sexta-feira, 31 de janeiro de 2003



Mais um pouco de acção e aventura: Deep Junior ganha a Kasparov, empatando assim o score a 1,5-1,5. Exemplos das coisas a que acho piada:

Deep Junior has tied the match 1.5-1.5 by winning game three. In another exciting game Kasparov took the battle to Junior's king but couldn't land a knockout punch. Junior bobbed and weaved like Muhammad Ali and slowly equalized the game. Finally, just when it looked like Kasparov would try to force a draw, the human blundered and lost almost instantly. Kasparov had missed a spectacular checkmate variation that caused him to lose another pawn and the game.
This is exactly how Grandmasters most often lose to computer programs. They get excellent positions and then watch them unravel against near-perfect computer defense. Junior was in trouble for the third straight game out of the opening. Kasparov, playing white, tricked Junior back into the g4 lines of the Semi-Slav (from game one) through a sneaky move order that got the Israeli program out of its opening book.[...]
A sad but all too common fate. A marvelous performance ruined by a moment's inattention against a beast that never sleeps.



PS- Abaixo o Durão.





Estou revoltado, e com vergonha de ser português.

Este Governo, pah, põe-me a calma à prova. Estava eu a pensar que tinha perdido a raiva da juventude, a energia que me fazia levantar e ir a manifs de estudantes em frente à nossa AR, "a virar à direita" como se diz que vai acontecendo com a idade, quando este moço-besta, este Sr. Chern que leva as rédeas da nossa pi-que-na nação faz outra das suas.

Estou a falar, é claro, da declaraçãozinha que o Sr. Durón assinou acerca da intervenção no Iraque. Foi para contrariar o "eixo" França-Alemanha, como dizem alguns? Para ter mais uns F-16s americanos, ou extorquir uns cobres ao Sr. ArBUSHto por causa da malfadada base das Lajes? E do Sr. Aznar, o que terá recebido? concessões no plano hidrológico? ou, para não me surpreender, umas palmadinhas nas costas ("Durón, eres miesmo FISH!", diz enquanto o amigo Portas se ri outra vez)...

FDP's.

E depois o Bush é que é a besta mundial.





Isto não tem interesse nenhum, mas vou contar à mesma.

Ontem quando estava a voltar para casa, de um dia num cliente, vi uma caixa de cartão com um PC dentro, perto do local onde tinha o carro estacionado. Já tinha aberto o carro quando pensei: "aquilo era um PC?!?". Voltei atrás, constatei q sim, meti-o no porta-bagagens, e fui-me embora. Só hoje me lembrei de que o tinha lá, e trouxe para analisar o conteúdo. Revelou-se ser um PC com um Pentium III (não sei quantos Mhz), CD-ROM, placa de rede, USB, disco de 40GB, e 64Mb de RAM. Nem quis acreditar. Aqui em casa ainda uso um Pentium a 166Mhz, só por causa do gravador de CDs e impressora a cores. Foi caído do céu (?). À caixa só faltava a fonte de alimentação, e de resto parecia intacto.

Não é isto tão absolutamente desinteressante?



quinta-feira, 30 de janeiro de 2003



A leitura dos jornais de hoje revela-nos alguns factos interessantes. Em primeiro lugar, o Público, que parece estar a especializar-se em meteorologia e relatos de temperaturas, reza assim:

Clima: Calor em Janeiro Bateu Recordes em Portugal
Nunca, desde que há registos, esteve tanto calor em Janeiro como aconteceu este ano em algumas cidades. Viana do Castelo, Bragança, Castelo Branco e Lisboa estoiraram a escala e atingiram, no passado dia 27, recordes históricos. Em Bragança, por exemplo, a temperatura máxima em finais de Janeiro ronda os nove graus, mas estiveram 20,4 no passado dia 27, ou seja, mais 11 do que é normal.

