Pensamentos Imperfeitos

ex-vários, insensatamente para sempre

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Luminous Times (Hold On To Love)

Estava a ouvir parte da discografia mais antiga dos U2, daquilo que eu respirava até à desilusão que foi o concerto do Zooropa em Alvalade, quando me cruzei com uma faixa que sempre adorei, e que ainda hoje - agora mesmo, agora mesmo - é capaz de me causar arrepios.

Vem do CD Single do “With or Without You”, e poderia ter feito parte do clássico “Joshua’s Tree”.

Toma o vídeo, do Youtube. E deixo-te a lírica aqui.

E a frase que sempre ressoou comigo, desde há mais de 20 anos atrás (!), é:

I love you 'cause I need to /
Not because I need you

Foi sempre aqui que senti os arrepios e a pele de galinha assustada.

 

Tal como aqui e agora, de surpresa.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

sangue aquecido

acordei e levantei-me e vim e sentei-me e li e o que li singelo e alegre deixou-me irritado, zangado, furioso. com sangue em ebulição a ferver nas veias e rosto rosado e nós dos dedos brancos da força com que estavam fechados.

bastou uma frase

toda esta raiva só pode ter um escape, uma saída. um apagar meticuloso e sucessivo, como o que o espelho já fez no sentido inverso. não há esperanças, não há vislumbres de possibilidade, só desilusão e memórias. e um sangue quente demais nas veias, como óleo num motor de explosão.

só que eu não posso explodir, sujava as paredes de encarnado

por esta não esperava. fiquei desiludido com a dança de intenções e o passo atrás fora do tempo. deixou tudo de fazer sentido. tudo isto não valeu de nada. é como jogar em bolsa, e ir perdendo ao longo de vários meses, para acabar por nem conseguir vender sequer.

chegou a hora da triste reciprocidade

chegou a hora de escrever o que não queria escrever.

Há coisas que é difícil meter na cabeça

martelamos, martelamos, mas não nos saiem de fora dela. por vezes as coisas são tão óbvias que cegam. outras, subtis e disfarçadas, escondem o óbvio numa núvem. uma bruma como a de d. sebastião, que mostra por entre o branco quase opaco memórias ou situações que só dificultam o óbvio.

não tem retorno, este caminho. nem deveria estar a dizê-lo, por ser óbvio, e por muito que me custe.

hoje perguntaram-me coisas sobre paixão e sobre amar. respondi o que penso e sinto. perguntaram-me se acredito num amor 100% perfeito. respondi o que penso e sinto. fizeram ligações que não me tinham nunca passado pela (por dentro) da cabeça. não posso dizer que tenham sido ligações geniais, ou particularmente conducentes a um iluminado e profundo retirar de conclusões, mas valeram pelo que valeram. perguntaram-me várias pessoas por ti.

não sei porquê, tinha agora uma memória agradável de uma ida recente a S. e P.C. e ao B.P. a marinar romanticamente. acabo de me lembrar de como essa memória agradável é uma memória mentirosa, de como começou o passeio pelos animais e de como terminou um almoço de marisco numa esplanada espacial a ver a lua sem lhe conseguir chegar.

hoje em particular senti com força a angústia de algo que perdi há 5 dias, meses, ou anos. talvez tenha algo como síndrome de estocolmo, mas num contexto diferente. porque não consigo, não consigo ainda pelo menos, deixar de amar. esse dia virá, não duvido. mas não é hoje esse dia.

serve-me uma coisa de consolo: sempre me disponibilizei a viver isto como uma paixão sem limites. sem rede. à flor da pele. disposto a partir a cara, sem reticências. e apesar de agora já relativizar de certa forma o que levou a isso, de facto parti a cara e as reticências espalharam-se pelo chão como berlindes. mas… não me posso queixar, pois não? como dizia a Batarda, “eu adoro amar”. e sentir isto é estar vivo, é a maldição da vida interessante do confúcio, e não a trocaria por nada.

ou quase nada.

outra coisa que me confunde agora é a falta de closure. outras situações tiveram o seu luto e foram enterradas. com esta não me sinto pacificado. fiz tudo o que podia, tudo o que consegui, não chegou e não sou super-herói. mas o final foi como no Das Process do genial Kafka. e sabendo ou não do que era acusado, sei que estou inocente. e isto não evitou a condenação e o projectar para o espaço de todos os detritos mecânicos meus e dos meus genee, pobrezinhos. agora sim, condenados à extinção.

não deixes que tudo se torne relativo.

até porque os lobos nunca devem tirar os pés do chão, e as vacas por vezes têm os seus milagres com palha a cair dos céus.

