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domingo, 12 de dezembro de 2010



Comunicado Oficial da Presidência da Pessoa João

Concidadãos,

depois de aturada conversação e avaliação das circunstâncias que tão recentemente afligiram o nosso rectangular ser, gostaríamos de aproveitar a oportunidade para clarificar junto de todos um facto de que apenas há pouco tomámos conhecimento racional.

O motivo para o atraso na revelação deve-se à complexidade do processo auto-reflexivo em si, que c0m frequência levou este comité para observações circulares e argumentos e memórias secundárias, que tornaram impossível uma objectividade que apenas circunstâncias que poderemos classificar de extraordinárias permitiram revelar.

O facto em causa refere-se como não podia deixar de ser ao recente encerramento da relação com a Pessoa Que Não Vamos Nomear, nas circunstâncias que são por todos e pelos demais desconhecidas. Ao contrário do que até agora veio sendo vinculado na comunicação social, wikileaks, e inclusive comunicados anteriores à imprensa, sobre a reduzida dimensão do que a Pessoa João pretendia da Pessoa Que Não Vamos Nomear, o que a Pessoa João pretendia da Pessoa Que Não Vamos Nomear não era efectivamente pouco ou limitado.

Não sendo obviamente algo que fosse pretendido para agora, para o já, e serem de esperar anos e meses de maturação da ideia e de avaliação mútua das duas Pessoas envolvidas (e respectivos cidadãos), que como é de todos conhecidos têm diferenças que seria necessário avaliar e compatibilizar, o objectivo claro da Pessoa João era efectivamente forjar laços com a Pessoa Que Não Vamos Nomear de uma natureza permanente e duradoura, que teriam de ser construídos meticulosamente com base em afectos e agradabilidades mútuas mas construtivas e progressivas, e que porventura passado algum tempo resultariam em uma ou duas Pessoas Júniores e, se fosse vontade de ambos, numa união de natureza civil-matrimonial.

Desta forma desfeita falta de informação, e cientes de que o presente esclarecimento em nada altera os eventos já colocados em movimento, cumpre-nos lamentar a demora no processo reflexivo que permitiu a esta Pessoa chegar a esta conclusão, e a consequente demora na informação aos cidadãos, e esperar que em eventuais processos futuros esta clarificação e compreensão seja atingida de forma atempada.

Lamentando o sucedido,

P’la Presidência da Pessoa João,

-joão



quinta-feira, 31 de dezembro de 2009



Alien, o 7º Passageiro

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Ando com insónias, incapaz de dormir, e com um acordar agitado.



quinta-feira, 26 de novembro de 2009



Sempre soube quando ia morrer

Parte do medo que temos da morte é não saber quando e como vai acontecer. Uma outra parte, por não sabermos se haverá algo do outro lado. Ele sempre soube quando e como ia morrer. E sabia que não havia nada, do outro lado.

Claro que não sabia o mês e o dia e a hora, mas sabia o ano e sabia o como. Ao contrário de o assustar, deixou-o viver a vida sem preocupações, sem incerteza, sabendo quando e como se ia fechar a porta.

Não se lembrava disso com frequência, e quando lembrava encolhia os ombros e pensava: “o que tem de ser tem muita força”. Nem se lembrava, e sabia que nem todos tinham a mesma sensação.

Sabia que não ia cair de num avião numa viagem, que não se ia afogar no fundo do mar nem rebentar numa ida à lua, nem doente na cama com uma pneumonia, nem atropelado por um carro com um condutor em fuga. Sabia que ia morrer por dentro, e sabia com precisão que órgão ia falhar.

Quando por fim morreu, como tinha previsto e quando tinha previsto, encolheu os ombros, apertou os lábios, e fechou os olhos. Não se pode dizer que tenha morrido infeliz. Nem feliz. O que tem de ser, tem muita força.



quinta-feira, 24 de setembro de 2009



a pessoa errada na altura errada no local errado

Sempre pensei que este tipo de coisas só acontecia nos filmes.

Estávamos casados há alguns anos, e a passar férias juntos, no estrangeiro, como era frequente. Sempre fomos aquele tipo de casal que faz muitas coisas em conjunto, com muita actividade, como que para nos manter ocupados e impresentes um da vida um do outro. Quando sozinhos, pouco tínhamos para nos dizer, apesar de o silêncio também ter conforto e até felicidade. Amava-te, de uma forma incomum. Nunca te odiei, nunca me foste incómoda, e gostava de passar o tempo contigo.

Naquele dia, estávamos sozinhos num miradouro sobre um penhasco. Bem junto à beira, a sentir a vertigem da altitude e do vento que nos cortava o rosto. Lá muito em baixo, depois de uma queda quase a pique, um mar de árvores. Lembrava aquelas imagens que se têem quando se voa sobre uma almofada de núvens fofas.

Numa altura em que te debruçaste um pouco para a frente, para espreitar melhor a altitude, veio-me um impulso louco à cabeça, e sem me conseguir segurar ou conter, dei-te um pequeno empurrão. Só o suficiente para começares a cair, e ainda vi o ar de surpresa a mudar para pânico nos teus olhos, um olhar que nunca vou conseguir esquecer para o resto da minha vida.

 

Porquê? Porque não sou eu que escrevo as palavras, são elas que me ditam a mim.



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