Já o Diário Digital tem uma interessante notícia sobre a "Vestígios de uma criatura de aspecto aterrorizador, denominado de Deinotherium Gigantisimum, foram encontrados na ilha grega de Creta. Pensa-se que terá sido este mamífero que deu origem à antiga lenda do Ciclope, a criatura de um só olho." Isto sim, um facto interessante! Segundo resto do artigo, a criatura teria tido 4,5m de altura! Foi encontrado um canino com 1,4 metros (!!!!) e outros dentes do tamanho de bolas de ténis. Termina assim: "Um grande orifício no meio do crânio desta espécie - a cavidade nasal da tromba - terá originado os contos sobre os ciclopes, «ferozes gigantes mitológicos de um só olho que constam da “Odisseia” de Homero." Bolas, lá se vai um mito (por acaso a Odisseia foi o único clássico grego que li :-) ).

E como rodapé neste post, não deixo de referir o duelo entre o Kasparov e o Deep Junior (este link também é interessante), que está a chamar atenções por ser outro duelo entre o campeão de Xadrez e um computador. Mas parece que o Deep Junior é muito mais calminho que o seu antecessor Deep Blue, da IBM, que derrotou Kasparov. Afinal, apenas consegue calcular três milhões de movimentos por segundo, quando o Deep Blue era capaz de calcular 200 milhões, e usa apenas "8 processadores comerciais em vez de muitos especialmente rápidos, como o computador da IBM".
É verdade que este tipo de duelos já não é novidade... mas acho curioso o facto de "os humanos" poderem também aprender a usar determinados estilos de jogo contra computadores. Exemplo: "It has become almost conventional wisdom that allowing complications with queens on the board is a sure death against computers.". Isto sim, é interessante.





Sou um girassol. Não é absolutamente fantástica, a luz?!

Como é que vou explicar em casa que apanhei um escaldão com o sol que entra pela janela enquanto trabalho?



quarta-feira, 29 de janeiro de 2003



Isto é uma nota muito, mas muito pessoal: Acho que sou um apaixonado pelas minhas próprias palavras.



terça-feira, 28 de janeiro de 2003



O Ódio
Um dos "filmes da minha vida", que tive oportunidade de rever ontem. Inesquecível.



segunda-feira, 27 de janeiro de 2003



O Público hoje tem pérolas. Esta é de um texto do Agualusa, sobre a guerra no Iraque:

"[...] Uma das virtudes de Bush (até nos maiores erros há virtudes) é a de ter permitido a todos os povos mal governados do mundo o consolo de se poderem comparar, com óbvia, embora discutível, vantagem, à única grande potência: «Sim, o nosso presidente pode não parecer mais inteligente do que um pargo, mas pelo menos não se parece com um pargo.»"

Bom, nós temos um cherne.





Falava eu de frio,m e diz assim o Público:

"Lisboa foi ontem a capital europeia mais quente, depois de uma semana em que isso só não aconteceu em dois dias, sendo tal título arrebatado por Atenas, uma das rivais de Portugal em termos de temperaturas na Europa. A temperatura média prevista para hoje em Lisboa será de 13 graus e a de Atenas de 11. Ao longo da última semana, só quinta e sexta-feira Lisboa não registou a temperatura média mais alta da Europa. Na quinta-feira, dia 23, a capital portuguesa averbou uma média de 11 graus e Atenas 10,5. No dia seguinte, as temperaturas médias dos termómetros foram na capital portuguesa de 7,5 e na capital grega de 12. Há uma semana que Lisboa e Atenas disputam o título da capital mais quente da Europa. Domingo, 19 de Janeiro, a média em Lisboa foi de 13 graus e em Atenas 10,5. No dia seguinte 13,5 na capital portuguesa e 10,5 em Atenas. Na terça-feira, 12,5 em Lisboa e 9,5 em Atenas. Quarta-feira, em Lisboa 7,5 e 11,5 em Atenas. Quinta-feira, a média das temperaturas em Lisboa foi de 11 graus e, em Atenas de 10,5."

Claramente ouve aqui um jornalista que se esqueceu de que existem TABELAS. Ou então gosta de números.