Terça-feira, Julho 14, 2009

sou incapaz de escrever

…sobre algo que não seja o que tenho na cabeça. ou inspirado por isso. mas já me chegou contar três histórias de Perda no fim-de-semana emotivo. por isso, não quero falar de Perda, nem no que me vai e vem na cabeça em rodopios como um maelstrom. e o mais difícil sabes o que é? é não escrever para ti, ou sobre ti, ou para a possibilidade de estares . vou ficar louco, assim, e isso era uma chatice danada. e como não estás, até deveria ser fácil, não?

há algo de peculiar em se escrever para alguém que não está aí

pois também é verdade que não me apetece muito. podia contar-te uma história sobre um pedaço de pau, um xaile amarelo, um guarda-chuva, e uma camisola preta com bordados dourados. o que achas? poderia sair daqui uma história bonita? claro que sim. não duvido disso.

só é preciso haver quem a conte.

quando era miúdo, lembro-me de jogar a um jogo com amigos do prédio. o jogo era constituído por talvez 6 ou 12 cubos de 3-4cm de lado cada, e cada um deles tinha uma imagem numa das faces. cada um dos jogadores tinha de tirar 3 cubos aleatoriamente, rodá-los como se fosse um dado para escolher uma face, e depois contar uma história que usasse os 3 elementos do das 3 faces. era um jogo que me lembro de achar fascinante, e de ter facilidade em jogar. e foi lembrar-me deste jogo que me fez pensar que o crescimento e educação nos tira muita coisa, muito imaginário descontrolado, de dentro de nós. no workshop do fim-de-semana fizemos um exercício parecido, e achei o que saiu de mim muito pobre. estou provavelmente preso demais ao real.

o jogo era do zé luis, o filho da porteira, que morreu novo não sei como nem porquê.

parece que todas as Histórias têm quatro partes. em que parte estou agora?

Segunda-feira, Julho 13, 2009

escrever em letra pequena

comprei um eee pc. a máquina funciona surpreendentemente bem, e supostamente aguenta 9,5h. uma excelente companhia para viagens. já tem windows 7 e office e messenger até aqui o amigo live writer de onde te escrevo. só falta habituar-me ao teclado minúsculo, é o principal mas.

chamei-lhe tufas, sabes?

Not My Words

Adeus - Eugénio de Andrade

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Lucie Silvas - "What You're Made Of"

Just like I predicted, we're at the point of no return
We can go backwards, and no corners have been turned
I can't control it, if I sink or if I swim
'Cause I chose the waters that I'm in

And it makes no difference who is right or wrong
I deserve much more than this
'Cause there's only one thing I want

[Chorus]
If it's not what you're made of
You're not what I'm looking for
You were willing but unable to give me anymore
There's no way,
You're changing,
Cause some things will just never be mine,
You're not in love this time...but it's alright.

I hear you talking, but your words don't mean a thing
I doubt you ever put your heart into anything
It's not much to ask for, to get back what I put in
But I chose the waters that I'm in

And it makes no difference who is right or wrong
I deserve much more than this
'Cause there's only one thing I want

[Chorus]
If it's not what you're made of
You're not what I'm looking for
You were willing but unable to give me anymore
There's no way,
You're changing,
Cause some things will just never be mine
You're not in love this time...but it's alright.

What's your definition of the one?
What do you really want him to become?
No matter what I sacrifice it's still never enough.

Just like I predicted
I will sink before I swim
'Cause these are the waters that I'm in

[Chorus]
If it's not what you're made of
You're not what I'm looking for
You were willing, but unable to give me anymore
There's no way,
You're changing,
'Cause some things will just never be mine
You're not in love this time.
Oh, if it's not what you're made of
You're not what I'm looking for

You were willing, but unable to give me anymore
There's no way,
You're changing,
'Cause some things will just never be mine
You're not in love this time
You're not in love this time
You're not in love this time...

Domingo, Julho 12, 2009

Contadores de Histórias

Ontem e hoje participei numa workshop de Contadores de Histórias.

