domingo, 19 de janeiro de 2003



Há um texto do Herberto Helder chamado "Teorema" (no livro "Os Passos em Volta"), que tive oportunidade de reler em breve. Em poucas palavras, o texto é mais uma visão sobre a história de D. Pedro e D. Inês, com o aspecto curioso de ser contada pelo assassino de D. Inês, e em termos como os seguintes:

[...] Fui condenado por assassínio da sua amante favorita, D. Inês. Alguém quis defender-me, alegando que eu era um patriota. Que desejava salvar o Reino da influência castelhana. Tolice. Não me interessa salvar o Reino. Matei-a para salvar o amor do rei. D. Pedro sabe-o. [...] Não tenho medo. Sei que vou para o inferno, visto eu ser um assassino e o meu país ser católico. Matei por amor do amor - e isso é do espírito demoníaco. O rei e a amante são também criaturas infernais. [...] O povo só terá de receber-nos como alimento, de geração em geração.

O resto do livro não tem grande interesse, na minha opinião, mas esta pequena história, que pode até nem ser original, acho-a genial. Ele pode ter sido um assassino, mas imortalizou de facto o amor de D. Pedro e D. Inês, nas nossas memórias colectivas.



sexta-feira, 17 de janeiro de 2003



Hoje acordei a pensar em ovos. OVOS OVOS OVOS. Desde ovos de perdiz a ovos de galinha a ovos de avestruz, grandes e com casca dura.
Aqui chegado, fiz uma pesquisa na Omnisciente Web (no Google, cujo nome até lembra ovoooos), e descobri que existe uma coisa chamada American Egg Board, uma espécie de lobby de produtores de ovos. Estas imagens aqui ao lado, a tocarem-me no ombro, são do site deles.

Apesar de não achar piada nenhuma ao Sr., a frase fica: "E esta, HEM?".

NP: Maxis dos Massive Attack





Ontem a noite, ida a Sines, para ouvir e ver os Danças Ocultas, a convite de um tipo fixe que também escreve num weblog. Muito bom. Às vezes pode parecer que não, mas este país é mesmo muitomuito pequeno.



quarta-feira, 15 de janeiro de 2003



Hoje ao sair de casa...

.. cheguei ao carro e tinha o vidro coberto por uma fina camada de gelo. "Bolas, aquilo do frio era mesmo a sério", pensei cá para mim. O acaso fizera-me deixar a viatura num vale entre dois prédios, protegida do maléfico sol, e deparou-se-me aquele belo cenário matinal. Diligentemente limpei o vidro com água, e fiz-me ao caminho porque o relógio não pára. Já na estrada, reparei que as gotas de água que escorriam iam formando formas fractais, gelando sobre o vidro, e quando as sacudia com o limpa pára-brisas, saíam pequenas formações geladas.

Claro que para quem está habituado a temperaturas de menos muitos, isto não é nada, mas a minha "temperamentude" (como se diz, a qualidade de se ser temperado?) mediterrânico-atlântica não está nada habituada a isto.

NP: Nothing Yet (não, não é uma banda!)



terça-feira, 14 de janeiro de 2003



Elevador desmanchadoHoje ao sair de casa fiquei preso no elevador.

O alarme não funcionava, e a pessoa a quem telefonei tinha o telefone no silêncio. Tive de berrar esganado e bater na porta.

Quando chegaram os bombeiros, porque a pessoa com a chave estava em parte incerta para outros que não a própria, já sentia o ar a custar a entrar-me nos pulmões, e o suor escorria-me pelas têmporas. Como a porta não abria, foi preciso desmanchar o prédio em volta, com helicópteros. Quando acabaram, a luz voltou e pude descer normalmente.

Não faz mal, estava no seguro.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2003



Raios partam. Em toda, mas *toda* a minha vida, nunca me deparei com uma coisa tão absolutamente insuportável e chata. Raios, raios raios!!! Não há nada, mas NADANADANADA, que seja pior do que





Aqui estão os aquecedores para pulso, para teclados e ratos. Ou o que de mais parecido parece existir.





