quarta-feira, 31 de dezembro de 2003



Se dependesse de mim, os artigos decorativos em porcelana eram abolidos do planeta. Especialmente se contornados a dourado. E representando pequenos animais. Ou pessoazinhas.

Bom Ano.



terça-feira, 30 de dezembro de 2003



Não vale a pena despedir-me, a este não vou na generalidade recordar com saudade. A preocupação aqui é SAIR (depressa).

Nem de propósito, numa rádio online que estou a ouvir começou a tocar uma música cubana sobre o "año nuevo/nuevo año". "la vida és uma roleta, ai que seguir jugando"



quinta-feira, 25 de dezembro de 2003



Tem sido acesa a polémica bloguística acerca da minha posição sobre o aborto, e a sua ou não descriminalização/despenalização (cheguei a receber respostas do Avis e do Arbrupto!). Admito que a minha opinião possa ser invulgar, mas não ouvi até agora qualquer crítica que indique que:

a) a questão não fique resolvida;
b) não agrade a gregos e troianos e da direita portas à esquerda BE (apesar dos sobrolhos levantados, de todos eles, por não terem posse da ideia);
c) elimine totalmente os problemas e questões morais;
d) não implique quaisquer custos (e podendo até permitir alguma redução dos mesmos, havendo boa gestão do pessoa hospitalar e de apoio à família).

O tema para mim encontra-se (definitivamente) encerrado.





Caros amigos,

a vosso pedido expresso, há alguns meses atrás contactei a Defenestrerius Editora, de Lisboa, no sentido de publicar o que me foi pedido (leia-se tanto me chagaram para fazer). Procurem nas boas livrarias (e na FNAC em breve):

Curta Antologia Biográfica
os meus melhores sms: 1999-2003
Editora Defenestrerius, Lisboa
6,75€, 140 páginas (extractos de telemóvel não incluídos)
(3000 exemplares, claro)



terça-feira, 23 de dezembro de 2003



Como é que se sabe que se é feliz? levantamo-nos de manhã, com um solinho quente no rosto, e pensamos "sou feliz, VIVA a minha vida!"? Pensamos nisso, sequer? Sou feliz? Tu? (quem?)

O dicionário não ajuda muito (talvez seja uma palavra do tipo "amor").

felicidade
substantivo feminino
1. estado de quem é feliz; contentamento; bem-estar;
2. acontecimento feliz; bom êxito;
3. boa fortuna; sorte; ventura;

Se calhar a dúvida coloca-se-me por felicidade ser um substantivo feminino. Resta-me portanto a incompreensão eterna. (oh!)

ps (escrito dias depois): comecei a ler o "Disgrace" do Coatzee, e logo nas primeiras páginas li uma referência ao texto que cito de seguida, como termina "O Rei Épico" do Sófocles (lamentavelmente, apenas encontrei o texto na tradução inglesa):

Chorus

Residents of our native Thebes, behold, this is Oedipus, who knew the renowned riddle, and was a most mighty man. What citizen did not gaze on his fortune with envy? See into what a stormy sea of troubles he has come! Therefore, while our eyes wait to see the final destined day, we must call no mortal happy until he has crossed life's border free from pain.


(este gajo, o "Chorus" ;-) devia ser português, p ter esta onda depressiva)





Pergunta matinal de amiga: "Bom dia! Preparado para mais um tenebroso Natal?"

Uma pessoa deprime-se no Natal.
Deprime-se no aniversário.
Deprime-se na passagem de ano (ok, não, a tosga evita a depressão, vá)
Deprime-se quando lê o Luis Delgado.
Deprime-se quando vê ou lê o Durão ou a Leite.
Deprime-se quando o trabalho não corre bem,
quando nos desiludem,
quando chove e os dias são cinzentos,
quando falta o euro,
quando os amores desamoram,
quando as coisas correm mal, a resumir.

Aliás, acho que é quase impossível estar-se de bom humor.


Mas eu estou. :-D





O teu silêncio é de aço.





Ontem à noite estive em casa de um amigo. A conversar, a ver um DVD, e a beber um whisky c gelo. A fingir que somos adultos, "os nossos pais".

Junte-se isto ao ir almoçar ou jantar fora e pedir bacalhau c grão (c gosto!), são sinais.



quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

quarta-feira, 17 de dezembro de 2003



Há poucos gajos que me irritem tanto como O Palerma do Luis Delgado. Neste caso o Digníssimo Sr. fala sobre o Saddam (q todos admitem ser um carniceiro assassino), em termos apropriados, parece-me, à sua própria falta de classe.

Este gajo, francamente, desde os tempos do diário digital que me irrita. Que tenha chegado a Administrador da Lusa, com o seu discurso primário, e já ("duh!") com este governo, é para mim um mistério.



domingo, 14 de dezembro de 2003



Estou honestamente surpreendido com a captura do Saddam. Mesmo n concordando c esta guerra palerma e com a forma como foi/está a ser feita, já n esperava que apanhassem o rapaz, condenado a desaparecer em terra de moirama numa noite de nevoeiro (de pó de bombardeamentos aéreos). Até quenfim!





Have you ever had the feeling
that the world's gone and left you behind?



quarta-feira, 10 de dezembro de 2003



Cartão Zero em Comportamento 2003Goodbye Zero (or até breve)
2 ciclos que vieram do frio e trouxeram calor, muitas curtas, em tempos recentes filmes como O Ódio, Fallen Angels, O Estrangeiro Louco, Em Carne Viva, Otesánek, Lilya 4-Ever, Bunker Palace Hotel e Tykho Moon do Bilal, Pi e Requiem for a Dream (inacreditável como este não estreou "comercialmente"), Cidade de Deus, Fucking Ämal, Waking Life... e não saía daqui se enumerasse todos os de que me lembro.

Foram muitos filmes desde a Geniuzastare até à Zero até ontem, no Cine-Pulga da praia da vitória. É triste e absolutamente lamentável que um projecto cultural destes termine assim, com falta de apoios. Deixa saudades, e deixo parabéns aos Zeros pelo trabalho q fizeram.

Hukkle.

ps- antes Zero em Comportamento, que Zero à Esquerda.



terça-feira, 9 de dezembro de 2003



Sem pensar
Na semana passada uma velhinha na rua pediu-me um braço para descer um degrau. Emprestei-lho, escoteiro. Depois de descer, agradeceu-me profusamente, e terminou com "... e Deus o abençoe", ao q respondi na negação dos agradecimentos: "ah, não, deixe estar".





raispartam manhãs cinzentachuvosas como a de hoje. bolas, n há pachorra, francamente.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2003



Mais um evento de LU-XO! Sons em Trânsito II. Vi 4 concertos:

Kimmo Pohjonen- Kimmo Pohjonen. Finlandês com saia grossa de metalúrgico ou ferrador, um acordeão e samplers - a cargo de um coleguinha em palco. Música para encher os ouvidos, e ouvir com a banda sonora das entranhas da terra a explodir, um céu cheio de negro, chuva trovões e relampagos. E um sistema surround surpreendente também (ouvíamos os dinossauros a atacar por detrás).
Muito, muito bom.

-Susheela Raman. Se tivesse de resumir numa palavra, essa seria: zzzzzzzzzz. Nao gostei, achei poprock na música e na pose. Gostei do percussionista. :-) De resto, a anglo-indiana deu-me sono.

- Klezmatics. Segunda vez que vejo os klezmer nova iorquinos ao vivo. Um bom concerto, cativante e com com muita energia. Foi o único em que o público se levantou para dançar. Cumpriram, e valeu a pena.

e finalmente:

- Mari Boine. Tenho vários CDs da moça, e aguardava o concerto com alguma espectaviva. Não me desiludiu. O Pohjonen foi bom, mas a Mari Boine cilindrou. O corpo parecia q tomava conta de mim, pena a sala n se prestar a levantamentos súbitos :-(. Memorável, na voz dela e no acompanhamento sonoro.

Um conhecido que esteve comigo nos concertos tirou algumas fotos excelentes aos concertos.

... agora só me falta a Lhasa, e morria praticamente feliz. :-)



domingo, 23 de novembro de 2003



Back! 6 dias com 14 mergulhos, 2 deles nocturnos. Coral a perder de vista, visibilidades enormes, muita cor. A lista de bichos que vi é extensa demais para reproduzir, e algumas das paisagens eram de cortar a respiraçao - o que, debaixo de água, nem sempre será positivo :-). Muito mergulho, um grupo mt porreiro, muito cansaço, calorzinho de dia e um céu imenso durante a noite.
O mundo abaixo da superfície tem uma calma e beleza fantásticos.



quinta-feira, 13 de novembro de 2003



Egipto, Mar Vermelho. 7 dias, 14 mergulhos. Imensamente mais interessante que ficar por cá a ver o Inverno resolver-se. Já volto, não se mexam (nem respirem, que me gastam o ar!).



segunda-feira, 10 de novembro de 2003



A propósito do filme "Hombres Felices", que vai passar num ciclo de cinema espanhol da Zero em Comportamento, diz assim a descrição:

«Uma história sobre casais que se despedaçam e sobre aqueles que se contentam em recolher os pedaços. Pois, como se sabe, há dois tipos de casais: os que se separam e os que acabam mal.»



domingo, 2 de novembro de 2003



in Público, 2 de Novembro 2003, Entrevista com António Damásio:

P.: E o que é a emoção?

R.: É uma reacção automática que é colocada como dispositivo nos seres vivos, humanos ou não humanos, e que permite responder a certos objectos e a certas situações de uma forma não deliberada, de uma forma que vai levar ou à defesa perante uma ameaça ou à utilização de uma oportunidade. Esta é a definição mais estreita que posso dar de emoção.



sexta-feira, 31 de outubro de 2003



Latim traiçoeiro

charme: do latim carmèn, «fórmula mágica»

paixão: do latim passióne-, «sofrimento»

in Infopedia.



terça-feira, 28 de outubro de 2003



Pois. Papas na língua.
Eu sei que é piada fácil. Mas não consegui resistir a fazer a montagem. :-)



segunda-feira, 27 de outubro de 2003



Às vezes a vida parece-se uma fisga, daquelas antigas. Com 2 ramos. Outras, uma forquilha (se isto tiver origem no inglês, tb se podia chamar de garfilha, suponho). Se tiver só 1 ramo, é uma faca. Lixamo-nos seja como for.

h.d. - não. isto não era um post muito pessoal sobre algo que esteja a suceder na minha vida pessoal

p.s. ao h.d. - h.d. = "horas depois".



domingo, 26 de outubro de 2003



Não sei explicar porquê, mas dizer "tenho saudades tuas" não parece ser o mesmo que dizer "tenho saudade."