Éramos poucos: a Sofia a servir de guia de viagem, com o Zé Luis, o Rui, a Inês e eu a aprender. Fizemos inúmeros exercícios a brincar, para nos desinibirmos, para praticar a voz, e o ritmo, e a estrutura, a audição, e a imaginação…

e quão limitada está a nossa imaginação e espontaneidade pelos anos que passam, não imaginam…

Um dos jogos giros foi aquele em que um de nós tentava contar uma história inventada, com um anjo bom à nossa esquerda que nos segredava ao ouvido uma palavra que tínhamos de usar na história, e um demónio mau à direita que nos segredava palavras a evitar. Noutro, um conferencista estrangeiro vinha fazer uma apresentação, e tinha um intérprete ao lado para traduzir o que ia dizendo. O conferencista dizia uma frase numa língua inventada, grrrya yadadao liloliloli!, gesticulando, e o intérprete tinha de inventar uma tradução, “olá venho-vos falar de sabonetes”, e assim por diante. Os gestos e entoação do conferencista a influenciarem o intérprete, e a tradução deste a influenciar os passos seguintes do conferencista. Outro jogo ainda, a pares, foi contar uma viagem a um sítio inventado, onde tudo pode acontecer. Chamava-se o Jogo do Sim, porque tínhamos de concordar com tudo o que o nosso parceir@ dissesse, e alterar a história em conformidade. Muito divertido…

Já hoje, 2º e último dia, tivemos de levar duas histórias preparadas. Uma para ler aos colegas, outra para contar de memória. A minha escolha de leitura foi o conto “Curriculum Vitae”, do livro de contos do Ruben Fonseca “Os Prisioneiros”. É um conto literário curto, sobre um homem que toca bongo. Não te vou dizer como é a história, terás de a ler se quiseres. Emocionei-me em crescendo ao lê-la, e nas últimas 4 linhas, não consegui evitar algumas lágrimas. Na repetição, com lições aprendidas, num canto da sala rodeado pelos outros bem próximo, foi ainda mais difícil contá-la… Da segunda história já te falei, e até a podes ler agora se quiseres. Traduzi-a, claro. Tentei contá-la de forma a criar ambiguidade sobre mim enquanto contador (no início) ou afinal como participante (no fim). Duvido tê-lo conseguido: apesar de os ter tirado da sala e levado para o intimista ambiente do bar, e de tentar encarnar outra pessoa, e de não lhes ter contado nada sobre o que iam ouvir. Voltei a emocionar-me, várias vezes, e quase não consegui terminar.

«É uma história triste, não achas?»

É possível que depois do Verão façam o curso (não a workshop) de Contadores de Histórias. Se o fizerem, podem contar comigo.

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Castanhas com Limão

comi as últimas, ao som de buena vista, em tom de despedida com o amargo do limão na boca.

acreditei num amor sem limites, nos últimos meses. pensava estar a construir um castelo, mas era de areia. cada um vai seguir o seu caminho, depois de o sonho se ter tornado em pesadelo.

estou a encerrar um capítulo. daqueles importantes, em que se passam partes essenciais do enredo, como o que nos disse dos laços reais entre carlos e maria eduarda, e onde percebemos se gostámos ou não do que que lemos.

uma coisa posso garantir: apesar de tudo, não trocaria estes meses por nada.

adeus, minha leoa.

Quinta-feira, Julho 09, 2009

Lips

73000 estrelas. Faltam 27000. Como as vou conseguir com a minha voz e sem a minha voz?

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Sem energia?

Algo mudou...? A crise energética mundial afecta-nos de forma inesperada e de surpresa. O que está a acontecer? O que aconteceu ontem? O que NOS aconteceu ontem? O que se passa, e para onde estamos a ir? Gostava de ter respostas, mas não me parece ser nada de bom.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

PEDRO E O LOBO

O Pedro era um pastor. O seu trabalho era tomar conta das ovelhas enquanto pastavam. Mas por vezes ficava aborrecido por estar sozinho, sem ninguém com quem brincar e falar.

Um dia resolveu fazer uma brincadeira para se divertir.

Desatou a gritar:

- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!

Os fazendeiros que ouviram a gritaria desataram a correr para ajudar o Pedro a afugentar o lobo, mas quando chegaram lá não havia lobo nenhum.

O Pedro fartou-se de rir mas os fazendeiros não acharam piada nenhuma à brincadeira e foram-se embora.

No outro dia o Pedro resolveu fazer o mesmo.

Desatou a gritar:

- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!

