, este processo teve ainda o aspecto especialmente interessante de perceber que a tradução de SMS's se reveste de constrangimentos curiosos, desde o nível da manutenção do comprimento máximo das mesmas, à tradução de abreviaturas.
Mais uma vez, tanto a reedição como a edição trilingue podem ser encontradas e/ou encomendadas em lojas como a Fnac ou Bertrand. E garanto-te que não enriqueço com isto. Mal dá para os carregamentos!
Uqbar
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22:28
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segunda-feira, 24 de maio de 2004
Voltei de férias. Fui e zás, lá estive, e infelizmente de voltar tive.
Mar Vermelho, Hurghada e Safaga. 14 mergulhos, dois deles nocturnos, uma semana, 14 horas dentro de água. Como é? É o Éden. É um sonho (molhado :-)), é desatar a rir de êxtase perante o que se vê à frente dos olhos.
Foi a minha segunda ida a este destino, e tenciono voltar. Por muito estragado que esteja o nosso mar, há muito de espantoso para se ver.
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20:08
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quinta-feira, 13 de maio de 2004
Dizia hoje no Público sobre algo que foi publicado numa revista de gajos:
... mmmm. não. não vou citar. acho que isto já vai ser citado em 273 outros weblogs, e eu sou muito cioso da minha especialidade, até porque (como já sabes) estou destinado à própria CNN, pre ou post-mortem que seja (preferia a primeira).
Mas olha, agora que já esclareci a consciência que tenho da falta de originalidade, procurando assim estabelecer a minha própria originalidade, vou citar à mesma. :-)
ora pois reza da seguinte palavrática forma:
"Quando questionadas sobre as características que valorizam no sexo oposto, as mulheres portuguesas preferem os olhos e as mãos. A atitude que mais as irrita é o machismo, seguindo-se a desonestidade.
O homem ideal para a maior parte das inquiridas tem entre 1,70m e 1,75m, olhos verdes e cabelo castanho escuro, liso e não muito curto, sem barba nem bigode, mãos grandes e dentes brancos. A meiguice, a honestidade e o bom humor são as três qualidade de eleição, que as levam a escolher o cão como o animal que representa o homem perfeito.
O homem ideal é aquele que tem como principais hobbies ir ao cinema, viajar e ler. Um jantar à luz das velas, em que o homem vestiria roupa desportiva é o programa perfeito."
Bolas, pensei eu. Sou alto demais. :-)
ps- nem vou comentar o aspecto canino da questão, porque, como sabes, teria muito a dizer. woof.
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12:02
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
Hoje fui buscar o meu pópó[lo] ao stand. Tinha-o deixado lá para fazer uma revisão e ser levado à inspecção. Normalmente, quando o levo, nem me preocupo muito com valores que deixe na viatura, nunca houve problemas. Desta vez, suponho que durante a verificação do IPO, fui violentamente roubado. E não estou (só) a falar do preço.
Passo a explicar: tinha no cinzeiro do carro, que não uso, 3-moedas-3 de 50 20 10 cêntimos, com a arpa da Irlanda no verso. Moedas de estimação, que encontrei no chão ao caminhar pelo passeio. E fanaram-mas, às minhas moedinhas. Dá para acreditar?
Já aos 5 feijões vermelhos da sorte que estão no pequeno compartimento de moedas, a esses deixaram-nos. Não consigo perceber como se pode trocar a felicidade eterna por 70 cêntimos.
SEUS JUDAS!!!!!
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10:43
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terça-feira, 11 de maio de 2004
Pedi ao Tiago e à Magda, da Oficina da Terra, para me fazerem uma pietá ao contrário. A foto ilustra o resultado, a peça está todas as noites a velar por mim.
Nada como deuses egípcios e mulheres de cabelo azul para velar pelos sonhos. :)
O Tiago e a Magda são um casal de artesãos em cujo ânimo habita o génio. A sério. E eu não uso esta palavra de ânimo leve.
às
17:48
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segunda-feira, 10 de maio de 2004
Apesar dos rumores nesse sentido, e de inclusive um texto sobre o assunto já ter sido publicado em mais de um media nacional, uma vez que ainda não consegui (oh que lamentável) ser referido na CNN, quero deixar aqui muito claro que vou continuar a postar. O motivo para a falta de postas é apenas o trabalho, oh-o-trabalho, que tanto mócupa e me tira tempo. O resto da vida também contribui. Ando tão cansado, tão cansadito, tão absolutamente exausto e desfeito em fanicos de cansaço e stress e oh tão exausto, que decidi ir de férias de mergulho para o Egipto outra vez, já nesta sexta-feira. Está decidido, não protestes, já sabes que não vale a pena, quando decido já decidi, mesmo que depois mude de ideias, o que não vai acontecer neste caso. Vou já no primeiro avión que me aparecer pla frente, sem hesitar, boldamente e sem medos nem receios.
Há outro motivo para não ter postado nos tempos recentes. É que a maioria das coisas que me passam pla cabeça são de natura protestal political. Chateio-me e ainda me revolto (acho piada a já ter idade para ser senil e reformado) (eheheh) (quase) e ainda me incomodar com determinadas coisas politicais. Ainda não cresci, está-se bem a ver. E assim, para evitar o mau humor, decidi não postar, simplesmente.