Pedro e Inês  Fibda 2003  DogvilleVasta Semana

Sexta: "Dogville" (10 em 10!, um filme estupendo do LVT), palheta no Procópio ("bar de kotas")

Sábado: "Cinanima 1" (animações no King) + "Pedro e Inês" (CNB, Olga Roriz, Teatro Camões, a cena do sonho de Pedro e Inês dançada na água é BELÍSSIMA) + FIBDA 2003@Amadora ("Endless Nights" do N.Gaiman, "Wolves in the Walls" N.Gaiman + Dave McKean, "A vida numa colher - Beterraba" Miguel Rocha, JCF's, etc.) + Jantar em casa de amigos

Domingo: "Animações Portuguesas" (o tuga "As Coisas lá de casa" é francamente genial) + "Cinanima 3" (animações no King)

Segunda: "Cinanima 2", "Aardman 3" e "Aardman 4" (anim... bla bla)

Terça: palheta no HotClub (cadê o guitarrista de solos infindáveis e que entalava o cigarrinho nas cortas?! ohhh -- o que o tempo muda)

Quarta: Jantar em casa de (outros) amigos

Quinta: "George Washington" (de David Gordon Green, Cine Pulga... ups, Cine 222 - algo seca)

Sexta: "Wade in the Water" (dança, companhia instável, CCB, coreografia Javier de Frutos)

Sábado: revisita a FIBDA 2003 ("32 Dezembro" Bilal, "A vida é um delírio" M. Prado, etc.), "Dogville Confessions"

Domingo: World Press Photo no CCB (fraco), "Kill Bill" (o Tarantino é bom, mas eu sou impressionável... e prefiro filmes em que consiga ter os olhos abertos :-()


"E então, o que tens feito?" "Eu? Tudo."



terça-feira, 21 de outubro de 2003



Dígitos Minúsculos Os números também têm minúsculas. A imagem ao lado ilustra. Se bem me lembro, devemos 'a automação e computadores (oh malvados!) a perda destes caracteres, que pessoalmente acho muito elegantes.



segunda-feira, 20 de outubro de 2003



Uma opinião sobre um CD, encontrada na Amazon:
Review@Amazon

Aceito apostas.





Desafios

Desde há muito que sou de propôr pequenos desafios e brincadeiras a amig@s. A primeira "estória a meias" (e também a mais longa, e inacabada) escrevi-a devia ter uns 16 anos. Depois disso, e a começar na faculdade, foram mais 4 ou 5 ou 6, com temas e envolvimentos muito diferentes. Apenas uma, de 2 capítulos, teve um fim. É difícil, manter a coerência, quando não se pode mexer no que se escreveu para trás.

Há quase 10 anos, a uma pessoa por quem estive interessado, enviei um pequeno excerto do meu diário que falava dela. Ia em ficheiro, protegido com password. Respondia-lhe a uma pergunta-pista por cada carta que trocássemos. Não conseguiu descobrir, e entretanto a diskette corrompeu-se. Indestinos (clandestinos?).

Mais recentemente, outra ideia era escrever textos desventrados. Uma pessoa escreve uma página de texto. A segunda edita-o por dentro, acrescenta palavras e pontuação onde quiser. As palavras e pontuação originais tem de estar todas presentes no texto modificado, no entanto. Escrever por dentro de outro texto.
Ainda não consegui levar esta avante.

Outro "desafio" muito em voga é escrever um weblog a várias maos. Este weblog também começou assim, com mais 4 mãos que entretanto mudaram de teclados.

Hoje, e isto anda a circular em weblogs tugas nos últimos tempos, existe a ideia de se pegar em 10 palavras escolhidas por um dos "desafiantes" e escrever um pequeno texto (1/2 página no máximo).
Quem o escreve deixa 10 palavras para o desafiante original continuar, e assim em diante.

Curto estas cenas. Mais ideias?





é a minha vez de escrever uma máxima. todos as escrevem, de vez em quando, afinal.

"a paixão não segue checklists." (profundo)



quinta-feira, 16 de outubro de 2003



Fui a uma reprografia hoje de manhã, tirar fotocópias.
As duas meninas que estavam a atender eram gémeas.
Fotocopiado
Fiquei confundido.

(Talvez seja um negócio familiar)



quarta-feira, 15 de outubro de 2003



“Queria 4 bolas mal cozidas, por favor.”

Hoje fui à padaria da esquina, e em brincadeira pedi não uma bola “mal cozida”, mas uma bola específica. Apontei, sorrindo: “quero esta, pode ser?” Fizeram-me a vontade. Depois perguntei: “e quando vos pedem mal cozidas, escolhem mesmo ou é conforme calha?...” “mmmmm.... depende do cliente... mas geralmente é o que está à vista...:-)

Já desconfiava.





Não sei se não devia andar armado, para evitar ser assaltado pelos meus próprios pensamentos.

Isto faz-me lembrar o Jeremias do Jorge Palma.

Para Jeremias nada se assemelha à magia da dinamite
A não ser talvez o rugir apaixonado das mais profundas entranhas da terra
E só quando as fachadas dos edifícios públicos explodirem numa gargalhada
Será realmente pública a lei que as leis encerram
[...]
Jeremias gosta do guarda roupa negro e dos mitos do fora-da-lei
Gosta do calor da aguardente e de seguir remando contra a maré
Gosta da forma como os homens respeitáveis se engasgam quando falam dele
E da forma como as mulheres murmuram: fora-da-lei



terça-feira, 14 de outubro de 2003



(jurei comigo mesmo que nunca postaria algo como isto, mas não resisti)

Compilação para Alguns Megabaits

Bobo in White Wooden Horses - How Insensitive
Da Weasel - Agora e Para Sempre (A Paixão)
Archive - Nothing Else
Aimee Mann - One
Adriana Calcanhoto - Devolva-me
Clint Mansel - Requiem for a Dream (tema principal da banda sonora)
Yann Tiersen - La Valse D'Amelie
Radio Macau - O Anzol
The Cure - Charlotte Sometimes
Alphaville - Forever Young
PJ Harvey & Pascal Comelade - Love Too Soon
Radiohead - Exit Music for a Filme (versão de Brad Mehldau)
Trovante - Balada das Sete Saias
Duran Duran - Save a Prayer
Tori Amos - Cornflake Girl
Lhasa - El Desierto
U2 - Party Girl
Afel Bocoum & Damon Albarn - Spoons
Sérgio Godinho + Da Weasel + Gabriel o Pensador - Isto anda tudo Ligado
Zoe - Don Pizzica
Angelique Kidjo - Summertime
Lo'Jo - Si Jamais Si
Depeche Mode - In your room (Portishead Remix)
Dave Brubeck - Take Five
Rammstein - Mein Herz Brennt
INXS - Mistify
Jorge Palma - A Gente Vai Continuar
Quinteto Maria João - Cem Caminhos
Koop - In a Heartbeat
Portished Roseland NYC - Glory box + Sour Times + Roads

Anatomia de uma compilação para alguns megabites

No "High Fidelity", um personagem do Nick Hornby diz que um dos tiques frequentes dos homens (que tenham inclinações musicais) quando conhecem ou querem impressionar conhecimentos [femininos] recentes, é gravarem k7s de compilação. Acho que os CDs compilação nunca pegaram (dá muito trabalho), mas os MP3 trouxeram-nos de novo ao tempo das fitas.

Há uns anos atrás fiz uma das minhas melhores compilações, que alternava temas "electrónicos" com temas "world music". Resultou muito bem. Depois de alguns insucessos pelo caminho, incluíndo dois CDs "My Favourite Things" que se revelaram flops totais em termos auto-comerciais, a compilação acima revela-se o Maior Auto-Sucesso Deste Outono (MASDO).

Esta não consigo explicar. As músicas ficam bem umas atrás das outras.



segunda-feira, 13 de outubro de 2003



Fiquei tao impressionado que não pude deixar de postar aqui.

Rotating Snake (tb funciona impresso a cores, o que é mais desconcertante ainda). Neste é preciso olhar para o centro e aproximar e afastar a cabeça. Este parece ter um corte no centro.

Estão aqui outras ilusões, apesar de menos impressionantes. É uma pena não saber japonês (apesar de o Babelfish poder dar uma ajuda).





Há dias assim. Começa-se por aqui ou por aqui, e vai-se clicando conforme apetece.

O primeiro teste é o do Futebol. Uma rápida leitura na vertical (a única possível na web, apesar de se escrever na horizontal). Se vejo um nome de um dos 3 clubes ou nomes de jogadores, back back back.

O segundo é o teste do Comentário da Actualidade. Política, Pedofilia, Ministros de Medicina, Papas, Bushes e Iraques, etc. Back Back. Sem paciência para comentários e críticas profundas e mordazes por muito inteligentes que sejam. A minha felicidade primeiro, e estes textos não me alimentam o espírito (quanto muito, a revolta).

Os outros testes sao menos estruturados. Há o da Idade (dramas da adolescência, templates em cor de rosa, etc.), o da Intimidade (os meus dramas interiores, e outros posts que só fazem sentido para quem os escreve -- como aliás também faço aqui), os das Letras de Músicas ou Poemas (geralmente tão pessoais como os anteriores).

Com isto já foram grande parte deles pró galheiro. Nos que restam, incluídos darwinisticamente por particularidades que não sei/consigo generalizar, encontro pérolas, frases inteligentes, fotografias ou ilustrações grande beleza, humor. Alguns ficam por metablogarem com critérios semelhantes aos meus.

A verdade é que o dia não chegaria, mesmo que estivesse disposto a passá-lo aqui - que não estou (mesmo que assim pareça) - para visitar e ler tanta coisa. E o resto da vida, hem? Todos somos pessoalogs, afinal.



domingo, 12 de outubro de 2003



«Se escreve habitualmente um diário deve saber e tornar a saber que normalmente só se escreve em dias maus. Nos dias bons está-se muito ocupado. Por isso pode encontrar coisas escritas com muita raiva e indignação, mas que sao escritas no pressuposto de que nao faz mal escrevê-las, pq ninguém as vai ler, servem de desabafo sem consequências e o seu autor, muitas vezes, nem sequer acredita completamente nelas. Mas a verdade é que se sao lidas pelo outro de quem se fala, aí magoam mesmo, e é uma dor estúpida e desnecessária. Sabe, o que os olhos não vêem o coração não sente. Por isso talvez seja melhor não ver!»

in Notícias Magazine #594.





I'm Listening to Sad Songs@Exploding Dog





Deixo um pouco do texto, tirado do The Atlantic:

«What causes productivity to "turn off" after marriage? The study hypothesizes that chemicals are ultimately to blame - in particular testosterone, which falls after marriage (and rises again in the case of divorce). [...] the few women studied to not exhibit a similar hormonally-driven achievement curve; they tend to achieve steadily throughout their lives.»

Fonte original: Why productivity fades with age: The crime–genius connection.



sexta-feira, 10 de outubro de 2003



Tirei deste site uma explicaçao sobre a Caixa de Pandora, pq queria deixar uma pergunta.

«According to Edith Hamilton in Mythology the source of all misfortune was Pandora's curiosity. "The gods presented her with a box into which each had put something harmful, and forbade her ever to open it. Then they sent her to Epimetheus, who took her gladly although Prometheus had warned him never to accept anything from Zeus. He took her, and afterward when that dangerous thing, a woman, was his, he understood how good his brother's advice had been. For Pandora, like all women, was possessed of a lively curiosity. She had to know what was in the box. One day she lifted the lid­and out flew plagues innumerable, sorrow and mischief for mankind. In terror Pandora clapped the lid down, but too late. One good thing, however, was there­ Hope. It was the only good the casket had held among the many evils, and it remains to this day mankind's sole comfort in misfortune.»

A questão que se põe é uma apenas.

A esperança é um bem? ou a pior de todas as maldições?





