esta noite os cães ladram mais alto
sem saber porquê, o diálogo consigo próprio foi interrompido centezas de vezes pela canzoada que na rua coroava a solidão devastada que sentia. olhava para trás e sentia a ausência de significado em tudo aquilo, o irromper da luz constantemente interrompido pela surpresa de não haver chão. ou de estar lá o chão de sempre, com os ladrilhos em padrão cor de tijolo como em casa da avó, e ter medo de o pisar.
passaram 700 anos, e sozinho no quartocasaprédiobairrocidadepaísplaneta continuava a olhar pela janela para o nada lá fora, as janelas abertas ao sol e ao vento morno e à luz da lua sempre brilhante sempre cheia sempre reluzente no céu, um sol nocturno.
depois de se viver na luz, tem-se medo do escuro. com a luz sempre no céu, mãos na liberdade, pode ir-se a todo o lado, sem medo das feras e dos uivos dos vultos cinzentonegros que se entrevêem. mesmo sem saber o que vai estar do outro lado. mesmo sem saber.
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