Os fazendeiros correram para ajudar o Pedro, mas não havia lobo nenhum. O Pedro desatou a rir mas os fazendeiros ficaram zangados e disseram: - Este miúdo pensa que não temos mais nada que fazer! e foram-se embora.

Passados uns dias os fazendeiros ouviram o Pedro a gritar:

- Lobo, lobo, socorro, está aqui um lobo!

E disseram uns aos outros:

- Não nos vamos deixar enganar. Hoje ficamos aqui.

O Pedro continuou a gritar porque desta vez era mesmo um lobo que lhe estava a matar as ovelhas.

- Porque é que ninguém me ajudou? - perguntou o Pedro a chorar. Agora fiquei sem ovelhas.

Não te ajudamos porque pensávamos que era mais uma brincadeira - responderam os fazendeiros.

 

(tirado daqui, e usado claramente como parábola)

tomorrow will be the same day

puquinho e anel thar she… goes again. nem sei o que pensar. de manhã um tropeção idiota desiquilibrou o planeta. à noite, um vento inexplicável tirou-o abateu-o dos eixos.

aproxima-se moby dick a soprar água pelos céus, inesperada, e vira o baleeiro, escapando para o horizonte solar.

thar she goes, again, in the dead black of night.

because she wishes to, because that’s her nature, because that’s how she deals with the world round around her.

já não sei o que pensar, ao certo, e não tenho já a energia para erguer o arpão. deixo-me levar pela corrente, apático, a única coisa que quero é não levar mais porrada das ondas, não ouvir mais o rugir do mar nos ouvidos, não saber o que fazer e não ter para onde fugir senão para o próprio imenso que me rodeia, imprevisível, afogar-me.

não sou capaz de te apanhar, moby. pelos vistos, não sou capaz. quase 7 meses em busca de ti, a dar tudo por ti, e sempre me iludiste, sempre te escapavas quando julgava ter-te agarrado, mesmo nestes últimos dias em que pude vislumbrar o meu objectivo como atingido.

sometimes it hurts (8)

i feel numb. i’ve become one of those senseless blogs, devoid of interest but full of words. even you won’t come and peek, you know I can see you through the mist.

tomorrow will be the same day. the nights eat my heart.

agora que perdi a voz, como vou conseguir o infinity?… :(

Quarta-feira, Junho 24, 2009

Défice de Atenção

Por vezes é-me difícil manter a atenção naquilo que estou a fazer, por exemplo acabo de me aperceber de que tenho de cortar as unhas e vou-me levantar e fui cortá-las enquanto esfregas o olho e te perguntavas se estaria a falar a sério – pois sim, estava. Isto acontece-me diariamente, hora a hora, é-me quase impossível concentrar num único assunto, surge-me uma lembrança em memória e zás, lá vai um file > new > window no browser e lá se vai a réstia de concentração conquistada a pulso. Não estou a descobrir nada de novo, isto já foi discutido bastas vezes, e muito se escreveu e mais vai escrever ainda. A forma como interrompemos conversas para atender telemóveis ou responder a SMS, ou como interrompemos o que estamos a fazer para abrir um browser no google, sacar e responder a um mail, enviar um twitter ou fazer um comentário no messenger. Tudo isto (SMS, browser, google, mail, twitter, messenger) são palavras em inglês. Daqui podemos obviamente depreender qual a fonte de todos estes males, está aos olhos de todos para ver. A culpa é tua, língua do demónio. Se não fosses tu, eu seria capaz de me concentrar e fazer uma tarefa do início ao fim, sem distracções e threads (lá está…) novas a correr no background (), em multitasking (preciso dizer mais?) constante… isto é claramente um sinal dos tempos, no mundo civilizado, e não duvido que daqui a uns milhares de anos o nosso próprio cérebro estará adaptado (selecção natural electrónica by charles e-darwin), provavelmente com multi-core, teremos os álveolos dos pulmões aplicados ao cérebro, com milhares de pequenos processadores capazes de tomar conta das centenas de pesquisas simultâneas que na altura sem dúvida seremos capazes de lançar sem nos desconcentrarmos de nenhuma das outras.

Já estou confuso.

O que te digo é isto: não sei como evitar isto. Não sei como alterar isto. É preciso uma imensa força de vontade, e enquanto a ganho lembro-me de que posso pesquisar na wikipedia o que significa ADD, e quando volto aqui já nem sei de que raios estava a falar.