Rodin - PensadorO último ano, valeu a pena? Recapitulando, olhando para trás, valeu? Pensando em tudo, nas coisas boas e nas coisas más, foi aquilo que queria? Foi aquilo que tu querias?

Senta-te e pensa. Sento-me e penso.



quinta-feira, 9 de outubro de 2003



QuaresmaFui ver o Quaresma. Há muito tempo que nao via um filme português, e espero não voltar a deixar passar tanto tempo. As críticas que li elogiavam bastante a actriz principal, Beatriz Batarda, e deu para perceber porquê.

No papel de um (ou uma :-)) personagem claramente invulgar, Ana, que parece viver - intensamente - numa fronteira do mundo "Normal", esta pessoa algo instável consegue ser imensamente atraente. Se calhar por sentir que vive a vida como que à beira de um abismo.

Numa das cenas da apresentação há uma janela que é aberta para deixar entrar o vento em corrente de ar, com Ana a deixar-se envolver por esse frio, boca aberta e olhos bem abertos. Pareceu-me forçada, aí, mas quando vi junto com o resto do filme, fez todo o sentido. Uma cena belíssima.

Lembrou-me a personagem Remédios (?) do "100 Anos de Solidão", e as mulheres do Saramago, em situações como a da noite de Ana e David sozinhos na casa, permitida pelo marido dela.

Deixo a que para mim foi a frase do filme, dita da Ana para o David: "Quem me ama tem de me adivinhar. Não pode ficar à espera de ordens."

PS: este artigo descreve o que eu gostaria de dizer sobre o filme, melhor do que o posso fazer, até porque é em parte nas palavras da actriz. Deixo uns bocados:

as suas gargalhadas, um riso infantil, meio louco

passa o almoço sem comer: vai tirando as pétalas a um malmequer

mostra-lhe lugares secretos, como as crianças que revelam esconderijos em casas assombradas

Tudo na Ana é sensorial. A única coisa que ela não sente são as temperaturas. Não sente o frio

A Ana tem uma fome pela vida... é insaciável

o lado de "enfant sauvage"

Gostaria de ser capaz de explicar de forma racional o que aconteceu. Mas foi um processo instintivo.

foi bom viver aquela alienação e dizer não a responsabilidades, ao quotidiano, dizer não às mediocridades, dizer não a que as relações têm que correr bem. A Ana ignora as regras do estar em sociedade, não é sequer uma rebelde.

QuaresmaProcurei uma coisa mais despojada que é pura e simplesmente o ela não ter consciência dessas regras - pelo menos ela não absorve essa informação. Mesmo que alguém lhe diga "Quando uma pessoa morre veste-se de preto", ela está-se nas tintas. O encarnado é a cor dela, é o que lhe apetece. Não é uma reacção, é uma alienação. E é disso que tenho inveja na Ana: ela dá-se a autorização para viver de forma alienada. Adoraria ter essa liberdade. Não sou capaz.

é a única que está em contacto com aquilo que realmente interessa

Apaixonei-me muito pela Ana.

Podia ter corrido mal, aquelas experiências de levar aquilo muito a sério.

Muitas pessoas que me são próximas gostaram, mas disseram: "Menina, atenção!" Porque é perigoso. É óbvio que é uma personagem, mas saiu-me mesmo cá de dentro. As emoções são minhas, as lágrimas são minhas, o riso é meu. O Zé Álvaro dirigiu-me, mas eu é que senti.

No fundo ela está a dizer-lhe: "Ama-me, por amor de Deus. O que é que interessa a mulherzinha e a criancinha?" Ela tem esse lado fechado nela própria, egocêntrico, como se nada mais existisse no mundo.


e

Mas o amor é para ser levado até ao extremo, não é? Se não, não vale a pena: é uma companhia para ir ao cinema. Para isso prefiro ir sozinha. Eu adoro amar.

Fosgassssss...
(isto é a actriz ou a personagem?)



terça-feira, 7 de outubro de 2003



Finca-te@TeatroesferaTem estado a decorrer na Teatroesfera, em Queluz, o Finca-te (1º Festival Internacional de Café-Teatro). Fui a 4 espectáculos (Lolamento, Arrepientimentos de Padrón, Bernárd Massuir e Yllana), todos eles bastante divertidos, mas um deles devo destacar: o espectáculo "ITIZZZ... SOME SING" de Bernárd Massuir.

Bernárd MassuirA caracterizaçao rápida é "Humor Musical", mas o espectáculo/concerto/performance deste belga é qualquer coisa de absoluta e indubitavelmete genial. Mágico, bonito - de levar às lágrimas, absolutamente hilariante - também de levar às lágrimas, este homem dá um espectáculo que sei nunca ir esquecer.

Desde a morna cabo-verdiana tocada no "acordeão de pé" (que me deixou totalmentetotalmentetotalmente arrepiado), à música que tocou para um gravador vulgar com uma espécie de clarinete de brincar e depois reproduziu tocando a segunda "voz", todo este espectáculo foi uma absoluta delícia para os sentidos.

Deleite e prazer puros (para tão, tão poucos felizardos).



segunda-feira, 6 de outubro de 2003



Crónicas Americanas (p.101)Dedicado.

«Se ainda aqui estivesses
Pegava em ti
Abanava-te pelos joelhos
Soprava-te ar quente nos ouvidos

Tu, que escrevias como uma pantera
Que mal entrou nas tuas veias
Que sangue verde
Te afogou nessa inapelável condenação

Se ainda aqui estivesses
Arrancava-te o teu medo
Deixava-to dependurado
Em longas serpentinas
Retalhos de pavor

Virava o teu rosto
Para o vento
Encostava as tuas costas contra os meus joelhos
Beijava e trincava a tua nuca
Até que abrisses a tua boca para esta vida»


Sam Shepard, "Crónicas Americanas"





Relvar
verbo

O acto de se ir deitar na relva, num dia de Verão ou fim de Verão, debaixo de um sol já não muito quente, a ler, a escrever, a ver passar as núvens ou as pessoas.

Ver também: Praiar.



sexta-feira, 3 de outubro de 2003



Desde há uns anos para trás que comecei a utilizar a palavra sincronicidade.

Encontrares perto do teu local de trabalho uma pessoa que conheces e que mora perto, é uma coincidência.

Encontrares na rua uma pessoa em quem ias a pensar...

ou telefonarem-te a perguntar "lembras-te de um site que uma vez me deste..." / ".oO(vai perguntar-me pelo Exploding Dog)" / "... que tem uns desenhos feitos com base em frases...", "O Exploding Dog? AHAHAHAH",

ou criares um weblog para uma pessoa e para nome do mesmo - inventado na hora - escolheres uma frase que traduzida faz parte de uma música favorita da pessoa a quem se destina o weblog... (e que nunca ouviste na vida)...

são claramente sincronicidades.

Não, não sao meros acasos, é o universo a rir-se de nós.



terça-feira, 30 de setembro de 2003



é mais forte do que eu.

a trilogia está pronta.

Actualização:

Os direitos de exibição para Portugal já foram adquiridos! Parece que o filme estreará em França lá para Março de 2004. Estou consciente de que será uma grande desilusão, não vejo como possivel o Bilal conseguir ter a mesma genialidade no desenho e na película (especialmente tratando-se dos livros de que se tratam), mas enfim, estou curioso.



sexta-feira, 26 de setembro de 2003



há aí um gajo que já morreu que antes do dito evento se chamava charles bukowsky ou mais ou menos isto. escreveu vários livros, o mais conhecido dos quais se chama talvez "mulheres". anda aí por todo o lado. há pouco tempo li um outro em que basicamente o sr, ex-boémio, com os seus 700 e tal anos, descreve os seus aborrecidos dias. que basicamente consistiam em estar casado, ter 7 gatos, ir 'as corridas de cavalos todos os dias, evitar entrevistas, e viver dos rendimentos. e, claro, ao fim do dia, escrever a sua crónica no seu tao elogiado mac. um gajo estranho. lembra o feios porcos e maus e sujos e imundos e sexuais que o felini nao realizou.

e pior, sabem o que é? é que nesse livro 'a partida aborrecido... o raio do homem consegue ser bom escritor. raios o partam. é mt lixado.





STOP. Se fores uma pessoa de um dos nossos estimados clientes, da minha empresa, STOP. Isto aqui nao sou eu! isto é o meu alter ego!!!!!!!

a modos que portanto isto nao deve ser lido. é (digamos) uma forma de manter a sanidade :) perante a enorme carga de trabalho e competencia que é preciso ter durante o resto-da-semana.

um vez houve um moço (um bom moço, mas que deixou a empresa em causa falir) que teve a triste ideia de me querer contratar, em parte porque tinha visto a minha página pessoal. palerma. vá-se lá perceber. se ele soubesse que contratei uma empresa de copy e outra de design para me fazerem um site pessoal, tipo como fazem os grandes estúdios de óliwud para gerar word-of-mouth (palavra da boca) e levar as pessoas a ver os seus filmes malditos que difundem os seus horrendos e maléficos ideias kapitalisticos. o maaaaaal, o maaaaaaaal!!!

mmmmmm. é a mais pura das realidades. ontem fui ver um filme chamado Goodbye Lenin (nao me recordo do títalo em tuguês ai o emilio salgari). a música (oh q redutor para o realizador, de quem nao sei nem vagamente o nome) é do yann tiersen conhecido pela bda sonora do Amelie, um filme que nos fez a todos sentir melhor, certo? verdade. de resto, o genérico de início é fixe, e o filme é bem vível, isto é, vê-se bem, com diversao e com uma enfermeira que tem uma face linda de bradar aos céus. vão ver, todos!!! vao!!! vale a pena!!! seus aculturados.

(isto de insultar os leitores é outra técnica excelente para weblogs, livros, programas de rádios, tv, e afins. muito fashionable).

Num sei se alguma vez vos falei de um livro do Rubem Fonseca. Falei? Bom, ele tem este livro, topam? QUe se chama "Vastas Emoçoes e Pensamentos Imperfeitos". Independentemente do livro em si, que é bom e recomendável e de que devotergostadobastanteporquegostodoRubem,

há vários meses que me sinto a viver este título.