PS- não é bom sermos os primeiros? Uma ficaxação bem Nacional. Eu sei que apanhei um solinho bem porreiro em terras de Além Tejo. Fritei.





... verdade seja dita, para fazer sentido, para ver as evoluções, seria preciso ser as várias versões do texto, à medida que fosse evoluindo...

ok. se calhar teria mais interesse para quem escreve. Vou tentar comigo mesmo.

Hoje está frio, apesar de fazer sol.

Hoje, quando vim para o escritório, apercebi-me de que está frio, apesar de fazer sol.

Hoje, quando vim para o escritório, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas.

Hoje, quando vim para o escritório, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas, por causa da neve.

Hoje, quando vim para o escritório que afinal estava fechado por causa das temperatura, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas, por causa da neve.

Hoje, quando vim para o escritório que afinal estava fechado por causa das temperatura, apercebi-me de que está muito frio, apesar de fazer sol, e vim de cachecol e luvas, por causa da neve. Mas à hora de almoço tinha derretido e já estava a usar t-shirt.

mmm... this is fun...


NP: Nusrat...



quinta-feira, 23 de janeiro de 2003



Uma ideia matinal.

Um weblog, especialmente este que é (SUPOSTO!) ser cooperativo (as minhas comparsas terão caído da árvore?) é assim como uma espécie de um rolo de papel higiénico, que se vai esticando e onde se vai escrevendo. Ou como um rolo da papiro, para usar uma comparação simultaneamente menos moderna e menos escatológica.

E se fosse possível ir escrevendo no meio? Alterar o sentido ao escrito antes, não reescrevendo-o ou apagando o já escrito, mas metendo-lhe pelo meio frases e palavras novas?

Se pensar bem no caso, é isso que o personagem do Raimundo, no "Cerco de Lisboa" do Saramago, faz. Acrescenta um "não" singelíssimo, mas que altera a história.

Há várias daquelas experiencias de escrita cooperativa em que cada pessoa escreve um capítulo de cada vez. E fazer o mesmo, mas sem ser sequencialmente? Cada pessoa pega no texto até aí, e escreve o que quiser, onde quiser, desde que não altere nenhuma das palavras ou pontuação já existentes?

Se calhar devia era estar na cama.

NP: Karma Chill.



domingo, 19 de janeiro de 2003



Há um texto do Herberto Helder chamado "Teorema" (no livro "Os Passos em Volta"), que tive oportunidade de reler em breve. Em poucas palavras, o texto é mais uma visão sobre a história de D. Pedro e D. Inês, com o aspecto curioso de ser contada pelo assassino de D. Inês, e em termos como os seguintes:

[...] Fui condenado por assassínio da sua amante favorita, D. Inês. Alguém quis defender-me, alegando que eu era um patriota. Que desejava salvar o Reino da influência castelhana. Tolice. Não me interessa salvar o Reino. Matei-a para salvar o amor do rei. D. Pedro sabe-o. [...] Não tenho medo. Sei que vou para o inferno, visto eu ser um assassino e o meu país ser católico. Matei por amor do amor - e isso é do espírito demoníaco. O rei e a amante são também criaturas infernais. [...] O povo só terá de receber-nos como alimento, de geração em geração.

O resto do livro não tem grande interesse, na minha opinião, mas esta pequena história, que pode até nem ser original, acho-a genial. Ele pode ter sido um assassino, mas imortalizou de facto o amor de D. Pedro e D. Inês, nas nossas memórias colectivas.



sexta-feira, 17 de janeiro de 2003



Hoje acordei a pensar em ovos. OVOS OVOS OVOS. Desde ovos de perdiz a ovos de galinha a ovos de avestruz, grandes e com casca dura.
Aqui chegado, fiz uma pesquisa na Omnisciente Web (no Google, cujo nome até lembra ovoooos), e descobri que existe uma coisa chamada American Egg Board, uma espécie de lobby de produtores de ovos. Estas imagens aqui ao lado, a tocarem-me no ombro, são do site deles.