Ok, desisto, fomos mesmo invadidos. Claramente, não estou preparado para esta camada de frio. Já passou a imagem semi-romântica de o frio me fazer sentir VIVO. Agora, só apetece sair da cama se for para ir buscar MAIS cobertores. Raios partam isto. Andam a mandar sempre coisas lá para cima, naves e satélites e coisas assim, e é no que dá. Um dia destes ainda acertam no sol, e aí é que quero ver, toda a gente vai ter de comprar lanternas até se trocar o filamento.
Dizem-me que existem teclados e ratos aquecidos. Se sim, quero saber onde, porque preciso de um. Mal se consegue teclar. Isto é que faz parar a economia!!!



sábado, 11 de janeiro de 2003



Acho que a T gelou, e a Ju derreteu. :-)



quinta-feira, 9 de janeiro de 2003



Exmos srs,

devido à invasão do país por uma vaga de frio, mais
rápida que qualquer blitzkrieg, o país encontra-se a
parti deste instante, fechado.

Para qualquer assunto, contacte-se a porta a sul.

- a administração

PS- hoje passou-se o dia a falar a brrrr vaga de frio ("vai atingir Portugal, vindo de Espanha pelas 17h"), em termos quase de criar pânico. Ora toda a gente está habituada aos avisos de tempestade-furação que depois nunca vêm (felizmente). Sobre esta vaga... bolas, todos sabem que Portugal não é um país de brancos costumes.
Quem querem os malandros enganar???





Exmos srs,
por motivos alheios de todo à nossa mais sincera e honesta
vontade, o dia de hoje encontra-se cancelado,
devendo ser removido dos calendários.

Voltem ao calor das vossas camas e sonhos, que
vem aí uma vaga de frio de rachar.

- a administração



segunda-feira, 6 de janeiro de 2003



Por mim tudo bem.

Exmos srs,
por motivos de contenção de despesas,
o Natal encontra-se oficialmente
cancelado a partir deste momento.


O que eu não gosto em filmes: que me cuspam na inteligência. Independentemente de retratarem ou não a nossa vida. Aliás, não era sequer acerca disso que estava a discorrer. Acredite-se ou não, eu sinto mesmo uma profunda repulsa por filmes como o HP, que sou incapaz de ver. Mas vi o Senhor dos Anéis e o Spider Man, "ídolos" de juventude, e achei ambos... passíveis de visionamento interessado. Sorry. Gostos não se discutem? Correcto. (Ainda por cima, passei a noite a sonhar com batalhas entre Orcs, Elfos, Humanos e Anões -- isto é tipo Tetris!)

Queres porrada, T.? :-)





Se o Natal não tem nada de religioso, cancelemos o Natal.





Pois. É mesmo isso. Vamos à procura de histórias, por isso não estou a perceber qual é o objectivo de ver um filme como vida real e por isso não entendo a revolta de quem vê filmes e espera que eles retratem a nossa vida. Eu ia detestar um filme sobre uma vida como a minha. A única cena interessante seria aquela em que a personagem principal recebe um telefonema na praia com um convite para mudar radicalmente de vida e ir trabalhar para a Alemanha. E nessa altura diriam os críticos atentos que o filme estava muito bom, tirando a cena da praia que é um pouco holliwoodesca.
Isto faz algum sentido? Espero que sim!



domingo, 5 de janeiro de 2003



Vamos ao cinema, ou lemos um livro, para nos contarem histórias (estórias).

Que ideia atrozmente simples. Nunca deixámos de ser crianças, na realidade. A escapa do Homem Moderno, resultado de uns quantos milhares de anos de evolução... é querer que lhe contem... histórias. Singelo, não?



sábado, 4 de janeiro de 2003



Mas eu pensava que o Natal já não tinha nada de religioso!!! Não é patrocinado por um tal de pai de Natal que veste de vermelho e que trabalha para a Coca-Cola? :-)
(isto também não é azedume, já agora :-)). Por mim, dispenso. Juro que sim.

Fui ao cinema ver A Residência Espanhola. É um filme engraçado, sobre um grupo de pessoas a participar no Programa Erasmus em Barcelona. A juventude louca e desregrada, a vida toda pela frente, etc. No final, e no primeiro dia de trabalho, o protagonista, a quem esperava um futuro a trabalhar na Comissão Europeia num prédio habitado por cubículos, foge a correr como louco. Decide que aquilo não é para ele, e dedicar-se ao que realmente queria fazer: escrever. A sensação de liberdade, de fuga, etc. Filme "feel good".
Eu não sou já um tipo muito idealista, e muito menos ingénuo (infelizmente?), mas de vez em quando uns laivos de juventude e revolta ainda me percorrem as sinapses, de forma que fiquei um pouco revoltado com o simpático filme. O rapaz protagonista foge de uma vida aborrecidinha como são talvez grande parte das nossas, das "pessoas normais reais", vai fazer o que quer, escrever!!! Claro que a sensação de liberdade se transmite ao público.