Nao é curioso?





agora que já esgotei os meus temas de cumbersa para o dia, já n sei bem o que escrever. podia falar de guarda-chuvas de chocolate. que tal? lembras-te, TU? eu cá alembro-me com a memória ca senilidade há-de comer (sem lavar as maos). ora pois bem. mais coisas.

devo ter-me esquecido de dizer, mas faço anos amanha, e fazer anos é uma cena bué de deprimente, topas, meu? ya, na im-pura. pois. daí esta treta de disposiçao palerma.

sabiam que a costa rica n tem exército?

a verdade é que eu sabia. é algo que abre portas ao pensamento.... na realidade. (se for preciso de apontar a indirecta, avisem).

mmmmmm.

um weblog com... com um bloco de escritores. espera. aquilo quando um weblog nao consegue escribir mais porque está comprimido? assim tipo ficar em branco:










ontem fui ao CCB ver os gajos do gato fedorento (merda de nome, diga-se) fazer sténdup cómedi. o site tem muita piada, de modos que fui com alguma expectativa ver os rapazes a fazer. e eu, q nem sou gajo que descurta humor negro, n curti muito piadas de pedófilos ou de "gays" (merda de termo, diga-se). mas teve momentos mt fixes, de rir até quase 'as lágrimas. foi é muito irregular.

dizem-me, os que tem televisao, queles têm um programa na sic radical, mas como nao sei sequer o que possa ser a sic radical (ver uma crónica parva uns pixels abaixo), sou ignorante sobre o assunto. é um canal c um logotipo verde?

acho que se nota que falo um bocadinho de vez em quando na net c outras pessoas. ou q mando alguns sms. topa-se, né? pelas abreviaturas, pois. cum raio. c r. ou o r q pta.

bom.

mas o que eu queria mesmo dizer era que quando era puto costumava ter pesadelos com elevadores. é verdade. juro. e nao era apenas c quedas, naaaaaaaaaaao!!! isto seria simples demais. o elevador cair era muito básico. bastava... PULAR quando ele se arrebentasse no piso térreo. claro que o p=mv nao tinha qualquer existencia física nos meus pesadelos. agora... o pior, o que era mesmo mesmo mau, era quando o elevador ia a subir e nao paráva mais. e quando subia acima do prédio e o elevador deixava de ter armaçao no seu mergulho pelas alturas, era o pânico total.

hoje nao me lembro do que sonho. por um lado dá-me pena, porque devo ter sonhos muito fixes... por outro, bolas, só tenho de agradecer, porque podia viver uma

vida
de
medo!!!!





Exmos Srs,

lamentamos informar que a partir deste dia, além de estarem banidos neste weblog os acentos circunflexos e tils, graças a insuficiencias tecladais, este mesmo weblog passa a ser única e exclusivamente pessoal.

Anunciamos ainda que os acentos graves nao poderao igualmente estar presentes, devido a problemas da mesma natureza dos anteriormente mencionados.

Já referi que o weblog passa a ser pessoal? poizé. Triste realidade, mas enfim, suponho que aconteça a todos (os weblogs) depois de algum tempo. deve fazer parte do seu processo de crescimento.

aquilo q eu n percebo n é porque é que as pessoas dizem SALCHICHA, mas porq é que as garrafas de bushmills n têm aqueles doseadores tontos no topo que nos impedem de o beber como se fosse sumo de laranja ou, sei lá, manga laranja. quem se lembrou da mistura deve ser uma pessoa feliz.

é como o gajo que inventou aqueles colares para levar chaves ao pescoço, que agora estao tao na moda. deve ser um gajo muito feliz, c belos fios a dizer mcdonalds ou c nomes de marcas de automóveis, ou c marcas que transmitem imediatamente a ideia de que EU, que uso esse colar pateta c a chave do meu fiat uno ao pescoço, sou um gajo cool. espero que, ao menos, nao esteja rico. seria imorálico.





Não tenho televisao desde que tive possibilidade de optar.

Torna-se um pouco frustrante, por vezes, perceber que há referências culturais que deixo de partilhar com os meus pares. É verdade que a maioria dessas referências são a publicidade e anúncios :-), geralmente divertidos, que se lembram de comentar comigo antes de deixarem frases a meio "Ah, é verdade, tu nao tens televisão" (que já ouvi dezenas de vezes, bem contadas). Outras vezes sao referências a imagens de catástrofes ou acidentes ou documentários sobre situações chocantes que ocorrem em alguma parte do mundo.
Não é o suficiente para me fazer mudar de ideias.

Quando alguém fica a saber este facto, e depois da Fase da Surpresa, inicia-se a Fase da Persuasão. Os argumentos para isto tomam em 95% dos casos a forma de insistentes "Mas e os filmes? E as séries?! E as notícias?!", e são ineficazes.

A terceira fase é a realmente curiosa. É a Fase da Confissão. Muitas estas conversas, que decorrem mesmo na sequência que descrevi acima, terminam com confissões sofridas de "Pois, eu tb nem vejo muita televisão, para falar verdade mal a ligo. Uns filmes de vez em quando, as notícias...", e mesmo que eu pergunte "mas não há vezes em que te sentas a frente da TV a passar canais?", as respostas são assertivamente negativas.

Lembro-me de há uns anos atrás ter tido aulas com pessoas da Sic, sobre Audiovisual, e de nos terem demonstrado - num calendário, tipo Plano de Guerra - a estratégia deste canal para superar a RTP. O acompanhamento permanente das audiencias, as guerras do futebol, as telenovelas da Globo, os programas em portugues, o posicionamento para a mulher dona de casa a quem o marido a noite cede o comando da tv (e aqui estava a citar). A RTP nunca teve hipóteses.

Numa dessas aulas que terminava, um responsável da área do marketing saiu a dizer - do seu próprio canal: "Bolas, eu não vejo aquilo..."

Enfim... cenas!



quinta-feira, 25 de setembro de 2003



Quem não gosta de andar de comboio? Quando era puto tinha de fazer grandes viagens, saindo de Lisboa em manhãs com as núvens no nariz. Apanhava o comboio para Braço de Prata, depois para o Entroncamento, depois para um destino final algures na Linha do Norte. Uma epopeia que repeti durante alguns anos com os meus avós, no início das férias de Verão. Comboios interregionais com bancos verdes ou castanhos, cheios de "tropas" ou senhoras com sacos, e muitas vezes totalmente apinhados.

Agora há os Intercidades e os Alfas. As condições não tem absolutamente nada a ver. O conforto é grande, há tomadas a que se podem ligar portáteis, hospedeir@s, a velocidade - mesmo que podendo ser superior - chega a uns impressionantes 200km/h ou mais, naquele balançar que não muda, com o mundo a passar lá fora.

Já perto de Lisboa, quando se regressa, nunca cessa de me impressionar aquele bocadinho em que a linha quase beija o Tejo, mesmomesmo ali ao lado. E as cheias, bolas?!

Também me lembro de há uns anos atrás ter ficado parado no Entroncamento, na viagem para Norte, devido a um incêncio algures mais acima. Vários comboios parados, sentei-me numa porta de pernas para fora, a acabar um livro do Mário de Carvalho (acho que "A Paixão do Conde de Fróis").

Ontem vim do Porto num desses, e ao chegar a Lisboa passámos por um outro comboio, que numa outra linha mostrava em cada carruagem um cartaz: "Nao fique a vê-lo passar. Viaje de Comboio" (parafraseando).

:-)



segunda-feira, 22 de setembro de 2003



Parece apenas uma carta, mas pode ser um destino.
3 de paus



segunda-feira, 15 de setembro de 2003



Quero uma vida mais simples.



sábado, 13 de setembro de 2003



Voltaram os fogos, com a nova "onda de calor". É sábado, está calor (34 graus, dizem), e em Lisboa o céu está cinzento, cheira ao queimado do que suponho ser Mafra e a Malveira, e não se pode ter a janela porque entra cinza.



quinta-feira, 11 de setembro de 2003



FECHADO PARA BALANÇO!

... eu, nao é o weblog! :-)



segunda-feira, 8 de setembro de 2003



Avante 2003O que vi:

Radio Tarifa
Cant'Autores
Maria João e Mário Laginha
Realejo
Contrabando
Galandum Galandaina
Xutos (um pedacito apenas)
Cruce dos Caminos



quarta-feira, 20 de agosto de 2003



Assassinaram o Sérgio Vieira de Mello, Brasileiro na ONU no Iraque, que também esteve em Timor-Leste. Pessoalmente, estou triste.



terça-feira, 19 de agosto de 2003



Loyko em Águeda, Jul2003 - clique para ampliar Há umas semanas atrás fui ao Festival de Músicas do Mundo Cigano, em Águeda, e tirei umas fotografias a preto e branco.
O tempo passado, e depois de um delicadíssimo e morosíssimo processo de relevação e ampliação, eis o resultado.

Isto é o que se chama escrever para encher. Só queria mesmo deixar aqui a foto.



quinta-feira, 14 de agosto de 2003



Verao Azul Acho que grande parte de nós, da "minha geração", se recorda desta série de televisão espanhola.

"VERANO AZUL
la mítica producción de TVE, “Verano azul”, dirigida por Antonio Mercero. Estrenada en 1981, narra las aventuras de unos jóvenes de edades y condiciones varias, que forman una pandilla al iniciar su amistad durante las vacaciones de verano, en el pueblo de Nerja (Málaga) con los problemas típicos de la adolescencia. Chanquete, Tito, Bea, Javi, Pancho, Piraña, Quique, Desi y Julia son los inolvidables nombres de los personajes de esta serie, que fue rodada en escenarios naturales."


Esta página tem mais informação.

Curiosamente, ainda vamos por aqui a meio do verão, e sinto-me como se o mesmo já estivesse a acabar.



terça-feira, 5 de agosto de 2003



Notícia no Diário Digital:

Divórcios por SMS vão ser proibidos na Malásia

O primeiro-ministro malaio, Mahathir Mohamad, discorda da decisão de um tribunal da Malásia permitindo que os casais se divorciassem por mensagens de telemóvel (SMS), e pretende, também, impedir a separação por outros meios, como o e-mail e o fax.

Após a decisão polémica de um tribunal islâmico, considerando que os muçulmanos se podiam divorciar por SMS a confusão ficou instalada. Tudo isto porque os homens muçulmanos caso queiram separar-se têm apenas de repetir três vezes seguidas a sua intenção e o casal fica legalmente divorciado.
Contudo, Mahathir Mohamad decidiu que os muçulmanos não poderão divorciar-se das suas esposas por este meio, tendo de recorrer a uma maneira mais personalizada.

O governo pretende, ainda, aprovar uma nova lei que impeça a separação através de outros meios electrónicos, tais como o fax e o e-mail."


O meu comentário só pode ser um cliché: sinais dos tempos....



quarta-feira, 30 de julho de 2003



Blade Runner
O problema do Deckard

(yep, este é um daqueles posts obscuros)





Se não fosses tu, a net estava vazia, a esta hora.



terça-feira, 29 de julho de 2003



Mas aquilo de que andava à procura era isto:

If you can’t be good, be careful. -early 20th; the Latin form Si non caste tamen caute is found from the mid 11th century.

A forma em latim é (curiosamente) ligeiramente diferente, se se fizer a tradução inversa:

Si non caste, tamen caute - If not chastely, at least cautiously.





Não conheço a música, e para falar a verdade nem quero conhecer. Gostei da letra.

Veio daqui.

If You Can't Be Good

you slap expectation in the face
make a date with questionable taste
write eternity a dear john note
stick your tongue into jealousy's throat
you handcuff matrimony's wrists
add indiscretion to your list
slip a hand between temptation's thighs
as you unzip flirtation's flies
and if you can't be good
be beautiful, be brash
if you can't be good
be radical, be rash
be insolent, inspired
be decadent, desired
be everything I knew you would
if you can't be good
you say you need a little space
so you take innocence back to your place
inhibition has to hide its head
fidelity lies bleeding on the bed
indecision's blowing hot and cold
disobedience does as it is told
you look shyness in the eye as you undress
and hold a thousand white lies to your breast
and if you can't be good
be magical, be mean
if you can't be good
be shameless, be obscene
be passionate, possessed
be obstinate, obsessed
be everything I knew you would
if you can't be good





Não sei se andei anos enganado, se os anos andaram enganados por mim. A palavra "estória", que eu julgava apenas existir no português do Brasil, afinal existe no português de Portugal. Tive durante anos a impressão inversa, convencido também por posts severos no ciberdúvidas, como o seguinte:

No português medieval, escrevia-se historia, estoria, istoria, assim como homem, omé, omee (com til no 1.º e), ome. Compreende-se, porque a ortografia ainda não estava fixada.