(ya, a wikipedia é fixe)

Sexta-feira, Junho 19, 2009

pois… menti.

podes continuar com os toques nocturnos ou matinais, que eu silencio o telemóvel. podes continuar com as mensagens. não te esqueças das cartas, anúncios no jornais e publicidade online, a seguir. não vais, nunca, conseguir o que queres, sejas tu quem fores.

Sexta-feira, Maio 29, 2009

(episódio felino)

Há muitos anos, era eu criança, estava à janela de casa dos meus pais, num apartamento no 9º andar. Vendo um gato preto lá em baixo, subindo as escadas do prédio, atirei uma moeda de 2$50 na vaga direcção dele, e - numa improbabilidade – acertou-lhe no lombo e fugiu assustado.

Afinal o gato preto dá má sorte, ou tem má sorte?

 

 

nota: já é tão estranho, escrever 2$50, não é? mas para os mais piquenos, imaginem uma moeda pequena, branca, do tamanho aproximado de uma de 20c. Quanto a gatos pretos, bom… esses nunca mudam, devem saber a que me refiro.

The Clock Tiques

A verdade é que os meus relógios já não ticam. Em breve, poucos se recordarão de relógios que fazem tiquetaque por detrás do rosto branco dividido em doze fatias, tal como nos esquecemos dos relógios fotosintéticos, que precisavam de sol para funcionar, ou dos outros que precisavam de corda todos os dias.

Os nossos rostos também estão divididos. Os olhos e a boca a fazer riscos horizontais, o nariz a fazer um corte vertical, o que dá 6 pedaços de cara. Teremos seis horas em nós?

O relógio tica, os segundos diminuem no mostrador

(e aumentam de novo, e diminuem de novo, não os percebo),

… e não sabemos o que nos vai trazer o segundo a seguir. O que quero é pedir que uma moeda caia de pé (mas a quem? se Quem não existe), e parar o tempo não é uma opção porque nunca ninguém o conseguiu e mesmo que conseguisse, eu e tu nunca o conseguiríamos saber, a fracção de tempo em que estaria parado nem um soluço seria no grande esquema das coisas.

Poderemos parar o tempo, eu e tu, afinal?

(tic…)

… e se quisesse pará-lo às 14:48, por exemplo?

(toque.)

Quinta-feira, Maio 28, 2009

Fui mau para ti por acaso, Sr. Facebook?

O Facebook odeia-mePorque é que isto está em destaque há vários dias?

«página 339»

«men who’d been so much in love that nothing touched them…»

Encontrei isto, de um romantismo trágico, numa nota que escrevi no telemóvel, pelas palavras. Não sei de que livro é, e quando dói, dá vontade que fosse verdade.

it doesn’t feel right

no it doesn’t and the feeling is all wrong and what i miss is all wrong and time and the nights awake are all wrong and you being there and i’m being here is all, all wrong. belonging imperfectly together is not simple but life is never simple and i was lucky to find you (a million times have these words been said now that the living outnumber the dead i know) and i am poor because of having lost you and what am i doing here after all? senseless, the rest of what is to come makes no sense and has no meaning and is lifeless and baren. why? we can’t talk about incompatibility as if we were peripherals that couldn’t make an effort – we are talking after all. no, this doesn’t feel right, at all.

«Comprendan que no
pretendo ofenderla
tampoco le estoy haciendo
un reproche
usted es dueña de su vida
de su cuerpo y de sus noches
confieso me enamore como un niño
y siento que no estoy arrepentido
disfrute de tu experiencia
hasta calmar mi ansiedad […]»

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Sinto falta da minha leoa loira…

:(

Porque nos socorremos de músicas com rimas em ar.

ela

ele

Caem como folhas
Lágrimas do seu rosto
Sua vida antes desta
Deixou-lhe um desgosto
Entre dois suspiros
Sobe-lhe, na face
Sem favor
Abre-se a janela
Tenta um disfarce
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Deixo-me ficar

 
 

Nunca quis saber
Nunca quis acreditar
Que irias partir
Não podias ca ficar
Nunca quis escutar
E muito menos quis ouvir
O teu silêncio que avisava
A intenção de nao voltar
Podes crer
Bem que me disseram
Para nunca me dar
A uma pessoa ou a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora
De que servem estes olhos
Se não podem mais te ver
Queria ver
Queria saber
O que fazias tu
Que estás aqui a observar
Estás a ver
Estás a perceber
Pode ser que um dia
A gente volte a se encontrar
Agora embora,
Agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho para pensar
Agora agora
Que a minha alma chora
Como diz alguém
Vou-me perder pra me encontrar

Esse choro triste
Desespero seu
P’ra tentar dizer
Nada se perdeu
Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante

 

Dois Lados Do Mesmo Adeus by Donna Maria.

nota: a música não praticamente nada a ver com seja o que for.