Claro que, levado ao limite, isto quereria dizer que nunca mais voltarei a postar. Ou antes, só depois de morrer. Posso deixar uma posta escrita (como na música), ou então muitas postas escritas, para serem publicadas depois do meu fim terminal. Que tal? Post Póstumos. Aposto que isso seria original.
O primeiro weblog post-mortem!
Tenho de explorar esta ideia. Mas incomoda-me um pouco o facto de não estar vivo para me poder ver na CNN.
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11:45
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Há uns anos atrás, numa freguesia nos arredores de Lisboa, a população manifestou-se contra a construção de uma escola primária (que acabou por ser construída). Num dos grafitis de protesto, lembro-me bem, podia ler-se:
Não há escola
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11:32
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segunda-feira, 12 de abril de 2004
Já esta, é porque a encontrei quando procurava a letra da "Balada das Sete Saias". É do Fausto, e gosto da letra. Mas não conheço a música. E gosto do nome Mariana.
Mariana das sete saias (Fausto)
Sete saias tem Mariana
e um emprego em Miraflores
viveu ontem de recados
mas hoje vive de amores
sete carros vão chegando
pelas tardes de Belém
com sete homens que a beijam
entre Sintra e o Cacém
não tenho amores
nem tenho amantes pois
quantos amados não sei
tenho alguns amadores
olha para mim
lá na terra onde morei
escutava
pela rádio o folhetim
sete saias tem Mariana
à noite no Parque Mayer
dança bolero em dó menor
ali num cantinho qualquer
"ai de mim" – diz Mariana
se um dia amor me faltar
ao almoço eu já não como
e como menos ao jantar
não tenho amores
nem tenho amantes pois
quantos amados não sei
tenho alguns amadores
e sustento dois
lá na terra onde morei
sem trabalho
que é da vida p´ra depois
sete saias tem Mariana
nesta roda de contraste
a tua vida serve bem
aqueles que nunca amaste
Mariana das sete saias
se sopra o vento suão
deixas de ser uma almofada
entre o mandado e o mandão
cai-te essa flor do cabelo
e amores do coração
às
00:45
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Vou postar uma letra para ti. Daquelas que, como nos restantes blogs-onde-se-postam-letras, se lêem na diagonal. Mas vou explicar-te primeiro o porquê. Esta música ouvi-a no disco dos Trovante, "Baile do Bosque", ainda em vinil 33 rotações dos pais, em 81 ou 82. Teria uns 10 anos, se tanto, e qués tu ver que nunca se me esqueceu a dita? Tanto que quando o disco foi reeditado em formato CD, o comprei. Calhou agora voltar a ouvi-la, por estes dias, e decidi postá-la. Acho-a fresca. Como o site de onde tirei a letra tinha no título "Cancioneiro", pergunto-me se a letra original será dos Trovante ou se será alguma cantiga de amigo ou romance antigo.
Balada das Sete Saias
Sete ondas se noivaram
Ao luar das sete praias
Sete punhais se afiaram
Menina das sete saias
Sete estrelas se apagaram
Sete-que-pena choraias
Sete segredos contaram
Menina das sete saias
Eh ah......
Sete bocas se calaram
Com sete beijos beijai-as
Sete mortes evitaram
Menina das sete saias
Sete bruxas se encontraram
No monte das sete olaias
Sete vassouras montaram
Menina das sete saias
Sete faunos contrataram
Sete cornos e zagaias
Aos sete encomendaram
Menina das sete saias
Sete princesas toparam
Com mais sete lindas aias
Por sete e sete deixaram
Menina das sete saias
Sete danças que bailaram
Sete vezes que desmaias
Sete luas te ansiaram
Menina das sete saias
Sete vezes se encantaram
No bosque das sete faias
Sete sonhos desfolharam
Menina das sete saias
às
00:24
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terça-feira, 6 de abril de 2004
Snobíssimo
Ontem fui à Casa Fernando Pessoa assistir a um recital de poesia "pianado".
Na fila de trás, ouvi: "Estive a ver o programa, e as poesias são apenas do Fernado Pessoa e do Mário de Sá-Carneiro. Porque é que não recitam dos outros heterónimos??"
às
13:38
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domingo, 4 de abril de 2004
"Probida a Entrada a Pessoas Estranhas Ao Serviço" ainda aceito.
Agora...
"Probida a Entrada a Pessoas Estranhas"?
Francamente. São mais os que entram ou os que ficam de fora?
às
22:18
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sexta-feira, 2 de abril de 2004
Kila @ CCBOs Kila são uma banda celta da Irlanda, que cantam em gaélico e que, há 5 anos atrás, deram um concerto estupendo no Cantigas do Maio - Seixal. Os srs estão de volta, para 3 concertos a terminar no Intercéltico no Porto, e o primeiro foi aqui no amigo CCB em Lisboa.
Vim de lá há umas horas atrás.
A música dos Kila convida a pulos e dança, e isso não foi possível no CCB. O concerto pareceu-me... médio, especialmente porque também "estive lá" na tal noite no Seixal. A distância ao público não facilita. Mais calminhos, os moços, talvez mais perfeitos no som.