No Brasil, talvez por influência do inglês «story» (conto, novela, lenda, fábula, anedota, etc.) e «history» (narração metódica dos factos notáveis ocorridos na vida dos povos), começaram a empregar o português antigo estória para significar o mesmo que o inglês «story». É uma palermice, porque, até agora, nunca confundimos os vários significados de história. O contexto e a situação têm sido mais que suficientes para distinguirmos os vários significados. A estória só vem confundir as pessoas.

Seria ridículo começarmos, por exemplo, a empregar homem para indicar o ser humano em geral, isto é, a espécie humana, a humanidade; e omem, para designar qualquer ser humano do sexo masculino, como por exemplo em «aquele omem que está ali», «o omem (= marido) da Joana», «sanitários para omens», etc.

Alguém teria cara para abraçar esta ridicularia? Mas têm-na para escrever história e estória.

Sigamos o nosso Camões, que escreveu histórias na estância 39 do Canto VI de Os Lusíadas:

«Remédios contra o sono buscar querem / Histórias contam casos mil referem».


Este texto está aqui.

Outros posts e sao mais suaves, como este:

Quanto à questão colocada, estória é uma palavra vinda do Brasil. Note-se, era assim que se grafava no século XV. Só depois veio história. Um brasileiro lembrou-se de grafar história, quando se tratava de "ciência histórica" e de grafar estória para significar "narrativa de ficção", "conto popular", etc. Mas os dicionários brasileiros aconselham a que se escreva sempre história, embora se aceite a liberdade jornalística da distinção de um e outro conceitos.

Pois bem: mas seja o que for que os dicionários brasileiros digam, a infopedia diz isto:

estória,
substantivo feminino
história de carácter ficcional ou popular; conto; narração curta;
(De história, ou do ing. story, «id»)


E isto para mim resolve a disputa. É estúpido ficar-se contente com uma questão destas, mas frustrava-me não poder usar a palavra.



domingo, 27 de julho de 2003



Música é fixe. Quem não gosta, para parafrasear um amigo, é tótó. Viva o Festival de Musica do Mundo de Sines, e o Festival das Musicas do Mundo Cigano. Vivam muito os Besh O Drom, vivam a Cesária Évora, Camané, Kad Achouri, Skatalites, e vivam pouco os Kronos "música de compositor mexicano" Quartet.

Bom, não lhes estou a querer mal. O vivam é no sentido de comemorar ou não.

Há uns anos atrás uma pessoa que conheço, num conflito de trânsito, atirou à pessoa com quem estava a discutir (sobre algo importante, tipo o lugar de estacionamento): "já deve anos à cova!!!".

É bonita, a vida civilizada em sociedade (e é um insulto original, também).



sexta-feira, 25 de julho de 2003



Segundo uma notícia da Cyberatlas, existem em Junho de 2003 cerca de 3,5 milhões de weblogs, dos quais 1,6 milhões activos.

Por outro lado, e isto é realmente interessante, segundo uma outra estatística, a língua mais representada é o inglês (350k blogs), seguindo-se... o português (54k), o polaco (42k). O francês aparece em 5º com 10k blogs, a seguir o espanhol, alemão, italiano, holandês e islandês (cada uma destas com menos de 10k weblogs).

Fiquei surpreso pelo segundo lugar. Seremos verbosos?



quinta-feira, 24 de julho de 2003



ilusão - clicar para ver versão ampliada Uma ilusão de óptica absolutamente inacreditável (clicar para ver versão ampliada).
Tive de abrir o photoshop e ver os RGB's para ter a certeza. E o RGB não mente, tal como o teste do algodão (é: #6B6B6B, por curiosidade).

Está aqui a explicação e aqui outras ilusões da mesma fonte.



quarta-feira, 23 de julho de 2003



Bolas, que site estranho. O site oficial do Requiem for a Dream.



terça-feira, 22 de julho de 2003



Exploding DogA ideia é simples. Pegar em frases recebidas por email, e fazer um desenho que as ilustre.
O estilo é sempre o mesmo, e os bonecos são singelos e por vezes muito, muito bonitos.
Isto de se ser sensível é uma porra. :-)
É o Exploding Dog

Alguns exemplos fixes:
how do i always wake up here?
it's been so long since i last saw you
you're cute



segunda-feira, 21 de julho de 2003



Segundo uma notícia do Clix, os espectáculos do Circo da Lua foram cancelados por falta de público... É triste, para um espectáculo realmente bonito:

Infelizmente, o que foi o teatro circense de excepção no panorama nacional das novas artes performativas, o novo circo LUA!, foi forçado a terminar mais cedo a sessão de espectáculos. A “aposta foi ganha”, mas porque a maior parte dos portugueses se encontram de férias, torna-se difícil manter um espectáculo desta dimensão quando não existe público suficiente. O Circo da Lua pensa “voltar” com uma nova sessão de espectáculos, talvez uma digressão...Quando?...Talvez para breve...

Tentei falar a vários amigos para irem ver este espectáculo. Em todos os casos tive de vencer a resistência do sentimento que geralmente está associado à palavra "Circo". Se para as crianças parece ter ainda um significado mágico, para os adultos parece estar associado a animais esquálidos e maltratados, a números de glamour com meias esburacadas, a palhaços ricos e pobres sem piada, etc. Imagens deprimentes que possivelmente terão tb ajudado a manter as pessoas longe do Circo da Lua.
Quando contei que os espectáculos tinham sido cancelados, o comentário foi rápido: "é chato quando isso acontece... os animais, etc."...



sábado, 19 de julho de 2003



Poster LoykoFui a Águeda ver e ouvir um concerto de uns ciganos russos chamados Loyko. 2 violinos, uma viola(?), e uma moça de olhos negros a cantar. Conheci-os por ter em tempos encontrado por acaso um CD deles na fnac, e fiquei de imediato fascinado. O concerto não ficou atrás, tendo sido à altura das minhas [elevadas] expectativas. Tirei 2 rolos de fotografias, a p&b, bem perto do palco. não espero nada do outro mundo, mas logo se verá. Valeu a pena a viagem e o concerto, que só pecou por não ter durado mais... sei lá, 2h? :-)

Cesária ÉvoraTb vi um concerto da Cesária Évora no Monsanto. À borla. ;-) Já a tinha ouvido 2 ou 3x, no Coliseu e na Expo. Já liguei mais a música cabo-verdeana que agora. Na altura em que vi esses primeiros concertos fiquei com alguma antipatia pela "diva", pela "altivez" (?) com que dava os espectáculos. Reconhecer a existência do público parecia já ser demais p ela! Enfim. Certamente uma percepção errada, mas foi o que senti. Ontem, no Monsanto, foi totalmente diferente. Fosse por o concerto ser ao ar livre, com muito mais público negro, o clima criado foi totalmente diferente, e valeu a pena. Em termos músicais fiquei com a percepção que se tinha perdido alguma coisa, mas o clima foi... fixe.

Próximos dois concertos (da minha digressão pessoal por concertos de verão! :-): Besh O Drom em Águeda, na 3ª, e Danças Ocultas em Sines, na 5ª.

O nosso país é mesmo pequenino.



sábado, 12 de julho de 2003



Circo da Lua"Não posso perdoar. Posso esquecer. E não quero esquecer" (em Amateur, de Hal Hartley, uma frase feita)

Circo da Lua: muito fixe. www.circodalua.com. Na Praça Sony até 3 de Agosto, o espectáculo chama-se... "Lua". Recomendo vivamente. De corpialma. Tem muita piada, e apesar de começar "lento", bom, a mim roubou-me uma ou outra lágrimas de riso e alegria.



quarta-feira, 9 de julho de 2003



Ela parecia feliz.



quarta-feira, 2 de julho de 2003



Hoje no Porto fui almoçar a um restaurante de "comida rápida caseira", no Norte Shopping. Do sítio onde me sentei, com vista para a cozinha, pude observar um trabalho que, nada tendo de desmeritório, tem um nome bonito: estreladeira d'ovos. Uma pessoa cujo trabalho era única e exclusivamente estrelar ovos para os vários pratos que iam saindo. Curioso.



terça-feira, 24 de junho de 2003



Não faço puto de ideia se isto estará certo ou não, mas eis a Hora Legal de Portugal.



terça-feira, 17 de junho de 2003



Era bom de mais (demais?) para ser verdade. Toda a gente a falar das inovações da feira do Livro de Lisboa deste ano, quando chegam os diagósticos (in Público):

"[...] a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) admite que a perda possa chegar aos 20 por cento, a União Portuguesa de Editores calcula que se situe em 30 por cento."

e sobre as inovações:

"[Alguém da D. Quixote] Destaca ainda o problema dos editores que ficaram voltados para o relvado do Parque Eduardo VII, uma novidade este ano, concebida pela dupla de arquitectos contratada pela Câmara de Lisboa. Aconteceu com dois dos pavilhões da Dom Quixote. «Essa ideia foi um desastre. É uma zona de menor passagem. Tivémos que compensar com autógrafos, colocando lá os autores». [...] «As editoras voltadas para o relvado tiveram muito menos visitantes», admite Baptista Lopes da APEL - organizadora da feira, em colaboração com a UEP. «É um erro que não se pode repetir.»

Pronto(s). Lá se foram as inovações!



domingo, 15 de junho de 2003



A história é trágica, mas não deixou de me fazer sorrir (humor negro tipo monty python). Notícia de hoje no Público:

"O homem que hoje de manhã se atirou da Ponte Vasco da Gama para o Rio Tejo foi encontrado quase quatro horas depois, vivo, num mouchão, por uma lancha da Polícia Marítima, disse fonte desta força.
Trata-se de um estudante de teatro, de 23 anos, acrescentou a fonte.
O estudante atravessava a ponte num táxi, quando, por volta das 08h00, mandou o motorista parar, abriu a porta e atirou-se para a água.
O motorista alertou imediatamente os bombeiros que, por sua vez, pediram a intervenção da Polícia Marítima. Esta enviou para o local uma lancha que só quatro horas depois conseguiu localizar o jovem, de pé num mouchão, gesticulando com os braços a pedir ajuda.
Mas, pouco depois de ter sido recolhido pela lancha, o jovem voltou a atirar-se a água. Novamente recolhido foi manietado. O jovem já tinha feridas nos pulsos que tentara cortar com cascas de mariscos, contou à Lusa um agente da PM.[...]"


Ponte Vasco da Gama

Claramente não consultou o Practical Guide do Suicide (o Potassium Cyanide (KCN) Consumption parece ser interessante). Ainda hoje me surpreendo, tal como anos atrás quando pela primeira vez encontrei este documento na net, com o facto de haver quem produza e publique informação desta natureza. Seja como for, a Ponte Vasco da Gama é claramente baixa demais.

ps- link acabado de encontrar, por total coincidência, e acrescentado à posteriori: http://www.tu-importas.org/home/default.asp





"Quando um casamento começa a ir por água abaixo, percebo por que motivo é tão tentador ter uma ligação com outra pessoa. Isso simplifica as coisas e torna-as palpáveis. Não é preciso andar a tactear no escuro, a tentar descobrir o que correu mal e como se poderão melhorar as coisas. Basta dizer: «Há outra pessoa», para acabar com tudo; toda a gente entende uma motivação tão simples. Alguém que se apaixona pode disfrutar de grande compreensão, mas o mesmo já não acontece com quem se desapaixona.
Eu percebia isso, mas não ia fazê-lo."