Mas e depois? Se calhar daí a uns 20 anos está transformado num Luiz Pacheco (veja-se o que se descobre quando se procuram páginas sobre este escritor) revoltado e se calhar a viver de dinheiro emprestado por amigos. A minha ingenuidade transformou-se em cinismo, confesso. Este tipo de filme, incontestavelmente "agradável" de ver, é verdade que não deixa de ser de alguma forma poeira para os olhos. A grande maioria das pessoas que ali estava tem uma vida cubicular (independentemente de estar ou não contente com a mesma), e vai ali para sentar-se numa cadeira às escuras durante duas horas, para ser transportado para uma história alheia... mas que vivemos como nossa, e que nos faz sentir muito muito bem.

Portanto, como ver isto? De uma forma ingénua: a nossa vida é isto, temos de o aceitar, por isso qualquer "consolo" de como não é... é positivo de encorajar. De uma forma cínica: as nossas vidas podiam ser muito, mas muito melhores, e filmes como estes acabam por ser poeira para os olhos (independentemente de haver ou não intenção) que nos fazem aceitar a realidade como ela acaba por nos ser imposta. Vivemos como na Matrix, numa realidade virtual contentinha que nos cega para uma outra.

Boeuf. Isto faz-me sentir jovem e ingénuo. Daqui a pouco drogo-me, embebedo-me, e torno-me num poeta urbano revoltado. Raios. O pior é que já deixei passar os 27 anos, já não posso morrer por overdose na Idade dos Mártires! :-(

NP: Massive Attack, um CD que ainda não saiu e que por isso na realidade não estou a ouvir.





Olha! Sabem que mais? Estou muita contente que já passou o Natal e o Ano Novo. Não morro de amores por esta época do ano. Só gosto da noite da consoada na casa do meu padrinho. Não gosto dos magotes de gente que anda pelas ruas e pelos transportes, não gosto de entrar numa loja e apenas ver braços e mãos a comprar e não o que há na loja, não gosto do dinheirão que se gasta nesta altura do ano, acho ridículo que se fale tanto em poupar mas que haja tanto dinheiro para desperdiçar em iluminações de Natal por tudo quanto é Mundo, não gosto da quantidade de calorias que se ingere e sobretudo não gosto da obrigação que sinto de estar com espírito natalício, não percebo essa da festa da família. Eu gosto da minha família e dos meus amigos o ano inteiro e tenho muitos Natais durante o ano. E também acho que a celebração do nascimento de Jesus já foi ao ar há muito tempo. Acho isto tudo ridículo. Sinceramente acho que o termo Natal devia ser substituído por outro relacionado com consumismo. Pelo menos assumam que o que mais se faz no Natal é consumir e gastar dinheiro (muitas vezes à toa). Proponho que voltemos à forma antiga de festejar o Natal: pequenas lembranças de guloseimas para as crianças e uma ida à missa à noite seguida de cacau quente com rabanadas e no dia a seguir um belo almoço de família. É assim que a minha mãe fala do Natal pobre do Alentejo e é assim que eu queria que fosse. Juro que era. AH! E para aqueles que se dizem ateus: desculpem mas esta festa não é vossa. Abstenham-se! Até já chegámos ao ridículo de se festejar o Natal na China e no Japão.
Não! Isto não é azedume. Eu só não embarco na carneirada do Natal. Mas adoro rabanadas.



quarta-feira, 1 de janeiro de 2003



Para mim o Natal e o Fim-de-ano são duas "ocasiões" que se complementam um bocado. A primeira é a festa obrigatória da família, das prendinhas, dos doces típicos da época, e também (um pouco?) de obrigação. A segunda é a festa "pagã", dos amigos, da música, da bebida e do vodka, do ficar até às tantas e acordar com uma grande dor de cabeça. Não deixa de fazer sentido.

Este ano tomei apenas uma decisão para o ano de 2003. Para falar a verdade, não me recordo se as costumava tomar sequer :-).

A maioria dos relógios de hoje não tem badalos. Se já os "tradicionais" de ponteiros tipicamente não os têm (imagine-se um relógio de bolso com badaladas), os digitais menos ainda. Será que faz sentido comer passas? 12 passas? porquê 12? Porque é que o dia está dividido em 24 bocados? Porque é que chove, e para onde vamos e de onde viemos? Porque é que há dias frios cinzentos e o chão está molhado?