A música dos Kila é um irlandês atípico (até por cantarem em gaélico), e mais de uma pessoa a quem fiz ouvir o Tóg é go Bog é foi incapaz de identificar a origem do som. Não se ouça, portanto, à espera do tradicional irlandês gaitafolado.
Resumindo: concerto fixe, mas num local totalmente desadequado. Esqueçam as cenas irlandesas tipo Riverdance ou Titanic... this is the real thing. :-)))
ps- os arrumadores/postura do CCB são uns palermas, na atitude durante o concerto, e mereceram as várias vaias q ouviram.
às
03:09
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quinta-feira, 25 de março de 2004
Há por aí um rapaz na scena da banda desenhada portuguesa chamada Miguel Rocha. Este moço fez coisas como o "Março", "Eduarda", "Malitska", mais recentemente "A Vida numa Colher - Beterraba", e uma pequena e deliciosa história "Borda d'Água" (nº6 da Lx Comics), entre outras coisas. Este moço, de quem tenho alguns albuns autografados e um destes dias postarei aqui, é o autor do poster do Euro 2004.
Não gosto de bola, mas curti.
(ps- não há muita informação na net sobre o autor, mas aqui ficam alguns links: link, link, link.
Mas tu descansa. Eu scano os autógrafos. :-))
às
11:27
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É muito fácil fazer crítica política em Portugal. Senão veja-se:
- ausência de reflorestação ou outras medidas depois dos incêncios do ano passado
- "fechação" :-) de delegações do IGAE quando se está sempre a dizer que não há fiscalização
- tudo aquilo que o luis delgado diz
Assim sendo, a partir de hoje a política está oficialmente excluída deste weblog.
às
11:24
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terça-feira, 23 de março de 2004
Acabo de descobrir que o Sr. Gormley afinal é mesmo conhecido. Reconheci várias das fotos no walkthrough do site dele, e inclusive uma delas está de permanente no Parque das Nações. E estas duas achei também absolutamente fascinantes: Field e Learning to Think. E quem já esteve em Inglaterra também vai reconhecer esta, Angel of the North.
às
12:17
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No sábado, quando fui à Gulbenkian, vi uma exposição temporária numa sala mesmo junto à entrada para o auditório. Acabei por descobrir (há 5 minutos atrás) que a exposição em causa é de um sr chamado Antony Gormley, dizendo o Lazer do Público: «Momento alto na programação da Fundação Calouste Gulbenkian. O escultor britânico Antony Gormley - um dos nomes mais importantes da escultura britânica da actualidade, vencedor do prémio Turner em 1994 - apresenta duas instalações: "Critical Mass" e "Domain Field".»
Esta foto que está aqui ao lado não é uma imagem digital, mas uma fotografia real da sala. A exposição é composta por uma série de figuras com forma humana (pelos vistos à imagem do autor), em diferentes posições de pé, feitas de pequenas hastes de metal. Parecem figuras feitas de fósforos. Pode passear-se pelo meio destas figuras, e estas transmitem uma sensação muito estranha, muito cinematográfica, de pessoas que se estão a desfazer, como se fossem fantasmas. É absolutamente fascinante e desconcertante, esta exposição. Estive lá 3 ou 4 minutos se tanto, mas vale a pena.
às
11:59
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Hoje acordei inclinado para a esquerda. Devo ter dormido mal.
(isto não é uma declaração política, mas uma constatação literal)
às
11:42
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Era só o que me faltava.
(ainda para mais, é mentira)
(nunca mais soube do sr/sra)
(nem vi o carro ao qual me encostei)
(não há pachorra)
às
22:27
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domingo, 21 de março de 2004
Immortel (ad vitam) - Enki Bilal
Estreia esta semana, dia 24 de Março (em França). E pelo que já pude ver, parece um filmeco de Ficção Científica. :-( bolas. Um desilusão temida... Vamos ver.
O trailer | O teaser | O site oficial
às
21:58
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Chamo a esta foto, tirada durante as minhas férias, Uma Loma Laranja. :-)
às
13:57
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Food for the SensesPor recomendação de um amigo fui ao Quarteto ver um filme chamado "A Estação" (The Station Agent, imdb e site oficial).
O filme é uma pequena, encantadora, divertida, e absolutamente deliciosa história simples, que vale muito, muito a pena ver. Aliás, vale tudo a pena. O filme foi mt premiado em Sundance, o festival americano de cinema independente, mas pelo que me parece está a passar praticamente despercebido.
Parece que já não fica muito mais tempo. Aproveita enquanto é tempo. MESMO.
Olha, e se não fores, pelo menos vê o traila.Já ontem fui à Gulbenkian ver o mais recente espectáculo do Ballet respectivo. Foram 3 bailados, e todos eles bastante interessantes. Especialmente o último, "Os monólogos do Oriente", até pelo aspecto do humor. Não vou comentar tecnicamente, pq n percebo puto :-), mas gostei bastante.
Parece que o Paulo Ribeiro, novo director artístico do B.G. (de quem vi desde coisas mt boas a coreografias totalmente anti-público), está a acertar. :-) No espectáculo anterior ele criou o "White", repetindo a colaboração ao vivo em palco com os Danças Ocultas, e foi memorável.