- Frank Ronan, Piquenique no Paraíso (estou a ficar lamechas)



sexta-feira, 6 de junho de 2003



Um net-acaso (lê-se netacaso, uma palavra apenas). Estava eu a procurar informação sobre o filme que referi na post abaixo, quando encontrei esta página brasileira. Vou resumir parte do que diz:

O novo álbum, intitulado 32 de dezembro, será a segunda parte da trilogia iniciada por O sono do monstro (publicado em português pela editora Meribérica). Não foram divulgados detalhes sobre a história, mas ela deve, como o anterior, se concentrar em uma das personagens do trio de protagonistas introduzido na primeira.
A Humanoides Associes francesa prometeu o lançamento para 3 de junho. Edições em outras línguas devem se seguir. Não foi confirmada uma versão em português, mas é provável que a Meribérica, que lançou quase todos os trabalhos do autor em português, deva publicar mais este.


O mini-site do livro, que na Amazon Uk fica disponível já em Agosto, tem muito mais informações e cenas fixes. No Fnac.com tb há mais informação:

Drôle de date pour des retrouvailles ! Le nouvel album de Bilal s’appelle 32 Décembre. Ne cherchez pas dans vos calendriers : le 32 décembre n’existe nulle part. Sauf dans l’imagination foisonnante d’Enki Bilal... Dire que son nouveau livre était attendu est un doux euphémisme: voilà cinq ans que les amateurs de bande dessinée avaient pris rendez-vous avec lui. Depuis 1998, l’année de parution du Sommeil du monstre, premier volume d’une trilogie très ambitieuse. Le Sommeil du monstre était né de la guerre en ex-Yougoslavie, le pays d’origine de Bilal. De ses horreurs et de ses déchirements était venu le besoin d’écrire une histoire traitant de la mémoire et de l’identité. Le lecteur faisait ainsi connaissance avec Nike, Leyla et Amir, les trois orphelins de Sarajevo. Bilal inventait au passage une nouvelle manière de faire de la bande dessinée: désormais, il s’échapperait du cadre trop contraignant de la bonne vieille planche de bd pour travailler ses cases une à une, en grand format, avant de les assembler à l’ordinateur.

Cinq ans après, Bilal revient avec un album au graphisme toujours aussi maîtrisé, toujours aussi fascinant. On retrouve les trois personnages, qui racontent chacun à son tour et offrent ainsi au lecteur une multiplicité de points de vue. De quoi parle 32 Décembre ? De sujets graves et passionnants, qui constituent aujourd’hui l’ordinaire des pages des quotidiens et des journaux télévisés. De clonage, de manipulation mentale, d’art contemporain, d’écologie. et d’amour, aussi... En fait, il traite tout simplement du seul sujet qui vaille: l’être humain et sa place dans la société. Cette société en proie à des bouleversements parfois déboussolants pour ces pauvres créatures humaines qui ne savent pas trop à quoi se raccrocher… La structure du livre a été largement modifiée par Bilal après les attentats du 11 Septembre. Ce qui n’étonnera personne: depuis sa collaboration avec Pierre Christin sur les «Légendes d’aujourd’hui» (Les Phalanges de l’Ordre noir, Partie de chasse, etc.), Bilal s’est toujours imprégné de l’actualité du moment pour nourrir ses récits. 32 Décembre ne déroge pas à la règle.

Simplement, l'album est peut-être un peu moins sombre que ce que l'on pouvait attendre. Il suffit de regarder les couleurs utilisées par l'auteur: à ses teintes habituelles – le gris, le bleu, le rouge – viennent s'ajouter ici ou là des touches de vert, comme s'il voulait donner une pointe d'espérance à son propos. Le signe d'un nouveau Bilal? Peut-être… Pour le savoir, il faudra attendre le troisième volet de sa trilogie. En espérant que, cette fois, il saura ne pas nous faire patienter cinq nouvelles années. En attendant, il restera de toute façon dans l'actualité: son prochain film, adapté de sa «Trilogie Nikopol», devrait sortir début 2004. Un album et un film en l'espace de quelques mois: décidément, les fans d'Enki Bilal – et les autres – ont bien de la chance…





Ontem fui ver o "Bunker Palace Hôtel", primeiro filme do Bilal. Há uns meses atrás vi o "Tykho Moon", o segundo. A explorar no IMDB, encontrei info sobre um 3º filme dele, actualmente em rodagem. Chama-se "Trilogy". Quando, com curiosidade vaga, fui ver info sobre o filme, enfim... lagriminha ao canto do olho. Dizia assim:

Plot Outline: In 2025, reporter Jill Bioskop nicknamed "La Femme Piège", writes her articles on a strange typewriter that makes them go back in time. Meanwhile her lover is assassinated...

Para quem, como eu, acha a Trilogia do Bilal uma obra maior de Banda Desenhada mundial, e mesmo antecipando-se uma provável desilusão, o início de 2004, quando supostamente o filme sairá, é um mês a esperar com antecipação (nem que seja preciso ir a França ver a porra do filme).

No papel de Jill Bioskop vai uma tal de Linda Hardy, aparentemente Miss França em 1992 (o que é um péssimo sinal à partida, mas enfim - imagina-se esta moça de cabelo azul e pele miuto branca? - outra foto). Como Nikopol vai estar um tal de Thomas Kretschmann (O Pianista, ... Blade II....).

mais info: 1, 2, 3, 4 e uma com melhor aspecto.



terça-feira, 3 de junho de 2003



"Já alguma vez se sentiram assaltados pela certeza inesperada e inelutável de serem uns palermas? Já alguma vez foram apanhados a fazer qualquer coisa que ninguém em seu perfeito juízo faria? Ou já se deram conta de serem a única pessoa no mundo a acreditar em todas as fantasias ou a apaixonar-se e de que, para os outros, o amor é uma coisa para manipular e vilipendiar? Por apaixonar-se entendo apenas dar mais valor a outrem do que a nós mesmos, pondo-nos, deste modo, a nós próprios numa posição vulnerável. É um facto que nunca podemos estar certos de que alguma vez outra pessoa tenha sentido o mesmo por nós. É um facto que nunca estamos certos de que uma pessoa que conhecemos tenha escrúpulos ou se preocupe com alguma coisa para além de si. Ou, se o leitor for desses indivíduos que se obstinam em ter uma confiança ridícula nos entes que amam e tudo isto o deixar indiferente ou lhe parecer absurdo, tente recordar-se desse momento da sua vida em que abusaram da sua boa fé [...]"

in Frank Ronan, Piquenique no Paraíso.



segunda-feira, 2 de junho de 2003



Thievery Corporation. Na Aula Magna, uma sala completamente desadequada para o efeito, mas um bom concerto.



terça-feira, 27 de maio de 2003

sexta-feira, 23 de maio de 2003



Concerto Massive Attack ontem no Coliseu. Mega-fixe! Felizmente não veio a Sinnead O'Connor, infelizmente pareceu-me que as duas outras vozes femininas a que recorreram me pareceram deixar algo a desejar. :-( Mas fora isto, grande concerto!



quarta-feira, 21 de maio de 2003



Aqui há uns meses (poucos) li um artigo no The Atlantic sobre a Arábia Saudita (o único país no mundo cujo nome deriva da família que o governa), sobre a dependência dos EUA do petróleo deste país, sobre o facto de a Al Quaeda ter algum apoio popular (em parte por causa dos desmandos de uma família real com 30.000 príncipes e outros "reais") - note-se que a maioria dos "11/9"'s era saudita. Dizia ainda que os EUA têm vindo a reduzir esta dependência, e falava do contingente militar americano lá estacionado. Dias depois, cai o Saddam (para onde é uma questão que muitos se colocarão). Dias depois, o tal contingente militar sai do Iraque e vai para o Qatar. Dias depois, atentado em Ryad onde morrem 30 e tal pessoas e 8 americanos (30 e tal a contar com os norte-americanos... claro... sem piadas). Hoje, EUA (e outros) anunciam que vão fechar embaixada neste país (temporariamente). Parece tão simples, dada esta sequência, justificar a invasão do Iraque... torná-lo na nova Arábia Saudita.

Estarei ingenuamente enganado?



terça-feira, 20 de maio de 2003



Hoje é só actividade. Uma notícia no site da Discovery diz o seguinte:

Chimpanzees share 99.4 percent of functionally important DNA with humans and belong in our genus, Homo, according to a recent genetic study.
Previous studies put the genetic similarity between humans and chimps at 95 to 99 percent, so the new figure suggests chimps and humans are even more closely related than previously thought.
[...]The researchers then took the DNA data and estimated genetic evolution over time. They determined that humans and chimps shared a common ancestor between 4 and 7 million years ago. That ancestor diverged from gorillas 6 to 7 million years ago.
"Chimps are more like a human than a gorilla," said Goodman. [...] Goodman added, "In terms of culture, social behavior, language and other factors, we share many things in common with chimpanzees."


A BBC acrescenta:
"Humans, or Homo sapiens to give the species its scientific name, are the only living organism in the genus at the moment - although some extinct creatures such as Neanderthals (Homo Neanderthalis) also occupy the same grouping.
[...]Dr Wildman said: "You could say that humans and chimps are as similar to one another as say horses and donkeys.
[...]The Detroit team says its work supports the idea that all living apes should occupy the higher taxonomic grouping Hominidae, and that three species be established under the Homo genus: one would be Homo (Homo) sapiens, or humans; the second would be Homo (Pan) troglodytes, or common chimpanzees, and the third would be Homo (Pan) paniscus, or bonobos. Not all scientists will accept the new classification."


Seja como for. Eu cá o que sei é que gosto de salientar a nossa parecença com estes bichos, especialmente em argumentos sobre a "superioridade Humana".





Ontem fui ver um filme chamado XX/XY ao Cine222. O filme é um sobre relações do passado e reencontros, e tem como tagline a seguinte frase: There's no room for honesty in a healthy relationship.
Saí a pensar que era um bocado revoltante este tipo de moralidade, trocada por uma frase bonita para ilustrar um poster. Depois, pensando melhor no caso, mudei de ideias. A uma escala diferente, muito diferente, daquela em cujo contexto a frase é utilizada no filme, tem um pouco de verdade.





Não me consigo conter. Já leio o Diário Digital há uns anos, e desde que me lembro que tenho a infelicidade um Sr Luis Delgado escrever para este diário. Deixo uma amostra recente:

"[texto sobre problemas internos de Schroeder, na Alemanha] É uma ironia da História quando comparado com Blair. O PM britânico esteve para se demitir com a revolta dos seus deputados e ministros por causa da guerra no Iraque, que teve uma feroz oposição da Alemanha, mas hoje Blair é um herói nacional, elogiado por todos. Schroeder também pode ter o fim que Blair receava, mas por razões internas e mais humilhantes. Um venceu porque mostrou coragem no momento mais difícil e dramático, e foi até ao fim, e o outro afunda-se numa economia caótica, recessiva, e sem soluções à vista. É a vida."