Gosto muito de Jorge Luis Borges. Um mini-excerto. «jabuneh denomina "a melancólica peregrinação a lugares outrora partilhados com a infiél"» (Crónicas de Bustos Domeq, JL Borges + AB Casares)

NP: Desert Blues 2 (cd1)





"Ano novo, vida nova."

É daquelas coisas que se diz muito mais do que se faz na realidade. Ou não se vai atacar o Iraque?



sábado, 28 de dezembro de 2002



C'est fini, le Noel. Ou como se fiz em português, cabousss. Para o próximo ano há mais visitas de última hora à FNAC à procura de prenda que falta, ou stresses de descobrir o que dar àquele familiar distante mas a quem tem de ser dar qualquer coisa, etc. Agora podemos todos voltar a ser uns malandros, e deixar para trás a capa de ovelha mansa que usámos no Natal, enquanto fazíamos tantas filhoses e boas acções.

A acabar hoje também está o ciclo de cinema do Frio da Zero em Comportamento. É hoje, é hoje!!! O último de 14 filmes que todos num mês!!! VIVA!!! :-)

NP: Desert Blues 2 (cd2)



terça-feira, 24 de dezembro de 2002



Ok, eu sei que nem toda a gente pode dizer o mesmo... mas quando é que o Natal se tornou o ritual de ir à FNAC, Colombo, Vasco da Gama, ou outro grande centro comercial, comprar prendas (por vezes por obrigação), e deixou de ser o praticar random acts of kindness?

(PS- não digo que eu seja diferente)

NP: Maria João e Mário Laginha, "Undercovers"



segunda-feira, 23 de dezembro de 2002



Sou só eu que me sinto deprimido no Natal?



sexta-feira, 20 de dezembro de 2002



Quantas pessoas conheces? quantas pessoas conheceste a vida toda (de conhecer mesmo, não contactos superficiais)? Quantos homens, quantos mulheres? 50? 100? Quantas pessoas fazem parte de um círculo de amigos/conhecimentos "típicos"?

Quase que aposto que o número é relativamente pequeno, se chegar à centena já acharei estranho. E o curioso: é neste grupinho pequenino minúsculo de pessoas que fazemos toda a nossa vida. A família, os amigos, os amores, tudo isto cabe aqui.

E existem 6 biliões de pessoas no mundo.

Bom. Se é para as conhecer a todas, é melhor não perder mais tempo. Volto já.



quinta-feira, 19 de dezembro de 2002



Grande asneira. O filme mais promovido do ciclo de cinema do norte da Europa ("Russian Ark") foi, para mim, claramente o pior até agora. Vim-me embora antes do final, aborrecido de morte. Deve ser por não ser um intelectual genuíno!!!

Há muitas vezes peças de teatro sobre o próprio teatro, sobre o assumirem-se papéis, sobre estar-se exposto em cima de um palco, etc. Geralmente estas pecam muito em termos narrativos, e são o que se pode chamar de masturbações conceptuais -- que tal como um weblog, se destinam a ser feitas... e não vistas (logo, por analogia, isto tb é uma masturbação conceptual, correcto?).

Bom, isto para dizer que o filme não era um filme, mas um meta-filme. Quase 2h de filme sem cortes, num museu em S. Petesburgo, filmado sem cortes, sobre a história da Rússia e algumas das suas eras. Lembrei-me do Kuleshov:

One of the most significant theoretical discoveries in the history of film is the effect discovered by Lev Kuleshov in the early 1920s in the Soviet Union. Kuleshov proved that two shots projected in succession are not interpreted separately by the viewer; in the audience's mind, they are integrated into a whole according to the well-known equation A + B = C (in which A and B are the two joined shots and C is a new value, not originally included in any of these shots).

This effect is extremely powerful. A scene, for example, consisting of the shot of aircraft dropping bombs followed by the shot of a burning village will be routinely interpreted as "these aircraft have bombed this village." Needless to say that these two shots could have been filmed at different places, at different times, and the burning village may have been the result of an accident.


Seja como for, não era tanto a ausência de cortes que incomodava, era a falta de ritmo e de narrativa. E ter falas sincronizadas com os lábios tb não seria pedir muito. Argh, que perda de tempo.



quarta-feira, 18 de dezembro de 2002



De um texto de hoje no Público, de Eduardo Prado Coelho (verdadeiro intelectual...), chamado "Erótica do telemóvel":

"Há um conto filosófico de Kostas Axelos que nos propõe a seguinte reflexão sobre a comunicação. Um homem olha à sua volta e compreende que o mundo acabou. Já não existe mais ninguém, as casas estão devastadas, os campos calcinados, os mares em chamas. É a destruição generalizada que alguns pensadores tinham profetizado. Caminha durante dias, alimentando-se com a comida que lhe resta. Cada vez mais desesperado, sobe até ao andar mais alto de um arranha-céus em ruínas e lança-se.