Apesar de não achar piada nenhuma ao Sr., a frase fica: "E esta, HEM?".

NP: Maxis dos Massive Attack





Ontem a noite, ida a Sines, para ouvir e ver os Danças Ocultas, a convite de um tipo fixe que também escreve num weblog. Muito bom. Às vezes pode parecer que não, mas este país é mesmo muitomuito pequeno.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2003



Hoje ao sair de casa...

.. cheguei ao carro e tinha o vidro coberto por uma fina camada de gelo. "Bolas, aquilo do frio era mesmo a sério", pensei cá para mim. O acaso fizera-me deixar a viatura num vale entre dois prédios, protegida do maléfico sol, e deparou-se-me aquele belo cenário matinal. Diligentemente limpei o vidro com água, e fiz-me ao caminho porque o relógio não pára. Já na estrada, reparei que as gotas de água que escorriam iam formando formas fractais, gelando sobre o vidro, e quando as sacudia com o limpa pára-brisas, saíam pequenas formações geladas.

Claro que para quem está habituado a temperaturas de menos muitos, isto não é nada, mas a minha "temperamentude" (como se diz, a qualidade de se ser temperado?) mediterrânico-atlântica não está nada habituada a isto.

NP: Nothing Yet (não, não é uma banda!)



terça-feira, 14 de janeiro de 2003



Elevador desmanchadoHoje ao sair de casa fiquei preso no elevador.

O alarme não funcionava, e a pessoa a quem telefonei tinha o telefone no silêncio. Tive de berrar esganado e bater na porta.

Quando chegaram os bombeiros, porque a pessoa com a chave estava em parte incerta para outros que não a própria, já sentia o ar a custar a entrar-me nos pulmões, e o suor escorria-me pelas têmporas. Como a porta não abria, foi preciso desmanchar o prédio em volta, com helicópteros. Quando acabaram, a luz voltou e pude descer normalmente.

Não faz mal, estava no seguro.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2003



Raios partam. Em toda, mas *toda* a minha vida, nunca me deparei com uma coisa tão absolutamente insuportável e chata. Raios, raios raios!!! Não há nada, mas NADANADANADA, que seja pior do que





Aqui estão os aquecedores para pulso, para teclados e ratos. Ou o que de mais parecido parece existir.





Ok, desisto, fomos mesmo invadidos. Claramente, não estou preparado para esta camada de frio. Já passou a imagem semi-romântica de o frio me fazer sentir VIVO. Agora, só apetece sair da cama se for para ir buscar MAIS cobertores. Raios partam isto. Andam a mandar sempre coisas lá para cima, naves e satélites e coisas assim, e é no que dá. Um dia destes ainda acertam no sol, e aí é que quero ver, toda a gente vai ter de comprar lanternas até se trocar o filamento.
Dizem-me que existem teclados e ratos aquecidos. Se sim, quero saber onde, porque preciso de um. Mal se consegue teclar. Isto é que faz parar a economia!!!



sábado, 11 de janeiro de 2003



Acho que a T gelou, e a Ju derreteu. :-)



quinta-feira, 9 de janeiro de 2003



Exmos srs,

devido à invasão do país por uma vaga de frio, mais
rápida que qualquer blitzkrieg, o país encontra-se a
parti deste instante, fechado.

Para qualquer assunto, contacte-se a porta a sul.

- a administração

PS- hoje passou-se o dia a falar a brrrr vaga de frio ("vai atingir Portugal, vindo de Espanha pelas 17h"), em termos quase de criar pânico. Ora toda a gente está habituada aos avisos de tempestade-furação que depois nunca vêm (felizmente). Sobre esta vaga... bolas, todos sabem que Portugal não é um país de brancos costumes.
Quem querem os malandros enganar???





Exmos srs,
por motivos alheios de todo à nossa mais sincera e honesta
vontade, o dia de hoje encontra-se cancelado,
devendo ser removido dos calendários.

Voltem ao calor das vossas camas e sonhos, que
vem aí uma vaga de frio de rachar.