Caso para comentar: e o que tem o cú a ver com as calças? o que têm a ver os problemas do Sr. Schroeder do "heroísmo nacional" do Sr. Blair? Que o Sr. Luis Delgado tenha sido um fervoroso adepto da invasão do Iraque (mais papista que o papa, por exemplo, ao afirmar que se tinham descoberto armas de destruição massiça) é uma coisa. Que escreva tonterias destas, sem nexo, numa coluna pública e com a responsabilidade que tem, é insultuoso.

Este gajo revolta-me.



quinta-feira, 15 de maio de 2003



Não podia vir mais a propósito. Ainda agora falei do Rubem Fonseca, e vem o rapaz e tumba, recebe o prémio Camões:

Roubado descaradamente do Globo:

O mais recluso dos escritores brasileiros, Rubem Fonseca foi premiado, ontem, com a mais disputada láurea concedida a um autor de língua portuguesa: o Prêmio Luís de Camões, concedido anualmente pelos governos de Brasil e Portugal. O anúncio foi feito ontem, em cerimônia na Biblioteca Nacional, no Rio, mas o cheque de US$ 100 mil, valor do prêmio, só será entregue em data ainda a ser anunciada, porém já cercada de expectativa: o celebrado autor dos contos de “Feliz Ano Novo”, “Os prisioneiros” e “Lúcia McCartney” e dos romances “A grande arte”, “Bufo & Sapallanzani” e “Agosto” não aparece em solenidades, odeia ser fotografado, não dá entrevistas e costuma dizer que tudo o que tem a dizer está em seus livros.

Segundo Heloísa Buarque de Hollanda, a escolha de Rubem Fonseca foi muito rápida, porque seu nome foi proposto pelos portugueses com a aprovação do angolano e do moçambicano. Os brasileiros só precisaram referendar. “Tínhamos alguns nomes na cabeça, mas foi lindo que a indicação tivesse partido dos portugueses”, disse ela.


E muito bem propuseram "os portugueses".



domingo, 11 de maio de 2003



O Diário Digital, felizmente agora já sem ter o Luis-Delgado-Direita-Burra como editor, surpreendeu-me com a seguinte notícia:

Novo reality show vai pôr animais contra homens
A estação televisiva britânica ITV vai pôr no ar, no início da próxima temporada (Setembro), um novo reality show no qual se vão degladiar homens e animais. A produção de um episódio-piloto do programa «Man vs. Beast», algo como «Homem contra Fera», foi já encomendada à Granada TV.

E depois no final diz assim:
Outros exemplos são o desafio entre um urso pardo e o campeão mundial de ingestão de cachorros quentes, a fim de comprovar qual o mais rápido consumidor das referidas sanduíches.

"Campeão Mundial da Ingestão de Cachorros Quentes"?!?! Quem é o animal, afinal?



domingo, 4 de maio de 2003



Este passado sábado estive no Fórum BD Lisboa, onde assisti a uma pequena conferência com a presença do Neil Gaiman, autor de bandas desenhadas como o Sandman, e de livros como o "Neverwhere". É de longa data o meu escritor favorito para banda desenhada, partilhando o pódio com o deus supremo, o Bilal. Deu uma conferência pequena, de 1h, em que me emocionei por 3x (isto de ser cromo), e a seguir mostraram uma curta-metragem realizada e escrita pelo dito Gaiman. Terminou com uma sessão de autógrafos, onde fui obter o carimbo do dito (isto de ser cromo). No Sandman #1 escreveu o que deve ter escrito em todos: "Bons sonhos", em tuguês de gema.

E quando na conferência falou do "Endless Nights", nova BD sobre os "Endless" em que a personagem Desire vai ser desenhada pelo Milo Manara, flipei. Confesso. Flipei.



sábado, 26 de abril de 2003



Vi istono Público de hoje: "Quando deixarmos de gostar de histórias, estamos mortos."



segunda-feira, 21 de abril de 2003



Ando seduzido com escritores brasileiros. Especialmente o Rubem Fonseca e o Bernardo Carvalho.





Acabou. E não deixa de ser surpreendente que um país como o Iraque seja conquistado com "apenas" 150 baixas do lado dos... conquistadores? invasores? os bons ou os maus, seja o que for.



domingo, 30 de março de 2003



Alguém tem visto os últimos episódios?



domingo, 23 de março de 2003



Lá está, a guerra.



sexta-feira, 14 de março de 2003



Parece que o governo inglês, ou uma instituição qualquer do mesmo, recomendou aos jovens ingleses que fizessem mais sexo oral, como forma de reduzir o elevado número de gravizeses indesejadas (acho q por volta de 30k) entre estas crianças.

Não tem nada de fait-divers, mas acaba por sê-lo um bocadinho.

NP: Jacques Loussier.



sexta-feira, 7 de março de 2003



Isto não tem grande interesse, mas apetece-me dizer: estou com uma fixação nas Variações Goldberg e em blues do Mali.

Aqui, agora, imagine-se um comentário sobre o quão agradável é assistir à mudança meteorológica entre o inverno e o sol (note-se a oposição, aqui), marcada pelo Carnaval.



segunda-feira, 3 de março de 2003



O carnaval antigamente é que era fixe. Havia bombinhas estoira-dedos, bombas de muito mau cheiro, sacos de água, e ovos estrelados nas cabeças dos outros.

Agora é tudo asséptico, bolas.



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003



Estava a ler no The Atlantic um artigo sobre o Clinton. A páginas tantas (expressão curiosa quando usada na web...) ele fala sobre o livro que está a escrever, e aconselha "todos os que têm mais de 50 anos" a fazer o mesmo. E diz:

"You need to think about what really meant something to you. Who did you really love? Who really made you what you are?"

Fiquei francamente impressionado com estas palavras.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2003



A frequência com que se escrevem coisas para um weblog é inversamente proporcional ao stress que se tem num determinado momento.

Quererá isto dizer que se passar a escrever com maior frequência vou passar a ter menos stress?



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003



Fui à manif contra a guerra (ou a favor da paz?) no Sábado. Diz-se que estiveram cerca de 80k pessoas, montes de people. Acho que a última manif a que fui foi contra as propinas no início da década de 90. Chateou-me um bocado o facto de a política se imiscuir tão fortemente no que eu vejo como um protesto da sociedade civil, mesmo se a minha "cor política" era uma dessas que se imiscuía.

Duvido que tenha valido de alguma coisa, os Chernes não são conhecidos pela qualidade da sua audição (aliás, marcar-se audiências com os partidos... para a hora da manif, parece-me esticar o que chamaria de boas práticas democráticas).





Isto é uma instrospecção matinal de qualidade: nada bate em comodidade um pêssego careca em que o caroço se solta.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003



Ontem estive 4h a discutir questões técnicas com um cliente. Foi provavelmente a discussão mais acalorada e simultaneamente frustrante e cansativa que me lembro de ter. Tive de capitular, por simples exaustão, em todas as sugestões e temas que foram discutidos. Ele é o cliente, manda, e sente a coisa muito mais apaixonadamente do que eu, para quem isto é um projecto muito interessante, mas um projecto ainda assim. Só me apetecia deitar em silêncio.

Fiquei totalmente estoirado. Há pessoas com quem é muito difícil discutir. Não ouvir/Interromper é uma técnica de discussão, também.
Foram apenas 4h do dia, mas deixaram-me totalmente de rastos. Imagine-se que era negociador profissional. Seria uma vida infernal!



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003



Muitas vezes os "artistas" têm manias e dizem coisas que ao seu público infiel parecem desrespeito, por serem dizer mal ou criticar quem deles gostam. O César Monteiro mandou as pessoas irem-se foder, o Lobo Antunes dizia que não ia voltar a publicar em Portugal. A mim parece-me que, mega-cliché, o que eles fazem deixou de ser deles, e passou a ser de quem consome o produto das suas imaginações.

Isto tudo para dizer que estou a ler o novo livro de crónicas do Lobo Antunes, e pah, sem qualquer idolatria, acho que ele é um génio, e um grande, mas muito muito grande escritor. E se ele me criticasse elogios, eu mandava-o à merda com a mesma moeda. Afinal, o que ele escreveu, já não é dele, é meu. :-)



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003



"The word processor is a wonderful invention. It speeds up the writing process and makes it so much easier to edit. The problem is that many can type faster than they can think. The fingers race ahead of the mind. Content becomes like burgers." - Gerry McGovern.

Contra mim falo.





"A 15 de Fevereiro decorrerá um dia mundial de protestos contra a guerra de agressão ao Iraque. Em Portugal terão lugar, entre outras iniciativas, manifestações em Lisboa e no Porto. A concentração de Lisboa será pelas 15h30 no Largo de Camões. A do Porto às 15h, na Praça da Batalha."

O site é foleiríssimo, mas fica aqui o link à mesma, para mais informações: http://olifante.netropolis.pt/



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003



O Garry Kasparov perdeu no outro dia contra o Deep Junior. Desta vez não era um super-computador da IBM.

Cada vez nos restam menos coisas em que somos melhores que eles. Quando eles falarem e escreverem, reconhecerem caras e padrões com facilidade, e amarem mais e melhor que nós, eu voto para que sejamos substituídos e cometamos suicídio enquanto espécie.





Ontem fui rever o "Em Carne Viva", do Pedro Almodovar. Mesmo no início, ouve-se uma canção cuja letra algo tétrica acabei por encontrar na net.

SUFRE COMO YO

Yo quiero que tú sufras lo que yo sufro
y aprenderé a rezar para lograrlo
yo quiero que te sientas tan inútil
como un vaso sin whisky entre las manos.
Y que sientas en tu pecho el corazón
como si fuera el de otro y te doliera.
yo te deseo la muerte donde tú estés
y aprenderé a rezar para lograrlo.

Yo quiero que tú sufras lo que yo sufro
y aprenderé a rezar para lograrlo
yo quiero que te asomes a cada hora
como un preso aferrado a su ventana.
Y que te sean las piedras de la calle
el único paisaje de tus ojos
yo te deseo la muerte donde tú estés
por Dios que aprenderé a rezar para lograrlo.



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003



Qual foi a coisa mais interessante que jamais fiz?





96@mail

tive um furo. stress.

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2003



Nos últimos dois anos cada vez é mais frequente ir-se a um café ou pastelaria e haver pauzinhos de canela para mexer a bica. Pessoalmente, acho óptimo, gosto de canela e costumo trazer o dito comigo para mordiscar distraidamente. Agora, o que me apanhou de surpresa foram uns pacotinhos individuais de paus de canela, como os que há para palitos. Claro que ao contrário dos palitos, estes pacotinhos têm data de validade. Fiquei boquiaberto (ou semi apenas, pq caía-me a canela da boca).

Infelizmente, não encontro na net nenhuma foto do dito produto.

Curiosamente, não me parece que seja por 2-5 segundos a mexer que um pau de canela vá alterar o sabor do café, mas sabe melhor na cabeça que no paladar, suponho eu.

PS- e tb nunca tinha visto uma planta de canela...



terça-feira, 4 de fevereiro de 2003



Curiosidade sobre o Kasparov vs Deep Junior:

Mr. Kasparov may be evenly matched against his silicon opponent, but an early incident proved that even brilliant human beings can be foiled by the simplest technology. During the opening match last week, Deep Junior was so stumped by an off-book Kasparov move that it spent 25 minutes mulling its next move before appearing to black out.