No momento da queda, ao passar pelo décimo sétimo andar, ouve o telemóvel a tocar."


NP: U2, "Zooropa Down Under (live)"



terça-feira, 17 de dezembro de 2002



Outros filmes do Ciclo: The Bench / Good Hands / Geography of Fear / The New Country Sobre o termo "povo" e a sua substituição na constituição portuguesa por "pessoas", é óbvio que para determinados sectores políticos a palavra tem conotações consideradas... desagradáveis. O termo "pessoas" parece mais isento dessas conotações, politicamente correcto como referes. Eu não estava a defender uma ou outra.

É verdade que para mim, e tu deste alguns exemplos q mostram q o mesmo sucede ctg, a palavra povo tem conotações de "pessoas simples" q me é difícil n olhar de lado. Custa-me a perceber o sucesso de publicações como A Bola, Maria, Nova Gente, etc., e ver pessoas q considero inteligentes ficar especadas em frente do Big Brother.

Tudo isto, por curiosidade, tem tb a ver c aquele texto do Voltaire q citei há umas semanas atrás, não? Simple is Beautiful.

De volta à questão do Waking Life, «How much of what you say do you feel others "really" understand?», uma técnica de negociação curiosa é pedir às partes envolvidas numa discussão para explicarem detalhadamente e com as suas próprias palavras, o argumento da outra parte. Com o objectivo de fazer vir a superfície percepções erradas e incutir compreensão na posição alheia.

NP: Tricky&Cia, "Nearly God"



segunda-feira, 16 de dezembro de 2002



Ah! e ainda outra coisa joão, mudar as palavras, reduzi-las ao politicamente correcto, tira a poesia ao discurso e tira a beleza da metáfora que tu tanto gostas e eu também.





Cara ju, A questão que colocas é para mim há muito tempo actual e ao contrário do jota reparo que infelizmente muito pouco. Será que estamos todos predestinados a ser compreendidos postumamente.

Caro jota, quem disse que o politicamente correcto da constituição é verdade? Não será apenas tolamente correcto?
Eu gosto da palavra povo. O povo do pastel de bacalhau, da sandes de ovo do rossio (aquelas que estão na montra desde que a loja abriu), do Zé Maria, da peúga com chinelo, do cheiro a lixívia, do correio da Maria e ficava aqui o resto da noite a lembrar-me de exemplos do povo.
A despropósito: lembro-me de o ano passado ter comentado, com a mãe de um aluno meu, que recebia todas semanas em casa uma revista portuguesa e do sorriso triunfal dela e do ligeiro arfar de entusiasmo quando me perguntou se era a Maria...
Vês? O POVO é sensacional pela simples razão que nem sequer sonha que existe outra hipótese de ser. Basta-se a si próprio, só se conhece a si próprio... E no fundo ele é o mais determinante de tudo. A cultura de uma nação faz-se antes de mais pelas características do seu POVO. Ou serei eu que estou a ver mal?





Para te responder, Ju... sinceramente, espero que o menos possível. Mas ainda sobre o Waking Life, no final do filme eles falam de um ensaio do Philip K. Dick que consegui encontrar online. Chama-se How to Build a Universe That Doesn't Fall Apart Two Days Later, e vale a pena ler. Deixo outra frase do filme:

That's like one of the things that you do to test if you're dreaming or not, right?

Yeah, like I said, you can totally train yourself to recognize it. I mean just hit a light switch every now and then. If the lights are on, and you can't turn them off, then most likely you're dreaming. And then you can get down to business. And believe me, it's unlimited.


E já viste que o povo (termo que foi substituído na constituição portuguesa por "pessoas", como curiosidade) anda por aí? *grin* :-)

NP: Violent Femmes, "Hallowed Ground"



domingo, 15 de dezembro de 2002



jota, dear, just checked the Waking Life website, and there is a very good Question of the Day:

How much of what you say do you feel others "really" understand?





Ah! Pediram-me para ser a voz do povo nesta coisa!
Se alguém precisar de alguma receita culinária ou de algum conselho para tirar nódoas, façam favor.
E para que saibam o que o povo anda a fazer culturalmente, deixo-vos o meu calendário de actividades culturais para esta semana: ir na quarta-feira ver o Harry Potter (em versão dobrada em alemão - que é a mais básica aqui) e ler os contos dos irmãos Grimm e a Visão desta semana.
Aqui fica a promessa solene de vos ir actualizando acerca do que nós, povo, vamos fazendo em termos culturais!