Letting Ir

não é nada simple. é complicated deixar para trás uns bons months de vida em set com uma woman que se love visceralmente. muito complicated, digo-te já.

fui rever tudo o que I wrote sobre esta relationship improvável e insensata, o meu ficheiro csi, e encontrei uma diversity de emotions and sentimentos que me surpreendeu assim toda junta.

tenho de ser ou masochistic ou esquizofrénico. normal I can’t be, certamente. tive a energy e o amor e passion para fazer com que ainda assim it lasted por quase quase six meses, mesmo quando everything parecia perdido.

não tenho doubts de que nunca mais (never again) vou ter uma relationship como esta. não tenho mesmo. e tenho sorry sincera de que tenha terminated da forma violent como terminou. minha fault, minha culpa, meia culpa.

já te understood que escrevo assim para te confuse. porque as words que tenho para write são elas próprias confusas. mas dói muito inside me. i hurt, e choro a reimaginar long hair e o toque da tua skin debaixo dos covers.

eu devia know melhor. por algum reason não somos feitos para love como adolescentes, as if it fora o nosso primeiro amor. evitar os mistakes porque se tem experiência, ganhar experience cometendo erros. ganhei muita experience, nestes últimos six meses.

eu alongo-me por ti.

TPC: Revisão da Matéria Dada

Esta noite revi com um amigo um belo filme sueco que tive a sorte de ver pela primeira vez o ano passado no Indielisboa08. O título pobre em português é “Deixa-me Entrar”, em Inglês “Let the right one in” e em sueco “Låt den rätte komma in” (sim, tive de fazer paste, porque não faço ideia como se escreve a bola em cima do primeiro á). A descrição que vou fazer é convidativa a não ir ver:

um filme de amor sueco entre crianças de 12 anos, em que uma delas é um vampiro.

mmmm… não. vou tentar de novo.

um filme de vampiros adolescentes com uma história de amor

mmmm. estás a perceber o meu problema, não?

e o problema é que este filme vale a pena ver. Tanto, ou mais, que o “Fucking Åmål”, outro filme sueco, este, …

um filme de amor lésbico entre adolescentes

podes imaginar quantos amigos consegui convencer a ver este filme, quando passou no ciclo. zerinho. ao menos o primeiro vai passar comercialmente, e vale bem a pena ver.

por curiosidade, no 1º a protagonista feminina chama-se Eli, no segundo chama-se Elin. estarão relacionadas?

Terça-feira, Maio 26, 2009

Porque é que podemos sempre contar com o João Gilberto

«E uma cruel desilusão / foi tudo o que ficou / ficou / para machucar meu coração»

Porque tem sempre palavras melhores que as nossas (ou que as minhas, pelo menos).

«quem sabe não foi bem melhor assim / melhor para você e melhor para mim / a vida é uma escola que a gente precisa aprender / a ciência de viver p’ra não sofrer»

Adeus.

Há muitos anos, o site do Enki Bilal estava em desconstrução. Visitava-o em dias consecutivos, e uma nova secção do site havia desaparecido. Aos poucos. Até ser eventualmente substituído, integralmente, por um novo.

That’s what happened to us, now. We stopped existing. Started in a storm, went out with a gigantic bang. I will never, EVER, forget this. The good, the bad, the amazing, the incredibly frustrating, the bi-lateral respect that must exist in all relationships.

Não me apetece dizer muito mais. Sem musa, é normal que a um tipo comecem a faltar palavras.