Espero que lhe tenha passado a fase e opções "anti-público" (e coreografias como as da Marie Chouinard que abriram a temporada), e músicas de estalidos ou roncos mecânicos (como o q abre o "Paradise Practice"), mt in, mt hip e estéticas YeahI'mAFinaCreatorFromDaBigApple,pass-the-salt-please, mas totalmente desagradáveis aos ouvidos.
(fiquei subitamente de muito mau humor, lamento, e saiu-me).
às
12:58
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sexta-feira, 19 de março de 2004
Recebi agora mesmo este email, fundo vermelho incluído:
"FINALMENTE"– JOSÉ CID
Coliseu dos Recreios Dia 23 de Abril de 2004, 22 horas José Cid, um dos impulsionadores do rock em Portugal, é sem dúvida, um dos grandes marcos da música portuguesa. Com um palmares invejável ao longo da sua brilhante carreira artística, este autor, compositor e interprete, conta com 25 discos de Prata, 8 álbuns de Ouro (2 duplos), 3 álbuns de Platina, além de inúmeros prémios de prestigio em Portugal e no estrangeiro. No Coliseu dos Recreios apresenta " FINALMENTE! ", o inevitável espectáculo! Uma noite certamente memorável, em que serão recordados temas bem conhecidos do público, com uma primeira parte num tom mais acústico, seguida dos tão famosos hits do rock português. |
Para protestar, por favor contactar a Media Capital Entertain, organizadora do evento.
às
17:55
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Agora que o tempo está a aquecer...
TeleTremoço.
(pensa nas potencialidades)
às
17:33
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O livro de onde tirei o título deste blog chama-se "Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos". Alguns meses decorridos sobre a rebaptização do mesmo, parece-me agora que "Pensamentos Imperfeitos" é um nome que faz muito mais sentido. "Vastas Emoções" é pretenSioso demais, não achas? Isto é pequenino, este mini-mundo. Se calhar vou mudar.
às
17:02
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Hoje no fórum da TSF discutiu-se o que se fez, depois dos incêndios do ano passado, para prevenir e recuperar o que se perdeu. Foi uma delícia ouvir o secretário de estado falar das comissões lançadas, das publicações em diário da república, dos projectos a arrancar, dos conselhos de ministros. E depois perceber que afinal, de concreto, não se fez puto. Népia. Nada. Reflorestação? Qual quê (afinal, "só 15% da área ardida é do Estado, q só pode agir aí..."... e mesmo assim, não foi feito)? Mais meios para bombeiros? Népia. Bonito. Detesto-o, mas só dá p comentar: «é o costume».
Ora que porra. :-(
Se fosse hoje, o pobre do D. Dinis ainda estava numa comissão qualquer a discutir a cordos sacos em que se devem empacotar as sementes do pinhal de Leiria (e se por acaso se lembrarem de ir ver num mapa a extensão do dito, vais ficar boquiabert@).
Pronto(s). Lá estou eu a politizar. Raismapartam. Às vezes um tipo revolta-se por cenitas tão insignificantes, não é?
às
16:53
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terça-feira, 16 de março de 2004
O nosso ministro da administração interna garantiu absolutamente, hoje de manhã na TSF, que "não existe qualquer ameaça terrorista para Portugal".
Como é que ele sabe?
Esta questão do terrorismo e do brutal atentado de Madrid tem sido sobejamente debatida e comentada por aí na blogosfera e tvosfera e jornalosfera, mas não consegui deixar de deixar aqui tb umas palavrinhas.
Um dos vários aspectos que acho mais de "case study" nesta história toda foi a tentativa de aproveitamento político, muito marcada, por parte do PP, e um caso em que (pelo menos em aparência) uma legislatura de 4 anos foi julgada não por esses 4 anos mas por, digamos, 2 eventos principais: a mentira/ocultação a 3 dias das eleições (o principal) e a participação na guerra do Iraque. O que aconteceu com o Prestige tb foi um prenúncio deste tipo de comportamento pouco democrático.
Mas note-se: o PP teria ganho, segundo as sondagens, se não tivesse acontecido o atentado. Logo, não foi a participação no Iraque que fez mudar o sentido de voto...
Bom, chega. Ainda me aborreço a mim mesmo. Eu, a ter conversas sérias sobre a realidade política internacional? seca. Não me chamo Rogeiro. :-)
às
11:01
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segunda-feira, 15 de março de 2004
Como é que lidas com extremos graus de chateação? O que é que fazes? imagina que estás profundamente chateado com uma situação, ou uma pessoa. O que fazes? Vais de férias? Apanhas uma tosga?
How?
ps- e agora para algo realmente deprimente: a nova página do Cine 222... volta, Zero, volta!!!
às
17:35
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sexta-feira, 12 de março de 2004
HEY!
Não te vi por aqui ontem?
Parece-me que te conheço... Mas ontem tinhas longos cabelos desatados, e hoje apareces-me aí com esse ar de branco caucasiano de nariz adunco?!
O que se passa?? Hem?