DOI-ME A GARGANTA!!!!!!!!
Doi-me a garganta, em especial do lado direito e as parolas das amigdalas estão inchadas. Agora digam-me: a porcaria da inflamação e da febre não podia ter vindo durante a semana? Tinha que ter chegado mesmo no sábado? Se era para estar doente mais valia que fosse durante a semana e eu não tinha de ir apanhar frios glaciares de temperaturas bem abaixo do zero... Quando se está doente, não há nada a fazer. Está-se doente e não há desculpa melhor para não ir trabalhar.
E amanhã começa a longa semana das festas de Natal. Desde que vim para a Alemanha comecei a ver o Natal de duas maneiras diferentes: profissionalmente comecei a detestar a época porque sou obrigada a festejar o Natal com pessoas que não gosto e por outro lado aqui é tudo tão queridinho, tão iluminado, os mercados de Natal são tão lindinhos. Há tanta Stimmung!!!!! Seja como for é época que tem de se viver.

Sabem? Faz hoje um ano que a minha vida começou a mudar. Faz hoje um ano que encotrei o bem dito mail na minha caixa postal: o mail de amor que era para a outra, com as minhas palavras. E a partir desse dia deu tudo uma reviravolta tão grande, tão rápida e tão maravilhosa! Isto tudo para vos dizer que estou feliz... Estou muito feliz! Encontrei agora a paz, o amor e principalmente o saber que há alguém que me ama tal e qual eu o amo e que deseja as mesmas coisas que eu desejo e ... e... e...
Bolas! EU SOU FELIZ!!!!!!!!! Como não pensei que viesse a ser. Cheguei àquele ponto da vida onde não me falta desejar nada de mais grandioso... Só filhos: três! Mas também esses virão!





Extraído, aleatoriamente, do script do filme "Waking Life":

(Main character is walking along the railroad tracks, beside a train. A guy jumps out of the train with a "Free Radio" t-shirt on)

Hey. You a dreamer?

Yeah.

I haven't seen too many around lately. Things have been tough lately for dreamers. They say dreaming is dead, that no one does it anymore. But it's not dead, it's just been forgotten. Removed from our language. Nobody teaches it so no one knows it exists. The dreamer has been banished to obscurity. Well, I'm trying to change all that now, and I hope you are too. By dreaming every day. Dreaming with our hands and dreaming with our minds. Our planet is facing the greatest problems it's ever faced, so whatever you do, don't be bored. This is absolutely the most exciting time we could have possibly hoped to be alive. And things are just starting.





Ok, eu confesso, foi um ego-boost:

"Jota entrei no teu site e te achei um gatinho.
Um gde Beijo e um ótimo final de semana.
M*****"."


Preciso de um balde para recolher a baba.

NP: Mestre Ambrósio, "Terceiro Samba"



sábado, 14 de dezembro de 2002



Me disseram que era bico downloadar mp3...
remotely queued remotely queued remotely queued
o caramba!
não downloadar mp3 é como ter os celulares tijolo - faz a gente se sentir menos.
Ó vida, ó céus, ó azar - como diria a hiena (só sabe o que a hiena diria quem está chegando nos trinta e sofreu lavagem cerebral pelos desenhos animados na infância)
pelo menos, no celular grande a gente consegue digitar sem errar - é melhor usar dedos humanos do que aqueles dedos alienígenas, compridos e fininhos - eca!!! dá até um urgh!! Seus verdes gosmentos!





C H U V A A A A A A A A A A ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !
de verão, tropical, torrencial
enxurrada assassina
gotões molhadões
ai ai, se ao menos eu soubesse compor raikais!
São as águas de dezembro abrindo o verão, promessa de vida no seu coração - ou no meu?
whatever
viva! Jobim com chuva!
e na cidade grande onde tudo inunda, chuva forte é desculpa pra tudo! Suuuuuuuper legal!





É fantástico como não tinha saudades absolutamente nenhumas de vir trabalhar para ao escritório ao fim-de-semana.

Alguma vez ficaram sem um grande amigo ou amiga por opção? Eu já. It sucks.

NP: Saint Germain, "Tourist"



sexta-feira, 13 de dezembro de 2002



NUTRIENTES

A vida com a água de côco tornou-se melhor. A água já não é aquele minério, líqüido, insípido, incolor e inodoro. Tornou-se um alimento, de origem vegetal, calórico, imprescindível para o restabelecimento químico do organismo do atleta.