The Wonders of Se7en

semsono,semenergia,olhosabertosporinércia,
anoitequeseestendecomigoapé,eanoitequeseestendecontigosemmim,
eos[meuserros]quecausaramtudoisto. irreversível, triste, sem, uma desolação que me enche e parte o coração, uma violência que destruiu o meu sonho.

entrei numa cápsula do tempo por seis meses. quis acreditar que podia construir um castelo na areia (afinal, as crianças fazem-nos, e que sou eu?), apesar de a cada balde que lhe juntava se desfazer mais do que fizera. inúmeros ataques, os mouros assaltavam os muros em hordas vorazes, dentes ao luar a brilhar de encarnado, e o castelo a aguentar a aguentar a aguentar até que não aguentou mais, mas caiu não pelos dentes que esperavam lá fora, mas porque se desfizeram as fundações, o jogo político dos corredores fê-los ruir sobre si mesmos.

queria voltar a essa cápsula do tempo que enterrei perto de casa dos meus pais (era um saco de plástico), pegar nos ponteiros do relógio e fazê-los andar para trás, encaminhar de pequenino o pepino, começar a linha direita e sem ondulações, mas é impossível, im-pos-sí-vel, e mesmo que estivesse lá atrás no tempo, haveria ácidos de boca que não conseguiria disfarçar com açucar.

e tenho pena de tudo isto, e escrevo assim em labirínto para que tu que me acompanhas desde os dez anos, também tu, não sejas capaz de me compreender, nem eu mesmo quando um dia (talvez um dia) reler o que escrevi. “devia estar louco”, pensarei. “que idade tinha? mas não é ainda novo para já estar senil?” não, nunca se é novo demais para se ser senil.

a arrebatação violenta é genuína, mas uma má forma de lidar com as coisas. alternativas? devo crucificar-me em público? não acho. o depilar da situação revelaria muito mais do que o Grand Finale mostra, para o bem e para o mal.

bela merda, esta. quem me dera que o tempo pudesse voltar atrás.

Sexta-feira, Maio 22, 2009

sangue invisível

morri na praia por falta de ar. por falta de respeito. por orgulho. o que foi que me fez sentir assim por alguém? atirar-me de cabeça, despir uma relação de vários anos de um dia para o outro quase sem olhar para trás? foi a paixão, a proximidade, o teu olhar, o teu corpo, os teus lábios e as tuas mãos. a paixão, insensata. e acima de tudo, as palavras, o desafio, a magia. esqueci as diferenças, lutei contra elas, com irritação aguerrida, arrelias, batalhas braço-com-braço na arena dos leões, e agora faço-te mal, dizes-me que as feridas da batalha te fizeram sangrar demais e que te retiras, ou antes, que me expulsas do ringue. não queres mais nada comigo. dizes-me que posso ter quase qualquer mulher que queira. dás-me com a gente vai continuar do palma, dizes-me que quem perdeu há-de ter mais cartas para dar. mas eu não quero ter mais cartas para dar. deixei o baralho na tua mesa do poker. e sinto Saudade, muita (muita) Saudade.

Ele não sabe o que diz

«aparentemente é verdade que a probabilidade de se fixar numa relação se reduz com cada relação falhada» (Orlando Moreira, um desconhecido, citado sem autorização. Premonitoriamente, A.C. (Antes do Cataclismo).

apetece-me matar-te

meter-te uma pedra em cima, nunca mais escrever, nunca mais voltar aqui. Quando escrevo meter no telemóvel, como agora, a cruel ironia disso que escrevo faz-me ler "neves".

sangue visível

era uma noite quase perfeita, com cumplicidade, partilha e magia. Estávamos próximos, muito próximos. Bebemos e falamos e falamos como em poucas noites até agora. Depois perdemo-nos no caminho. Esquecemos o respeito mútuo, deixamos que o orgulho tomasse conta de nós e das nossas palavras e corpos e acções. Recusamo-nos a retirar palavras que ambos sabíamos insensatas. Agora estou de coração dormente.,atordoado, furioso. Sabendo que perdi a minha pérola para o mar. :-( porque é que tem de ser assim? Sabia no que me estava a meter. Já não tinha idade para este tipo de entrega a alguém. Joguei e perdi, como canta o palma. Num xadrez de emoções descontroladas, apagas-me da tua vida apressadamente, como aos outros antes de mim. Sei que o destino não me pertence já, só as palavras e a memória e as fotos de nós. Mas sei que não deixo de te amar. Tufas.

Quarta-feira, Maio 06, 2009

Vasco Granja & A Banda Desenhada

Não vou estar com recordações saudosistas. Tenho muito boas memórias dos programas de animação do Vasco Granja, e escrevo isto só como homenagem a essa imagem. Espero um dia conseguir reencontrar aquela animação dos bonecos que se acotovelavam à beira de um precipício, e que tantos outros como eu parecem ainda recordar vividamente.