às
10:42
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quinta-feira, 11 de março de 2004
Declaração de Dirigição
Quero com isto dizer que, depois de muito tempo em que este weblog ignorou totalmente a existência de fosse quem fosse no espaço exterior (o quê, reconhecer a inexistência de uma vasta multidão de leitores que me persigam na rua a pedir para pedir t-shirts e sacos de campanha? ZAMAIS!), decidi mudar de tom.
Doravante, este weblog passará a ser escrito única e exclusivamente para ti. Não, não estou a falar de alguém em particular (mesmo!), mas de TI. Yep. Tu-zinh@, aí, que percorres assaz distraidamente a tua lista de bookmarks, à procura de entertainment.
Será isto uma cedência aos grandes conglomerados multinacionais dos media, que me forçam assim a admitir a existência de um mercado? estarei eu a vender-me à necessidade de vender, de ser reconhecido e visto, de fazer cara-a-caras (caras-a-cara? caras-a-caras?) com outros famosos blogueiros (nota o "outros", ò distraíd@)? quais quê! Só me dirigo a ti porque me dá jeito escrever assim, estou habituado, com o diário'n'all.
Acho que acabei de descobrir, depois de mais de um ano de busca incessante incansável recantável, a personalidade deste blog. Raismapartam, jota.
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12:03
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E para continuar na veia literária, e acho que é a primeira vez que faço isto, transcrevo abaixo a letra de uma canção de Maçadeiras. Gostava que pudesses ouvir, na versão das brasileiras Mawaca com a Né Ladeiras.
Este linho é mourisco
Este linho é mourisco/A fita dele namora/Quem aqui não tem amores/Tire o chapéu vá-se embora
Ai larilóai larilóai/Larilóai meu bem/Regala-te ó meu amor/Regala-te e passa bem/Ó minha mãe dos trabalhos/Para quem trabalho eu/Trabalho, mato o meu corpo/Num tenho nada de meu
Maçadeiras lá debaixo/Maçai o meu linho bem/Num olheis para o portelo/Qu'a merenda logo vem
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12:00
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"Herzog", de Saul Bellow
Há muitos que consideram o Saul Bellow (Nobel Literatura 1976) o maior escritor norte americano de todos os tempos. Já tinha lido um livro dele, que por acaso não me deixou muita marca, mas este... estou a achar absolutamente genial.
Deixo umas amostras, logo do arranque do livro (sendo longo, não espero que alguém leia, mas quero citar à mesma):
«Grief, Sir, Is a species of idleness.
He went on taking stock, lying face down on the sofa. Was he a clever man or an idiot? Well, he could not at this time claim to be clever. He might once have had the makings of a clever character, but he had chosen to be dreamy instead, and the sharpies cleaned him out. What more? He was losing his hair. He read the ads of the Thomas Scalp Specialists, with the exaggerated skepticism of a man whose craving to believe was deep, desperate. Scalp Experts! So... he was a formerly handsome man. His face revealed what a beating he had taken. But he had asked to be beaten, too, and had lent his attackers strength. That brought him to consider his character. What sort of character was it? Well, in the modern vocabulary, it was narcissistic; is was masochistic; it was anachronistic. His clinical picture was depressive - not the severest type; not a manic depressive. There were worse cripples around. If you believed, as everyone nowadays apparently did, that man was the sick animal, then was he even spectacularly sick, exceptionally blind, extraordinarily degraded? No. Was he intelligent? His intellect would have been more effective of he had had and aggressive paranoid character, eager for power. He was jelous but not exceptionally competitive, not a true paranoiac. And what about his learning? - He was obliged to admit, now, that he was not much of a professor, either. Oh, he was earnest, he had a certain large, immature sincerity, but he might never succeed in becoming systematic.
[...]
Resuming his self-examination, he admited that he had been a bad husband - twice. Daisy, his first wife, he had treated miserably. Madeleine, his second, had tried to do him in. To his son and his daughter he was a loving but bad father. To his own parents he had been an ungrateful child. To his country, and indifferent citizen. To his brothers and his sister, affectionate but remote. With his friends, an egotist. With love, lazy. With brightness, dull. With power, passive. With his own soul, evasive.
Satisfied with his own severity, positively enjoying the hardness and factual rigor of his judgement, he lay on his sofa, his arms rising behind him, his legs extended without aim.
But how charming we remain, notwithstanding.»
e outro, umas páginas depois:
«Soberly deliberating, Herzog decided it would be better not to accept Ramona's offer. She was thirty-seven or thirty-eight years of age, he shrewdly reckoned, and this meant that she was looking for an husband. This, in itself, was not wicked, or even funny. Simple and general human conditions prevailed among the most seemingly sophisticated. Ramona had not learned those erotic monkeyshines in a manual, but in adventure, in confusion, and at times probably with a sinking heart, in brutal and often alien embraces. So now she must yearn for stability. She wanted to give her heart once and for all, and level with a good man, become Herzog's wife and quit being an easy lay. She often had a sober look. Her eyes touched him deeply.»
Admito que não te digam nada, estes bocados de texto, mas a mim surpreenderam-me e achei-os brilhantes, tal como acho ao livro, apesar de o estar a ler com pouco ritmo. Não costumo citar de livros, é prova bastante o quão este está a tocar na minha sensibilidade.
