martelamos, martelamos, mas não nos saiem de fora dela. por vezes as coisas são tão óbvias que cegam. outras, subtis e disfarçadas, escondem o óbvio numa núvem. uma bruma como a de d. sebastião, que mostra por entre o branco quase opaco memórias ou situações que só dificultam o óbvio.
não tem retorno, este caminho. nem deveria estar a dizê-lo, por ser óbvio, e por muito que me custe.
hoje perguntaram-me coisas sobre paixão e sobre amar. respondi o que penso e sinto. perguntaram-me se acredito num amor 100% perfeito. respondi o que penso e sinto. fizeram ligações que não me tinham nunca passado pela (por dentro) da cabeça. não posso dizer que tenham sido ligações geniais, ou particularmente conducentes a um iluminado e profundo retirar de conclusões, mas valeram pelo que valeram. perguntaram-me várias pessoas por ti.
não sei porquê, tinha agora uma memória agradável de uma ida recente a S. e P.C. e ao B.P. a marinar romanticamente. acabo de me lembrar de como essa memória agradável é uma memória mentirosa, de como começou o passeio pelos animais e de como terminou um almoço de marisco numa esplanada espacial a ver a lua sem lhe conseguir chegar.
hoje em particular senti com força a angústia de algo que perdi há 5 dias, meses, ou anos. talvez tenha algo como síndrome de estocolmo, mas num contexto diferente. porque não consigo, não consigo ainda pelo menos, deixar de amar. esse dia virá, não duvido. mas não é hoje esse dia.
serve-me uma coisa de consolo: sempre me disponibilizei a viver isto como uma paixão sem limites. sem rede. à flor da pele. disposto a partir a cara, sem reticências. e apesar de agora já relativizar de certa forma o que levou a isso, de facto parti a cara e as reticências espalharam-se pelo chão como berlindes. mas… não me posso queixar, pois não? como dizia a Batarda, “eu adoro amar”. e sentir isto é estar vivo, é a maldição da vida interessante do confúcio, e não a trocaria por nada.
ou quase nada.
outra coisa que me confunde agora é a falta de closure. outras situações tiveram o seu luto e foram enterradas. com esta não me sinto pacificado. fiz tudo o que podia, tudo o que consegui, não chegou e não sou super-herói. mas o final foi como no Das Process do genial Kafka. e sabendo ou não do que era acusado, sei que estou inocente. e isto não evitou a condenação e o projectar para o espaço de todos os detritos mecânicos meus e dos meus genee, pobrezinhos. agora sim, condenados à extinção.
não deixes que tudo se torne relativo.
até porque os lobos nunca devem tirar os pés do chão, e as vacas por vezes têm os seus milagres com palha a cair dos céus.