Viva!! Só falta minha ilha deserta, e boa companhia.
Por essas e por outras que me tornei religiosa - alguma coisa tem que funcionar!!!!!!!
É duro soar desesperada. Tô nem aí!





Hi there.
Hi fascinating JAYJAY - me myself and I
I was going one way, but now, let me mention a real artist:

A arte é como uma luva.
A alma é como a mão que preenche a luva e lhe dá forma e sentido
.

Quem acertar ganha um Bolete o pirulito que vira chiclete!
eeeehhhh povo lerdo - quem falou foi o Kandinsky!!!

vão estudar!





This threesome blog is a failure! FAILURE!
The loser-blog!
But as we are also a meta-blog, we found the solution to all your problems: a woman that is worth the three of us
Diário I. A Missão
We reproduce here a bit of such incredible bloggistic talent.

"Antropofobia básica

Podem falar que eu sou arrogante. Misantropa. A pessoa mais escrota que vocês conhecem. (Dá tudo quase na mesma, mas fico ainda mais satisfeita em pensar que sou todas essas coisas juntas.) A verdade é que a maioria das pessoas que eu conheço é tão ridícula que eu broxo com a vida.

Nem estou falando de falta de caráter e outros defeitos similares. O problema é falta de quilate, mesmo. Gente boazinha que não serve pra nada. Falta de inteligência, de carisma, de humor, de autocrítica. Puta que pariu, quanta gente medíocre existe nesse mundo."


That's it. Chuta que é macumba!!!





Ontem ouvi a palavra "rancor" três vezes, durante o dia. Não é uma palavra que ouça ou diga muito frequentemente. O som da palavra parece-me adequado à sua semântica.

Por curiosidade, a definição:

rancor (substantivo masculino) - ódio profundo e reservado; ressentimento.

NP: Radio Macau, "O Anzol"



quinta-feira, 12 de dezembro de 2002



Há uns anitos atrás, quando era jovem e inconCiente, era um moço muito activamente preocupado com o estado das coisas no nosso país (e especialmente na Educação). Com o tempo comecei a sentir-me mais cínico em relação aos donos do poder, e a ligar cada vez menos a política, apesar de nunca ter deixado de seguir, e a sentir-me também muito menos interessado em participar em conversas ou discussões.
Este governo parece estar a pôr estas coisas à prova, no entanto.
Ontem soube da história das portagens da CREL passarem a cobrar-se, e ouvi os líderes do governo (que, ao contrário do que se possa dizer, não está totalmente legitimado pelos votos - as pessoas não votam em "coligações futuras") e os líderes da oposição. Achei os argumentos tanto de uns como de outros absolutamente patéticos. E nos segundos, faltou-me ouvir argumentos sobre o facto de serem as pessoas a pagar... Lisboa não é propriamente uma cidade onde seja fácil de circular, e não me parece que isto seja alternativa. Porque é que no Porto não há pontes com portagens, e em Lisboa pagam-se nas duas, com grandes lucros lusopontianos (e Brisianos, igualmente)?
Revoltou-me, esta história toda. E nem vou falar do que se disse sobre a Greve Geral.
Mas foi por isto que se votou, afinal, certo? por um PM patético e um Ministro da Defesa que se tivesse vergonha na cara já se tinha posto no olho da rua (isto são humildes opiniões minhas, claro). Por isto, e por um pacotinho laboral que nos vai tirar da "calda da Europa".

Enfim. Hoje sinto-me revoltado. E ainda por cima ontem as Curtas II foram fracas. Nada corre bem! :-) HRUMPFF!

Estou a ouvir o CD de um trio polaco, Kroke, que deram um concerto no Seixal há 2 ou 3 anos que foi um dos melhores a que já assisti. Uma coisa que me desperta (felizmente! :-) muito menos revolta e incómodo.