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00:36
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quarta-feira, 10 de março de 2004
Pronto, vou morrer. Pronto. Está decidido. Veja-se isto:
(do Crónicas da Terra)
«Lhasa de Sela em Lisboa, Porto, Coimbra e Aveiro
A organização do jovem festival de músicas do mundo, Sons em Trânsito de Aveiro, está de parabéns. Conseguiu assegurar a presença da cantora da américa selvagem Lhasa de Sela para quatro concertos a realizar no nosso país, durante o mês de Julho. Além de Aveiro, Lisboa, Porto e Coimbra, também estão na agenda.
...
»
argghhhhhhhhhhh.............................................
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22:52
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Um Post Político
Tem-se falado muito da candidatura de direita à eleições presidenciais. Santana-das-discos, ou não-dá-Cavaco-a-ninguém. Parece-me claro, como a muitos outros certamente, que o amigo Santana é perigoso, e que seria tudo excepto o presidente de todos os portugueses. Eu até andava a pensar, sendo o presidente de direita, o Cavaco seria o mal menor.
Depois ouvi-o na rádio. E a voz do senhor desfez aquele efeito de "as pessoas têm memória curta". Senti-me voltar anos atrás, a quando era Primeiro Ministro, ao tempo das manifs contra as propinas e afins. Senti um profundo desagrado, e a esperança de nunca o ter como presidente. Aliás, nem a ele nem ao Santana Lopes.
Tem mesmo de haver presidente? Será que o Louçã se candidata? :-) (nah, tb n o vejo como Presidente).
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22:36
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sábado, 6 de março de 2004
A Ilha do Sal em Cabo Verde
Um rapaz que estava a dar apoio aos mergulhos, com quem conversei, dizia apontando p a ilha com o queixo "isso aí não é Cabo Verde". Olhava-me raramente nos olhos, mas parecia sentir curiosidade de conversar. Vários cabo-verdeanos me pareceram ter um misto de timidez com orgulho. "Digam o que quiserem os turistas, praia e sol, isso aí, isso não é Cabo Verde. Cabo Verde é muito mais.".
Falou-me da Praia e do "bairro dos escravos", do "seu" Tarrafal e do seu "quartel" (de triste memória) em Santiago, dos preços astronómicos do Sal (caipirinhas a 5€ no Restaurante Esplanada Mateus, Tshirts estampadas a 37€?!) e da necessidade de trabalhar. Da praga dos vendedores senegaleses, "os cabo verdeanos não são assim, não quer não se insiste", que perseguem insistentemente os turistas na rua, vendendo artesanato do Senegal com "Cabo Verde" escrito, e até afirmando-se Cabo Verdeanos.Na música, e esquecendo os entertainments hoteleiros, o único sítio em Santa Maria onde ouvir uma verdadeira rabecada à Travadinha :-) é o "Restaurante Esplanada Mateus", 4ª-Sab. O resto é um pouco "love boat" e discotecas e bares com sabor a Itália e reggae, mas seguro e anda-se totalmente à vontade. Recomendo o simpático Mateus!
Outros pontos de interesse, de que também me falou e visitei, foi a Buracona, a norte (perto de Espargos, a capital da ilha e que de longe se parece com... "Beirute"...), uma piscina natural com gruta; Pedra de Lume, as salinas ainda em exploração, a nordeste, onde o sal moído parece neve, e onde se flutua e nada com água pelo joelho (!!!).A paisagem da ilha é totalmente dominada por uma imagem de deserto lunar, com muito sol e vento forte. Os areais são doirados e bonitos, a água bem azul (o mergulho foi algo turvo), mesmo ao lado dos hoteis. Férias de um tipo a que de facto, sendo-se Cabo Verdeano, pode ser dificil encontrar interesse. Mas que eu adorei! :-)
Quando acabámos a conversa, ofereceu-se p me gravar CDs de música cabo-verdeana, quando lá voltar. Afinal, "cada CD virgem custa só 300 escudos". :-)Já depois de voltar, soube que a ONU vai "promover" Cabo Verde de "País subdesenvolvido" a "País em vias de desenvolvimento", como Portugal foi até há bem pouco tempo. Na teoria parece uma coisa boa, na prática significa que o país deixa de ter acesso a condiçoes especiais em termos de financiamentos e apoios... quando países ricos e com muita corrupção governamental (impossível não falar em Angola) lhes continuam a ter acesso. Enfim. (link, link)
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18:16
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Ah, e mais!!!
Eu, que sou eu e sou um snob, trocava todos os oito estádios do Euro'2004 por um Guggenheim tao estonteante como o de Bilbao (aquilo que o CCB nao foi).
Mas - como disse - isto sou eu, que sou snob lisboeta e nao vejo bem as coisas e as reais necessidades do país.
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13:25
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Argh. Agora tenho de admitir que voltei de férias. Já chega. Em 3 meses foi o éden subaquático do Mar Vermelho, a ilha Terceira de sempiternas nuvens :-), as dos nuestros ermanos Galicia-Asturias-Euskadi, e até ontem o deserto-calor-vento-calma músical da ilha do Sal em Cabo Verde.
