sexta-feira, 4 de setembro de 2026



Se fosse morrer daqui a uma semana

Agradeceria o quê, do que tive na minha vida. Acho que por comparação com outros, tive coisas de enorme felicidade, e experiências privilegiadas. Ou pelo menos que o foram para mim.

Escrevi num papel, e saiu isto.

A música. Vi inúmeros concertos de bandas de todo o  mundo, muitos festivais, muitos momentos de arrepiar, coisas de que lembro e mais coisas de que já me esqueci. Desde aquele traumático U2 em Alvalade, a Kroke, Hedningarna,  Vartinna no Porto com o Hugo, a lindíssima Lhasa de Sela no Palácio de Cristal, todos os anos em Sines com centenas de bandas, BCUC, Dakhabraka, Kimmo Pohjonen (não fui ver a Aveiro!?), Danças Ocultas, aqueles ciganos de violinos que fui ver a Águeda de comboio, Cordel do Fogo Encantado, os afrobeats de transpirar e chorar por mais, Victor Demé, tanta tanta coisa. O noiserv, várias vezes incluindo no São Luis com a Mg. Aqueles dois concertos no São Luiz em que só tive de telefonar para a CML para ter bilhetes à borla (José Mário Branco num dia, Maria João lindíssima de arrepiar e Mário Laginha), e tantas tantas outras coisas. O Festival du Desert, uma experiência só por sí inesquecível pelas amizades e pela surrealidade de tudo aquilo, mágico demais.

Podia ficar aqui o dia todo a lembrar.

A seguir escrevi, amigos e namoradas. No primeiro, claro que pessoas como o César, o Hugo, o Luís, a Ana, vêm à cabeça. Pessoas  que estão comigo há muitos anos. O Roger e a Pat, o Hakan que me levou para UK. As pessoas das equipas com quem trabalhei e com quem fiz laços fortes (como o AndréV), etc. E claro as namoradas com quem tive relações especiais. A Rita, minha ex-, com quem ficou uma amizade forte apesar de tudo o que lhe fiz, a Sofia por quem também me sinto culpado mas felizmente encontrou o seu caminho, a Joana que rebentou a escala de intensidade e mágoa, e é claro a Mg a quem espero ter feito mais bem que mal nestes 10 anos improváveis, e que também me trouxe muita alegria.

As viagens. Foram muitos os destinos e compaheiros. A Islândia super especial com a Mg, a Austrália com a Rita, Argentina com a MJ -- nunca esquecerei aquele vento gelado na proa, sozinho, do barco em Ushuaia, no estreito, o Japão e SK com a Sofia. Muitos destinos, muita sorte. E é claro os destinos de mergulho.

Depois pensei no mergulho. O mar no Egipto com aquelas imagens de azul ralleigh, peixes coloridos, tubarões, live-aboards de mergulhar-comer-dormir-mergulhar-comer-dormir com o Duarte e Bruno e Gabi. Também as Maldivas e o tubarão-baleia, Cabo Verde com eu/Duarte/Bruno a vomitar cada um para seu lado do semi-rígido, Austrália em Cairs com a Rita, Açores. Um sortudo.

Os filmes, tantos, especialmente os dias de Indielisboa com tantos filmes em duas semanas, o Nimas, o King, o Londres, o São Jorge. Os clássicos que referi no TFC: Naked, Chungking Express, tantos outros especiais (que por acaso me vêm agora menos à cabeça).

Os livros. De sempre, afectados no entanto pelo infinite scrolling contemporâneo, contra o que continuo a lutar. O José Saramago, o Mia Couto, o Gabriel Garcia Marques, o Kafka lido com 10 anos no Algarve (e certamente despercebido). Muita coisa bonita. Terá sido por eles que fiz os cursos de escrita criativa? E os cursos de astronomia que me entreteram e apaixonaram por uns anos?

O Storytelling. O curso com a Ana Sofia Paiva na BUS, os do Rodolfo. A história contada na BUS em que senti nos olhos de uma das pessoas do público quão estava dentro das minhas palavras. As 4 histórias na Graça no Botequim com a outra senhora de cabelos de prata que faleceu. As aulas no Jardim da Parada, ou naquele estúdio perto da casa dos bicos com aquele senhor de que não me recordo o nome mas que nos pôs todos num canto da sala, com calor, em cima uns dos outros. E é claro, contar histórias sob o céu escuro no Mali, com os meus companheiros de viagem Tizi, Annie, Daniel (que me levou a música em Tel Aviv) Jim e a sua guitarra e whiskey.

E trabalho? só me dá vontade de rir. Os 4 anos da Link com as miúdas designers giras, os 14 anos da Create It com o trauma do CEO mas grande aprendizagem e crescimento, o projecto do BPI, o Zooniverse. A equipa de UK com o JdS, o trabalho com o Orrin e David, os AI Rangers com eles quase todos e a LisaF, agora os DSAs recrutados quase todos por mim. Mas os objectivos atingidos, projectoss, etc, para pouco serviram. Serviram para ter dinheiro na carteira e financiar viagens, boa comida, conforto na vida, a minha bicicleta, a consola. Mas apesar de tão importante,, significa tão pouco.

Agora aprecio os meus bonecos sempre imperfeitos, livros, os jogos, as minhas plantas, comer bem, o anime (que é demais na verdade), o andar de bicicleta numa cidade plana segura e limpa.

Uma pessoa cabe toda em meia dúzia de parágrafos, não? Mesmo se há mais por dizer.

E depois acaba tudo com o fechar de um pano vermelho cor de chouriço. (lembras-te?).





quarta-feira, 10 de junho de 2026



I love you cause I need to, not because I need you

Estive durante anos a ouvir a faixa dos U2 que tem esta frase, que fica na cabeça por algum motivo, mas de não percebia o significado. Agora, de repente, já percebo. E é-me muito pessoal, e não só de hoje.

Estou à beira de mudança. Consigo senti-la nos olhos. Pergunto-me se devo eu ser o catalizador, para acabar com a ansiedade e expectativa. Vejo-a como uma seta de Zenão, pisco os olhos e um dia passa e está mais perto.

erledigen => etwas zu Ende bringen

Apareceu agora numa das últimas aulas de alemão B1.2, imagina lá.


(piscar)

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segunda-feira, 8 de junho de 2026



não apetece fazer nada

NÃO ME APETECE FAZER NADA.


Escrevei eu isto em 2020 penso eu, mas não postei não sei porquê. Posto no entanto agora em Junho de 2026, em que o sentimento se mantém.

Não é bonito.




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