NP: Kroke, "Sounds of the Vanishing World".



quarta-feira, 11 de dezembro de 2002



Gravaram-me (ooops, comprei!!! um real original!) um CD que antigamente tinha em LP, o "The Real Ramona" das Throwing Muses.
Tinha-o porque o Blitz e a Valentim de Carvalho do Rossio fizeram em tempos um pequeno "concurso" em que o ofereciam (basicamente: mostra o Blitz, toma o disco). Apesar de não trazer nenhuma espécie de recordação ou memória (como muitas vezes acontece), até porque já foi há uns 10 anos, ainda me lembro das músicas, e até das letras de alguns refrões.
Achei especialmente curioso conhecer a primeira metade do CD muito melhor do que a segunda... mas lá percebi porquê: era preguiça de ir virar o disco. :-)

NP: Throwing Muses, "The Real Ramona"





 Poster Point of ViewCiclo. Cinema. Dinamarca. Filme: "POV - Point of View". Com dois dos actores do "A Festa" (Dogma #1), a empregadita e o filho. Excelente (9 em 10)! A história é um daqueles road movies pouco prováveis, admitidamente, mas a fotografia do filme é muito, muito bonita, as cores e texturas sedutoras. Chega a parecer exibicionista... mas não prejudica o filme.

Uma frase no filme: "The only reason to do the unreasonable is hope". Pode nem fazer muito sentido, mas há frases que - enfim - ficam, deve ser por alguma espécie de simetria-supraintranatural-global, ou outro desses efeitos muito estudados na literatura técnica sobre o assunto.


NP: Louise Attaque, "Louise Attaque"



terça-feira, 10 de dezembro de 2002



96@mail

greve geral. muito muito transito. chuva. ja falei em transito? tudo parado.

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Parece que a última greve geral já foi em 1988, nessa altura estava ou no 10º ou no 11º ano.. Tinha impressão que tinha sido há menos tempo. Tocaram na rádio músicas "dessa altura": José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco, e parece que passaram eternidades... e não me refiro apenas às que passam nos relógios.

A outra face da moeda: o trânsito esteve um inferno, hoje. Sem transportes públicos, com muita chuva... é de facto um excelente dia para ficar em casa (e aproveitar para protestar, no processo).

Há dias falei na expressão "brutally honest", numa música dos Morcheeba. Ontem ouvi a mesma expressão (mas em português), numa peça de teatro. Se calhar ela sempre esteve por aí, eu é que nunca reparei.

(NP: Falamansa - desculpa, Jul - eles de facto têm péssimo aspecto)



segunda-feira, 9 de dezembro de 2002



A propósito do novo código de trabalho, e da Greve Geral, ouvido num café: "... isto é preciso mudar alguma coisa, ou vamos continuar para sempre na calda da Europa..."

Aqui somos tudo menos estranhos. Tens o teu sofá reservado e confortável, e o café a fumegar na mesa.



sábado, 7 de dezembro de 2002



voltei aqui. E sinto que estou a entrar no meio de uma conversa qualquer entre duas pessoas que não conheço. Enfim... Estou congelada. Lá fora estão dois graus negativos e ontem cairam os primeiros flocos de neve. É bonita e muito calma a neve. Quem me dera que nevasse mais!





Tal como na música dos Morcheeba são as duas palavras, "Brutally Honest", que me chamaram a atenção, às vezes ficam na cabeça pequenas memórias, quase se pode dizer que lixo cerebral, coisas de que não nos esquecemos mas que anos a fio por aqui ficam, às vezes sem percebermos de onde vêm. Alguns exemplos:

  • Durante anos, anos, anos, e estou a falar de 10 ou mais, tive na cabeça a seguinte frase "I wore bluuuue... veeeelveeet". Não sabia de onde vinha... e só quando vi um cartaz com a reposição do filme do David Lynch fiz a ligação, e fui revê-lo com o secreto desejo de ouvir o resto da música. Já saquei o mp3 da net (shiuuu), mas continuo a ter a frase na cabeça.
  • Outra, mais recente (5-6 anos de idade?), é uma frase do Boris Vian no "Outono em Pequim", é... "Ana é nome de cão". Como citação a usar em ocasiões sociais e parecer... erudito ou fazer conversa, convenhamos que não é do mais adequado.
  • Tal como não o é uma afirmação de um livro fascinante do Carl Sagan, "Sombras de Antepassados Esquecidos", que parece feita de propósito para (não) ser usada na presença de jovens pais, que reza que, até aos 2 anos de idade, os Chimpanzés são superiores aos Humanos. O facto não devia ter nada de surpreendente, afinal eles crescem muito mais depressa, mas é uma frase que cai sempre mal. Não façam como eu.


NP: Gotan Project, faixa "El Capitalismo"



sexta-feira, 6 de dezembro de 2002



OK. Como sou legal, deixo o passado à sua disposição.
oqueijo. Como sou fixe, deixo o passado à sua disposição

Sebastião Salgado

XXV Bienal Internacional de Arte de São Paulo

26a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo





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