Bolas, n posso continuar??
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13:10
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2004
esqueci-me de dizer q vim de férias.
estou a escrever daquela cidade que tem nome de banco (raios partam). comecei pela Galiza, Santiago Coruña Lugo, depois as Astúrias, Oviedo qq de Onis Picos da Europa. E hoje Cantábria, com a cidadecomnomedebanco. Amanha ainda vou a santillana del mar e ao museu das grutas de altamira, e o regresso está marcado para depois da etapa final no país basco (bilbao e san sebastian aka donostia).
um homem, um carro (quais carro?!? um POLO!!!), e uma quantidade manifestamente insuficiente de cd's para ouvir.
ps- a cidade é Santander, e é tao stressante q efectivamente tenho um bloqueio qq qd me tento lembrar do nome dela. n é a 1a vez. raios a partam. da prox vez passo ao largo. :-)
às
21:27
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2004
DECLARAÇÃO
Acabei de reparar que, nascido em Novembro de 2002, este weblog tem já 1 ano e 2 meses. Uma criança. Passaram por ele poucas aventuras e desventuras, poucas mágoas e dores dolorosas, poucos eventos de grande monta vastamente capazes de mudar a vida de seja quem for. Não houve artigos no Expresso nem citações no Público ou no DN, nem dezenas de links de outros weblogs ou milhares de page views por dia, nem fama generalizada.
Bolas, penso cá para mim.
Assim sendo, e depois de assistir aos óbitos de blogs como o Homem Fumando ou o Pegada na Areia (entre muitas outras baixas da luta sinergética entre a vida e os blogs), decidi que
vou continuar com este blog
...até pelo menos ao dia em que a própria CNN faça uma notícia sobre ele.
às
11:14
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
Encontrei num blog com textos de historiadores medievais portugueses, o seguinte texto retirado de uma carta da épica. Surpreendentemente actual (a grafia foi actualizada).
«Foi uma longa aventura. consegui entrar em casa porque a porta estava aberta. fui para a porta de casa bater, mas sem sucesso. tentei chamar o meu companheiro, mas já nao estava lá ninguém. Montei o cavalo, e pensei: posso dormir ao relento, na relva, ou ir procurar um quarto para ficar. decidi ser racional. vim para Lisboa, para a zona da Estefânia onde há umas pensões reles. Tentei 2 delas, as mais próximas da Estefânia, e nada, acabei por tentar uma "Novo Mundo", perto do Liceu que um dia talvez venha a ter o nome de Camões.
Tinham uma cama livre, a 25 centavos. Disse que sim. Cheguei, nem lhe descrevo o quarto, deitei rapidamente, pensando que com o cansaço que estava (nas estrelas liam-se 04:30) me iria ser fácil adormecer. Qual quê? a Pensão Novo Mundo é um antro de putas e má vida, e muito barulhento. Desisti. Voltei a vestir-me, pedi os meus reis de volta (que me deram depois de ir mostrar que o quarto estava em condiçoes), e saí.
À porta acabei por ser assaltado por 3 vultos negros que me atacaram com paus, e quando caí na sarjeta, começou a chover.
Acordei de manhã na hospedaria de onde tentara sair, num corredor escuro em tons de verde, com dentes colados com sticky glue.»
Autor anónimo, 1622, Lisboa.
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19:56
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Em 1999 fiz um curso em que um dos professores falou da "União Europeia". Inteligente, levou-nos lá ilustrando de que forma a Europa tem evoluído através dos tempos. Ponto de paragem obrigatório nas duas grandes guerras, e noutros conflitos mais recentes ainda.
A "teoria" dele é que o conceito de Europa Unida, partilhando uma Cultura comum, é uma ilusão. Não existe e nunca existiu. A História só o comprova. Continuando, afirmou que o primeiro grande factor de união cultural europeia, pelo menos a nível da CE, seria a moeda única, e muito concretamente as moedas da moeda única, com as suas diferentes faces.
Isto tudo porque hoje de manhã, ao pagar o café, escolhi de entre um sortido que incluía Portugal (curiosamente, representado por uma moeda de 1c), Espanha, Alemanha, França e Irlanda.
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10:11
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sábado, 14 de fevereiro de 2004
Adenda ao post abaixo (o anterior, mas que está depois):
passei a ser a favor da pena de Morte Lenta e Dolorosa por Colocação em Fosso com Sanguessugas (MLDCFS, para abreviar).
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01:14
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Num mesmo dia, véspera de sexta-feira treze, um polícia raspou-me a tinta da viatura, para depois esta (já raspada por fora) ser raspada no interior por alguém com poucos escrúpulos. Espero que te esgasges (e morras) com os cd do Thierry Robin ou do Boris Kovac, seu f.d.p. duma figa.
:-(
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01:12
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domingo, 8 de fevereiro de 2004
Aderi à Lomografia.
O que raio é isto? em primeiro lugar, é um golpe de marketing muito engenhoso. Tipo Yorn. :) Apesar disto, no entanto, a coisa até tem alguma piada.