- a administração



segunda-feira, 6 de janeiro de 2003



Por mim tudo bem.

Exmos srs,
por motivos de contenção de despesas,
o Natal encontra-se oficialmente
cancelado a partir deste momento.


O que eu não gosto em filmes: que me cuspam na inteligência. Independentemente de retratarem ou não a nossa vida. Aliás, não era sequer acerca disso que estava a discorrer. Acredite-se ou não, eu sinto mesmo uma profunda repulsa por filmes como o HP, que sou incapaz de ver. Mas vi o Senhor dos Anéis e o Spider Man, "ídolos" de juventude, e achei ambos... passíveis de visionamento interessado. Sorry. Gostos não se discutem? Correcto. (Ainda por cima, passei a noite a sonhar com batalhas entre Orcs, Elfos, Humanos e Anões -- isto é tipo Tetris!)

Queres porrada, T.? :-)





Se o Natal não tem nada de religioso, cancelemos o Natal.





Pois. É mesmo isso. Vamos à procura de histórias, por isso não estou a perceber qual é o objectivo de ver um filme como vida real e por isso não entendo a revolta de quem vê filmes e espera que eles retratem a nossa vida. Eu ia detestar um filme sobre uma vida como a minha. A única cena interessante seria aquela em que a personagem principal recebe um telefonema na praia com um convite para mudar radicalmente de vida e ir trabalhar para a Alemanha. E nessa altura diriam os críticos atentos que o filme estava muito bom, tirando a cena da praia que é um pouco holliwoodesca.
Isto faz algum sentido? Espero que sim!



domingo, 5 de janeiro de 2003



Vamos ao cinema, ou lemos um livro, para nos contarem histórias (estórias).

Que ideia atrozmente simples. Nunca deixámos de ser crianças, na realidade. A escapa do Homem Moderno, resultado de uns quantos milhares de anos de evolução... é querer que lhe contem... histórias. Singelo, não?



sábado, 4 de janeiro de 2003



Mas eu pensava que o Natal já não tinha nada de religioso!!! Não é patrocinado por um tal de pai de Natal que veste de vermelho e que trabalha para a Coca-Cola? :-)
(isto também não é azedume, já agora :-)). Por mim, dispenso. Juro que sim.

Fui ao cinema ver A Residência Espanhola. É um filme engraçado, sobre um grupo de pessoas a participar no Programa Erasmus em Barcelona. A juventude louca e desregrada, a vida toda pela frente, etc. No final, e no primeiro dia de trabalho, o protagonista, a quem esperava um futuro a trabalhar na Comissão Europeia num prédio habitado por cubículos, foge a correr como louco. Decide que aquilo não é para ele, e dedicar-se ao que realmente queria fazer: escrever. A sensação de liberdade, de fuga, etc. Filme "feel good".
Eu não sou já um tipo muito idealista, e muito menos ingénuo (infelizmente?), mas de vez em quando uns laivos de juventude e revolta ainda me percorrem as sinapses, de forma que fiquei um pouco revoltado com o simpático filme. O rapaz protagonista foge de uma vida aborrecidinha como são talvez grande parte das nossas, das "pessoas normais reais", vai fazer o que quer, escrever!!! Claro que a sensação de liberdade se transmite ao público.

Mas e depois? Se calhar daí a uns 20 anos está transformado num Luiz Pacheco (veja-se o que se descobre quando se procuram páginas sobre este escritor) revoltado e se calhar a viver de dinheiro emprestado por amigos. A minha ingenuidade transformou-se em cinismo, confesso. Este tipo de filme, incontestavelmente "agradável" de ver, é verdade que não deixa de ser de alguma forma poeira para os olhos. A grande maioria das pessoas que ali estava tem uma vida cubicular (independentemente de estar ou não contente com a mesma), e vai ali para sentar-se numa cadeira às escuras durante duas horas, para ser transportado para uma história alheia... mas que vivemos como nossa, e que nos faz sentir muito muito bem.