Sábado, Abril 25, 2009

Adeus, tufas

No dia 16 de Março escrevi uma posta intitulada “Sem Acreditar”, que agora recuperei. Voltou a acontecer o que acontecera nessa data, e que aconteceu várias outras vezes nos últimos meses. Quando se mistura fogo e alcóol, um desiquilíbrio instável, é natural que aqueça, e é natural que alguém se queime, e foi o que aconteceu de novo.

Nesta data, menos de uma horá atrás, te voltei a dizer-te adeus, perante o teu silêncio e olhar de desprezo e ódio sem despedida. Ontem fomos ao cinema, com alegria eu por partilhares algo de importante para mim, sem saber que o que iríamos ver acabaria por despoletar isto. Ironias do destino, certamente.

Adeus tufas, adeus puguiça, adeus meu amor do ‘lôr e das meijas e bimbas e mofas e minhocas, adeus minha tufas…. (palavras que custam muito escrever)…

28 de Novembro a 25 de Abril. Acabou o meu sonho.

Boa sorte, tufas. Espero que sejas feliz, desejo-te tudo de bom.

(há muitas palavras que faltam aqui, mas este não é o local para as deixar)

Terça-feira, Abril 21, 2009

meijas e bimbas

… numa noite que nunca acaba, com dois corpos agarrados numa colher de ‘lor debaixo dos lençóis, um abraço que dura a noite eterna e que nunca se vai desfazer, uma guerra por que vale a pena perder a vida, correr com a bandeira à frente mesmo que para perder a vida com o primeiro balázio pelos nervos dentro entre a sobrancelha direita e a sobrancelha esquerda mesmo ao centro. palavras secretas que se amontoam uma contra a outra uma sobre a outra, memórias que vão numa vinda e retornam por cima e pelos lados como electrões a rodear um núcleo prontos para o ataque final das hienas e das leoas loiras na savana africana. Não quero a superficialidade de uma voz por trás de uma janela branca, quero paixão, como canta a a Lhasa,

[…] Ay! Ya no se canta
Como se cantaba ayer
Ahora dicen "ven-
Tomanos un cafe
Besamos en francais"

No yo no se canta
"Sin tu amor me moriré"
No se grita "ya
No aguanto este sufrir
Quiero vivir..." Linda cancion

Desde que no hay malda
Todo el mundo se rie
De mi ansiedad
Yo lo llamo "poesia"
Le dicen "vanidad" […]

… quero amor para sempre, quero meijas quentes, e bimbas no conforto um do outro, quero-os para sempre, e nunca vou desistir de os ter. Tentar? Tentar é para os outros.

[…] if you can't be good
be shameless, be obscene
be passionate, possessed
be obstinate, obsessed
be everything I knew you would
if you can't be good […]

Segunda-feira, Abril 20, 2009

De Mãos Abertamente Atadas

Lembra-me, este título, o Eyes Wide Shut. A repetir sentimentos quase em repeat-while-true, e com a sensação ainda assim de que o outro lado não está a receber o envelope com a mensagem secreta no interior

amo-te.

… ou que não o quer receber, numa incompreensão estrelar, pontilhada de pequenas dúvidas como numa mensagem morse que diz assim

.- -- --- -....- - . .-.-.-

vamos fingir de conta, só desta vez, de que ficou tudo bem, de que reparámos tudo, de que o balão pode de novo ser enchido de água sem vazar, e fazer com que este conto passe a ser real, torná-lo nosso e complexamente visceral, sentido na pele até à eternidade, porque

se eu te amo e tu me amas

não faz sentido não partilharmos todo o nosso tempo, os nossos lábios, os nossos corpos, os nossos sorrisos e alegrias e frustrações, e não faz sentido estarmos de mãos abertas mas algemadas, em sinal de uma  paz prisioneira do que nos acontece que não queremos.

porque te amo, e porque tu me amas.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Diz: oriented

Des-rumado e sem saber o caminho.

Os dois à frente de um tabuleiro de xadrez, cada um com as suas torres brancas e negras, movendo-as ora com urgência ora devagar.

Olham-se nos olhos a tentar ler um pestanejar, um gesto arrependido.

O jogo está empatado. E nem é preciso alguém ganhar, ou é? Mas a tensão mata-nos.

Em teoria dos jogos, é bem conhecido o dilema do prisioneiro. Se ambos cooperarem, maximiza-se o resultado. Só é preciso ambos cooperarem.

É isso.

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