As Lomos são pequenas máquinas fotográficas de qualidade tudo menos invejável, feitas de plástico, sem visor, e que em alguns modelos dividem o vulgar negativo de 35mm em 4 ou 9 fotos tiradas com algum desfazamento temporal. De fabrico russo, a promoção e divulgação nasceu em Viena.
Toda a promoção e venda das Lomos é efectuada na linha de ser uma máquina divertida e espontânea, barata, de culto, a usar em todo o lado sem grandes preocupações de enquadramento. O importante é fotografar.
O meu primeiro rolo foi uma experiência interessante, e acabou por revelar que por trás de toda a estilosa promoção da marca existe alguma verdade: estava a tirar fotografias, e não fazia PUTO DE IDEIA do que raio ia sair. Acredite-se. Não há visor, tirei fotos a apontar vagamente na direcção do cena que queria fotografar, com a máquina à algura da cintura (o "shoot from the hip"), e... eh pah, a coisa até é divertida, devo confessar. Como se diminuem as barreiras/exigências de qualidade ("isto tem de ficar bem, ai a exposição e o enquadramento"), tira-se mt mais e saem coisas engraçadas. O facto de ser suposto ter a câmera ou o objecto fotografado em movimento tb tem piada. Saem coisas bem engraçadas.
Comprei uma SuperSampler. Compram-se em Lisboa na Embaixada Lomográfica por 55€ (não vale a pena encomendar na Net). O site oficial é o nexus global dos lomógrafos.
Ps- quer isto dizer que apesar de a lomografia ser muito IN, estou a "curtir bué" [1]. :-)
[1] "Bué", by CiberDúvidas: «A origem é angolana e já pertence à coloquialidade de estratos alargados da população mais jovem portuguesa de zonas suburbanas. É nestas áreas que se cruzam as maiores influências étnico-culturais das comunidades africanas residentes na área de Lisboa, em particular. Bué é um calão luandense, que tem o significado do "beaucoup" francês, "muito de": bué de charros, bué de confusão, bué de preconceitos. Tudo o resto (incluindo a variante "boé") são corruptelas derivadas de uma apropriação crescente da linguagem popular portuguesa.» O raio da palavra até vem no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências, bem como na edição mais recente do Dicionário da Língua Portuguesa 2003 da Porto Editora (segundo a mesma fonte). Fosgass.
às
22:02
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Taxa de Circulação Pedestre (e ninguém protesta?!?!!?)
Um dos nossos partidos de esquerda (confesso que não sei se o Bloco de Esquerda se a CDU) tem cartazes na rua aludindo à possiblidade de, em breve, o governo começar a taxar o AR. O que toda a gente parece não reparar é na introdução, no passado mês de Janeiro, da Taxa de Circulação Pedestre, destinada a cobrir os custos associados a esta actividade. Depois de efectuado um estudo por uma das nossas mais reputadas universidades (!!), optou-se por cobrar uma Taxa Fixa (em alternativa a cobrar portagens à entrada de locais de grande circulação - como o Rossio, Rua Augusta, Sta Catarina, etc.) a todos os cidadãos pedestres, com valores diferenciados apenas conforme a utilização frequente de veículos automóveis. Desta forma, "um agregado familiar possuindo uma viatura será taxada no valor de 1,4x o valor individual por contribuinte", levando em conta o facto de o andar-se de automóvel diminui a circulação pedestre. Estes montantes serão acrescentados aos da actual retenção na fonte de IRS, para trabalhadores por conta de outrém, p.ex.
Chateia-me, chateia-me bastante, que decretos-lei como estes, produzidos na inventiva mente da nossa Ferreirinha, passem completamente despercebidos à sombra de eventos como as tricas futebolísticas verde-azuladas, e que nenhum partido da oposição comente estes disparates obtusos do nosso estimado governo!!!
Pior! Um destes dias ainda nos obrigam a andar com o "selo do seguro" preso ao peito, ou a pagar "Imposto do Calçado" consoante a área de sola do mesmo!!!!
Fosgass, vou emigrar.
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21:49
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2004
Daqui: «Working with co-workers who are all of the opposite sex increases the divorce rate by a staggering 70%, reveals the seven-year study, compared to working in an office filled with employees who are all of the same sex.»
Internet responsável por um em dez divórcios no Reino Unido:
[...]De acordo com o estudo, em causa está, sobretudo, a procura constante de pornografia on-line, num altura em que 30% de todo o tráfego na Internet tem a ver, precisamente, com pornografia.
As conclusões obtidas pela Relate vêm confirmar igualmente que a Internet destronou a televisão como pomo de discórdia entre os casais, com a culpa para o fim dos casamento a poder ser atribuída também às salas de conversação, onde muitas das amizades que se fazem acabam por redundar em relações amorosas.
Diz-se também que 50% dos homens até aos 40 anos já tiveram relações extra-conjugais, com a percentagem feminina a subir.
Há alguma coisa que se afunda, mas n sei bem o quê. Tenho a ideia, agora, que esta coisa de amar e se estar apaixonado se calhar """vale""", objectivamente, menos do que se pensa. Imagina-se que se conhecem pessoas (do sexo """oposto"""), em série. Quantas é preciso conhecer para encontrar alguém por quem se dá alguma coisa em termos de possibilidade de relacionamento?
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12:37
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