Portanto, como ver isto? De uma forma ingénua: a nossa vida é isto, temos de o aceitar, por isso qualquer "consolo" de como não é... é positivo de encorajar. De uma forma cínica: as nossas vidas podiam ser muito, mas muito melhores, e filmes como estes acabam por ser poeira para os olhos (independentemente de haver ou não intenção) que nos fazem aceitar a realidade como ela acaba por nos ser imposta. Vivemos como na Matrix, numa realidade virtual contentinha que nos cega para uma outra.

Boeuf. Isto faz-me sentir jovem e ingénuo. Daqui a pouco drogo-me, embebedo-me, e torno-me num poeta urbano revoltado. Raios. O pior é que já deixei passar os 27 anos, já não posso morrer por overdose na Idade dos Mártires! :-(

NP: Massive Attack, um CD que ainda não saiu e que por isso na realidade não estou a ouvir.





Olha! Sabem que mais? Estou muita contente que já passou o Natal e o Ano Novo. Não morro de amores por esta época do ano. Só gosto da noite da consoada na casa do meu padrinho. Não gosto dos magotes de gente que anda pelas ruas e pelos transportes, não gosto de entrar numa loja e apenas ver braços e mãos a comprar e não o que há na loja, não gosto do dinheirão que se gasta nesta altura do ano, acho ridículo que se fale tanto em poupar mas que haja tanto dinheiro para desperdiçar em iluminações de Natal por tudo quanto é Mundo, não gosto da quantidade de calorias que se ingere e sobretudo não gosto da obrigação que sinto de estar com espírito natalício, não percebo essa da festa da família. Eu gosto da minha família e dos meus amigos o ano inteiro e tenho muitos Natais durante o ano. E também acho que a celebração do nascimento de Jesus já foi ao ar há muito tempo. Acho isto tudo ridículo. Sinceramente acho que o termo Natal devia ser substituído por outro relacionado com consumismo. Pelo menos assumam que o que mais se faz no Natal é consumir e gastar dinheiro (muitas vezes à toa). Proponho que voltemos à forma antiga de festejar o Natal: pequenas lembranças de guloseimas para as crianças e uma ida à missa à noite seguida de cacau quente com rabanadas e no dia a seguir um belo almoço de família. É assim que a minha mãe fala do Natal pobre do Alentejo e é assim que eu queria que fosse. Juro que era. AH! E para aqueles que se dizem ateus: desculpem mas esta festa não é vossa. Abstenham-se! Até já chegámos ao ridículo de se festejar o Natal na China e no Japão.
Não! Isto não é azedume. Eu só não embarco na carneirada do Natal. Mas adoro rabanadas.



quarta-feira, 1 de janeiro de 2003



Para mim o Natal e o Fim-de-ano são duas "ocasiões" que se complementam um bocado. A primeira é a festa obrigatória da família, das prendinhas, dos doces típicos da época, e também (um pouco?) de obrigação. A segunda é a festa "pagã", dos amigos, da música, da bebida e do vodka, do ficar até às tantas e acordar com uma grande dor de cabeça. Não deixa de fazer sentido.

Este ano tomei apenas uma decisão para o ano de 2003. Para falar a verdade, não me recordo se as costumava tomar sequer :-).

A maioria dos relógios de hoje não tem badalos. Se já os "tradicionais" de ponteiros tipicamente não os têm (imagine-se um relógio de bolso com badaladas), os digitais menos ainda. Será que faz sentido comer passas? 12 passas? porquê 12? Porque é que o dia está dividido em 24 bocados? Porque é que chove, e para onde vamos e de onde viemos? Porque é que há dias frios cinzentos e o chão está molhado?

Gosto muito de Jorge Luis Borges. Um mini-excerto. «jabuneh denomina "a melancólica peregrinação a lugares outrora partilhados com a infiél"» (Crónicas de Bustos Domeq, JL Borges + AB Casares)

NP: Desert Blues 2 (cd1)





"Ano novo, vida nova."

É daquelas coisas que se diz muito mais do que se faz na realidade. Ou não se vai atacar o Iraque?



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