Although times limits were not a concern, a minor panic gripped the members of the programming team as they debated whether to reboot the computer, before somebody realized that the problem was simply that Deep Junior's screensaver had activated. They moved the mouse, and the screen came back on."





Morreu o João César Monteiro. Só vi dois filmes dele, que me recorde, e não seguia propriamente com calor e amor tudo o que ele fazia, mas achava-o uma personagem interessante, cáustica, provocadora e nitidamente independente.

"O amor é uma coisa bastante embaraçosa. Pelo menos da forma como eu o entendo: como algo de absoluto. As coisas que aprendemos na vida podiam levar-nos a relativizar o amor. Isso se eu tivesse algum bom senso na cabeça. Não é o caso. Há uma teimosia em entender o amor como coisa absoluta. Sendo absoluta, não é possível. Ficamos com a ideia."

Portanto, e em homenagem ao moço: quero que todos se vão foder!



domingo, 2 de fevereiro de 2003



Prova de Amor

"Teria eu desenhado o nome dela em merda velha de vaca se o meu amor fosse puro e desinteressado? E ainda por cima com o meu dedo, que a seguir chupei." - Samuel Beckett, "Primeiro Amor"

Que bonito.



sexta-feira, 31 de janeiro de 2003



Mais um pouco de acção e aventura: Deep Junior ganha a Kasparov, empatando assim o score a 1,5-1,5. Exemplos das coisas a que acho piada:

Deep Junior has tied the match 1.5-1.5 by winning game three. In another exciting game Kasparov took the battle to Junior's king but couldn't land a knockout punch. Junior bobbed and weaved like Muhammad Ali and slowly equalized the game. Finally, just when it looked like Kasparov would try to force a draw, the human blundered and lost almost instantly. Kasparov had missed a spectacular checkmate variation that caused him to lose another pawn and the game.
This is exactly how Grandmasters most often lose to computer programs. They get excellent positions and then watch them unravel against near-perfect computer defense. Junior was in trouble for the third straight game out of the opening. Kasparov, playing white, tricked Junior back into the g4 lines of the Semi-Slav (from game one) through a sneaky move order that got the Israeli program out of its opening book.[...]
A sad but all too common fate. A marvelous performance ruined by a moment's inattention against a beast that never sleeps.



PS- Abaixo o Durão.





Estou revoltado, e com vergonha de ser português.

Este Governo, pah, põe-me a calma à prova. Estava eu a pensar que tinha perdido a raiva da juventude, a energia que me fazia levantar e ir a manifs de estudantes em frente à nossa AR, "a virar à direita" como se diz que vai acontecendo com a idade, quando este moço-besta, este Sr. Chern que leva as rédeas da nossa pi-que-na nação faz outra das suas.

Estou a falar, é claro, da declaraçãozinha que o Sr. Durón assinou acerca da intervenção no Iraque. Foi para contrariar o "eixo" França-Alemanha, como dizem alguns? Para ter mais uns F-16s americanos, ou extorquir uns cobres ao Sr. ArBUSHto por causa da malfadada base das Lajes? E do Sr. Aznar, o que terá recebido? concessões no plano hidrológico? ou, para não me surpreender, umas palmadinhas nas costas ("Durón, eres miesmo FISH!", diz enquanto o amigo Portas se ri outra vez)...

FDP's.

E depois o Bush é que é a besta mundial.





Isto não tem interesse nenhum, mas vou contar à mesma.

Ontem quando estava a voltar para casa, de um dia num cliente, vi uma caixa de cartão com um PC dentro, perto do local onde tinha o carro estacionado. Já tinha aberto o carro quando pensei: "aquilo era um PC?!?". Voltei atrás, constatei q sim, meti-o no porta-bagagens, e fui-me embora. Só hoje me lembrei de que o tinha lá, e trouxe para analisar o conteúdo. Revelou-se ser um PC com um Pentium III (não sei quantos Mhz), CD-ROM, placa de rede, USB, disco de 40GB, e 64Mb de RAM. Nem quis acreditar. Aqui em casa ainda uso um Pentium a 166Mhz, só por causa do gravador de CDs e impressora a cores. Foi caído do céu (?). À caixa só faltava a fonte de alimentação, e de resto parecia intacto.

Não é isto tão absolutamente desinteressante?



quinta-feira, 30 de janeiro de 2003



A leitura dos jornais de hoje revela-nos alguns factos interessantes. Em primeiro lugar, o Público, que parece estar a especializar-se em meteorologia e relatos de temperaturas, reza assim:

Clima: Calor em Janeiro Bateu Recordes em Portugal
Nunca, desde que há registos, esteve tanto calor em Janeiro como aconteceu este ano em algumas cidades. Viana do Castelo, Bragança, Castelo Branco e Lisboa estoiraram a escala e atingiram, no passado dia 27, recordes históricos. Em Bragança, por exemplo, a temperatura máxima em finais de Janeiro ronda os nove graus, mas estiveram 20,4 no passado dia 27, ou seja, mais 11 do que é normal.

Já o Diário Digital tem uma interessante notícia sobre a "Vestígios de uma criatura de aspecto aterrorizador, denominado de Deinotherium Gigantisimum, foram encontrados na ilha grega de Creta. Pensa-se que terá sido este mamífero que deu origem à antiga lenda do Ciclope, a criatura de um só olho." Isto sim, um facto interessante! Segundo resto do artigo, a criatura teria tido 4,5m de altura! Foi encontrado um canino com 1,4 metros (!!!!) e outros dentes do tamanho de bolas de ténis. Termina assim: "Um grande orifício no meio do crânio desta espécie - a cavidade nasal da tromba - terá originado os contos sobre os ciclopes, «ferozes gigantes mitológicos de um só olho que constam da “Odisseia” de Homero." Bolas, lá se vai um mito (por acaso a Odisseia foi o único clássico grego que li :-) ).

E como rodapé neste post, não deixo de referir o duelo entre o Kasparov e o Deep Junior (este link também é interessante), que está a chamar atenções por ser outro duelo entre o campeão de Xadrez e um computador. Mas parece que o Deep Junior é muito mais calminho que o seu antecessor Deep Blue, da IBM, que derrotou Kasparov. Afinal, apenas consegue calcular três milhões de movimentos por segundo, quando o Deep Blue era capaz de calcular 200 milhões, e usa apenas "8 processadores comerciais em vez de muitos especialmente rápidos, como o computador da IBM".
É verdade que este tipo de duelos já não é novidade... mas acho curioso o facto de "os humanos" poderem também aprender a usar determinados estilos de jogo contra computadores. Exemplo: "It has become almost conventional wisdom that allowing complications with queens on the board is a sure death against computers.". Isto sim, é interessante.





Sou um girassol. Não é absolutamente fantástica, a luz?!

Como é que vou explicar em casa que apanhei um escaldão com o sol que entra pela janela enquanto trabalho?



quarta-feira, 29 de janeiro de 2003



Isto é uma nota muito, mas muito pessoal: Acho que sou um apaixonado pelas minhas próprias palavras.



terça-feira, 28 de janeiro de 2003



O Ódio
Um dos "filmes da minha vida", que tive oportunidade de rever ontem. Inesquecível.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2003



O Público hoje tem pérolas. Esta é de um texto do Agualusa, sobre a guerra no Iraque:

"[...] Uma das virtudes de Bush (até nos maiores erros há virtudes) é a de ter permitido a todos os povos mal governados do mundo o consolo de se poderem comparar, com óbvia, embora discutível, vantagem, à única grande potência: «Sim, o nosso presidente pode não parecer mais inteligente do que um pargo, mas pelo menos não se parece com um pargo.»"

Bom, nós temos um cherne.





Falava eu de frio,m e diz assim o Público:

"Lisboa foi ontem a capital europeia mais quente, depois de uma semana em que isso só não aconteceu em dois dias, sendo tal título arrebatado por Atenas, uma das rivais de Portugal em termos de temperaturas na Europa. A temperatura média prevista para hoje em Lisboa será de 13 graus e a de Atenas de 11. Ao longo da última semana, só quinta e sexta-feira Lisboa não registou a temperatura média mais alta da Europa. Na quinta-feira, dia 23, a capital portuguesa averbou uma média de 11 graus e Atenas 10,5. No dia seguinte, as temperaturas médias dos termómetros foram na capital portuguesa de 7,5 e na capital grega de 12. Há uma semana que Lisboa e Atenas disputam o título da capital mais quente da Europa. Domingo, 19 de Janeiro, a média em Lisboa foi de 13 graus e em Atenas 10,5. No dia seguinte 13,5 na capital portuguesa e 10,5 em Atenas. Na terça-feira, 12,5 em Lisboa e 9,5 em Atenas. Quarta-feira, em Lisboa 7,5 e 11,5 em Atenas. Quinta-feira, a média das temperaturas em Lisboa foi de 11 graus e, em Atenas de 10,5."

Claramente ouve aqui um jornalista que se esqueceu de que existem TABELAS. Ou então gosta de números.

PS- não é bom sermos os primeiros? Uma ficaxação bem Nacional. Eu sei que apanhei um solinho bem porreiro em terras de Além Tejo. Fritei.





... verdade seja dita, para fazer sentido, para ver as evoluções, seria preciso ser as várias versões do texto, à medida que fosse evoluindo...

ok. se calhar teria mais interesse para quem escreve. Vou tentar comigo mesmo.

Hoje está frio, apesar de fazer sol.

Hoje, quando vim para o escritório, apercebi-me de que está frio, apesar de fazer sol.

Hoje, quando vim para o escritório, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas.

Hoje, quando vim para o escritório, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas, por causa da neve.

Hoje, quando vim para o escritório que afinal estava fechado por causa das temperatura, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas, por causa da neve.

Hoje, quando vim para o escritório que afinal estava fechado por causa das temperatura, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas, por causa da neve. Mas à hora de almoço tinha derretido e já estava a usar t-shirt.

mmm... this is fun...


NP: Nusrat...



quinta-feira, 23 de janeiro de 2003



Uma ideia matinal.

Um weblog, especialmente este que é (SUPOSTO!) ser cooperativo (as minhas comparsas terão caído da árvore?) é assim como uma espécie de um rolo de papel higiénico, que se vai esticando e onde se vai escrevendo. Ou como um rolo da papiro, para usar uma comparação simultaneamente menos moderna e menos escatológica.

E se fosse possível ir escrevendo no meio? Alterar o sentido ao escrito antes, não reescrevendo-o ou apagando o já escrito, mas metendo-lhe pelo meio frases e palavras novas?

Se pensar bem no caso, é isso que o personagem do Raimundo, no "Cerco de Lisboa" do Saramago, faz. Acrescenta um "não" singelíssimo, mas que altera a história.

Há várias daquelas experiencias de escrita cooperativa em que cada pessoa escreve um capítulo de cada vez. E fazer o mesmo, mas sem ser sequencialmente? Cada pessoa pega no texto até aí, e escreve o que quiser, onde quiser, desde que não altere nenhuma das palavras ou pontuação já existentes?

Se calhar devia era estar na cama.

NP: Karma Chill.



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